“Papai, meu porquinho está cheio, não cabe mais nada!” Na manhã do segundo dia depois de voltar da terra natal, Xixi desceu as escadas correndo, e ainda no meio da escada, a voz cheia de energia da menininha já ecoava na sala de estar. Esta era a primeira grande tarefa de Xixi depois de voltar — guardar seu dinheiro do Ano Novo no seu cofrinho de porquinho! Nos anos anteriores, Murphy costumava interceptar as notas grandes da menina no meio do caminho, deixando apenas algumas notas pequenas para Xixi. Embora Murphy não gastasse o dinheiro de Xixi, depois de pegá-lo, ela depositava tudo em uma conta bancária separada aberta para a menina. Mas este ano não dava mais! Com seis anos e meio, Xixi já estava despertando um pouco de autoconsciência! Embora ainda fosse muito dependente do papai e da mamãe, a menininha já começava a separar claramente seu dinheiro e suas coisas. Por isso, quando ainda estavam na terra natal e Murphy disse que queria pegar seu dinheiro do Ano Novo, ela se recusou a dar para a mãe! “Você é muito pequena, andar com tanto dinheiro assim não é seguro. E se perder?” Murphy a assustou. “Ou, e se o Lobo Mau souber que você tem tanto dinheiro e roubar no meio do caminho?” Xixi não era tão boba assim; ela deu uma risadinha e disse: “O Lobo Mau não rouba dinheiro! Ele só come gente!” Mas o perigo que a mamãe mencionou também fazia sentido! Xixi também estava preocupada em perder todo aquele dinheirinho! No ano passado, por causa da construção da estrada, os tios e tios mais velhos da vila ganharam bastante dinheiro, e os envelopes vermelhos que deram para Xixi e Xiaotongtong estavam bem mais generosos — afinal, eles eram filhos de Yang Yi, que lhes fez um grande favor! Com tanto dinheiro, Xixi também não se sentia segura em guardar sozinha. O que fazer? Xixi finalmente decidiu confiar seu dinheirinho ao papai, pedindo que ele o guardasse para ela! Parecia que não era muito diferente de deixar a mamãe pegar? Mas Xixi confiava no papai! A menininha acreditava que o papai não pegaria o dinheiro dela sem devolver. E, de fato, o papai não decepcionou sua confiança: depois de voltar para casa, ele tirou todos os envelopes vermelhos de Xixi e deixou que ela mesma os guardasse. Mas agora o problema era que o cofrinho de porquinho de Xixi já estava cheio de dinheiro há algum tempo, e depois de enfiar algumas notas, não cabia mais nada! ... “O cofrinho de porquinho está cheio?” Yang Yi olhou para Xixi, que balançava a cabecinha como um pintinho bicando grãos, e disse sorrindo: “Então o que você vai fazer? O papai compra outro cofrinho de porquinho para você? Ou tiramos todo o dinheiro daqui e vamos ao banco, e o papai deposita para você?” Xixi já tinha três cofrinhos de porquinho no quarto, todos cheios das mesadas que ela havia juntado. “Por que depositar no banco?” A menininha não conseguia ficar parada; ela apoiava os bracinhos no sofá e balançava como um balanço, fazendo força e perguntando curiosa ao papai. “Porque se você deixar o dinheiro em casa, não importa quantos anos passem, ele continua sendo o mesmo. Se você depositar no banco, o banco te dá juros. Se deixar por muito tempo, quando você tirar, vai ter muito mais do que se tivesse deixado em casa!” Yang Yi explicou, sorrindo para Xixi. Embora depositar dinheiro no banco não seja a melhor solução, era realmente a forma de administração financeira mais adequada para uma criança naquela fase. “Vai aumentar?” Xixi parou de se mexer, surpresa, e abriu a boquinha olhando para o papai. Yang Yi pegou o quadro branco grande que usava para dar aulas para Xixi em casa e começou a fazer contas para ela, usando números visuais para mostrar à menininha quanto dinheiro extra ela ganharia se depositasse mil reais em um depósito a prazo fixo de três anos no banco. Isso também servia como uma pequena aula de matemática para Xixi. “Depósito a prazo fixo de três anos, o banco dá juros de dois vírgula setenta e cinco por cento. Isso significa que, para cada cem reais, você ganha dois reais e setenta e cinco centavos de juros por ano. Então, se tivermos mil reais, quantos juros por ano?” Yang Yi perguntou sorrindo. Xixi estava começando a aprender multiplicação e divisão na matemática, mas ainda não sabia aplicar bem. Então, a menininha piscou seus cílios longos e finos, murmurando “mil reais... mil reais...”, mas não conseguia entender. “Mil reais não são dez notas de cem reais?” Yang Yi desenhou rapidamente no quadro a imagem de uma nota de cem reais e escreveu “x10” ao lado. Xixi balançou a cabecinha rapidamente, entendendo de imediato com aquela imagem visual. “Então, mil reais, os juros de um ano são 2,75 x 10, ou seja, vinte e sete reais e cinquenta centavos. Certo?” Yang Yi, para que Xixi pudesse entender a multiplicação de vários dígitos, escreveu o processo detalhado para ela ver. Xixi olhava concentrada, esquecendo de falar. Naquele momento, ela estava recebendo muitas informações novas, e sua cabecinha parecia estar um pouco sobrecarregada. Depois de calcular os juros de mil reais por três anos para Xixi, Yang Yi deu o número: “Oitenta e dois reais e cinquenta centavos. Ou seja, se você depositar mil reais no banco, depois de três anos, quando for tirar, vai ter mais de oitenta reais a mais!” “Uau!” Xixi juntou as mãozinhas na frente do peito, com os olhos brilhando como estrelinhas, e exclamou baixinho, impressionada. Não se sabia se era por achar que o dinheiro extra era muito ou por achar o papai muito inteligente. Claro, Yang Yi não dava muita importância a esses juros pequenos do banco, mas Xixi ainda não tinha essa noção. Ela só achava que deixar o dinheiro no banco para aumentar era uma coisa boa! “Papai, então, eu não quero mais o cofrinho de porquinho! Quero guardar todo o dinheiro!” A menininha saiu do transe das contas complicadas, feliz, pegou a mão do papai e disse, impaciente. “Então primeiro temos que tirar todo o dinheiro!” Yang Yi sorriu e disse: “Vamos calcular quanto dinheiro você tem no total!” Não havia melhor dia do que aquele. Yang Yi subiu as escadas com Xixi e pegou os três cofrinhos de porquinho rosa. Yang Yi carregou dois, e Xixi, seguindo atrás do papai, carregou o outro, além de um saquinho cheio de dinheiro — o dinheiro do Ano Novo deste ano. Mãos à obra. Eles se sentaram na mesa grande da sala lateral, abriram a barriga dos cofrinhos e tiraram todo o dinheiro de dentro. Não dava para negar: Xixi realmente tinha juntado bastante dinheiro ao longo dos anos. Embora parte já tivesse sido depositada no banco por Murphy, as notas soltas tiradas dos três cofrinhos formavam uma pequena montanha. “Muito! Papai, olha, é super muito!” Xixi, animada, subiu na cadeira e acenou para o papai, rindo. Yang Yi apenas sorriu, sem dizer nada. A maior parte do dinheiro de Xixi era trocado miúdo: notas de um real e cinco reais predominavam, além de algumas notas maiores — dez, vinte e cinquenta reais. Parecia “muito”, mas na verdade... “Como vamos contar?” Yang Yi não pretendia fazer tudo por Xixi; ele a orientou, sorrindo: “Primeiro, você tem que separar todo o dinheiro por categorias. Por exemplo, aqui colocamos as notas de cem reais, aqui as de cinquenta... Cada nota você tem que alisar e arrumar, para facilitar na hora de contar!” Xixi ouvia com toda a atenção. Embora o papai não a ajudasse a contar, ela achava muito divertido organizar todo aquele dinheirinho.