Capítulo 625: Capítulo 625: A Tragédia

Após a explicação de Liu Jie, Su Li entendeu que hoje eles, sete pessoas, estavam montando apenas duas tartarugas gigantes como montarias. Cada tartaruga gigante podia carregar cerca de quatro pessoas. Se agora emprestassem uma tartaruga gigante para ele, sobraria apenas uma, e os sete não caberiam nela. Então, só podiam levar Su Li de volta primeiro para Donglong, e depois emprestar outra montaria para ele.

— Tudo bem, muito obrigado a todos.

Su Li concordou com um aceno de cabeça agradecido. Ouvindo Liu Jie, Donglong não ficava muito longe dali; montando a montaria, chegariam em menos de meia hora.

O ninho de monstros já estava quase todo limpo. O grupo de oito, dividido entre as duas tartarugas gigantes, saiu do ninho e seguiu em direção a Donglong.

No caminho, conversando com Liu Jie e os outros, Su Li soube que Donglong tinha um porte semelhante a Shoude, com cerca de trinta mil habitantes, e que aquele grupo devia ser o núcleo mais importante da cidade.

Su Li já tinha visto Xuanhua agir antes. Embora ele não tivesse mostrado seu verdadeiro poder, Su Li sentia vagamente que Xuanhua estava mais assustador do que antes.

Se antes a força de Xuanhua equivalia ao nível inferior da categoria "suprema", agora ele estava pelo menos no nível médio.

Quanto à própria avaliação de Su Li sobre sua força, ele não conseguia definir bem em que nível se encaixava.

Durante a conversa, Su Li notou que Xuanhua estava muito calado, olhando fixamente para o horizonte, como se pensasse em algo.

— Xuanhua, por que você está tão estranho depois que voltou? Tão calado — disse Liu Jie de repente, rindo, olhando para Xuanhua com uma preocupação oculta no olhar.

Ela talvez tivesse falado sem pensar, mas Xuanhua estremeceu levemente. Su Li, que o observava atentamente, percebeu que, ao ouvir aquilo, um brilho frio passou pelos olhos de Xuanhua, escondendo um traço de intenção assassina.

Esse frio era tão sinistro que, por algum motivo, até Su Li sentiu um arrepio inexplicável, como se dentro de Xuanhua houvesse um monstro terrível escondido, apenas à espreita, imóvel, mas sempre observando a todos, pronto para abrir suas enormes mandíbulas e devorá-los.

Mas o brilho frio desapareceu num instante. Xuanhua abriu um sorriso, voltando ao normal, e balançou a cabeça com um sorriso amargo:

— É que voltei da base de repente, ainda não me acostumei.

Outro homem interveio:

— Liu, não pergunta mais. O irmão Xuanhua deve estar de mau humor. Vamos entender.

Todos achavam que Xuanhua devia ter sido eliminado pela base e mandado de volta, como se tivesse caído do céu, e era natural que estivesse desanimado. Como poderia estar de bom humor?

Liu Jie, porém, não concordava:

— A base não tem nada de mais. Eu acho que Donglong é muito bom.

O grupo conversava sem parar, e não se sentia sozinho. Pelas conversas, Su Li aprendeu muito sobre Donglong. Meia hora depois, chegaram à cidade.

Donglong tinha uma topografia peculiar. O centro era elevado, formando uma grande colina. Embora as áreas ao redor estivessem submersas pela enchente, o centro ficava acima da água.

Os trinta mil habitantes se concentravam principalmente nessa área central. Ao redor, prédios altos emergiam da água como árvores antigas.

Su Li observou e acenou com a cabeça em aprovação. Não admira que tivessem escolhido Donglong; estava bem preservada e o ambiente era bom.

— Irmão Su, venha comigo. Temos muitas montarias em Donglong. Escolha a que quiser.

Liu Jie levou Su Li para a margem, pronta para selecionar uma montaria, quando alguém veio correndo na direção deles.

— Irmão Xuanhua, Liu, encontramos a Shishi! — gritou o homem enquanto corria.

Liu Jie sorriu de alegria:

— Encontraram a Shishi? Essa menina, saiu para caçar sem avisar, me deixou preocupada.

Mas o rosto do homem estava sombrio:

— Liu, a Shishi...

Vendo a hesitação dele, Liu Jie sentiu um mau presságio e perguntou séria:

— O que houve com ela?

— A Shishi morreu. — O homem respirou fundo, com um tom de tristeza e indignação.

Liu Jie ficou atônita:

— Morreu? Ela saiu para caçar com vocês e sofreu um acidente?

Shishi era sua melhor amiga, embora não fosse muito forte. Liu Jie costumava levá-la para caçar. Naquela manhã, ao acordar, não a encontrara; parecia ter desaparecido misteriosamente.

Como Xuanhua e os outros estavam ansiosos para caçar monstros, Liu Jie não pensou muito, achando que Shishi tinha ido com outro grupo de caça. Afinal, Shishi já dissera algumas vezes que achava que atrapalhava Liu Jie e queria formar equipe com pessoas de força semelhante.

Ao voltar e ouvir que Shishi tinha morrido, a primeira reação de Liu Jie foi pensar que ela sofrera um acidente durante a caça.

A ideia de perder sua melhor amiga de repente a entristeceu profundamente.

— Não foi caça. Ela não foi caçar hoje. Alguém a encontrou num prédio vazio no anel externo, onde estava tendo um encontro particular. Viu o corpo dela, levou um susto e veio correndo contar.

— O quê? Ela morreu num prédio no anel externo? — Liu Jie ficou chocada.

Eles dividiam Donglong em anel interno e externo. O interno era a área acima da água, onde moravam os trinta mil. O externo, submerso, mas com água rasa, tinha muitos prédios altos emergindo. Alguns abrigavam pessoas, outros estavam vazios, virando locais de encontro para casais.

Afinal, no anel interno, o espaço era apertado e cheio de gente, dificultando encontros secretos. Já no externo, ninguém incomodava, mesmo que gritassem bem alto.

— Leve-me para ver! — Liu Jie achava que Shishi tinha morrido num acidente de caça, morta por monstros, algo comum e inevitável. Mas saber que ela morrera num prédio vazio no anel externo era estranho, provavelmente não foi morta por monstros.

— Tudo bem. Acabei de ver. A Shishi... morreu de forma horrível... — O homem balançou a cabeça, sem coragem de continuar.

Su Li pensava em pegar a montaria e ir embora, mas vendo Liu Jie tão pesarosa e os outros chocados, o clima ficou pesado. Ele não se sentiu à vontade para ir, então decidiu acompanhá-los ao anel externo.

Na água, já flutuavam algumas grandes jangadas. Quando Liu Jie e os outros chegaram, além deles, muitas pessoas estavam reunidas, cumprimentando Xuanhua e Liu Jie.

A morte de Shishi já tinha se espalhado. Todos sabiam da amizade dela com Liu Jie e tentavam consolá-la.

Liu Jie, com o rosto pálido, apenas acenou para que a levassem ao local.

Como todos conheciam a relação entre Shishi e Liu Jie, não mexeram na cena do crime, esperando Liu Jie voltar.

Su Li seguiu Liu Jie e o grupo, subindo nas jangadas, e foram para o anel externo de Donglong.

Logo pararam diante de um prédio e subiram.

Era um edifício de doze andares, comum entre os muitos prédios altos. A enchente só cobria os dois primeiros andares; os outros dez estavam acima da água.

No corredor do terceiro andar, muitas pessoas já estavam reunidas.

Su Li acompanhou Liu Jie até lá. Uma porta estava aberta. Liu Jie parou na entrada, o corpo tremendo, como se visse algo chocante, paralisada.

Su Li também viu. O quarto estava salpicado de manchas de sangue. Nas paredes e no chão, sangue já coagulado.

Um corpo distorcido estava estendido no chão em forma de "X", coberto por um cobertor fino. As pernas e o rosto expostos tinham marcas de arranhões, sangrentos e desfigurados. Os olhos abertos pareciam não se conformar com a morte.

Liu Jie sentiu um frio percorrer o corpo. Não podia acreditar que sua melhor amiga, tão viva e alegre no dia anterior, agora estava diante dela numa morte tão trágica.

— Shishi...

Liu Jie tremia levemente enquanto entrava devagar.

Todos ao redor observavam em silêncio. Mas quem sobrevivera até ali já tinha visto muita vida e morte. Embora a morte de Shishi fosse horrível, a maioria não se abalou muito. Só Liu Jie, pela amizade, reagia tão intensamente.

Ao se aproximar, Liu Jie viu que a garganta de Shishi estava rasgada. Essa devia ser a causa da morte.

A princípio, Liu Jie pensou que fora assassinada, mas a cena brutal, especialmente a garganta rasgada, lembrava um ataque de monstro.

— Como um monstro entrou no anel externo? O Xiaojun já investigou? Descobriram o que foi? — Liu Jie ergueu a cabeça e olhou para os outros.

O líder que os trouxera respondeu:

— Xiaojun veio, mas só sentiu o cheiro da Shishi. Nada mais. Parece que o monstro que a matou sabe esconder o cheiro.

— Pode não ser um monstro. E se for uma pessoa? — sugeriu alguém.

Vários olharam para ele.

— Impossível. Olha o ferimento na garganta. Foi mordida por um monstro. E examinamos: há sinais de sucção. Deve ser um monstro que suga sangue.

— Pelo sangue coagulado, o crime deve ter sido ontem à noite.

Quem falava era médico antes da enchente. Se ele dizia, provavelmente estava certo.

— O estranho é por que Shishi veio aqui sozinha ontem à noite? E parece que não houve luta.

— Acho que outra possibilidade é o monstro ter nocauteado Shishi em outro lugar e trazido para cá. Esse monstro é louco. Pelas marcas no corpo, não a matou rápido, mas a torturou. É estranho. Parece que odeia muito os humanos.

Todos davam suas opiniões. Liu Jie, pálida, levantou-se. Já que nem Xiaojun, com o nariz reforçado, sentira o cheiro do culpado, o caso não podia ser investigado.

— Só espero que o monstro não apareça de novo. Precisamos alertar todos para ficarem atentos.

Su Li observava o corpo em silêncio, ouvindo as conversas. Como estranho, não se sentia à vontade para opinar.

Felizmente, Liu Jie se lembrou dele e disse apressada:

— Desculpe, irmão Su. Com a notícia da Shishi, acabei esquecendo de você.

— Não tem problema. Meus pêsames. — Su Li só pôde consolar.

Liu Jie concordou com um "hum", deixou o corpo com alguns de confiança e levou Su Li para escolher a montaria.

Como Liu Jie dissera, Donglong tinha muitas montarias. Ela mesma havia domesticado seis. Su Li escolheu a menor e mais delicada: uma jaguatirica-espada.

Parecia um grande gato, mas sem pelos, com escamas finas e macias, nariz pontudo, até bonitinha.

— Lembre-se, pequena jaguatirica, vai obedecer ao irmão Su e levá-lo em segurança para casa. — Liu Jie instruiu o animal.

— Com certeza vou trazê-la de volta pessoalmente. — Su Li agradeceu pela ajuda.

— Não precisa vir de propósito. Quando nos encontrarmos de novo, você me devolve. — Liu Jie sorriu. Com tantas montarias, uma jaguatirica-espada não fazia falta.

O problema era que Shoude ficava longe de Donglong. Se fosse perto, a jaguatirica poderia voltar sozinha.

Su Li montou na jaguatirica e olhou para Liu Jie. A princípio, não queria se envolver nos assuntos de Donglong, mas, lembrando da ajuda dela, decidiu alertá-la:

— Senhorita Liu, tem uma coisa que não sei se devo dizer.

— O quê? — Liu Jie estranhou.

Su Li baixou a voz:

— Cuidado com Xuanhua. Não confie muito nele.

Liu Jie ficou confusa, olhando para Su Li, sem entender:

— O que quer dizer?

Su Li ia continuar, mas ouviu uma voz ao longe:

— Irmão Su, já vai? — Era Xuanhua, que se aproximava.

Liu Jie olhou para Su Li, depois para Xuanhua, lembrando-se do que ele acabara de dizer. Ficou perplexa. Nunca imaginara que Su Li diria algo assim.

Ela tinha uma boa relação com Xuanhua, e no fundo, nutria uma certa admiração por ele, embora nunca tivesse expressado. Quanto a Su Li, era só admiração.

Ouvir Su Li falar mal de Xuanhua de repente a irritou.

De repente, ela entendeu por que Su Li dissera aquilo.

"Deve ser porque fui muito calorosa com ele, e ele interpretou errado. Talvez ele tenha se apaixonado por mim, e como vê que gosto de Xuanhua, quer criar intrigas entre nós para ter uma chance."

Quanto mais pensava, mais certeza tinha.

"É claro. Por que ele viria de tão longe, de Shoude, com a desculpa de que a montaria teve um problema e veio pedir uma emprestada? Esse homem é tão infantil."