Capítulo 854: Capítulo 854: Mesmo que no Futuro Haja Mil Canções (3/3)

"Se você acha que essas músicas não estão boas, podemos trocar por outras? Que tal cantar algo mais leve e alegre?"

Murphy estava ao lado do berço, curvando-se para arrumar a roupa do pequeno Tongtong, preparando-se para pegá-lo e dar uma volta. Yang Yi, encostado na parede ao lado, perguntou em voz suave.

"Nem pensar..." Murphy revirou os olhos. "As músicas estão ótimas, por que não estariam boas?"

"Você não disse que elas são muito dolorosas?"

"São dolorosas sim! Essas músicas são tão tristes!"

Yang Yi riu: "Já que você não gosta, por que se forçar a cantá-las? Não é como se eu não tivesse outras músicas para te dar!"

Murphy piscou inocentemente para Yang Yi e disse: "Quem disse que eu não gosto dessas músicas?"

"Você gosta?" Yang Yi ficou confuso.

"Claro! Quando ouvi você tocar saxofone agora há pouco, a melodia era tão linda! Como eu não gostaria de uma música tão boa?" Murphy pegou o pequeno Tongtong no colo. O pequenino segurava a roupa da mãe com uma mão, mas, sendo um pouco inconstante, estendeu a outra mão em direção ao pai.

"Papá!" O pequeno Tongtong balançou a mãozinha, parecendo mais interessado no pai que o provocava há pouco.

Yang Yi pegou o pequeno Tongtong, mas continuou confuso, perguntando a Murphy: "Mas você disse que ela é muito dolorosa!"

"Dolorosa é uma coisa, gostar é outra. Embora as letras me deixem um pouco triste, não consigo evitar de gostar delas. Cantá-las deve ser muito interessante!" Murphy riu baixinho, vendo YangYi com cara de bobo, e disse: "Ah, você não entende as mulheres. Quanto mais doloroso, mais a mulher gosta!"

Não era verdade? Naqueles anos, quem era que assistia àquelas novelas dramáticas do país vizinho, chorando horrores, mas adorando cada minuto?

Mulheres, hein...

Yang Yi ficou sem palavras: "Tudo bem, se você gosta, está ótimo. Eu estava preocupado que você não gostasse desse tipo, porque pensei em fazer um especial de músicas tristes para você."

"Que bom! Mas me ensine essas três músicas primeiro. Só ouvi a melodia de 'O Estranho Mais Familiar'." Murphy apoiou as duas mãos no armário baixo, animada, falando com Yang Yi.

Yang Yi sorriu e disse: "Então tá. Qual você quer ouvir primeiro?"

"Essa! 'Milhares de Canções'. A letra também é triste, mas comparada às outras, é um pouco mais suave, menos direta. Vamos do mais leve ao mais profundo, devagar." Murphy, com os olhos brilhando, murmurou.

"Essa música é interessante. Tem versão feminina e versão masculina." Yang Yi lembrou-se de algumas versões que ouvira em sua vida passada, pensou um pouco e disse: "Vou cantar a versão masculina para você. A feminina a gente estuda depois. Mas para a versão masculina, preciso da bateria como acompanhamento."

Na versão masculina, claro, Yang Yi imitaria o estilo de Leslie Cheung.

"Então eu seguro o filho." Murphy se animou e pegou o pequeno Tongtong.

"Ai, ai, papá!" O pequenino não queria, ainda não tinha começado a brincar com o pai! No colo da mãe, fez bico e começou a reclamar.

Felizmente, Yang Yi sentou-se na bateria, e com um "tum-tum-tum-tum-tchá", mais um truque de girar a baqueta entre os dedos, atraiu a atenção do pequeno Tongtong.

O pequenino esqueceu a implicância com a mãe, abriu seus olhos arregalados e redondos, olhando para o pai com surpresa, como se estivesse impressionado com a performance incrível do pai, ou tentando entender, com sua cabecinha, o que o pai estava fazendo!

Yang Yi provocou o filho um pouco, depois se concentrou e começou a cantar as primeiras frases em voz limpa: "Olhando para trás lentamente, as noites que pertenceram um ao outro. Ainda vermelho, o sol em meu coração que você me deu..."

Era uma música em cantonês!

Murphy já achara a estrutura das frases das letras um pouco peculiar, mas não tinha se aprofundado no estudo de idiomas, então não conseguia identificar de imediato a ordem das palavras de qual língua.

Mas, clássico é clássico. Yang Yi cantou apenas as primeiras frases, e Murphy já estava encantada com o ritmo musical expresso na voz. Segurando o pequeno Tongtong ao lado, ela olhava fixamente, esquecendo até de se sentar.

A voz de Leslie Cheung tocava inúmeras pessoas não principalmente pela técnica vocal — embora sua técnica fosse de ponta —, mas pela capacidade de dar emoção à voz, algo que muitos imitadores não conseguiam alcançar!

Dar emoção à voz significa infundir sentimentos intensos na voz, sem artificialidade, com a medida certa! Com o reforço da técnica vocal, ele conseguia expressar seu talento com leveza e transmitir emoções genuínas. Assim, suas músicas naturalmente tocavam o público!

Yang Yi ainda não alcançava o nível de Leslie Cheung, mas, com sua ampla extensão vocal, técnica sólida e imitação esforçada, conseguia capturar um pouco da essência do irmão!

"Infelizmente, em breve estaremos em lugares diferentes, só posso fixar este momento profundamente no olhar..."

Nessa frase, a pausa suave entre "este momento" e "no olhar", e a mudança de emoção, fizeram Murphy, ao lado, mostrar uma expressão de fascínio.

Nesse momento, Yang Yi começou a tocar a bateria, como se usasse o ritmo acelerado para introduzir o refrão do clímax.

"No futuro, mesmo com milhares de canções, flutuando no meu caminho distante, no futuro, mesmo com milhares de estrelas noturnas, mais brilhantes que a lua de hoje..."

Yang Yi, seguindo o ritmo, batia na bateria enquanto cantava com emoção.

Só ele, com sua respiração profunda e coordenação corporal excepcional, conseguia tocar bateria e cantar ao mesmo tempo sem ser afetado.

Mas Murphy não se preocupava com essas coisas sem sentido. Com olhar perdido, ela observava Yang Yi, quase embriagada pela voz cheia de altos e baixos.

Yang Yi também a olhava com carinho, cantando com um tom sedutor: "Nada se compara a esta noite, nada apaga o que penso agora, ah... porque você canta comigo esta noite!"

Murphy mordeu o lábio inferior, as bochechas levemente coradas.

Ninguém se atrevia a cantar essa música só pela metade. Mesmo sendo apenas uma demonstração, Yang Yi cantou a música inteira, e no final, com a batida firme e cada vez mais forte, murmurou o último refrão.

"E aí? Gostou da música?" Yang Yi, ainda um pouco empolgado após cantar, perguntou a Murphy sorrindo.

Mas Murphy revirou os olhos para ele, fingindo não gostar, e deu um "hum" de desdém.

"O que foi?" Yang Yi perguntou rindo.

"Você é muito malvado!" Murphy reclamou. "Uma música tão boa, que eu adoraria, e você ainda tentou me convencer a trocar por outras!"

"Ei, ei, como assim 'convencer'? Sua aula de português foi com o professor de educação física?" Yang Yi riu alto, sabendo que Murphy estava brincando com ele. Afinal, as pequenas brigas do casal também eram uma forma de dar graça à vida.

"Foi sim! Quem teve aula de português com professor de educação física foi você!"

Enquanto eles discutiam, o pequeno Tongtong mostrou grande interesse pela bateria que o pai tocara. Ele começou a balbuciar sem parar, até conseguir chamar a atenção do pai.

"O quê, você quer brincar?" Yang Yi, achando graça, entregou uma baqueta ao pequenino.

A baqueta não era pesada, e o pequeno Tongtong conseguiu segurá-la. E, para surpresa dos pais, sua capacidade de imitação era impressionante. Quando Murphy o colocou perto da bateria, o pequenino, animado, balançou o bracinho e começou a bater no prato de ataque, "tchá-tchá-tchá".

"Risos, risos!" O pequenino se divertiu e virou a cabeça para olhar o pai, mostrando os dentes num sorriso, como se dissesse: Papai, olha, eu também sei tocar!