O tempo passou num piscar de olhos, e de repente chegou o fim de semana, com a data já entrando em maio. E neste fim de semana, o dia de se despedir de Luísa finalmente chegou, mas ainda havia uma boa notícia: a carta que Xixi enviou pelo mar, após uma longa jornada de quase meio mês, finalmente chegou às mãos de Luísa no último momento!
"Pelo menos não perdemos a carta da Xixi!" A família de Yang Yi chegou à casa de Luísa, pronta para levá-los ao aeroporto. David apontou para a carta que Luísa segurava e, rindo, contou a Yang Yi essa coincidência.
Eles só a receberam na noite anterior, e Luísa ficou feliz a noite toda, o que dissipou muita da tristeza antes da partida.
No carro, Yang Yi e David estavam sentados na frente, Mo Fei segurava o pequeno Tong Tong no meio, enquanto Xixi e Luísa, as duas meninas, estavam no banco de trás, tagarelando sobre a carta de Xixi.
Fotos e coisas do tipo eram irrelevantes; o que mais interessava Luísa era a carta escrita à mão por Xixi.
Como se fosse um jogo de adivinhação, Luísa traduzia os desenhos na carta para o sueco, frase por frase, e Xixi dizia se estava certo ou não.
Vendo Luísa sorrir radiante, ela disse: "Este, este sou eu e meu pai subindo a montanha."
"Sim, sim! O zoológico precisa subir a montanha, é muito cansativo! Quando eu e meu pai fomos ao zoológico em Guangzhou, não precisamos subir montanha." Xixi respondeu alegremente.
"Este é um canguru? Não sei o que significa. Meu pai disse que é seu pai brigando com um canguru." Luísa apontou para um desenho de uma figura humana, um X e um desenho torto de um animal, perguntando.
"Não é para brigar." David riu, virando-se do banco da frente.
"Ah, não é não!" Xixi balançou a mão e riu para Luísa: "Isso é... isso é..."
Xixi percebeu que não sabia como dizer "girafa" em sueco, então virou-se para perguntar ao pai. Depois de um tempo, ela explicou com dificuldade que queria comprar um bichinho de pelúcia de girafa, mas o pai não deixava.
"O pescoço dela é muito comprido, muito comprido!" Xixi gesticulava enquanto explicava.
Vendo as duas meninas conversando animadamente no fundo do carro, Mo Fei disse com um pouco de pesar a David, em inglês: "No ano em que Luísa foi amiga dela, Xixi aprendeu a falar sueco, e a amizade delas é muito forte. É uma pena que você tenha que voltar para a Suécia para trabalhar, essas duas crianças dificilmente poderão conversar tão felizes assim no futuro."
"Acho que também devemos agradecer à Xixi. Não só Xixi aprendeu sueco, mas Luísa também aprendeu chinês. É um progresso impressionante, e o chinês é o mais difícil!" David riu. "Luísa se divertiu tanto aqui na China e fez tantos amigos, em grande parte por causa da Xixi."
"Vamos manter contato! Não é fácil ter um bom amigo." Yang Yi riu, também falando em inglês, para que Mo Fei pudesse entender e não se sentir excluída. "A comunicação pela internet é muito conveniente hoje em dia. Quando tiverem tempo, podem fazer videochamadas, e de quebra, praticam os idiomas que aprenderam."
"Isso é realmente necessário!" David concordou com a cabeça.
...
Chegaram ao Aeroporto de Jiangcheng. De lá, David e sua família pegariam um voo para Pequim para fazer conexão internacional. Mas, por mais que se queira acompanhar, a despedida é inevitável, e a família de Yang Yi os levou até ali.
Na sala de espera, Xixi puxou a mão do pai. Quando ele se abaixou, ela cochichou algo em seu ouvido.
"O quê? Você quer dar agora?" Yang Yi perguntou, rindo.
Xixi balançou a cabeça.
Tudo bem, então. Yang Yi tirou a mochila das costas e a colocou na cadeira. Dentro dela, principalmente, estavam itens de reserva para o pequeno Tong Tong, como fraldas descartáveis limpas, chupeta, cobertor pequeno, canguru de bebê, etc.
Mas, hoje, em um compartimento separado da mochila, havia também uma caixa de presente. Enquanto a tirava, Yang Yi se virou para explicar a David, rindo: "Quando soubemos que vocês voltariam para a Suécia, eu e Xixi começamos a preparar um presente de despedida para vocês. É um artesanato, feito por nós mesmos, mas Xixi ajudou e colocou muito carinho."
A ideia era dar o presente para Xixi entregar a Luísa antes do voo, mas Xixi não aguentou esperar e, assim que chegaram ao aeroporto, quis mostrá-lo à amiga.
Mas, coincidentemente!
David olhou surpreso enquanto Yang Yi tirava a caixa de presente e a entregava a Xixi. Ele ergueu a cabeça e não pôde deixar de rir alto, dizendo: "Como você pensou a mesma coisa que eu?"
Vendo isso, David também tirou uma caixa de sua bagagem de mão e a entregou a Luísa, rindo: "Luísa disse ontem à noite que queria dar isto para Xixi. Nós a escondemos, planejando mostrá-lo na hora da despedida para alegrar a Xixi, mas vocês também prepararam um presente."
"Mas preciso dizer que o presente de Luísa não foi feito por nós. Yang, sua habilidade manual é muito superior à minha." David riu.
"No nosso país, dizemos que 'o presente é leve, mas a intenção é pesada'. Não importa o tipo de presente, para elas, será uma lembrança muito preciosa!" Disse Mo Fei ao lado.
Deixando os adultos de lado, Xixi abraçou o presente que o pai lhe dera e se juntou a Luísa. As duas meninas, embora ainda rissem uma para a outra, pareciam já sentir a iminência da separação. Sentaram-se juntas em uma cadeira, bem apertadas, encontrando alguma alegria naquilo.
"Luísa, eu e o papai fizemos isto para você. Dentro tem um panda de madeira. Você vai se lembrar de mim para sempre, não vai?" Xixi acabou revelando o presente sem querer, mas a menina, preocupada com outras coisas, olhou para a amiga com olhos suplicantes, esperando uma confirmação verbal.
"Sim! Nós seremos sempre melhores amigas!" Luísa balançou a cabeça com força. Ela estendeu o presente para trocar com Xixi: "Este é para você. É muito bonito, eu gosto muito, e tenho certeza de que você também vai gostar."
Xixi abriu a caixa ansiosamente e viu dentro um cavalinho de madeira colorido. O cavalo era todo vermelho, apenas a sela era composta por branco, verde, amarelo e azul. Eram justamente essas cores, que se espalhavam como nuvens na sela, que davam ao cavalinho vermelho um encanto especial!
"Este é o nosso famoso Cavalo Dala, o melhor presente para crianças. Este cavalinho foi o que dei a Luísa quando saí da Suécia, e ela adorou. Agora, ela está dando seu brinquedo favorito para Xixi." David explicou a Yang Yi e Mo Fei ao lado.
Acontece que aquele cavalinho de madeira do tamanho de uma palma da mão era o brinquedo favorito de Luísa! E agora ela o estava dando a Xixi. Essa demonstração do sentimento mais puro das crianças fez Mo Fei se emocionar, com os olhos se enchendo de lágrimas.
Xixi e Luísa não estavam tão emocionadas quanto os adultos. No entanto, Xixi se apaixonou pelo Cavalo Dala à primeira vista. Ela o segurou no colo com alegria e exclamou para Luísa, empolgada: "Uau! Que lindo!"
"Você tem que cuidar bem dele, ok? Eu o dei para você!" Luísa, embora ainda sentisse um pouco de pesar, viu a alegria de Xixi e disse com satisfação.
"Hum hum!" Xixi balançou a cabeça com força, sem saber se realmente entendia o valor daquilo.
Em seguida, Luísa também viu o panda de madeira que Xixi lhe dera. Embora não tivesse cores vibrantes, Luísa se apaixonou pelaquele panda adorável e ingênuo.
"Ele é muito fofo, parece um gatinho." Luísa também o segurou, sem querer soltar.
"Meu papai esculpiu a madeira, e eu pintei as cores. Olha, os olhos dele são pretos e grandes. Kkkk..." Xixi, como quem se vangloria, apresentou o panda a Luísa.
Embora ela tenha se enganado, pois os olhos do panda não são nada grandes, Luísa ouvia com grande interesse.
O tempo de alegria foi curto. A despedida era inevitável. Chegou a hora do embarque. Depois de se abraçarem, David puxou Luísa, que olhava para trás a cada passo, enquanto se afastavam.
E Xixi acenava suavemente, despedindo-se de Luísa. Claro, a pequena já estava derramando lágrimas.
Mas não era algo tão intenso. Talvez a alegria anterior tivesse amenizado a tristeza do momento. Ela apenas segurava a mão do pai, apertada contra a perna dele, sem chorar descontroladamente.
"Você está bem?" Yang Yi, ao ver Luísa desaparecer de vista, agachou-se ao lado da filha e, com carinho, enxugou as lágrimas do rosto da menina. "Quer que o papai te pegue no colo?"
Xixi não era mais como quando tinha três anos, quando não queria andar e só queria colo. Agora, a menina havia crescido e gostava de andar sozinha. O colo do pai era muito menos frequente, a menos que ela estivesse cansada de andar. Afinal, correr livremente por aí era mais divertido do que ser carregada pelo pai!
Mas agora, a menina não disse nada. Com os lábios franzidos, ela se aninhou no colo do pai, apoiando a cabeça no ombro dele, demonstrando uma forte necessidade de dependência.
"Está se sentindo mal agora?" Yang Yi trocou um olhar com Mo Fei e, segurando a menina no colo, começou a caminhar lentamente para fora do aeroporto.
Para sua surpresa, as lágrimas da menina foram diminuindo. Ela enxugou os olhos e apenas murmurou baixinho ao lado do pai: "Papai, eu e Luísa seremos sempre melhores amigas."
"É verdade! Vocês prometeram isso muitas vezes, e o papai estava ouvindo!" Yang Yi riu.
"Papai..." Depois de um tempo, já perto do carro, Xixi falou novamente.
"Hum?"
"Eu gosto muito do cavalinho que Luísa me deu!" A menina murmurou.
"E Luísa gostou muito do panda que você deu a ela. Vocês duas têm presentes muito preciosos uma da outra." Yang Yi disse.
"Hum hum!" Embora a conversa parecesse um pouco sem nexo, a menina parecia ter recuperado um pouco o ânimo.
Aquela tristeza, no final, sempre passa...