Capítulo 730: Capítulo 730 A Garotinha que Pisa nas Ondas (1/3)

Ao chegar em Sydney, eram pouco mais de cinco horas da manhã no horário local, mas também pouco mais de três horas da manhã no horário de Pequim. Xixi tinha se divertido muito no avião na noite anterior, rastejando para lá e para cá entre o lugar dela e o da mãe, agarrando o pai para brincar, e Yang Yi até abaixou a mesinha de refeição para desenhar e contar histórias com a menina. Ela só foi dormir depois das onze horas no horário de Pequim.

Por isso, ao descer do avião, Xixi não conseguia acordar direito, com os olhos ainda sonolentos. Yang Yi, sem alternativa, a carregou no colo para descer. A menina se aninhou no peito quentinho do pai, apoiou a cabeça confortavelmente no ombro dele e voltou a dormir.

"Vamos primeiro para o hotel para ajustar o fuso horário, e ao meio-dia saímos para passear." Murphy, que tinha dormido mais cedo com o pequeno Tongtong na noite anterior, estava cheia de energia. O pequeno Tongtong também estava no colo da mãe, olhando curioso para o mundo ao redor.

Em abril, a Austrália já estava no outono, mas o clima ainda era ameno. A única desvantagem era a grande diferença de temperatura entre o dia e a noite! Ao sair do aeroporto, estava frio lá fora, mas felizmente uma comissária de bordo lembrou-os de vestir os casacos.

No entanto, quando o sol nasceu e se aproximou do meio-dia, o céu azul sem nuvens não conseguia esconder o sol escaldante. A temperatura subiu tanto que era impossível usar duas peças de roupa, e Murphy até trocou a roupa de Xixi por um vestido fino e longo.

"Ver cangurus, papai, vamos ver cangurus, tá?" Assim que saíram, a menina de vestido longo de chiffon estampado puxou a mão do pai, dizendo impaciente.

Olhando para o olhar ansioso de Xixi, era claro que o principal motivo dela vir para a Austrália era ver aquele animal das fotos que Lu Weisha tinha enviado, ver com os próprios olhos!

"Hoje já está tarde. Se formos ao zoológico, ele vai fechar logo, e você não vai brincar muito com os cangurus. Vamos amanhã!" Yang Yi deu um tapinha no ombro pequeno da filha e disse sorrindo.

...

Se não fossem ao zoológico hoje, onde iriam?

Simples: o que há de mais famoso nesta cidade, além de alguns edifícios icônicos, são suas mais de setenta praias encantadoras. Claro, com tantas praias, escolher uma também era um desafio!

Yang Yi e os outros foram para a Praia de Manly, que dizem ser a mais adequada para famílias inteiras brincarem. Foram de balsa, e no caminho puderam apreciar a famosa construção em forma de concha à beira-mar. Ao passar, Yang Yi chamou Xixi para fora e tirou fotos da menina no convés.

Claro, Murphy também não ficou de fora. Ela usava o carrinho de bebê para empurrar o pequeno Tongtong, sem precisar carregá-lo o tempo todo. Na hora de tirar fotos, o pequeno Tongtong ficou aos pés do pai.

Na lente, a brisa do mar levantava os cabelos de Murphy sob seu grande chapéu de sol, os fios voando ao vento, brilhando dourados sob o sol. Ela olhava para Yang Yi com um ar entre o sorriso e o carinho, numa pose tão natural que cada foto parecia saída de um editorial de moda!

Era a primeira vez que Xixi andava de barco, e ela estava um pouco assustada, especialmente no convés. A menina se preocupava em ser jogada ao mar pelo balanço da balsa, mas também queria chegar mais perto para ver o oceano infinito ao longe. Segurando firme na barra da roupa do pai, sua expressão hesitante era uma graça!

"Papai, tem peixes grandes aqui?" Xixi perguntou baixinho, depois que o pai terminou de fotografar a mãe.

"Peixes, pode ter, mas peixes grandes, aqui não deve ter." Yang Yi balançou a cabeça, dizendo.

Aquele lugar era uma espécie de baía em forma de cunha, com barcos indo e vindo. Mesmo que houvesse peixes grandes, eles evitariam essas bestas de aço ainda maiores!

"Tá bom..." A menina disse com um pouco de pesar.

"Sem problemas. Daqui a dois dias, vamos para outra cidade, pegamos um barco maior e saímos para ver baleias. E também tem recifes de coral muito grandes e bonitos." Yang Yi sorriu, consolando a filha.

"Que legal!" Xixi ficou feliz na hora, esquecendo o medo inicial de andar de barco.

Em menos de meia hora, chegaram ao destino. O cais estava cheio de iates bonitos, mas não era o tema do dia. Yang Yi, com Murphy, atravessou ruas estreitas e bonitas, passou por lojas variadas e coloridas, e chegou à bela praia.

Não é à toa que muitos a elogiam: a praia longa, com areia plana e fina, embora cheia de turistas, não parecia suja ou bagunçada, limpa como se fosse uma praia intocada!

O mar azul profundo, o céu azul celeste, esse azul puro e límpido, de uma beleza de tirar o fôlego! A expressão "linha do horizonte" se encaixava perfeitamente ali. O azul intenso do mar parecia, no limite da visão, formar uma linha de contraste nítida com a borda esbranquiçada do céu!

Talvez não fosse o momento certo, as ondas não estavam muito agitadas, mas ainda assim rolavam espumas brancas, batendo camada após camada nos turistas que brincavam na beira-mar. Essas espumas brancas pareciam ecoar as nuvens limpas no céu; se a imagem fosse invertida, seria difícil distinguir qual era espuma e qual era nuvem.

À tarde, a temperatura na praia estava alta, e como a temperatura do mar é sempre constante, muitas pessoas ainda nadavam e brincavam na água. Ao longe, lanchas rápidas rebocavam pessoas em pranchas de surfe, surfando no mar. Mesmo que as ondas não fossem grandes, pelos gritos distantes, dava para ver que estavam se divertindo muito.

Infelizmente, Yang Yi e Murphy não planejavam entrar na água, afinal estavam com duas crianças.

Xixi ficou muito animada ao chegar na praia. A menina puxou a mão do pai, insistindo para ele levá-la perto da água. Ela queria nadar no mar, mas também estava com medo, então ficou na beira pisando nas ondas.

A menina, de vestido longo, segurava a barra com as mãos. Quando as ondas vinham com espuma branca, ela gritava e fugia; quando a água recuava devagar, ela, como uma general vitoriosa, ria e corria atrás, pisando na linha d'água que desaparecia.

Mas a próxima onda voltava, e Xixi gritava e fugia de novo, deixando pegadas pequenas na areia molhada.

De óculos escuros e câmera na mão, Yang Yi observava de lado, vendo o sorriso da filha. O tranquilo Yang Yi também exibia um sorriso suave.

Murphy, com o pequeno Tongtong no colo, também veio caminhando devagar pela areia.

O pequeno Tongtong, no colo da mãe, parecia interessado naquele azul. O menino, de olhos arregalados, olhava para o mar e o céu ao longe, com a boquinha entreaberta, numa expressão absorta, pensando em não se sabe o quê.

"Irmãozinho, aqui é muito divertido!" Dessa vez, Xixi não conseguiu fugir da onda; seus pezinhos foram envolvidos pela espuma. A menina, sem se preocupar, ainda pisava na água animada, chamando o pequeno Tongtong.

No entanto, o pequeno Tongtong estava hipnotizado pelo mar e não deu atenção.

...

Pisar nas ondas na areia, caminhar, aproveitar o tempo tranquilo.

Claro, andar na areia macia também cansava! Depois de cerca de uma hora brincando, Yang Yi e os outros sentaram-se num bar da praia para descansar um pouco.

Esse bar da praia era uma grande tenda, com guarda-sóis, mas sem paredes ao redor, permitindo que quem estivesse dentro aproveitasse o frescor e a vista do céu azul e do mar.

Yang Yi e Murphy não bebiam álcool, mas felizmente o bar também vendia sucos. Eles se sentaram em cadeiras de praia, bebendo suco gelado numa mesa de madeira, e a sensação de cansaço desapareceu completamente.

Xixi estava um pouco cansada de tanto brincar, mas depois de beber um pouco de suco, recuperou a energia. A menina não parava quieta na cadeira de praia, virando-se de um lado para o outro, e até se inclinou, apoiando o bumbum na cadeira, para ver alguém tocando violão e cantando!

Quem tocava violão e cantava era um jovem branco. Mas ele não era um artista profissional, e sim um turista local que tinha trazido o violão para cantar para sua acompanhante naquela praia romântica.

Para ser sincero, a voz do rapaz, para artistas profissionais como Yang Yi, era mediana. Mas ele cantava com tanta entrega e entusiasmo que era contagiante. Os outros clientes do bar assobiavam e aplaudiam o rapaz.

"Que romântico!" Murphy murmurou baixinho, com um pouco de inveja.

Yang Yi olhou para Murphy, que segurava o pequeno Tongtong. De repente, como se sua visão atravessasse o tempo, ele voltou dois anos antes, quase na mesma época, quando encontrou Murphy pela primeira vez naquele prédio escuro.

Naquela época, Murphy era altiva e fria como um cisne negro, o que o irritava.

Mas naquela época, como ele poderia saber que a altivez era apenas uma máscara de autoproteção de Murphy contra a sociedade cruel? Mais tarde, com a companhia dele, Murphy deixou cair essa máscara. Embora ainda fosse um pouco introvertida e fria, tornou-se gentil e atenciosa!

E como ele poderia saber que aquele cisne negro altivo se tornaria a mãe de seus dois filhos, agora segurando o segundo filho ao lado dele, os dois amando-se como sempre, inseparáveis...

Dois anos... passaram num piscar de olhos!

Enquanto Yang Yi refletia, o rapaz que cantava terminou a música. Em meio aos aplausos da multidão, ele recebeu um beijo apaixonado de sua acompanhante. De repente, Yang Yi teve uma inspiração. Ele sorriu levemente, colocou o copo na mesa, levantou-se e foi em direção ao jovem branco.