Capítulo 338: Capítulo 338: Um Dia no Mundo Primordial (VI)

Huanglianjing caiu de bruços no chão, tremendo de medo. — Malditos, eu sabia que aqueles monstros ontem estavam só sondando! Levaram muitos dos nossos aldeões, muitos se perderam como o Shenwa! Desta vez não vamos deixá-los vencer! — O chefe da aldeia, a árvore demoníaca, também se enfureceu. — Mas aquele tigre-dragão é uma besta que virou espírito, tem muitos soldados demoníacos, é cruel e violento, não temos chance contra ele! — Só nos resta invocar o Ancestral! — Senão, nem nossa aldeia vai se salvar! ... Os uivos bestiais transbordavam violência, e a Vila das Cem Ervas estava em caos, todos os espíritos tomados pelo pânico. Feng Lin refletiu, parecia que, embora a Vila das Cem Ervas estivesse isolada como um paraíso, não era nada pacífica. — Não! — Diante das sugestões de todos, o chefe recusou terminantemente. — O Ancestral já está velho, cada vez que ele age, consome o pouco de vida que lhe resta. Só em último caso devemos fazer isso. Esse tigre-dragão mandou seus capangas nos atacar várias vezes, provavelmente com essa intenção: esgotar a vida do Ancestral e depois tomar a aldeia inteira de uma vez! — Mas, sem a ajuda do Ancestral, ninguém aqui pode enfrentar aquele tigre-dragão! — Outra anciã, que parecia ser uma trepadeira que virou espírito, saiu andando, com voz fraca. — Por enquanto, segurem-se, usem feitiços para defender o perímetro da aldeia. Vou consultar o Ancestral e depois decidimos o resto! — O chefe refletiu um instante e saiu apressado. Uivando! Os uivos bestiais não paravam. Feng Lin olhou ao longe e viu uma maré negra se agitando, levantando nuvens de poeira. Bestas de dentes à mostra avançavam como uma torrente avassaladora, prontas para engolir a aldeia. Técnica da Primavera Eterna! Para defender seu lar, aqueles espíritos, embora tomados pelo medo, agiram, espalhando pontos de luz verde de suas mãos. Inúmeras sementes brotaram do chão, formando vinhas entrelaçadas que se enrolaram como uma bola, cobrindo a aldeia sem deixar brechas. As bestas mais à frente, as mais próximas, foram imediatamente perfuradas pelos espinhos duros como ferro das vinhas. — Meus soldados, avancem! Hoje vou exterminar essa maldita Vila das Cem Ervas! — Um grito violento ecoou no vazio, com uma aura demoníaca rolando como fumaça subindo ao céu. Feng Lin semicerr os olhos, observando de longe. Lá no topo de uma colina distante, estava uma figura imponente de três metros de altura, cabeça de tigre, corpo humano, coberta de escamas, com um chifre único na cabeça — não se sabia que besta se transformara em demônio. Toda sua aura era sinistra, e seus olhos amarelados fixavam a Vila das Cem Ervas com avidez, como se já a considerasse sua presa. Que demônio feroz! Feng Lin manteve-se impassível, sentado calmamente à mesa, saboreando a comida rústica, como se nada tivesse a ver com aquilo. Bestas demoníacas e espíritos, ambos eram demônios, mas uns vinham de bestas, outros de plantas — era uma disputa racial. Mesmo após se transformarem em demônios, a rivalidade da cadeia alimentar não podia ser resolvida. Aqueles espíritos eram ervas medicinais que viraram demônios, para as bestas demoníacas eram um petisco natural, o que atraía cobiça constante. Feng Lin era um estranho ali, não pretendia se meter. Se os dois lados se digladiassem com muita violência, talvez ele pudesse... Seus olhos já estavam frios. Pá! Pá! Pá! Nesse momento, passos apressados soaram de repente. Feng Lin olhou na direção e viu o chefe, a árvore demoníaca, que voltara, segurando uma bandeja de madeira coberta com um pano preto, sem saber o que havia dentro. Ao ver Feng Lin, ele imediatamente sorriu, andou rápido até ele e, com as mãos postas, pediu: — Ilustre hóspede, peço que nos ajude a salvar a aldeia desta vez! — Hã? — Feng Lin franziu a testa, não esperava que o chefe, depois de dar uma volta, viesse pedir ajuda a ele. Mas ele não pretendia se meter. Aquelas bestas demoníacas eram poderosas, e não havia vantagem nenhuma em se arriscar assim. Que tipo de sorte era essa? — Chefe, está brincando! Essas bestas são tantas, não posso enfrentá-las! — Feng Lin recusou com indiferença. — Fique tranquilo, ilustre hóspede! Aquele tigre-dragão, embora seja uma criatura híbrida de dragão e tigre, não é páreo para o senhor! — O chefe falou com convicção. — Nunca lutei com aquele rei demônio, como sabe que não sou páreo para ele? — Feng Lin estranhou, sem entender de onde vinha tanta confiança. — Foi o Ancestral quem disse. Ele tem grande sabedoria e pode ver os desígnios do céu; o que ele diz não pode estar errado! — Disse o chefe. — Não vamos deixá-lo agir de graça. O Ancestral disse que, se o senhor salvar nossa aldeia, pode escolher uma das relíquias antigas que guardamos! Com um gesto, ele removeu o pano preto da bandeja, revelando três objetos antigos: uma videira verdejante, cheia de vitalidade, mesmo já colhida, ainda exalava uma forte aura de vida; outro era uma cabaça roxa, lisa e redonda, resistente como metal; o último, o mais simples, era uma moeda de cobre enferrujada, com dois cantos pontiagudos saindo dos lados, como asas. Cada um deles irradiava uma aura espiritual intensa, nada comum. Feng Lin se interessou e perguntou: — Posso realmente escolher um? — Pode! — O chefe assentiu. Feng Lin ficou impressionado, aproximou-se e pegou primeiro a cabaça roxa, batendo com os dedos, que soou metálico. Estendeu sua mente para dentro e percebeu um espaço desconhecido, do tamanho de uma casa. Era um tesouro de armazenamento! Ele ficou tentado. Tesouros de armazenamento eram raros, podiam conter tudo, muito práticos. Feng Lin ainda não tinha um, usava o espaço do caldeirão para guardar coisas, o que era complicado. A cabaça roxa era boa, mas ele queria ver os outros dois primeiro. Em termos de aparência, a videira verde era a melhor. Assim que Feng Lin a segurou, sentiu uma forte aura de vida, capaz de nutrir tudo e fortalecer a vida. Se não se enganava, aquela videira parecia capaz de acelerar o crescimento de plantas, ótima para cultivar ervas medicinais. Isso também não era ruim. Feng Lin queria ser um alquimista, e as ervas eram essenciais; com a videira, poderia cultivá-las em grande escala, autossuficiente e contínuo. E a moeda... Ao ver o último tesouro, Feng Lin franziu a testa. A moeda estava toda enferrujada, com a aura espiritual fraca, parecendo ter sofrido grandes danos, prestes a se destruir e perder toda a função. Mas não se julga um homem pela aparência, e o mesmo vale para artefatos. Por precaução, para não perder um tesouro verdadeiro, Feng Lin a pegou com cuidado e infundiu sua energia mental, examinando-a por dentro e por fora. A moeda era de um material desconhecido, pequena, mas pesava centenas de quilos, difícil de levantar para qualquer um. Assim que sua mente entrou, foi como se entrasse em um mundo independente. Era realmente um artefato raro! Feng Lin se alegrou secretamente, feliz por não ter julgado o tesouro pela aparência, senão teria perdido uma grande oportunidade. O espaço da moeda não tinha cima nem baixo, era imenso, sem limites, e estava cheio de névoas cinzentas e finas, exalando uma aura caótica de tempos antigos, tão velha que não se sabia de que era. Feng Lin piscou os olhos. Será que isso era... Um tesouro inato?