Capítulo 610: Capítulo 610: O Prazer de Xi Xi Virar as Páginas Sozinha (3/4)

"Você pode folhear esses livros sozinho, ver o que gosta, e o papai compra para você", disse Yang Yi com um sorriso, preocupado que a filha ficasse entediada, sem saber o que fazer numa livraria. Procurar livros por conta própria na livraria também é uma grande diversão!

Xixi balançou a cabeça, ainda meio confusa, e virou a atenção para as estantes. Aqueles livrinhos ilustrados, assim como as imagens coloridas que vira antes, atraíam o olhar da menina.

No entanto, Yang Yi percebeu que Xixi olhava de um lado para o outro e, por fim, estendeu a mão para um álbum de grande formato, ignorando os livros menores e mais grossos. Talvez fosse porque os álbuns grandes tinham cores mais vivas e figuras mais ricas?

A menina, segurando o livro como se fosse uma tigela, apertava com as duas mãos um álbum grande, que era quase do tamanho do seu rosto. Apoiado na borda da estante, parecia que podia cair a qualquer momento. No começo, ela não sabia o que fazer. Mas, ao ver um garotinho ao lado, imitou-o e abriu o livro, embora, com as luvas, seus dedos fossem um pouco desajeitados e ela o abrisse direto no meio.

Yang Yi se agachou, ajudou Xixi a segurar o livro e disse, divertido: "Vamos, o papai tira suas luvas. Como você vai ler com elas?" "Mas... mas eu tenho medo de frio", disse Xixi, estendendo as mãozinhas, ainda preocupada. "Não tem problema, aqui não faz frio." Yang Yi tirou as luvinhas de Xixi, segurou as mãos dela nas dele e soprou ar quente, rindo: "Viu? Agora não está frio, né?" "Ah!" A menina franziu a testa e depois soltou uma risadinha gostosa.

Deixando-a ler sozinha, Yang Yi também folheou alguns desses livrinhos. Mas, em pouco tempo, ele percebeu alguns problemas. A maioria desses livros eram histórias em quadrinhos. Embora tivessem poucas palavras e contassem pequenas histórias com algumas imagens, o enredo não era adequado para Xixi.

Por exemplo, este quadrinho sobre uma piada escolar: Um menino diz ao colega de carteira: "Por que você está comendo batata frita de novo?" [Nota 1] No segundo quadro, ele diz: "O que mais odeio são pessoas que adoram tudo que é estrangeiro!" No terceiro, o colega, sem graça, pergunta: "E você ainda tem coragem de falar? O que é aquela caixa na sua mesa?" [No quadrinho, o protagonista também tem uma caixa grande na mesa, igual à do colega.] No quarto quadro, o protagonista sorri de forma marota: "Quem disse? Isso é pastel frito." Na caixa aberta, há tiras de pastel empilhadas como batatas fritas.

Não que fosse ruim; na verdade, Yang Yi até riu baixinho, achando engraçado. Esses livrinhos contavam histórias ou piadas que não eram só para crianças; adultos também podiam apreciá-las.

Claro, olhando só essa história, Yang Yi não se importaria que Xixi lesse. Mas, ao folhear outras, ele encontrou piadas de mau gosto, temas de paquera entre adolescentes e até brincadeiras com coisas como batom, sutiã e afins. Comparando, esses livrinhos eram como *Crayon Shin-chan*: mais voltados para o público adulto — embora *Crayon Shin-chan* tenha reduzido conteúdo sexual depois, ainda era bem adulto.

Então, isso podia ser chamado de quadrinhos infantis? Claramente não era adequado para Xixi, que ainda nem começou a escola! Yang Yi não queria que ela tivesse contato com esses pensamentos adultos tão cedo.

O que preocupou Yang Yi foi que esse tipo de quadrinho não era exceção. No balcão de livros infantis, a maioria era parecida. Ele lembrou de um artigo que Fu Jun lhe mostrara, escrito por Yu Qian, uma diretora da Associação de Escritores de Guangdong, no jornal. Embora Fu Jun o tivesse mostrado porque Yu Qian recomendara seu primeiro livro, *Histórias de Ninar da Xixi*, fazendo-o vender muito em Guangdong, Yang Yi ainda se lembrava da crítica dela sobre literatura infantil. Ela dizia que a literatura infantil chinesa estava no caminho errado, com muitos autores escrevendo com mentalidade adulta, criando histórias inadequadas para crianças!

Yu Qian também era mãe e, como escritora, sempre incentivava os filhos a ler. Mas, para ela, só o livro de Yang Yi era realmente adequado para crianças, com histórias cheias de imaginação e sem palavras rebuscadas.

Agora, ao levar Xixi para comprar livros, Yang Yi finalmente entendia o que Yu Qian sentia. Depois de procurar, ele encontrou apenas alguns poucos livros infantis razoáveis.

Um era *As Aventuras do Peixinho*, sobre um peixinho do mar que, após nascer, começa sua jornada no oceano. Não tinha muitas cenas emocionantes, mas era mais como um livro educativo, com belas ilustrações que apresentavam o mundo marinho às crianças. Outro era *O Palhaço Cãozinho*, meio parecido com *O Patinho Feio*. O cãozinho palhaço era desprezado pelos outros animais de estimação da casa — Deus sabe como aquela família tinha tantos bichos: um gato indiferente, um cachorro bravo, um papagaio arrogante, um esquilo brincalhão, um porco guloso e um lagarto velho que falava. Mas, diferente do patinho feio, o cãozinho não ficava bonito; ele encarava a vida com otimismo, enfrentava desafios com coragem e, em pequenas histórias, conquistava a amizade dos outros animais.

E assim por diante. Eram quatro livros no total. Esses contos de fadas ainda eram aceitáveis, todos em formato grande, coloridos e caros, mas Yang Yi os deu a Xixi, e a menina adorou.

O problema era que, na estante de livros infantis com centenas de títulos, Yang Yi encontrou menos de quatro adequados para Xixi. Não, no final, comprou cinco. Porque Xixi, explorando corajosamente sozinha, encontrou um livro de que gostou.

"Quero este também!" A menina segurava um livro de vinte centímetros, olhando para o pai com esperança, como quando via bonecos de pelúcia bonitos e não queria sair do lugar, pedindo que ele comprasse. Yang Yi olhou: não era um livro de histórias, mas um livro infantil educativo com muitos desenhos animados, apresentando animais e plantas da floresta. "Você gosta disso?" perguntou ele, surpreso. "Tem coelhinhos e cogumelos!" Xixi assentiu, falando sério com o pai. Então, ela também escolhia os livros pelas figuras. Para Xixi, as histórias escritas eram incompreensíveis; o que importava eram as imagens bonitas e coloridas.

Claro, Yang Yi não se importava em comprar livros educativos para ela. Na volta para casa, Xixi estava muito feliz. Ora cantava músicas que aprendera no jardim de infância, ora falava animada com o pai, como se sair para a livraria fosse tão divertido quanto comprar uma pilha de bonecos de pelúcia!

No entanto, Yang Yi não estava tão contente quanto Xixi. Com essa experiência, ele percebeu profundamente a gravidade do problema dos livros infantis descrito por Yu Qian. Embora não tivesse tempo para se preocupar com o país e o povo, ele precisava pensar: depois que a filha terminasse esses livros, o que ela leria? E, quando Xixi crescesse e houvesse outros livros, e o segundo filho dele e de Mo Fei? Yang Yi não podia evitar essas questões.

Claro, ele podia escrever ele mesmo, mas quantos livros infantis conseguiria criar? Yang Yi já estava ficando sem inspiração com Xixi. Na vida passada, ele não lera muitas histórias infantis; a maioria era inventada por ele, baseada em alguns contos de fadas que conhecia. Se continuasse improvisando, o que escrevesse também teria a mentalidade adulta. Além disso, só com o esforço dele, o alcance seria limitado.

O que Yang Yi deveria fazer?