Capítulo 23: Capítulo 23 A Garota

Contudo, ele não foi imediatamente pegar a barra de ferro. Em vez disso, ficou observando em silêncio o cadáver do homem de meia-idade encostado na porta do armário.

A cabeça do cadáver do homem de meia-idade não estava estilhaçada, completamente diferente das bestas cadavéricas anteriores, que morriam com a cabeça esmagada. Além disso, bestas cadavéricas comuns jamais usariam armas; eram seres do tipo mortos-vivos de baixa inteligência.

Su Li ativou a "Marca de Espreita" e, como esperado, a informação que obteve indicava que o cadáver do homem de meia-idade à sua frente não era uma Besta Fonte Espiritual, sendo impossível espreitar informações.

"Não é uma besta cadavérica, então ele deve ser um sobrevivente, e um Fonte Espiritual como eu. As bestas cadavéricas lá fora foram todas mortas por ele."

"Pena que ele foi morto." Su Li olhou para a enorme ferida no peito do cadáver do homem de meia-idade; sem dúvida, essa era a causa da morte.

Mas quem deixou essa ferida?

"Aquelas bestas cadavéricas de baixo nível não deveriam ser capazes de matá-lo." Su Li, ao longo do caminho, vira muitos cadáveres de bestas cadavéricas. Se todas tivessem sido mortas por aquele sobrevivente, ele já teria evoluído para um Fonte Espiritual de primeiro nível, ou até segundo. Para um Fonte Espiritual de primeiro ou segundo nível, essas bestas cadavéricas de baixo nível jamais poderiam matá-lo.

Su Li pensou nas marcas de garras na parede e, em seguida, no Sapo de Um Olho Só.

"Deve ser que, além dessas bestas cadavéricas, surgiu uma Besta Fonte Espiritual terrível como o Sapo de Um Olho Só, não uma besta cadavérica de baixo nível. E essa Besta Fonte Espiritual tem garras extremamente afiadas. A ferida no peito do homem de meia-idade foi feita por essas garras afiadas, que o abriram de cima a baixo, causando sua morte. Que pena..."

Su Li analisava mentalmente a cena que ocorrera, cheio de pesar. Se tivesse chegado um dia antes, talvez, com a ajuda daquele homem de meia-idade, ambos pudessem ter sobrevivido. Além disso, ele teria tido um companheiro, não estaria sozinho como agora.

Estar sozinho era solitário demais; ele precisava de companhia, e esse desejo crescia cada vez mais forte.

Lamentando em silêncio, Su Li se abaixou e pegou a barra de ferro no chão, mas percebeu que a outra ponta estava firmemente segurada pelo cadáver do homem de meia-idade. Ao levantar a barra, o braço direito do cadáver também se ergueu.

O cadáver do homem de meia-idade estava originalmente encostado no armário; com esse movimento, o corpo tombou e caiu.

O armário tinha portas de correr; o corpo, ao cair contra a porta, fez com que a porta branca se movesse, revelando uma pequena fresta.

Foi nesse momento que um leve ruído veio de dentro do armário.

Embora o som fosse muito baixo e sutil, para Su Li, que estava sempre alerta ao ambiente ao redor, foi como um trovão.

Ele instantaneamente arrepiou os pelos, puxou a barra de ferro da mão do cadáver, segurando-a firmemente, e recuou bruscamente, com todos os músculos tensos.

O ambiente continuava em silêncio total, apenas com a respiração de Su Li. Ele ergueu a faca de cozinha na mão esquerda e, na direita, segurava a barra de ferro de um metro de comprimento; o martelo havia sido deixado de lado.

A barra de ferro era pesada, várias vezes mais que o martelo que Su Li usara antes, e com um metro de comprimento, era perfeita para ele naquele momento.

Ele fixou o olhar no armário à sua frente, observando a fresta da porta entreaberta. Só conseguia ver vagamente roupas penduradas lá dentro; nada mais. Mas o que era aquele leve ruído que ouvira?

"Impossível ter ouvido errado. Há algo escondido aqui. Mas o som era tão baixo que não parece ser de uma besta cadavérica ou de outra Besta Fonte Espiritual. Se fosse uma Besta Fonte Espiritual, já teria atacado, não ficaria escondida aqui. Será algo como um rato ou uma barata?"

Su Li respirou fundo, sem se aproximar, mas estendeu lentamente a barra de ferro que segurava na mão direita, enfiando-a na fresta da porta de correr, e a empurrou para o lado com força.

A porta do armário foi completamente aberta. Su Li, que estava com todos os músculos e nervos tensos, ficou momentaneamente surpreso.

O armário estava cheio de roupas, mas, abaixo delas, havia uma figura pequena e encolhida.

Era uma menina de doze ou treze anos, vestindo um vestido branco, encolhida dentro do armário, com os braços apertando firmemente as pernas dobradas. Seu rosto, sem nenhum traço de cor, estava pálido e anormal. Seus olhos arregalados não mostravam medo nem alegria, mas sim um vazio.

Toda a sua expressão e olhar eram de um vazio e rigidez.

Su Li a observou, apertando a barra de ferro e a faca de cozinha, com os músculos tensos. Ele percebeu que, ao descobri-la, ela não teve nenhuma reação, nem olhou para ele; continuava na mesma posição encolhida, com os olhos fixos no vazio à frente.

Entre eles, reinava uma atmosfera estranha e silenciosa. Se não fosse por sentir um leve sopro de vida e respiração, SuLi quase pensaria que era um cadáver.

Observando as marcas de lágrimas em seu rosto e, em seguida, o cadáver do homem de meia-idade no chão, lembrando-se de como ele, mesmo à beira da morte, segurara a porta do armário, Su Li começou a entender algo.

Ele tossiu levemente, limpou a garganta, tentando aliviar a atmosfera.

"Não se preocupe, não tenha medo. Não vou te machucar." Su Li abaixou a barra de ferro e a faca de cozinha que havia erguido, relaxou os músculos tensos e tentou parecer mais amigável.

"Este... é seu pai?" Su Li viu que a menina encolhida no armário ainda não reagia, entendendo que ela estava em estado de choque extremo. Tudo o que acontecera a fizera desmoronar mentalmente, deixando-a nesse estado de vazio e rigidez.

Se não fosse pelo movimento da porta de correr, que fez a menina, instintivamente assustada, tremer, ele jamais teria descoberto que, atrás da porta do armário, havia uma pessoa viva escondida.

Observando a semelhança entre o rosto da menina e o do homem de meia-idade, e lembrando que ele, mesmo à beira da morte, segurara a porta do armário, Su Li supôs que fossem pai e filha.

O homem de meia-idade descobrira as bestas cadavéricas, mandara a filha se esconder no armário e lutara até a morte. Embora tivesse matado tantas bestas cadavéricas, acabara encontrando um monstro ainda mais terrível. Mesmo à beira da morte, segurara a porta do armário para proteger a filha escondida lá dentro.

Quanto ao motivo pelo qual o monstro que matara o homem de meia-idade partira depois de matá-lo, sem devorar seu corpo ou descobrir a menina escondida no armário, Su Li não conseguia entender.

Pela lógica, o monstro, ao matar o homem de meia-idade, deveria ter devorado seu corpo.

Além disso, o fato de a menina ter ficado escondida no armário sem fazer nenhum som, sem chamar a atenção do monstro, também surpreendia Su Li.