Capítulo 333: Capítulo 333: Um Dia no Mundo Primordial (I)

Montanhas verdes, águas cristalinas. As cordilheiras se erguem em picos sucessivos, com dezenas de milhares de metros de altura, como pilares celestiais que brotam do chão e perfuram o céu. Antigo, solene, grandioso... Uma aura de desolação e antiguidade sem limites atinge o rosto. Extensas florestas primitivas, todas com uma aparência intocada pelo caos primordial. Cada árvore antiga é tão grossa quanto um pilar gigante; as mais finas exigem mais de uma dúzia de pessoas para serem abraçadas, tendo crescido por um tempo incalculável, mas sua vitalidade permanece incomparavelmente forte, sempre verdes durante as quatro estações. O mundo primordial, a paisagem original, como se houvesse uma troca de tempos e espaços, deixando Feng Lin bastante surpreso. Na verdade, essa sensação não lhe era estranha; da última vez que entrou no reino mítico da Espada Kusanagi no Japão, ele experimentou algo semelhante. Os reinos míticos ocupam um espaço próprio, isolados do mundo, e naturalmente os costumes e paisagens são muito diferentes. Então, onde é este lugar? Feng Lin ficou curioso e estendeu sua mente para sondar os arredores. Bum! Bum! Bum! De repente, a terra tremeu, e ao longe, poeira e fumaça rolavam. Um grupo de figuras imponentes avançava em massa, com duas presas gigantes apontando para o céu, aterrorizantes e ferozes. Eram, sem dúvida, mamutes já extintos na era da Terra antiga; embora sua aparência fosse semelhante, seus corpos eram muito maiores do que os fósseis desenterrados do subsolo, cada um com mais de trinta metros de altura, enormes como pequenas montanhas, avançando em linha reta, suas pegadas enormes cavando buracos no chão. Uivos! Uivos! Uivos! Gritos lancinantes ecoavam um após o outro. Um grupo de tigres-dentes-de-sabre, com mais de dez metros de altura, seguia atrás da manada, seus olhos verdes brilhando com ganância e ferocidade. Se um ou dois mamutes ficassem para trás, isolados, seriam imediatamente cercados e devorados pelos tigres famintos. E isso não era tudo! Poeira e fumaça rolavam; tamanduás gigantes, aves-do-terror, crocodilos-dragão... muitos animais antigos já extintos na era primordial apareciam diante dos olhos, como um mundo jurássico. Uma maré de bestas rolava, vindo de longe em ondas, formando uma maré negra interminável. Cada rosto de besta carregava medo, como se estivessem fugindo de algo terrivelmente assustador. Feng Lin ficou parado na entrada do desfiladeiro, observando calmamente, sem voltar a si por um longo tempo. Uma paisagem primordial e selvagem se desenrolava diante dele, antiga e desolada. Atrás da névoa, era como se tivesse atravessado um túnel do tempo, chegando à era primordial de dez mil anos atrás. Novo e impressionante. Grasno! Um grito perfurou o céu, e o escureceu. Uma sombra imensa cobriu o sol e a lua; mesmo sendo pleno dia, escureceu como noite profunda, o sol e a lua perderam o brilho, todas as estrelas se apagaram, restando apenas uma luz tênue no horizonte. Feng Lin ergueu os olhos e, através da luz fraca, viu apenas um par de asas indescritivelmente grandes batendo para baixo, levantando um vendaval que varria a terra, poeira voando por toda parte; os mamutes, pesados como pequenas montanhas, os ferozes tigres-dentes-de-sabre, os pangolins gigantes cobertos de carapaças... todos, como pequenos ratos, foram levados ao ar, caindo em uma boca imensa, sendo mastigados em carne moída, com sangue e qi se espalhando. O vendaval se levantou. A luz no horizonte gradualmente se tornou mais brilhante. Feng Lin ergueu os olhos e rapidamente começou a gravar com seu chip de forma. Um pássaro gigante, com corpo de peixe e duas asas imensas, soltou um guincho agudo, cruzou o céu e desapareceu no horizonte. Um registro estranho surgiu em sua mente. "No oceano do norte, há um peixe chamado Kun. O Kun é tão grande que não se sabe quantos milhares de quilômetros tem; transforma-se em pássaro, chamado Peng. As costas do Peng não se sabe quantos milhares de quilômetros têm; quando se irrita e voa, suas asas são como nuvens penduradas no céu. Este pássaro, quando o mar se move, migra para o oceano do sul..." Isso é... Kun Peng? Corpo de peixe e asas de pássaro; além desta criatura divina da mitologia antiga chinesa, Feng Lin não conseguia pensar em nenhuma outra com tamanha maravilha. As asas do Kun Peng se abriam, grandes como o céu e a terra, e seus olhos verticais brilhavam com luz de sabedoria, cheios de desprezo pela vida. Batendo as asas, transformou-se em um raio de luz e desapareceu no horizonte num piscar de olhos, deixando apenas uma aura demoníaca rolando, que demorou a se dissipar. O chão estava devastado; o centro da maré de bestas mostrava um espaço vazio, tudo devorado. Mas, em seguida, as ondas de bestas vinham uma após a outra, inundando instantaneamente, e os vestígios deixados pelo Kun Peng também se dissiparam. Paisagem primordial, mundo selvagem, tudo era tão incrível. Um mundo mitológico vivo, após dez mil anos, ainda permanecia. Se essa cena fosse divulgada, certamente abalaria toda a galáxia; inúmeras pessoas e organizações quereriam entrar para explorar e investigar. O céu estava repleto de qi espiritual denso, formando nuvens que nutriam várias flores e plantas exóticas, de formas estranhas, transbordando uma aura espiritual intensa. Muitas delas eram plantas já extintas na galáxia. ... Então, isso é o mundo primordial? Feng Lin estava secretamente contente. Que sorte, que sorte! Se essas bestas e plantas pudessem ser levadas para fora, quantas recompensas não poderiam render? Mas o que o intrigava era: como um mundo primordial como este poderia existir isoladamente? Deve haver um segredo imenso por trás disso. A maré de bestas era composta por criaturas ferozes antigas, verdadeiras soberanas primordiais. Feng Lin escondia completamente sua aura; embora não tivesse medo, não queria problemas desnecessários. Ele observava atentamente de lado e, de repente, notou algo estranho: essas bestas vinham correndo de longe, de todos os tipos, misturadas, algumas até inimigas mortais, mas não havia nenhum ataque mútuo; suas pupilas estavam dilatadas, cheias de medo intenso, como se estivessem fugindo em pânico. Como se o fim do mundo tivesse chegado, desejando fugir o mais rápido e longe possível. O que teria acontecido lá? Feng Lin ficou curioso e olhou para a origem da maré de bestas. Este mundo primordial estava cheio de enigmas; algo estranho devia estar acontecendo lá, que talvez lhe permitisse ver um pouco da verdade. Riquezas vêm com riscos. Feng Lin, com a habilidade genética do macaco de pedra espiritual, conseguia sobreviver por mais de uma hora até no espaço sideral, capaz de se proteger em qualquer ambiente hostil, então não temia nada. Ele não recuou, mas avançou contra a maré de bestas, subindo rio acima. A terra era vasta; a maré de bestas era como um dragão longo, sem fim à vista. Feng Lin corria pela terra, como uma miragem, as paisagens ficando para trás como fantasmas, mas ele não via a origem da maré de bestas por um longo tempo. Ele decidiu não esperar mais; pisou forte no chão, seu corpo saltou para o ar, e ele voou como se estivesse montado em nuvens, rompendo o céu. Quanto mais subia, mais via montanhas e rios sob seus pés, nítidos e visíveis. O qi espiritual denso entrava em seu corpo, até mesmo o poder genético se ativava. Feng Lin planava no céu, sentindo-se à vontade, com todas as coisas da terra sob seus pés. Ao longe, uma fumaça preta subia reta, atraindo sua atenção. As nuvens se moviam rapidamente, e a fumaça preta, grossa como um pilar, gradualmente aparecia diante dele. Uma montanha inimaginavelmente alta se erguia, com mais de trinta mil metros; da boca da montanha, chamas jorravam violentamente, iluminando o céu de vermelho, com fumaça preta rolando. Ao pé da montanha, na floresta, tudo era caos; inúmeras bestas fugiam em desespero, como no fim do mundo. Feng Lin descobriu que essas chamas não eram do amarelo-vermelho comum, mas de um roxo intenso, com uma aura feroz! Isso é... Fogo verdadeiro terrestre!