Capítulo 67: Capítulo 67 Uma Explicação que Não é Bem uma Explicação (3/4)

O macarrão estava no ponto, nem mole nem duro, com uma textura elástica e firme, e o molho do bife com pimenta-preta havia encharcado cada fio de massa. Uma única garfada já explodia com o aroma da carne, fazendo as papilas gustativas estourarem.

"Delícia!" Quem gritou foi Xixi. A menina não comia com tanta elegância quanto a mãe, e até deixou uma mancha de molho na testa, sem nem perceber.

Murphy, por outro lado, era bem contida. Apesar de a comida estar deliciosa, ela mantinha uma postura graciosa. Apenas olhou para Yang Yi com surpresa, prendeu o cabelo atrás da orelha, abaixou a cabeça e começou a saborear devagar.

Yang Yi não conseguiu segurar o riso. Foi pegar uma toalha para limpar o rostinho da menina, dizendo com voz suave: "Não precisa ter pressa, ninguém vai roubar sua comida. Olha só, você virou uma gatinha suja!"

"Rápido, rápido!" Xixi não aguentava mais, mexendo o bumbum na cadeira, ansiosa para continuar comendo.

Murphy observou a interação entre pai e filha e não pôde evitar um leve sorriso no canto da boca. Aquela sensação de aconchego parecia uma nuvem, envolvendo seu coração.

Depois que Murphy terminou de comer devagar, Yang Yi empurrou a salada de frutas para perto dela e perguntou, rindo: "E aí? Não está ruim, né?"

Ele tinha bastante confiança na própria culinária.

Murphy lançou um olhar de desdém para Yang Yi. O olhar da Deusa do Gelo, naquele momento, parecia derreter a neve e fazer florescer mil cores, incrivelmente sedutor. Mas Murphy não ia elogiá-lo, para não deixar que aquele Yang Yi criasse asas.

No entanto, Murphy não conseguiu conter a curiosidade e perguntou: "Onde você aprendeu a cozinhar comida ocidental?"

Yang Yi já sabia que Murphy mais cedo ou mais tarde faria essa pergunta, então já tinha a resposta pronta. Com calma, ele disse: "Não passei anos viajando por aí, fui segurança e também garçom? Aprendi escondido com um chef em um hotel."

Murphy, com pouca experiência de vida, não sabia que essa desculpa era bem furada — como se aprender culinária só de olhar fosse possível? Ela, ingênua, acreditou.

Ao mesmo tempo, Murphy sentiu uma pontada de compaixão, como se compartilhasse das dificuldades que Yang Yi enfrentara ao longo dos anos. Quase não conseguiu segurar as lágrimas, murmurando em tom baixo: "Então por que você não veio me procurar..."

"O quê?" Yang Yi estava limpando a bagunça que Xixi havia feito, já que a pequena tinha espalhado macarrão na mesa.

"Nada!" Murphy, para disfarçar a emoção, perguntou com um tom de fingida insatisfação: "Por que você nunca fez comida ocidental para mim antes?"

Falando nisso, Murphy se sentia muito injustiçada!

Yang Yi ficou paralisado por um instante. Uma onda de irritação surgiu dentro dele, vinda das memórias do antigo dono do corpo: "Você nunca ficou um dia inteiro comigo, não, nem meio dia. Quando teria chance de fazer comida para você?"

Tinha uma frase que Yang Yi acabou não perguntando: "Você não estava com nojo de mim?"

"Eu estava muito ocupada..." Murphy franziu os lábios, sem saber como responder. Na verdade, ela não sentia nojo de Yang Yi, nem era falta de tempo para ficar com ele. Mas o Yang Yi de antes tinha um gênio horrível!

Aquela sensação de incompatibilidade total fazia Murphy se sentir sufocada só de passar um tempinho com o antigo Yang Yi!

Agora, não sei por quê, Yang Yi tinha mudado muito. Embora o gênio ainda fosse um pouco difícil, ele fazia coisas que antes jamais tocaria, como comida ocidental, como café — essas comidas estrangeiras que o Yang Yi antigo, de mente fechada, considerava ópio espiritual!

O Yang Yi de agora, Murphy achava muito mais fácil de conviver.

"Já que você aprendeu culinária, por que não abre seu próprio restaurante?" Murphy mudou de assunto, querendo evitar falar de sentimentos.

Yang Yi franziu a testa e disse: "Não gosto de ser chef. Fazer comida é para tornar minha vida mais interessante."

Ele olhou de relance para Xixi e completou: "E só quero cozinhar para mim ou para as pessoas que me importam."

Bem, aquele gordinho que se intromete não conta; no máximo, ele come as sobras de Xixi.

Ao ouvir essa "declaração" de Yang Yi — aos olhos de Murphy, era uma declaração — o coração dela quase derreteu. Mas, de repente, lembrou-se de algo que a incomodava há tempos.

"Ah, é? E fazer comida para a mãe do tal de Xiaokai?" Murphy não conseguiu controlar a acidez interna e soltou as palavras.

Yang Yi ficou surpreso, mas respondeu com sinceridade: "Não."

"Não o quê?"

"Nunca fiz comida para ela." Yang Yi estava falando a verdade.

"Mas você levou ela para casa e ainda deu roupas para ela vestir!" A mágoa de Murphy explodiu. Ela sentia que, se não dissesse aquilo, ia sufocar.

Xixi, que estava comendo fruta ao lado, pensou que a mãe estava chateada por causa das roupas. Rapidamente, pegou a mão da mãe e consolou: "Mamãe, não fica brava. A mãe do Xiaokai devolveu a roupa do papai!"

Mas Murphy não estava brava por causa de uma roupa. Ela olhou fixamente para Yang Yi, querendo uma explicação.

No entanto, Yang Yi achava que não havia nada para explicar. Disse, de forma indiferente: "O pé dela sujou, e o banheiro lá embaixo não tinha lugar para lavar. Deixei ela subir para usar o banheiro aqui."

Essa explicação não foi suficiente. Murphy virou o rosto, fazendo birra com Yang Yi.

Yang Yi nunca tinha lidado com esse tipo de problema emocional e não sabia o que fazer.

Foi Xixi quem, enquanto subia na cadeira, empinava o bumbum e se debruçava na mesa para pegar fruta, murmurou sem querer: "Mas o irmão Xiaokai não gosta de brincar com a Xixi. Ele nem vem mais."

Murphy aguçou os ouvidos. Essa informação era nova para ela.

Yang Yi também concordou com a cabeça, rindo: "Talvez a mãe dele também esteja ocupada, cuidando da floricultura da família. Seu irmão Xiaokai ainda tem aulas de piano. Depois que devolveram a roupa naquele dia, ele não veio mais."

Ao ouvir isso, Murphy sentiu como se uma pedra tivesse caído do peito, mas ainda perguntou: "Não veio mais?"

"É. Eu até queria que Xixi tivesse mais um amigo, mas é uma pena." Yang Yi balançou a cabeça.

Murphy franziu os lábios e disse: "Você ainda quer ter contato com aquela mulher?"

"Não é ela. Só acho que Xixi poderia ter um companheiro para brincar, para não ficar tão sozinha." Yang Yi explicou. "Mas tudo bem. Na escola, tem muitos filhos de professores que brincam no gramado na frente do prédio de administração. Da próxima vez, de tarde, posso levar Xixi para conhecer outras crianças."

Então era só dois encontros...

O humor de Murphy clareou de repente. Ela ficou tão feliz que nem prestou atenção direito no que Yang Yi dizia. O apetite voltou, e ela começou a disputar a salada de frutas com Xixi.

Mas ainda tinha uma pergunta!

"E a roupa que você deu para ela naquele dia?" Murphy perguntou, fingindo indiferença.

Yang Yi estranhou: "O que você vai fazer com ela?"

"Quero vestir também! Voltei correndo hoje com essa roupa, e estou morrendo de calor!" Murphy disse, teimosa.

"Então vou pegar uma nova para você, ou melhor, vou te levar para comprar roupas. Tem certeza de que quer vestir roupa masculina?" Yang Yi disse, com dor de cabeça.

"Não, quero aquela mesma, e só aquela!" Murphy fez bico.

"Mas eu joguei fora..." Yang Yi disse, honestamente.

"Jogou fora? Por quê?" Murphy não acreditou.

"Porque não gosto de vestir roupas que outras pessoas usaram." Yang Yi foi direto.

Murphy ainda duvidava, mas Yang Yi tinha dito a verdade! Com a mania de limpeza que ele tinha, como vestiria uma roupa usada por outra pessoa? No dia em que Yan Xiaopei devolveu a roupa, YangYi a jogou no lixo na mesma hora...

"Vou te levar para comprar roupas..."

"Não quero."

"Então pego uma nova para você?"

"Não, não quero! Não estou mais com calor. Esta roupa está bem confortável. Hum!"