Desde que a humanidade se aventurou pelo espaço interestelar, seus passos nunca cessaram, espalhando-se como gafanhotos pela Via Láctea, cada vez mais longe. Onde quer que cheguem, se o planeta for rico em recursos, os humanos rapidamente se enraízam e estabelecem colônias. O quê? E se o planeta tiver uma raça nativa? Hein? O que você acha? Precisa perguntar? ... A humanidade interestelar parece próspera e em crescimento, mas esse brilho é tingido de sangue escarlate. A cada passo de expansão, mais um capítulo de uma civilização cruel e impiedosa é escrito. A cruel lei da selva cósmica, a "floresta negra", faz com que as raças só conheçam lutas sangrentas por território e espaço de sobrevivência, onde o forte devora o fraco. Por exemplo, o império dos Estados Unidos da América, o hegemônico da Via Láctea Norte, em sua origem na era terrestre, não conquistou terras preciosas massacrando os indígenas? Raças que parecem civilizadas, quando entram em conflito, tornam-se incrivelmente brutais, até mais que feras. Afinal, uma fera saciada geralmente não caça outros animais. Já as raças inteligentes, muitas vezes por suspeitar de uma ameaça potencial, exterminam completamente o outro grupo, sejam eles inimigos ou não! E a ferramenta mais comum usada pela humanidade na colonização interestelar é a nave colonial, também chamada de nave-base. Essa nave é mais valiosa que as comuns, capaz de viajar em velocidade superluz, atravessando buracos de minhoca para cobrir distâncias astronômicas. Ao pousar, a nave se transforma automaticamente em uma base, tornando-se um habitat humano enraizado no planeta. Cada nave colonial armazena todo o conhecimento tecnológico humano e possui um sistema ecológico interno autossustentável. Quando os humanos chegam a um novo planeta e decidem colonizá-lo, podem usar o computador de bordo da nave para enviar robôs operários que extraem recursos, produzem suprimentos e rapidamente estabelecem um posto avançado. Depois, geram energia, purificam água e solo, plantam sementes armazenadas na nave e reproduzem animais a partir de óvulos fertilizados. Com o tempo, o posto humano se expande, transforma a natureza e converte todo o planeta em um mundo habitável, algo inevitável. Cada nave colonial é o auge da tecnologia humana, multifuncional. Com uma dessas naves, não importa quão vasto seja o espaço interestelar, é possível ir a qualquer lugar, totalmente autossuficiente. Não é à toa que o pessoal da Gigante Farmacêutica era tão confiante, achando que, ao deixar Marte, se reergueriam rapidamente. Então era essa a carta na manga. Feng Lin assentiu, sentindo-se bastante surpreso. Comparada a naves comuns, uma nave colonial é muito mais valiosa e rara no mercado. Ele nem imaginava que conseguiria tal vantagem. Com a nave "Montanha das Flores e Frutos", não importa onde vá no espaço interestelar, não terá preocupações, podendo ir e vir à vontade, sobreviver sozinho no vasto universo, sem limitações, com muito mais liberdade. Feng Lin, como um rei inspecionando seu território, guiado pela bela inteligência artificial, percorreu rapidamente o interior da nave. Depois de dar uma volta completa, sentiu-se satisfeito, com a alegria de quem passa de miserável a novo-rico. Novos-ricos são odiados por todos! Mas quem recusaria se tornar um? Embora Feng Lin tivesse um temperamento calmo, ainda era humano e, naquele momento, não pôde evitar a alegria. "Zixia, é só isso?" A nave era grande demais, e ele temia ter perdido algo, então perguntou mais uma vez. "Os recursos físicos já foram verificados. Resta um recurso virtual!" Respondeu a inteligência artificial Zixia. "Recurso virtual?" Feng Lin sentiu um estremecimento e apressou-se: "Leve-me para ver!" "Por favor, siga-me!" Zixia sorriu suavemente e o guiou até uma cabine de realidade virtual completamente selada, apresentando: "Capitão, entre aqui no universo virtual e você obterá o controle do planeta virtual que a Gigante Farmacêutica possuía!" Planeta virtual? Feng Lin ficou impressionado. Embora a maior parte do território humano no universo real seja dominada por superpotências interestelares, o universo virtual, como segundo cosmos, é uma exceção. Há mais de três mil anos, o pai do universo virtual, Caesar Lee, insatisfeito com o fato de as grandes potências ocuparem a maior parte do território humano com força bruta, sem deixar terras livres para todos, decidiu criar um segundo cosmos onde todos fossem iguais, sem opressão ou governo tirânico, apenas liberdade absoluta. Qualquer um que se esforçasse poderia encontrar significado para a vida ali, com infinitas possibilidades. Após cem anos, ele finalmente construiu um servidor de inteligência artificial completamente fora do controle das superpotências, estabelecendo um universo virtual que cobria todo o espaço interestelar, onde qualquer um podia entrar, com privacidade absoluta e sem qualquer vigilância. Usava-se a moeda estelar, totalmente integrada ao mundo real. Assim que foi criado, o universo virtual causou enorme comoção entre os humanos, espalhando-se como uma praga por todo o espaço interestelar. Cada planeta virtual é um mundo único, misturando filmes, jogos, animações... tudo o que a imaginação humana concebe é transformado em uma realidade digital, formando um multiverso virtual onde as pessoas podem entrar e se divertir. Uma visão única de infinitos mundos, cheia de possibilidades ilimitadas. O universo virtual tornou-se o segundo mundo da humanidade. Mas, por ter dedicado tanta energia à sua construção, Caesar Lee negligenciou seu cultivo pessoal, vivendo apenas trezentos anos, morrendo como um mestre interestelar. No entanto, a humanidade, grata por sua imensa contribuição, o chamou de pai do universo virtual, imortalizando-o na história, uma forma de eternidade. Curiosamente, desde a morte de Caesar Lee, ninguém no espaço interestelar sabe onde está o servidor do universo virtual. O sinal atravessa distâncias interestelares, mas é impossível de rastrear, um tesouro incomparável. Quem o obtivesse controlaria todo o universo virtual, a segunda vida de inúmeras pessoas! Infelizmente, parece que Caesar Lee construiu tudo sozinho, e após sua morte, o segredo do servidor tornou-se um mistério eterno! O universo virtual continua funcionando, e inúmeros buscam em vão o servidor desconhecido pelo espaço interestelar, sem sucesso. Justamente por sua privacidade e liberdade absolutas, o território virtual é um ativo extremamente valioso. Um planeta virtual inteiro é algo incalculável, às vezes mais precioso que um planeta real. O espaço interestelar é imenso, a maior parte são planetas mortos, montes de rochas inúteis, sem valor. Apenas uma minúscula fração, um em um milhão, de planetas vivos ou minerais tem grande valor. Já o universo virtual pode mudar conforme a vontade de seu dono, transformando-se em diversos mundos, com infinitas possibilidades, algo realmente mágico. Quem diria que a Gigante Farmacêutica ainda deixara um planeta virtual! Para Feng Lin, isso foi uma surpresa inesperada. Ele lembrou-se do enorme planeta que viu na entrevista virtual da empresa. Seu coração disparou. Se controlar um planeta virtual, não poderia estabelecer minha própria facção no universo virtual? A Sociedade Genética Mítica... Será?