“Maldito Li Yi! !”
Pei Shaoze cerrou os punhos com tanta força que as veias saltaram em seus braços.
Segurando o impulso de matar alguém, Pei Shaoze pegou um travesseiro e colocou debaixo de Su Banxia. “Espera aí, vou buscar remédio para você!”
Dito isso, ele se virou e saiu com passos largos.
A figura alta e ereta do homem fez Su Banxia sentir um aperto no nariz.
Nesses seis anos na França, mesmo com a ajuda de Lin Tongze, na maioria das vezes ela se segurou sozinha.
Mesmo sentindo dor, não ousava gritar, com medo de preocupar os dois pequenos em casa!
Não demorou muito para Pei Shaoze voltar com uma caixa de primeiros socorros.
“Deite-se e não se mexa.”
A voz grave do homem soou, com um toque inexplicável de ternura.
Su Banxia obedeceu sem hesitar.
Em pouco tempo, sentiu uma sensação fresca e morna nas costas.
Não sabia que remédio era, mas depois de aplicado, a dor ardente diminuiu bastante.
Depois de passar o remédio em todas as costas, Pei Shaoze franziu a testa e perguntou, preocupado: “Tem mais algum lugar ferido?”
Pensando na cicatriz de chicote no peito, naquela posição difícil de mencionar, Su Banxia hesitou por um segundo e respondeu balançando a cabeça: “Não tem mais.”
Essa hesitação de um segundo não passou despercebida por Pei Shaoze.
“Mulher burra, quer me enganar de novo.”
Pei Shaoze bufou com desdém e, ignorando a resistência de Su Banxia, puxou com força. A roupa dela, que já estava quase caindo, deslizou imediatamente.
O ferimento no peito também ficou exposto diante dos olhos do homem.
As pupilas de Pei Shaoze se contraíram ligeiramente, e ele quase rangeu os dentes ao xingar: “Maldito!”
Depois de xingar, ele ainda aplicou o remédio em Su Banxia com cuidado.
Percebendo a resistência dela, ele bufou friamente, ergueu os olhos e a olhou com um olhar provocador.
“Já fizemos tantas vezes, que parte do seu corpo eu não vi? Por que esse drama?”
Ao ouvir isso, Su Banxia baixou silenciosamente as mãos que cobriam o peito.
Depois de passar o remédio, já estava escurecendo. Pensando nos dois pequenos em casa, Su Banxia ficou inquieta.
“Não, tenho que voltar!”
Por mais maduro que Su Hao fosse, ainda era uma criança de cinco anos!
Ela não conseguia ficar tranquila!
Pei Shaoze, que estava repreendendo um subordinado no celular, ouviu isso e desligou a ligação na hora, olhando para ela com cara feia: “Você está assim e ainda quer voltar? Tudo bem, se você conseguir se mexer, não vou te impedir.”
Su Banxia rangeu os dentes, com o rosto teimoso, apoiou-se na cabeceira da cama com uma mão e fez menção de se levantar.
Pelo canto do olho, viu Pei Shaoze mudar de expressão e se mexer, e ela também ficou tensa. Mas a mão não segurou, e ela caiu de volta.
“Para de bancar a durona, fica quieta aí!”
A mão forte de Pei Shaoze a empurrou de volta, com um movimento que carregava uma ternura inconsciente.
Depois de um silêncio, Su Banxia pegou o celular e ligou para Fang Shiqing.
“Shiqing, você está em casa? Os dois pequenos te deram trabalho?”
Tão tarde, ela estava preocupada que as crianças ainda não tivessem comido.
Mas—
“Xiaxia!”
Fang Shiqing também ficou surpresa: “Você não disse que voltaria mais cedo hoje?”
Ela fez uma pausa e continuou com dificuldade: “Achei que você estivesse em casa, e como a Shanshan estava sozinha, fui cuidar dela.”
Em tão pouco tempo, ela, que sempre odiou Zhang Shanshan, já a chamava carinhosamente de Shanshan.
E o Hospital Popular onde Zhang Shanshan estava ficava longe pra caramba de onde elas moravam, uma ida e volta levava mais de duas horas.
“Quer que eu volte agora? Fico preocupada com as crianças sem ninguém para cuidar.”
Já tinha dado tanto trabalho, Su Banxia mordeu o lábio e recusou: “Não precisa, não precisa. Cuida dos seus afazeres primeiro, eu dou um jeito.”
Assim que Su Banxia desligou, encontrou o olhar extremamente complexo de Pei Shaoze.
“Se tem algo a dizer, fala logo.”
Ela disse, resignada.
Pei Shaoze virou a cabeça de forma estranha, seus olhos profundos como um lago frio olhando pela janela. Depois de um tempo, ele falou, como se estivesse fazendo um favor: “Não me importo de você trazer as crianças para cá.”
Ao ouvir isso, Su Banxia ficou paralisada, arregalando os olhos pretos e redondos para ele.
Os olhos dela eram lindos, com o preto e o branco bem definidos, cristalinos, como um ímã gigante que atraía as pessoas sem que percebessem.
Ela conhecia bem o senso de território dele. O quarto e o escritório da vila eram proibidos para qualquer um, nem mesmo a irmã mais nova, Pei Shaoyin, era bem-vinda, quanto mais duas crianças “sem” laços de sangue.
Vendo que ela demorava a responder, os olhos de Pei Shaoze brilharam, e ele bufou friamente: “O quê, você tem medo de eu vender as crianças?”
Psicologicamente, ele se sentia muito incomodado com aqueles gêmeos. A existência deles lembrava a todo momento que sua mulher tinha tido filhos de outro homem.
No entanto, emocionalmente, ele não conseguia odiar aquelas duas crianças, e até gostava um pouco delas.
Era tão contraditório que nem parecia ele.
Depois de pesar os prós e contras, Su Banxia abriu um sorriso radiante: “Então, agradeço pela gentileza do Presidente Pei.”
Pei Shaoze franziu a testa e a olhou com desagrado: “Me chama de Shaoze!”
Essa mulher fazia de propósito para irritá-lo!
Su Banxia arqueou os olhos, o canto ligeiramente caído formando um lindo formato de lua crescente: “Está bem, Shaoze.”
Pei Shaoze só então ficou satisfeito e mandou um motorista buscar as crianças imediatamente.
Dez minutos depois, o celular de Su Banxia tocou.
“Mamãe, o tio motorista foi enviado por você para buscar eu e a irmã?”
Pela linha do telefone, Su Banxia já conseguia imaginar o pequeno Su Hao franzindo a testa, com uma carinha séria.
Pei Shaoze, que não tinha a menor vergonha de ouvir a conversa, bufou levemente: “Bem desconfiado, hein.”
“Cof, cof.”
Su Banxia o olhou de lado, discretamente.
Enfatizou: “Isso não é desconfiança, é cautela e esperteza!”
E, além disso, essa mania de desconfiança de pequeno adulto, não era igualzinha a você?
Su Banxia pensou consigo mesma e confirmou no telefone: “Foi a mamãe que mandou o tio. Fiquem tranquilos e venham.”
Quando estavam prestes a desligar, a voz manhosa de Su Guoguo chegou: “Mamãe, você só fala com o irmão, não gosta mais de mim? Uhuhuh... Mamãe não me quer mais...”
Os soluços da pequena fizeram Su Banxia ficar entre a raiva e a risada, e ela a acalmou com paciência: “Não, a mamãe ama muito nossa linda princesinha Guoguo...”
Antes de desligar, ainda dava para ouvir Su Hao acalmando a irmã.
“Seus dois filhos são interessantes.”
Pei Shaoze disse com um tom neutro, mas, por algum motivo, soava um pouco amargo.
Su Banxia rapidamente afastou essa ideia absurda da cabeça, tratando aquilo como um elogio, e disse orgulhosa: “Claro, um é calmo e maduro, o outro é fofo e adorável!”
Elogiar as duas crianças a deixava muito mais feliz do que ser elogiada por si mesma.
Olhando para aquela mulher que, se tivesse um rabo, estaria balançando de tão orgulhosa, Pei Shaoze, raramente, não a contestou.
Ficou um tempo no quarto, depois pegou o celular e saiu.
Minutos depois, o celular de Su Banxia tocou.
Quem ligava era Ye Hengtian, o mesmo que a tinha enganado de forma cruel!