"Hoje o papai está muito estranho, nem brinca com a Xixi!" Xixi abraçou seu ursinho de pelúcia e sentou no tapete persa da sala. De vez em quando, ela levantava a cabeça e dava uma olhadinha furtiva para a mamãe, que estava encolhida no sofá como um gato, lendo um livro.
Murphy era assim em casa, gostava de ficar quieta, deixando a Xixi brincar sozinha.
Ela até que se dispunha a ficar com a filha; se Xixi quisesse conversar, Murphy largava o livro e respondia com carinho, mas sentar no chão como uma criança para brincar com brinquedos não era mesmo a cara dela.
{ps: Na vida real, muitos adultos são assim, não há o que criticar.}
Por causa disso, Xixi preferia ficar com o papai, porque ele brincava com os brinquedos, fazia vozes para os personagens e contava histórias cheias de emoção.
"Mamãe disse que o papai está na lojinha lá embaixo, e não deixa a Xixi ir procurá-lo." Xixi resmungou baixinho, a cabecinha cheia de imaginação. "Deve ser que o papai está escondido lá embaixo fazendo comida gostosa, e não quer que a Xixi coma. Que triste..."
Xixi ia fazer quatro anos hoje, já tinha seus próprios pensamentos e capacidade de observação. Então sabia que o papai não ficava muito ocupado na loja, e até desenhava com ela direto! Como poderia estar tão atarefado a ponto de não querer ser incomodada?
Assim, a pequena deixou a imaginação voar e foi parar em outros lugares.
Xixi não conseguia guardar segredo; depois de resmungar um pouco, seus olhos grandes e vivos se mexeram, e ela se levantou do tapete, correu para pegar a mão da mamãe: "Mamãe, estou com fome."
Murphy largou o livro, acariciou suavemente o cabelo da filha e disse com voz doce: "Então a mamãe vai fazer um copo de leite para você!"
Xixi balançou a cabeça: "Não, quero comer comida!"
Murphy ficou um pouco preocupada. Levantou-se, foi até a cozinha e abriu a geladeira. Viu que estava cheia de carnes cruas e vegetais frescos, e ficou sem saber o que fazer. Como essa geladeira era diferente da dela?
Murphy tinha duas geladeiras em casa; a que ela sempre abria para pegar comida ficava na sala, e a Tia Zhu preparava muitos petiscos que ela gostava, iogurtes e frutas frescas.
Tudo era para comer na hora!
Mas na geladeira da casa de Yang Yi só tinha coisas cruas, e Murphy, que nunca tinha posto a mão na massa, ficou boquiaberta.
Xixi, porém, sabia o que a mamãe estava pensando. Ela fez bico e disse: "O papai colocou as comidas gostosas no armário perto da televisão, mas a Xixi não quer comer isso."
"O que você quer comer?" Murphy perguntou, confusa.
Xixi já queria dizer: "Quero comer a comida gostosa que o papai faz! Mamãe, vamos procurar o papai, tá? Ele disse que está lá embaixo!"
Murphy franziu a testa. Estava pensando em alguma desculpa para acalmar Xixi quando ouviu um barulho vindo de fora! Murphy suspirou aliviada. Ainda bem que Yang Yi voltou, senão a filha ia acabar com ela.
Xixi, feliz, foi a primeira a sair correndo da cozinha, e então suas perninhas finas pularam, fazendo o papai pegá-la e levantá-la. Ela disse, um pouco magoada: "Por que o papai não deu atenção para a Xixi à tarde?"
"Hum, porque o papai estava fazendo uma coisa muito grande!" Yang Yi piscou para Murphy, indicando que estava tudo pronto.
Murphy entendeu na hora, virou-se e foi para o quarto principal, onde pegou o presente na bolsa.
"Que coisa muito grande?" Xixi ficou curiosa, esquecendo a reclamação e perguntando cheia de curiosidade.
"Essa coisa muito grande é..." Yang Yi fez uma pausa de propósito, esperando Murphy sair.
"Ah, o que é?" Xixi segurou o rosto do papai com as mãozinhas brancas e o virou à força, reclamando: "Estou morrendo de curiosidade!"
"O que é? O papai vai te levar lá embaixo para ver!" Yang Yi sorriu ao ver Murphy sair.
"Então tá, vamos ver logo!" Xixi, impaciente, mexeu o bumbum.
"Podemos ir?" Yang Yi perguntou a Murphy.
Murphy ergueu a mão delicada, ajeitou uma mecha de cabelo solta pelo vento atrás da orelha e assentiu.
Já eram mais de sete da noite. Embora ainda houvesse um leve brilho do pôr do sol no horizonte, o céu já estava escuro, e a cafeteria parecia um buraco negro.
Xixi já tinha descido do colo do papai, mas ao ver aquilo, encolheu-se com medo perto dos pés dele, segurando a barra da calça com uma mãozinha e dizendo timidamente: "Papai, estou com medo."
"Não tenha medo, quando o papai entrar e acender a luz, vai ficar tudo bem!" Yang Yi sorriu suavemente.
Mas naquele momento, ele sentiu a camisa ser puxada. Virou-se instintivamente e viu o rosto pálido e tenso de Murphy, e a mão esquerda dela segurando levemente a ponta da barra da camisa dele.
Hã, Yang Yi ficou surpreso.
Ela também estava com medo?
Murphy encontrou o olhar de Yang Yi, viu a surpresa nos olhos dele, corou, soltou a mão e virou o rosto para o lado.
"Já é tão grande e ainda tem medo?" Yang Yi, esse idiota, até riu.
Falou exatamente o que não devia! Murphy, irritada, lançou um olhar de desdém para Yang Yi, deu um chute nele e disse, impaciente: "Abre logo a porta!"
Xixi, sendo baixinha, não levantou a cabeça e não viu nada. Achou que o papai estava falando dela.
Tão grande?
Xixi, confusa, disse: "Eu tenho três anos, mas é tão assustador!"
Murphy e Yang Yi, que estavam se provocando, ouviram Xixi e ficaram parados por um instante, depois se entreolharam e caíram na gargalhada.
Ao abrir a porta, Yang Yi não apertou o interruptor da luz, mas ligou direto o disjuntor. De repente, a cafeteria ficou tão clara quanto se tivesse soltado uma granada de luz.
Murphy e Xixi, sem preparo, foram ofuscadas. Depois de um tempo, conseguiram enxergar direito.
"Uau!" Xixi exclamou primeiro.
Luzes coloridas estavam penduradas na frente do balcão, piscando. Se apagassem as lâmpadas brancas, pareceriam estrelinhas no céu noturno!
Nas cordas das luzes, fitas coloridas ondulavam para baixo, intercaladas com bandeirinhas triangulares. No chão ao redor, Yang Yi tinha montado balões de várias cores formando bordas: de um lado, pirâmides de quatro balões; do outro, cubos de oito balões empilhados.
Não era só isso. O balcão também estava decorado, com adesivos de arco-íris e balõezinhos brancos formando um céu.
E dentro do balcão, havia um grande quadro branco com letras de papel colorido: "Feliz 4º Aniversário, Yang Xi!"
"Que lindo!" Xixi, claro, não conseguia ler tudo, mas reconhecia o próprio nome e correu curiosa para olhar de perto.
"Xixi, hoje é seu quarto aniversário!" Murphy sorriu, foi até a menina, pegou sua mãozinha e disse: "Depois desta noite, você vai ter quatro anos!"
"Isso tudo é para o aniversário da Xixi?" Xixi já tinha feito aniversário com a mamãe antes, mas as lembranças eram meio vagas. Ela só sabia que nunca tinha visto algo tão grandioso, e perguntou emocionada.
"Sim! Seu papai preparou o dia inteiro!" Murphy virou-se para olhar Yang Yi.
Na verdade, ela também estava vendo o resultado pela primeira vez. Não era algo impressionante, mas cada detalhe mostrava o cuidado de Yang Yi, e os olhos de Murphy brilhavam de emoção.