Nuvens de trovão encobrem o céu, com um buraco negro no centro, e as nuvens escuras se agitam, parecendo, de longe, um olho gigante. O Olho do Céu! Cada relâmpago que passa parece a ira do deus do céu, e quem observa sente a iminência de uma catástrofe, quanto mais quem enfrenta a provação. O olho da provação gira, e uma força invisível se acumula. O macaco está no topo da montanha, sozinho, enfrentando as nuvens de trovão que cobrem o céu, sentindo-se firmemente preso por uma aura invisível. Essa aura não tem origem nem destino, mas é impossível de isolar. O céu e a terra são vastos, mas não há para onde fugir. Cada um tem sua própria provação. A provação celestial de um cultivador não pode ser compartilhada por ninguém ou por nenhum meio; só o cultivador pode enfrentá-la sozinho. Se passar, torna-se imortal; se não, vira cinzas. Vamos! Nos olhos dourados do macaco de pedra já havia determinação; desde que decidiu romper o bloqueio, ele já estava preparado. Boom! Como se o mundo estivesse sendo criado, um relâmpago púrpura tortuoso, como um machado gigante, desaba com estrondo, dividindo o céu e a terra ao meio, caindo direto na cabeça do macaco. O que é uma catástrofe iminente? Isso é! Num instante, todos os pelos do macaco se eriçaram, seu corpo instintivamente sentiu a chegada do perigo, despertando uma reação natural. Nesse momento, tudo é rápido demais! A velocidade do relâmpago é imensa, quase a da luz. Quando você o vê, o relâmpago já chegou. O relâmpago, grosso como um pilar, engole o macaco num instante, banhando-o numa chuva de trovões. Paralisia, calor ardente, explosão... cada pelo, cada pedaço de carne, cada célula... treme violentamente, o corpo perde o controle. Mesmo sendo um corpo de macaco de pedra natural, ele é queimado por fora e macio por dentro. Num piscar de olhos, inúmeras células viram cinzas, a vida se extingue. Nos Três Reinos, a arte de combate mais afiada é a dos cultivadores de espadas. Com uma espada na mão, quebram todos os feitiços, cortam cabeças a milhares de quilômetros. Mas a mais violenta em matança é a arte do trovão. Sob a espada voadora, o corpo se desfaz, e a alma ainda tem chance de reencarnar. Já a arte do trovão é a punição celestial, a rainha de todas as artes, a mais assassina, que destrói o corpo e aniquila o espírito. Sob o trovão, todas as artes perecem, o corpo se desintegra, a alma se dissipa, sem reencarnação, tudo vira cinzas. Até na arte da espada, a técnica do trovão celestial é a suprema! Antes, o macaco só ouvia falar disso; agora, ao levar um raio, ele sente na pele a tirania da arte do trovão. O corpo vira carvão, e sob o trovão, até a alma treme, inúmeros pensamentos são dispersos. O macaco então se lembra do que o mestre disse antes, rapidamente prende a respiração e acalma a mente, estabilizando o espírito. Boom, boom, boom! O primeiro raio cai, como uma represa que se rompe, e a energia da provação, acumulada por tanto tempo, desaba de uma vez. Os ombros do macaco começam a se curvar sob o peso, todo o corpo treme, o pelo dourado fica queimado, parecendo um carvão em forma de macaco. Esse alvoroço já despertou todo o Monte Fangcun. Vendo os raios púrpuras caírem como uma tempestade, os cultivadores sentem um aperto no coração. "Será o Relâmpago Púrpura Primordial?" "Esse macaco tem uma base de cultivo tão profunda que atrai o relâmpago púrpura do céu! Se for pela profundidade do Dao, ele é o primeiro do Monte Fangcun!" "Um simples macaco, em apenas três anos, como conseguiu tal cultivo? Será outro deus da guerra dos Três Reinos?" ... Os presentes cultivam neste santuário dos Três Reinos, o Monte Fangcun; mesmo que não tenham grande Dao, têm visão de sobra. A provação celestial tem cores diferentes conforme o poder: branco, vermelho, dourado, verde, púrpura! O branco é o mais fraco, o púrpura o mais alto. A provação celestial se ajusta ao Dao do cultivador, aumentando o poder do trovão. Ao verem o macaco atrair o relâmpago púrpura, todos ficam chocados. E o macaco, como protagonista, não se importa com essas trivialidades. Enfrentando o trovão, passando por uma purificação de fora para dentro, ele sente até seu corpo de macaco de pedra, forjado inúmeras vezes, começar a derreter. Não pode continuar assim! Como um corpo humano pode resistir ao poder do céu e da terra? É preciso vencer com astúcia! Mudar! O macaco pensa, e o segredo das Setenta e Duas Transformações flui em sua mente. As Setenta e Duas Transformações explicam a natureza de todas as coisas, os princípios de geração e contenção. O trovão é violento, e o metal pode conduzi-lo. Uma ideia surge na mente do macaco, e seu corpo imediatamente se transforma: o dourado sobe dos pés à cabeça, espalhando-se por todo o corpo, e logo ele se torna um homem de ouro. O relâmpago se espalha, cruzando-se no ar como uma rede invisível que o envolve. O trovão entra pela cabeça e é rapidamente conduzido ao chão, sem danificar o corpo. Mas o trovão, violento e ao mesmo tempo sutil, atinge diretamente a alma. A alma treme sob o poder do trovão, os pensamentos se dispersam, o espírito fica instável. Assim, o corpo pode aguentar, mas a alma se desfará, virando um morto-vivo. O trovão celestial não é comum; tem poder direto sobre a alma. Não basta mudar o corpo; a alma também precisa mudar; virar um objeto inanimado não resiste à provação! Num instante, o macaco faz seu julgamento. Mas que criatura pode resistir ao trovão celestial? O trovão ruge, cada raio traz a morte! O macaco não tem tempo para pensar; seu corpo começa a mudar por instinto, alongando-se e engrossando, logo se transforma num monstro com um chifre na cabeça, como uma serpente gigante, rugindo para o céu. A Montanha das Flores e Frutas fica no lado do Mar do Leste. O macaco não é estranho ao oceano; no mar, há uma criatura demoníaca que domina o trovão, com órgãos especiais que geram eletricidade: a Enguia Relâmpago de Chifre Único! Olhos verticais brilham com relâmpagos, o corpo grosso da enguia se move e esquiva, e do chifre saem raios. Os trovões se chocam, anulando-se mutuamente. Mas logo ele sente cansaço. A força humana tem limites! Mesmo tendo poder sobre o trovão, como resistir ao poder celestial? O macaco então entende o verdadeiro significado das Setenta e Duas Transformações para escapar de desastres! Não é resistir, mas "evitar". Os desastres são contínuos, e os seres vivos evoluem, mudando conforme o tempo e o lugar, adaptando-se ao ambiente. Que criatura pode se adaptar ao trovão celestial? Essa é a questão! Quão tirano é o trovão celestial? Sem dúvida, tal criatura, ao surgir, já é um ser divino natural. Esses seres têm um nível de vida tão alto que é difícil transformá-los. Mas o macaco não se importa; ele nasceu do céu e da terra, e seu coração de macaco não é inferior ao do dragão verdadeiro, da fênix ou do unicórnio auspicioso! Quem não nasceu assim? Dragão, fênix, tartaruga negra, pássaro de dois olhos... várias bestas divinas do céu e da terra vêm à mente; qual delas tem o poder de controlar o trovão celestial? Os Três Reinos são vastos, e as bestas divinas, nascidas da essência do céu e da terra, não são muitas em número! Já sei! Logo o macaco encontra a resposta. Ele abre os braços, e penas como espinhos afiados brotam, emitindo luzes brilhantes, como se fossem feitas de vidro. Zzzz! Fios finos de relâmpago saltam, faiscando, e rapidamente se juntam numa bola de eletricidade. Uivo! Um grito agudo e claro rompe as nuvens, ecoando por muito tempo. Com um som de vento! Uma enorme sombra de pássaro, com cauda de chamas púrpuras, voa direto para as nuvens da provação. O pássaro brilha com relâmpagos, todo púrpura, exalando uma aura de nobreza e auspício, com uma crista na cabeça e olhos cheios de orgulho inato, naturalmente acima de todos os seres. O dragão tem nove filhos: Qiu Niu, Yazi, Chi Wen... A fênix tem nove filhotes: Qing Luan, Pavão, Jin Peng... Um deles: o Pássaro Relâmpago!