— O quê? Rei, queres treinar nossa força de combate para lutar contra aqueles tigres, leopardos, lobos e chacais? — Isso é impossível! Não podemos ser páreo para aquelas feras! — Vamos morrer! ... Assim que Fenglin anunciou a decisão, a multidão de macacos explodiu em alvoroço. Os macacos se abraçavam, tremendo de medo. — Certo! Agora que temos a Caverna da Cortina d'Água, por que arriscar a vida contra aquelas feras? — Rei, não perdeste o juízo? — Nós jamais concordaremos com isso! ... Alguns dos mais indomáveis entre os macacos aproveitaram a oportunidade para causar tumulto, desafiando a autoridade de Fenglin como rei, gritando sem parar. Uma pedra lançada ao lago levanta mil ondas! A multidão de macacos chiava sem parar, sons agudos e estridentes como batidas de gongos e tambores, um barulho ensurdecedor que transformava a Caverna da Cortina d'Água numa confusão total, deixando todos atordoados. Rugido! Fenglin respirou fundo e soltou um rugido repentino, como um trovão, levantando ondas de ar que dominaram tudo, abafando completamente a algazarra. Os macacos, amedrontados, não ousavam mais emitir um som, olhando para Fenglin como se fosse um deus ou demônio. Postura relaxada! Mesmo com tanto medo, ainda não conseguiam ficar em pé ou sentados direito. Fenglin balançou a cabeça. Bondade não faz um rei! Esses macacos eram tão covardes, não só por causa da grande calamidade que dizimou os mais fortes, mas também pela proteção excessiva do velho rei macaco. Flores de estufa não resistem às tempestades. O velho rei macaco, com sua alta cultivação, protegeu sozinho o grupo, permitindo que aumentasse em número. Mas, sob sua indulgência, os macacos perderam a coragem, tornando-se inúteis em sua maioria. Caso contrário, na mitologia, a tribo dos macacos tinha certa fama nos Três Reinos, como poderiam ser oprimidos até hoje pelas bestas demoníacas da Montanha das Flores e Frutos? Pensando nisso, Fenglin disse em tom grave: "Esta é minha ordem como rei macaco! Não há recusa. A partir de hoje, devem treinar com toda força, ninguém escapa!" Suas palavras eram severas, cheias de uma determinação inegociável. — Que tipo de rei és tu? — soou uma voz dissonante. — Mesmo que sejas rei, não podes nos obrigar a ir buscar a morte contra aquelas bestas! — Não iremos morrer! — Recusamos treinar! ... Com alguém a incitar, a multidão de macacos se agitava, com vozes de resistência surgindo de todos os lados. Fenglin não se surpreendeu nem se irritou, seus olhos percorreram calmamente o grupo, vendo um macaco de cara vermelha e grande porte sentado, gritando sem parar, cercado por alguns macacos fortes, que olhavam para Fenglin com más intenções. — Estás a desafiar-me? — perguntou Fenglin calmamente, reconhecendo aquele macaco. Era um macaco com dons naturais, de corpo alto, duas ou três vezes maior que os comuns, com força impressionante. Originalmente, os macacos achavam que, após a morte do velho rei, ele se tornaria o novo rei, mas o velho rei acabou passando o trono para ele. Por isso, esse macaco grande sempre guardou rancor do Rei Macaco Belo em segredo, e hoje encontrou a oportunidade para se manifestar. — Exato! Apenas encontraste a Caverna da Cortina d'Água, não mereces ser o novo rei! Para ser rei dos macacos, é preciso ter força para convencer a todos. Podes não ser capaz de me vencer! — disse o macaco grande, indomável. — Oh? Então estás a desafiar meu posto de rei macaco? — Fenglin sorriu. — A disputa pelo trono do rei macaco é baseada na força! Tu apenas tiveste sorte de encontrar a caverna, e ainda por cima, tua origem é desconhecida, nem nasceste em nosso grupo. Como podes liderar os macacos? Eu não aceito! — o macaco de cara vermelha latia sem parar. Oh! Fenglin sorriu levemente. Parece que o Rei Macaco Belo não nasceu com uma aura dominante que faz todos se curvarem! Manter o trono de rei macaco não era tão simples. Até um macaco como este ousa me desafiar? Dá-se um pouco de poder e já querem abrir uma tinturaria! É preciso saber que ser rei não é só bondade, mas também autoridade. Tratei esses macacos bem demais, e eles não conhecem seus limites. — Tudo bem! — disse Fenglin calmamente, aceitando o desafio do macaco grande. — Vou ver se tens méritos para me desafiar. Uma batalha pelo trono de rei macaco era inevitável. Os outros macacos se entreolharam e abriram caminho, deixando um grande espaço vazio. O macaco de cara vermelha hesitou, vendo que Fenglin aceitara tão facilmente, ficou indeciso. Embora não aceitasse o novo rei, sabia como era difícil saltar aquela cachoeira, algo que nem mesmo um macaco comum poderia fazer, nem o velho rei conseguira. Se realmente lutasse, conseguiria vencer? ... Ele hesitava muito. Fenglin, porém, perdeu a paciência e disse com um sorriso leve: "Com medo? Se conseguires me vencer, o trono será teu!" Ao ouvir isso, o macaco grande se irritou, e seus olhos se encheram de sangue. Uau uau uau! Ele se ergueu sobre duas pernas, batendo no peito largo com as mãos, soltando uivos para se encorajar. Fenglin ficou parado, olhando diretamente para ele. O macaco grande saltou alto no ar, juntou os punhos e desceu com toda a força do impacto, fazendo o ar estalar. Fenglin parecia paralisado de medo, imóvel no lugar. O macaco grande soltou um grunhido excitado, como se já visse a cabeça de Fenglin explodir sob seu golpe. Sabia que nenhum macaco no grupo conseguia bloquear aquele ataque. O novo rei não seria exceção. Macaco voador de cabeça para baixo! Quando os punhos estavam quase em seu corpo, Fenglin se moveu, usando a forma de macaco do punho imitador de animais. Ele pisou forte no chão, deu uma cambalhota, ficou de cabeça para baixo no ar, e desferiu um golpe, perfeito e preciso. O quê? O macaco grande sentiu apenas um lampejo diante dos olhos, e os punhos já estavam enormes à sua frente. Antes que pudesse reagir, seu corpo inteiro foi arremessado para longe. Ficou pendurado na parede rochosa como um quadro, seus ossos e músculos despedaçados pelo golpe, transformando-se numa massa informe no chão. — Rei, poupa-me! — gritou o macaco grande instintivamente, agora sentindo o verdadeiro desespero. Aquele golpe foi tão terrível que despedaçou seu corpo inteiro. Ele sentiu um desespero profundo, percebendo como fora estúpido desafiar o novo rei. — Rei, perdoa-me desta vez, nunca mais ousarei! — implorou. Mas se implorar bastasse, para que serviria a autoridade real? Ser um rei demoníaco não é apenas proteger o grupo, mas também dominar o destino dos membros. Fenglin, com olhar frio como gelo, caminhou diretamente até ele, ignorando seus pedidos, pegou seu corpo despedaçado e o jogou para fora da entrada da Caverna da Cortina d'Água. A cachoeira rugia. Aquele macaco grande era apenas um macaco comum; cair de tanta altura significava se despedaçar, sem chance de sobreviver. Os outros macacos tremiam, sem ousar dizer mais nada. Fenglin se virou e os encarou sem emoção: "A partir de hoje, devem treinar sua força de combate. Quem não concordar, que saia da Caverna da Cortina d'Água e não terá mais relação alguma com o grupo!" Ele deu a ordem de expulsão. — Não, rei! — Queremos treinar! — Dá-nos uma chance! ... Os macacos se ajoelhavam, implorando sem parar. Eles eram fracos e indefesos; se fossem expulsos e virassem macacos selvagens, seu destino seria terrível. Acabariam na boca de lobos, tigres e leopardos, sem deixar vestígios. — Se não querem sair, então treinem direito! — ordenou Fenglin em voz grave, com uma autoridade natural. — Sim! — os macacos se prostravam, tremendo. — Ancião Braços Longos! — gritou Fenglin. O velho macaco de braços longos trouxe um grande feixe de bastões de madeira, já preparados, e distribuiu um para cada macaco. — Observem bem! A partir de agora, sigam-me — disse Fenglin, pegando um bastão e começando a demonstrar. Ele não usou a Técnica do Bastão do Grande Sábio; esses macacos comuns não aprenderiam. O que ensinou foram apenas técnicas básicas de bastão: apontar, varrer, cortar, circular... Mas a força de Fenglin era imensa; mesmo os movimentos mais simples do bastão eram poderosos e imponentes. Onde o bastão varria, as rochas se despedaçavam, com fragmentos voando para todos os lados. Os macacos gritavam e se esquivavam, com olhos brilhando de admiração. Quem diria que um macaco com um bastão poderia ser tão forte! Como se um novo mundo se abrisse, os macacos olhavam fixamente para os bastões em suas mãos. Sem perceber, começaram a imitar os movimentos de Fenglin, primeiro desordenados, depois sincronizados, adaptando-se rapidamente. Macacos e bastões eram a combinação perfeita!