Assim como Yu Ying, Yang Yi também queria inspirar Xixi a ter alguma consciência de autoproteção através de histórias.
No entanto, diferente de Yu Ying, que criava contos de fadas tradicionais e próximos da vida real, a história que Yang Yi queria contar para Xixi vinha de uma obra clássica de fantasia de sua vida anterior, que era, sem dúvida, uma leitura infantil por excelência!
Xixi, claro, queria ouvir o pai contar uma história nova, porque desde que começaram a ler antes de dormir, Yang Yi já havia reduzido a frequência de contar novas histórias para ela.
Ler livros ilustrados coloridos com o pai era divertido, mas Xixi preferia as histórias que o pai contava!
"Essa história se passa na distante Inglaterra, Xixi, você sabe onde fica a Inglaterra?" Yang Yi pegou o pequeno globo terrestre que havia comprado para Xixi e apontou para a ilha alongada, mostrando a ela. "É aqui."
Xixi, curiosa, se aninhou no colo do pai e olhou.
"Ei, papai, é bem perto da casa da Luísa!" Xixi notou um círculo desenhado no globo e disse, surpresa.
"Isso mesmo, é bem perto da casa da Luísa." Yang Yi sorriu.
Voltando à história que Xixi ansiava ouvir, Yang Yi descreveu quatro crianças: Pedro, Susana, Edmundo e Lúcia, que, para fugir da guerra, foram enviadas para a casa de um velho professor no campo.
"Isso foi há muito tempo, mais ou menos na época em que seu avô acabara de nascer. Naquela época, a capital da Inglaterra era frequentemente bombardeada por aviões. Aqueles aviões com bombas enormes voavam e destruíam casas inteiras!" Yang Yi abriu os dedos das mãos e fez uma descrição exagerada da explosão. "Puf! Tudo desaparecia, e muitas pessoas morriam naquela hora."
A boquinha de Xixi se abriu de surpresa, mas sua surpresa e medo não reprimiram sua vontade de falar.
"Papai, e o vovô? Por que eles queriam destruir as casas?" A menina segurou o braço do pai, perguntando preocupada.
"Naquela época, nosso país também estava em guerra. Porque uns bandidos queriam tomar nossas casas, eles vieram com aviões de bombardeio. Felizmente, o exército os derrotou, e assim podemos ter a vida pacífica de hoje." Yang Yi sorriu para acalmar Xixi. "O vovô também ficou bem, não está aí, saudável?"
Xixi suspirou aliviada. A menina bondosa resmungou: "Não pode brigar! Brigar não é coisa de criança boa."
Pois é, ela confundiu guerra com briga!
Yang Yi continuou a história. Logo, ele chegou à parte em que Lúcia brincava de esconde-esconde com os irmãos na casa grande do professor.
No original não era esconde-esconde, mas no filme sim. Yang Yi achou que adaptar para a versão do filme seria mais fácil para Xixi entender, já que no Dia das Crianças ela tinha brincado de esconde-esconde com os amiguinhos.
Na descrição animada de Yang Yi, Lúcia entrou no grande armário e, para sua surpresa, atravessou-o, aparecendo de repente em uma floresta coberta de neve!
"As árvores eram altas, com folhas finas como grama, cobertas de pequenos cristais de gelo. O céu deixava cair flocos de neve, que, como elfos, flutuavam e pousavam nos cabelos de Lúcia." Yang Yi tocou suavemente o cabelo de Xixi, descrevendo com palavras. "Parecia que o mundo inteiro estava coberto por um branco limpo, exceto por um poste de luz aceso, que emitia uma luz amarelada."
A descrição de Yang Yi foi criando uma imagem nítida na mente de Xixi.
Xixi achou tudo muito mágico, seus olhos grandes brilharam, e ela soltou um "uau" baixinho.
Existia um mundo tão mágico atrás do armário?
"Papai, é aqui que a irmã Elsa mora?" Xixi perguntou, ingênua.
"Não, é outro mundo mágico. Escute o papai continuar." Yang Yi sorriu e seguiu contando a história.
Lúcia encontrou o estranho Sr. Tumnus, metade homem, metade bode. Depois, sob o convite caloroso desse Sr. Tumnus tímido, Lúcia, que queria voltar para casa, decidiu ir com ele até sua casa.
Metade homem, metade bode, que coisa mágica!
Mas na mente de Xixi, o que apareceu foi o rostinho fofo de uma cabra, não a figura de um fauno.
"Xixi, se você fosse a Lúcia, iria à casa do Sr. Tumnus?" Yang Yi parou e perguntou.
Xixi piscou os olhos, hesitou, mas balançou a cabeça.
Yang Yi sentiu um grande alívio no coração e perguntou: "Por que não?"
Xixi olhou para o pai e disse: "Porque, porque eu não o conheço, e não pedi permissão ao papai. Só posso ir na casa dos outros se o papai deixar!"
Yang Yi acariciou a cabecinha de Xixi, satisfeito, mas não se apressou em dar lições. Continuou a história.
Na casa do Sr. Tumnus, o fauno tímido e hospitaleiro ofereceu chá e bolinhos a Lúcia, e tocou para ela uma música de sua terra natal, que na verdade era uma canção de ninar.
O clima foi ficando tenso. O Sr. Tumnus finalmente se tornou frio e disse a Lúcia, que já estava sonolenta, que iria informar a Bruxa Branca sobre sua presença, porque essa vilã, que transformara a bela Nárnia em um mundo de gelo, queria capturar todas as crianças humanas que aparecessem.
"O Sr. Tumnus é um vilão?" Xixi, que já estava com sono ao ouvir a história, arregalou os olhos incrédulos com essa reviravolta.
Porque Yang Yi havia descrito o Sr. Tumnus como um fauno muito bom. Embora tivesse uma aparência estranha, ele era tímido e bondoso. Xixi até achou que não seria uma má ideia Lúcia ir tomar chá com ele.
"Vamos deixar de lado se o Sr. Tumnus é um vilão ou apenas uma pessoa boa coagida pela Bruxa Branca a fazer o mal." Yang Yi se virou, olhou nos olhos de Xixi e começou a falar sobre o verdadeiro propósito daquela noite. "Na verdade, neste mundo, existem muitos, muitos vilões que você não consegue identificar."
Xixi ouvia com toda a atenção, esquecendo até de interromper.
"Os vilões não carregam uma etiqueta dizendo que são maus. As pessoas podem ter aparências enganosas. Alguém que parece muito bom pode, na verdade, ser um vilão." Yang Yi disse. "Só o papai e a mamãe são absolutamente boas pessoas, que nunca vão te machucar. Quanto aos outros, você não pode julgar se são bons ou maus apenas pela intuição, entendeu?"
"Então o que eu faço?" Xixi franziu os lábios, perguntando com medo.
"Não se preocupe. Por enquanto, o papai vai te ajudar a julgar. Quando você crescer um pouco e tiver seu próprio discernimento, também conseguirá identificar quem é bom ou mau." Yang Yi disse com voz suave. "É por isso que o papai te diz que, onde quer que você vá, primeiro tem que contar ao papai e pedir permissão."
Xixi balançou a cabeça, obediente.
"O papai vai dar outro exemplo agora." Yang Yi sorriu. "Parecido com a pergunta da professora Cai. Se você estiver viajando com o papai e, sem querer, se perder dele, o que fazer?"
"Procurar um tio segurança e pedir para ele ligar para o papai." Xixi respondeu fluentemente. "O número do papai é 13xxxxxx."
"Essa solução funciona, mas às vezes você pode não encontrar um segurança ou um policial. E a pessoa a quem você pedir ajuda pode ser má?" Yang Yi disse.