Capítulo 62: Capítulo 62 Lágrimas Rolando (3/5)

Yang Yi não sabia que, enquanto se preocupava com Murphy, Murphy também estava cheia de incertezas e ansiedades.

No primeiro dia em que Murphy levou Xixi para casa, por causa do jantar e da conversa com a irmã Ling, ela se virou até tarde da noite antes de voltar para casa e, naturalmente, esqueceu de ligar para Yang Yi. Mas no dia seguinte, quando Murphy se lembrou disso, ficou furiosa.

Ela não ligou para Yang Yi, e esse cara não se deu ao trabalho de ligar para ela? Ela levou a filha para casa, e ele não se importou em saber se elas chegaram em segurança ou se havia algum problema?

Então, por birra, Murphy também não entrou em contato com Yang Yi no segundo dia.

O resultado foi que Yang Yi realmente a ignorou completamente!

Murphy ficou magoada e amargurada, e, por teimosia, deletou o número de Yang Yi da agenda do celular... Mas isso não adiantou nada, porque ela nem precisava decorar o número dele — afinal, o celular e o chip de Yang Yi foram comprados por ela, e ela pegou dois chips com números consecutivos, um para ele e outro para ela mesma...

Como o lançamento do novo álbum estava se aproximando, Murphy não tinha muita cabeça para questões amorosas, então deixou isso de lado e focou toda a energia no trabalho.

Até aquele dia...

Murphy roubou um tempinho de folga e levou a filha para comer comida ocidental. Ela foi a um restaurante francês que tinha três estrelas na avaliação da Associação Internacional de Gastronomia.

A avaliação da Associação Internacional de Gastronomia era conhecida por ser objetiva e rigorosa, assim como o Michelin no mundo anterior de Yang Yi. Os críticos gastronômicos agiam de forma secreta, ninguém percebia a chegada deles.

Nem é preciso dizer que restaurantes comuns nem sequer entravam na lista de avaliação, e aqueles que entravam, seja com uma estrela ou com as máximas cinco estrelas, se orgulhavam disso e também atraíam mais atenção e admiração das classes mais altas.

Na cidade de Jiangcheng, um restaurante com três estrelas já era considerado de altíssimo nível! Naturalmente, o serviço era impecável. Murphy levou a filha para comer lá sem se preocupar em ser descoberta por paparazzi.

Durante a refeição, Murphy mostrou sua boa educação. Ela usou os talheres com elegância, cortando a carne de vitela para Xixi.

Claro, o que Xixi mais gostava eram os macarons do restaurante, então Murphy pediu ao garçom que trouxesse a sobremesa antes do tempo.

Mas Xixi comeu apenas dois pedaços e largou o garfo.

"Por que hoje você parece sem apetite?" Murphy perguntou, surpresa.

"Não é tão gostoso quanto o que o papai faz." Xixi fez bico, desanimada, e disse: "Xixi está com saudades do papai."

"Qual é? Será que seu pai também sabe fazer comida ocidental?" Murphy perguntou, achando graça.

"Quem disse que não sabe?" Xixi respondeu, teimosa. "O papai é muito bom! O que ele faz é delicioso!"

Murphy ficou surpresa e perguntou: "O que ele sabe fazer de comida ocidental? Conta para a mamãe."

"Muita coisa! Tipo isso, e isso também, o papai já fez, e era uma delícia!"

Xixi não sabia os nomes, mas Murphy viu que ela apontava para a sopa de cebola francesa e o cordeiro assado com alecrim à sua frente. Murphy não acreditou nem um pouco!

Esses dois pratos, embora Murphy não soubesse como fazer, claramente exigiam processos complicados, totalmente diferentes da culinária chinesa. Que alguém como Yang Yi, tão cabeça dura, soubesse fazer comida chinesa, ela até acreditava, mas aprender culinária ocidental, e ainda uma cozinha francesa tão elaborada?

Murphy achava a probabilidade zero!

"Mas será que ele aprendeu de propósito para mim?" Um pensamento que a assustou surgiu de repente na cabeça de Murphy.

Impossível, né?

E se fosse verdade...

Não, não podia ser, né? Antes, ele nunca mostrou isso.

Mas se não foi por mim, por que ele aprenderia culinária ocidental? Quem mais gosta de comida ocidental a ponto de fazê-lo mudar?

Murphy ficou tão perturbada com esses pensamentos confusos que seu coração disparou. Foi só quando o garçom veio servir a comida que ela conseguiu se recompor.

"Você ficou duas semanas na casa do papai. Teve alguma coisa legal para compartilhar com a mamãe?" Murphy mudou de assunto.

Xixi animou-se novamente e disse alegremente: "Teve! O papai levou Xixi para ver flores! E tirou muitas fotos!"

Murphy assentiu. Yang Yi tinha enviado duas fotos selecionadas para ela, com um mar de flores ao fundo de Xixi. Era tão lindo que ela ficou vidrada, sentindo que só ver um pouquinho na foto não era suficiente.

Na verdade, ela sentia um pouco de ciúmes. Yang Yi nunca a levou para lá! Sempre levava a filha para passear aqui e ali, sem nunca pensar em convidá-la...

"O papai fez um penteado muito bonito no cabelo de Xixi e comprou muitas roupas lindas." Xixi fez biquinho e disse: "Mas a mamãe não trouxe nada para Xixi."

"Essas roupas ficaram na casa do seu pai. Daqui a alguns dias, quando a mamãe viajar a trabalho, você vai ficar na casa dele e poderá usá-las." Murphy disse. "E você ainda fala do cabelo! Se não fosse a mamãe pedir para seu pai aprender a fazer penteados, ele não saberia! Antes, o que ele fazia no seu cabelo era horrível!"

Xixi lembrou-se de algo e começou a rir baixinho, seus olhos brilhantes se transformaram em duas luas crescentes: "O papai, ele não conseguia aprender. Foi a mãe do irmão Kai que ensinou, e aí o papai aprendeu!"

"A mãe do irmão Kai?" Murphy congelou a expressão, semicerrando os olhos, e perguntou: "Quem é ela?"

Uma mulher que apareceu ao lado de Yang Yi — Murphy ficou alerta.

"É a mãe do irmão Kai!" Xixi disse, confusa. "O papai disse que ela vende flores."

O rosto de Murphy esfriou na hora, mas sua voz para a filha ainda não ficou gelada: "É mesmo? Como seu pai a conheceu?"

"Um dia, estava chovendo muito, muito!" Xixi, com boa memória, gesticulou com as mãozinhas e começou a contar.

"Hum, chovendo, e então?"

"Eu e o papai estávamos desenhando lá embaixo. Eu desenhei um elefante muito bonito, e o papai disse que ficou bom..."

Murphy se conteve e não a apressou.

"Depois, o irmão Kai e a mãe dele vieram se abrigar da chuva, mas o pé da mãe do irmão Kai ficou sujo, e o papai deixou ela subir para lavar o pé."

Murphy apertou o garfo com força.

Xixi não percebeu e se desviou um pouco do assunto: "O papai me mandou pegar brinquedos para brincar com o irmão Kai, mas no começo ele nem ligou para mim! Era bravo!"

Que ótimo, ainda afastou a filha!

"Depois, a roupa da mãe do irmão Kai ficou molhada, e o papai pegou uma roupa para ela vestir." Xixi disse, ingênua. "Mas, mamãe, não se preocupe, no dia seguinte a mãe do irmão Kai devolveu a roupa."

Roupa molhada!

Ainda deu uma roupa para ela vestir!

Devolveu no dia seguinte...

Murphy sentiu o coração ficar gelado, só queria dar uma risada amarga.

Então era isso, por isso ele não se importava, por isso não se preocupava...

"Mamãe, mamãe, o que você tem?" A voz de Xixi trouxe Murphy de volta, como se viesse de muito longe.

Murphy forçou um sorriso e disse: "Nada, a mamãe não tem nada."

Mas seu humor estava péssimo, lágrimas ameaçavam rolar, quase incontroláveis!

Murphy disfarçou, pegou a taça e bebeu um grande gole de vinho branco, usando a força da bebida para conter a emoção que fervia.

"Xixi!" Murphy estendeu a mão sobre a mesa e segurou a mãozinha da pequena. Com um sorriso meio firme, disse: "De agora em diante, nós duas, não importa o que aconteça, não vamos nos separar, está bem?"

"Hum, hum! E o papai também!" Xixi disse, ingênua.

Murphy só conseguiu dar uma risadinha...