— Muito obrigado, Mestre!
O macaco de pedra prostrou-se, e ao chamar "Mestre", sua voz transbordava sinceridade.
A partir dali, o coração errante se corrigiu e adentrou o Portal do Mistério!
A consciência de Feng Lin estava profundamente oculta no interior do macaco de pedra, observando silenciosamente aquela cena.
A jornada pelo Reino Ilusório dos Mitos já lhe era familiar.
O Reino Ilusório dos Mitos não passava de um sonho; ali, o tempo fluía por milênios, enquanto lá fora era apenas um instante.
Isso significava que ele tinha tempo suficiente para buscar, ali dentro, a resposta para escapar do beco sem saída.
Aquela terrível catástrofe cósmica, que encobria o céu e o sol, ninguém poderia evitar.
Mesmo que ele despertasse o gene do Rei Macaco, não conseguiria enfrentar essa força primordial e imensa do universo.
Mas a Montanha Fangcun era diferente.
Nas lendas antigas, era um santuário de cultivo, e seu fundador, o Patriarca Puti, era uma existência suprema comparável a um santo.
Ali se ocultavam os infinitos segredos do cultivo cósmico, capazes de elevar alguém à santidade.
Nesse lugar, talvez ele encontrasse a esperança de resolver o impasse.
Feng Lin precisava encontrar, senão, ao deixar o Reino Ilusório dos Mitos, enfrentaria uma situação de morte certa.
Ele acalmou o coração e mergulhou na ilusão, em busca da verdade dos mitos.
Pois bem, depois que o macaco de pedra se tornou discípulo do Patriarca Puti, estabeleceu-se na Montanha Fangcun.
O Patriarca Puti não o valorizou por ser uma criatura inata de talento extraordinário; tratou-o como a qualquer outro.
O macaco de pedra, junto com os irmãos mais velhos, aprendia linguagem e cortesia, estudava escrituras, discutia o Tao, praticava caligrafia e queimava incenso, dia após dia. Nos momentos de lazer, varria o chão, capinava o jardim, cuidava das flores, podava árvores, buscava lenha, acendia fogo, carregava água, transportava caldo...
De todas as tarefas, não havia uma que não fizesse.
No início, o macaco de pedra era apenas um discípulo comum, encarregado de serviços.
E isso não era tudo!
Homens e demônios seguiam caminhos distintos; aqueles supostos irmãos de seita não o consideravam como um igual.
Felizmente, o macaco de pedra já havia passado por muitas experiências no mundo mundano, conhecendo bem as frias indiferenças humanas. Diante de tantos olhares desdenhosos, ele cultivava em paz, aguardando o momento em que o Patriarca transmitiria o ensinamento.
Embora houvesse rancor em seu coração, ele era constantemente contido por um desejo puro e inabalável de buscar o Tao, sem cometer nenhum ato desordeiro.
Feng Lin, ao observar aquilo, não pôde deixar de assentir, compreendendo profundamente a importância do coração do Tao para o coração errante.
O macaco de pedra, nascido da natureza, era inatamente violento; sem forjar o coração do Tao, jamais conseguiria tamanha serenidade.
Um dia no mundo dos homens, mil anos na caverna.
Num piscar de olhos, no Reino Ilusório dos Mitos, sete anos se passaram.
Naquele dia, o macaco de pedra, com uma vassoura, varria as folhas caídas nos degraus de pedra da Montanha Fangcun.
Sete anos de cultivo silencioso; embora sua força não tivesse aumentado muito, a elevação do estado de espírito também era uma forma de cultivo.
Diferente do macaco selvagem que antes perambulava pelas montanhas, agora ele vestia uma túnica simples, os pelos penteados suavemente, o rosto sereno, como um eremita refinado de longa prática.
— Olhem! É aquele macaco de pedra!
— É o macaco que o Patriarca acabou de aceitar? É um demônio?
— Um simples macaco querendo cultivar a imortalidade! Três anos se passaram, e ele ainda está varrendo. Ha ha, que sonho absurdo!
...
Um grupo de cultivadores passou pelos degraus e, ao ver o macaco de pedra, soltou risadas baixas.
Achavam que falavam baixo, mas não sabiam que o macaco de pedra, um dom natural, tinha ouvidos aguçados; tudo chegava até ele, que respondia apenas com um rosto frio. No fundo de seus olhos dourados, porém, ardia uma fúria como fogo, pronta para consumir o mundo, mas contida por uma razão vinda da alma, incapaz de explodir.
Dong! Dong! Dong!
De repente, um som de sino ecoou, como uma melodia de vale vazio, ensurdecedora e esclarecedora, purificando a mente.
Ao ouvi-lo, os cultivadores se alegraram: — Rápido, rápido! Chegou a hora da pregação do Patriarca, que ocorre a cada cinco anos! Vamos depressa, é uma grande oportunidade. O Patriarca tem profundo cultivo, certamente nos guiará!
E todos se apressaram.
— Pregação do Patriarca? — Ao ouvir, a violência nos olhos do macaco de pedra se dissipou, um brilho dourado surgiu, e ele se aproximou silenciosamente.
Ao chegar ao altar, viu um ancião de barba longa, com aura imortal, já sentado no alto, convocando os imortais para expor os sutras misteriosos.
Era verdadeiramente...
Flores caíam do céu, lótus de ouro brotavam do chão, e ele explicava maravilhosamente os três veículos, a essência sutil e as dez mil leis completas.
Os cultivadores ouviam extasiados, e Sun Wukong, ao lado, regozijava-se sem conter.
Feng Lin, escondido no fundo do coração do macaco de pedra, ouvia atentamente a pregação do Patriarca Puti.
Era a exposição da lei por um grande ser, ocultando os segredos do cultivo antigo.
Refinar a essência em qi, refinar o qi em espírito, refinar o espírito em vazio, refinar o vazio em união com o Tao... Muitos segredos se desdobravam diante de seus olhos.
Eram conhecimentos dos mitos antigos, há muito perdidos.
Feng Lin, sonhando de volta ao passado, não perderia essa oportunidade única; cada gota de conhecimento era memorizada e ouvida com seriedade.
Mas ele não se esquecia do essencial: buscava atentamente o método para resolver a catástrofe cósmica.
No entanto, Feng Lin se decepcionou.
A catástrofe cósmica era um desastre que permeava o universo; esses conhecimentos mitológicos, embora sutis, tratavam apenas do caminho do cultivo, não de métodos de combate, difíceis de romper a calamidade.
Enquanto isso, o macaco de pedra ainda estava imerso nas maravilhas do Dharma misterioso.
Esperar passivamente não era solução; só restava agir por iniciativa própria.
Pensou Feng Lin, com urgência no coração. Com um movimento de sua mente, sua consciência refluiu e imediatamente assumiu o controle daquele corpo.
Zhi! Zhi! Zhi!
No instante seguinte, sob seu domínio, o macaco de pedra, como se ouvisse as maravilhas do Grande Tao, alegrou-se a ponto de coçar as orelhas e as bochechas, sorrindo, e não pôde evitar de gesticular, interrompendo a pregação do Patriarca, que fez uma pausa.
Shua! Shua! Shua!
Inúmeros olhares se voltaram para ele, faiscando fogo.
— Macaco atrevido! Interromper a exposição do Patriarca! Que castigo mereces?
— Ajoelha-te e pede perdão!
— Expulsem-no da Montanha Fangcun!
...
Uma onda de vozes iradas.
Feng Lin, porém, não lhes deu atenção; apenas fitou o Patriarca Puti no altar e, com sinceridade, prostrou-se: — Discípulo ouvia com devoção e, ao ouvir a maravilhosa voz do Mestre, alegrou-se sem conter, por isso me agitei assim. Peço que o Mestre me perdoe!
Puti sorriu levemente, como se não se surpreendesse. Seus olhos brilhavam com uma luz pura, vendo tudo, e perguntou calmamente: — Este macaco insolente, já que reconheces a maravilha sonora, pergunto-te: há quanto tempo estás na caverna?
Feng Lin sentiu um sobressalto interior; aquela cena era tão familiar.
Será que estava vivendo exatamente o cenário do coração errante questionando o Tao nos mitos?
Olhando para o Patriarca Puti, com sua expressão de quem tudo controla, Feng Lin esboçou um sorriso peculiar.
Pena que já não sou aquele macaco de pedra!
Fingindo naturalidade, Feng Lin disse: — Discípulo, ignorante, não sabe quantas estações passaram. Só me lembro que, como não havia fogo no fogão, ia frequentemente atrás da montanha buscar lenha e vi um belo pessegueiro; ali comi pêssegos maduros sete vezes.
O Patriarca disse: — Aquela montanha se chama Montanha do Pêssego Podre. Já que comeste sete vezes, devem ser sete anos. Agora, o que desejas aprender comigo?
O Patriarca Puti, sentado no alto do altar, como se estivesse nas nuvens, contemplava as mudanças do céu e da terra, tudo sob seu domínio.
— O Tao que desafia o céu! — Feng Lin sorriu levemente e falou baixinho.
— O quê? — O Patriarca estremeceu; seu rosto permanecia sereno, mas o canto dos olhos tremia ligeiramente.
A catástrofe cósmica era um grande desastre que subvertia as leis do universo; só com o Patriarca Puti se poderia encontrar o caminho para resolvê-la.
Mesmo que desviasse o rumo do Reino Ilusório dos Mitos, Feng Lin arriscaria perguntar, mas não poderia revelar informações do mundo exterior, para evitar consequências indesejadas.
Ele prostrou-se profundamente e perguntou novamente: — Patriarca, o caminho do cultivo busca ascender às fileiras dos imortais e viver tanto quanto o céu e a terra! Mas, se um dia o céu e a terra apodrecerem, o universo se inverter, como se pode reverter e romper isso? Como transcender?
O Patriarca Puti ficou atônito por um instante; afinal, era uma existência suprema comparável a um santo. Ele olhou profundamente para Feng Lin.
Naquele momento, o corpo de Feng Lin ficou rígido; sentiu que todos os seus segredos foram desvendados por aquele olhar, que atravessava os milênios e via a verdade.
Seria esse o poder de um santo?
Enquanto Feng Lin sentia um medo incontrolável, o Patriarca Puti falou lentamente, dando a resposta.
— Rompe com o coração! O céu pode envelhecer, a terra pode se deteriorar, mas se o coração não se mover, naturalmente se transcende!