Nesta longa viagem, Yang Yi instalou uma cadeirinha de segurança para bebês para Xixi. Mas o conforto do conversível não diminuiu nem um pouco; a menininha sentou no carro esportivo e, quando ele pegou a estrada rural e acelerou um pouco, ela segurou o cinto de segurança feliz, olhando para a esquerda e para a direita no carro.
Afinal, para que lado ela estava olhando?
Olhando para o lado, via o papai dirigindo; quando ele se concentrava, sua expressão era tão séria!
Ou olhando para a frente, a paisagem à frente vinha correndo rapidamente com o som do vento uivante! Também podia olhar para os lados, as belas paisagens que surgiam desapareciam num piscar de olhos...
"Papai, hoje ainda não me despedi do Branquinho!" Xixi riu feliz por um tempo, até que finalmente teve um tempinho para pensar em outras coisas, e disse ao pai, meio confusa.
"Você pode brincar com ele amanhã!" Yang Yi respondeu distraidamente.
"Mas, mas ontem eu disse ao Branquinho que ia brincar com ele hoje!" Xixi balançou a cabecinha, falando sério. "Não posso quebrar minha promessa! O Branquinho vai ficar muito triste!"
Yang Yi virou-se e olhou para os olhos brilhantes de Xixi, tão limpos, tão puros. Ele sorriu levemente e disse: "Então tá, papai vai pegar só um tempinho da sua manhã, e depois voltamos para casa. À tarde você pode brincar com o Branquinho, assim você cumpre sua promessa, certo?"
Xixi pensou bem, achou que fazia sentido, e respondeu com um alegre "Hum!"
A estradinha rural seguia para o norte. Conforme Mo Henian havia dito, Yang Yi logo levou o conversível até a maior fazenda da cidade. Alguns cowboys o guiaram até Doug, que estava em casa.
"Yang, estou surpreso que você veio me visitar em casa. Ei, você trouxe sua princesinha?" Doug saiu de sua mansão que lembrava a Casa Branca e, ao ver Yang Yi descendo do carro com a filha, percebeu que não era uma briga e ficou mais caloroso.
"Doug, vim devolver este carro para você." Yang Yi sorriu levemente.
"Devolver para mim? Por quê? Você ganhou ele, nós cowboys sempre honramos apostas, e não sou alguém que não sabe perder um carro." Doug disse, um pouco surpreso.
Ao falar isso, ele até ergueu a aba do chapéu de cowboy com um certo orgulho.
Xixi também ficou surpresa; ela olhou para o pai, confusa.
Por que o papai ia devolver o carro? Não era nosso carro? Um carro tão bonito... A menininha não resistiu e puxou a mão do pai, olhando para ele com olhos suplicantes, como se pedisse que ele desistisse daquela ideia estranha.
Mas Yang Yi foi firme: "Respeito muito o espírito dos cowboys, mas também tenho meus próprios princípios: não aposto! Apostar é muito ruim; não só faz a gente perder muito dinheiro, mas também afeta os sentimentos, machuca amigos e familiares!"
"Por que os chineses são tão complicados?" Doug ficou confuso e não pôde deixar de dizer: "Mas eu não me importo com este conversível."
"No começo, apostas pequenas e inofensivas são a raiz do mal, como Adão e Eva comendo a maçã." Yang Yi falou sério. "Elas despertam a ganância dentro de nós, e no fim apostamos cada vez mais, até um dia nos arrependermos amargamente... Por isso, devemos parar com esse pensamento ganancioso desde o início."
Xixi, ao lado, com os olhos bem abertos, ouvia o pai falar. Enquanto absorvia a lição, sentia uma admiração crescente pela alma "nobre" do pai.
"Mas por que você aceitou a chave ontem?" Doug não negava que Yang Yi estava certo; ele não era mais tão firme, mas ainda estava curioso. "Você devolve o carro, o Mo concordou?"
"Ele apoiou muito minha atitude, disse que isso seria um ótimo exemplo para a criança ver." Yang Yi sorriu suavemente e acariciou a cabecinha de Xixi com carinho. "Quanto a ter aceitado a chave ontem, foi porque seu carro é tão lindo que não resisti a vontade de experimentar a sensação de dirigi-lo, e também deixar minha filha sentir o que é um conversível."
Doug não pôde evitar dar uma gargalhada. Ele piscou para Xixi e disse: "Criança, o que achou do carro? Foi divertido?"
Com o incentivo do olhar do pai, Xixi criou coragem e respondeu ao avô estranho: "Senhor, acho seu carro muito bonito."
No fim, Doug, ainda confuso, acabou cedendo a Yang Yi e aceitou o carro de volta. Mas, por causa disso, passou a gostar ainda mais do jovem Yang Yi, prometendo pessoalmente dar mais ajuda à fazenda do sogro dele.
...
Yang Yi saiu da fazenda de Doug de mãos dadas com Xixi. A caminhonete de Mo Henian já estava esperando do lado de fora. Xixi ficou surpresa e feliz ao abraçar o avô; Yang Yi não se surpreendeu, pois já tinha notado que o carro do sogro vinha seguindo atrás.
"Essa sua lição foi bem cara!" Mo Henian, depois que Xixi entrou no carro, olhou para Yang Yi e disse com um suspiro.
Aquele conversível devia valer pelo menos quinhentos mil dólares, e isso considerando que comprar carro nos EUA é mais barato.
"Mas valeu a pena." Yang Yi riu.
"Para onde vamos agora?"
"Vamos ao supermercado da cidade. Quero comprar uma bicicleta para Xixi." Yang Yi disse. "Ela já está na idade de aprender a andar de bicicleta!"
...
O mundo de uma criança é muito simples. Ela não ficou muito triste ou arrependida por ter devolvido o conversível; pelo contrário, quando soube que o pai ia comprar uma bicicleta para ela, Xixi ficou super feliz.
Depois de comprar a bicicleta e voltar para casa, Xixi, que ainda não tinha tirado o capacete vermelho bonito, as joelheiras e cotoveleiras, correu para dentro de casa toda animada, vestida como um ciclista, gritando: "Mamãe! Mamãe! Vovó! Venham ver minha bicicleta! Papai me comprou uma bicicleta!"
"Comprou uma bicicleta?" Mo Fei ficou curiosa e saiu para ver.
Mo Fei viu Yang Yi tirar da caminhonete uma bicicleta infantil pequena, com estrutura metálica vermelha e dois guidões altos, parecia muito interessante! Mas, embora fosse uma bicicleta infantil, as rodas traseiras não tinham rodinhas de apoio, como uma bicicleta normal, então havia risco de cair.
Sob o olhar de Mo Fei, Zhou Mengyu e até mesmo o pequeno Tongtong, ao meio-dia, Xixi começou a pedalar sua bicicleta vermelha, cambaleando. Claro, Yang Yi ainda segurava o banco traseiro para manter o equilíbrio.
"Devagar, não cai!" Zhou Mengyu, vendo Xixi pedalar com esforço, preocupada com a neta, comandava tensa ao lado.
"Que devagar nada! Devagar é mais fácil cair!" Mo Henian corrigia do outro lado. "Tem que pedalar rápido, assim o equilíbrio se mantém!"
Xixi pedalava tremendo, balançando para lá e para cá. Na verdade, ela também estava muito nervosa, o rostinho tenso, nem prestava atenção no que os avós diziam, só gritava para o pai atrás: "Papai, não solta a mão, tá? Eu tô com medo..."
No primeiro dia de bicicleta, Yang Yi ainda precisava proteger Xixi, deixando-a sentir o equilíbrio ao pedalar, então não soltou a mão. Embora Xixi se balançasse a cada instante, parecendo que ia cair a qualquer momento, com o pai atrás, ela no fim não caiu e conseguia parar para recuperar o equilíbrio.
Xixi pedalava, apesar dos perigos, mas estava gostando da sensação, especialmente depois de meia hora, quando começou a pegar o jeito.
"Risadinhas, risadinhas!" A risada alegre da menininha, como sininhos de prata, ecoava pelo pátio ajardinado.
...
À noite, antes de dormir, Xixi já não mencionou mais a compra de roupas do dia anterior. Ela ouviu obedientemente o pai contar uma história e se preparou para dormir.
Mas Yang Yi ainda tinha algo a dizer: "Xixi, o papai pergunta: hoje você andou de conversível, pedalou bicicleta e à tarde brincou com o Branquinho. O que você achou mais divertido? E o que te deixou mais feliz?"
Xixi piscou os olhos, pensou um pouco e disse, hesitante: "Papai, acho que tudo foi divertido! Gosto de andar de bicicleta, mas também gosto de brincar com o Branquinho."
"E andar de conversível com o papai?" Yang Yi perguntou, rindo.
"Isso também foi muito divertido, mas, mas papai, já devolvemos o conversível para o avô Doug!" Xixi disse, confusa.
"Pois é. Você acha que andar de bicicleta, de conversível e brincar com o Branquinho são igualmente divertidos, certo?" Yang Yi disse, rindo.
Xixi balançou a cabecinha. Achava difícil dizer qual era mais legal.
"Xixi, você sabia? Na vida, existem muitas tentações. Como o conversível, como muitas roupas caras e bonitas." Yang Yi sentou-se, olhando nos olhos de Xixi, e disse.
Xixi olhou para o pai, um pouco perdida, sem entender o que ele queria dizer.
"Você deixaria de brincar com o Branquinho só porque gosta de andar num conversível que não é nosso?" Yang Yi perguntou.
Xixi balançou a cabeça e disse, séria: "Não! Aquele conversível é do avô Doug, mas o Branquinho é meu, eu gosto do Branquinho."
"E você deixaria de usar as roupas mais baratas que o papai te comprou antes, só porque gosta daquelas roupas e bolsas caras que o papai não pode comprar, como a bolsa que a vovó te deu ontem?" Yang Yi perguntou. "É a mesma coisa."
"Não..." Xixi primeiro balançou a cabeça, depois demorou um pouco para entender a relação entre as duas coisas, e disse baixinho ao pai: "As roupas que o papai me compra, eu também gosto. Mas, mas papai, as roupas que a vovó me comprou, a gente não vai devolver para ela, né?"
A menininha olhou para o pai com olhos marejados, com pena, com medo de que ele, como fez com o conversível, devolvesse as roupas e a bolsa: "A vovó disse que era para mim!"
Yang Yi riu e disse: "Claro que não. O papai deixa você ficar com essas roupas, e acho que você fica muito bonita com elas."
Xixi suspirou aliviada e mostrou um sorriso feliz.
Yang Yi continuou, devagar: "O papai só quer que você entenda: as roupas e bolsas caras que a vovó te deu são como o conversível, cheias de novidade e te fazem sentir satisfeita;
Já as roupas comuns e a mochila que o papai te comprou são como o Branquinho, você se sente confortável e bonita, mas o mais importante é que são coisas sólidas;
E lá fora, há muitas coisas que você ainda não experimentou, que podem ser baratas, mas também interessantes, como a bicicleta que você andou hoje. Você não as conhecia antes, mas vale a pena explorá-las e buscá-las."
Xixi parecia entender, e ouvia com atenção.
"Agora, enquanto você aproveita roupas e bolsas caras e bonitas, não deve esquecer as roupas comuns que você usava confortavelmente e gostava, nem a mochila que te acompanhou por anos. Também não se apegue demais às coisas caras, se satisfazendo facilmente, porque neste mundo há muitas coisas que parecem simples, mas são igualmente interessantes, esperando para serem exploradas!" Yang Yi riu. "Tá bom?"
Xixi balançou a cabeça obedientemente, virou-se e abraçou o braço do pai, com a voz doce: "Risadinha, eu entendi, sim! Eu gosto da vovó, mas também vou gostar sempre do papai!"
Yang Yi ficou parado por um instante, depois riu e deu um tapinha na cabecinha da menina, sentindo-se feliz por dentro.
Parece que Xixi entendeu algo errado... Mas ela lembrou do que o pai disse, e com o tempo, na vida e no crescimento, vai compreender aos poucos.