Depois do show em Pequim, Murphy não voltou imediatamente. Seguindo o cronograma da empresa, ela participou de uma sessão de autógrafos no fim de semana e só retornou a Jiangcheng na segunda-feira.
— Irmã, voltamos para a empresa ou vamos direto para casa? — Mo Xiaojuan ergueu o pulso para olhar o relógio.
Murphy mexeu os lábios, pensou em dizer "para a empresa", mas ao lembrar que teria que enfrentar Niu Meiling, sua coragem vacilou. Então balançou a cabeça e disse: — Vamos para casa. Amanhã vou para a empresa.
Mo Xiaojuan não pensou muito, apenas assentiu: — Tudo bem, você descansa mais um dia.
Quando Murphy chegou em casa naquela hora, Xixi já estava no jardim de infância, mas Yang Yi ainda estava lá. Mal ela abriu o portão do pátio, Yang Yi apareceu na frente dela com um sorriso.
— Querida, bem-vinda de volta! — Yang Yi tirou as mãos de trás das costas, e um buquê vibrante de peônias apareceu. Na verdade, não havia muito segredo, pois o buquê era grande demais para ele esconder completamente.
O humor de Murphy melhorou na hora. Ela pegou as flores e riu baixinho: — O que é isso? Tanta pompa!
— Porque você fez um show depois de tantos anos, e foi um grande sucesso! Tenho que te parabenizar! Vamos comemorar! — Yang Yi abriu os braços, rindo.
Murphy corou levemente. Segurando as flores, ela se inclinou de lado e se aninhou nos braços de Yang Yi, deixando-o abraçá-la, e disse com voz suave: — Meu sucesso não é por sua causa? Se não fosse por você ter escrito tantas músicas para mim...
Yang Yi a abraçou, interrompendo-a com um pouco de preocupação: — Que nada? Você conseguiu porque se esforçou muito, trabalhou duro. Olha sua voz, depois de um show, já não tem mais aquela força de antes, está um pouco rouca.
— Isso é normal, depois de cantar um show, preciso descansar bem um tempo.
— Que tal eu chamar Chen Yijie? Da última vez você fez a abertura para ele, agora ele pode fazer a abertura para você.
— Que vergonha! Da última vez, você acha que eu não sei? Não foi ele quem pediu, foi você quem pediu por mim...
— Que vergonha o quê? Ele ainda quer que eu escreva músicas para ele, e somos tão próximos. Chamá-lo para cantar uma música não tem problema, não é como se não fossemos pagá-lo...
Assim, os dois, abraçados e trocando carinhos, subiram as escadas.
...
À tarde, Murphy, que podia descansar tranquilamente, dormiu por muito tempo. Acordou meio tonta e, ao abrir a porta do quarto, ouviu miados vindos da sala.
Curiosa, virou a cabeça e viu Yang Yi segurando o gordinho Xiao Guai, que se debatia, enfiando-o na caixa de transporte portátil. Lá dentro, os outros dois gatinhos British Shorthair, já presos antes, estavam com as cabeças esticadas, olhando para fora, confusos.
— Miau! — Duoduo olhou para Yang Yi e miou baixinho.
Seus olhos grandes e confusos pareciam repreender: "Humano, o que você está aprontando?"
— O que você está fazendo? Por que está prendendo eles? — Murphy perguntou, confusa.
Yang Yi tirou as luvas, puxou Murphy para o lado, na sala de jantar, e falou baixinho: — Hoje vou levá-los para fazer a castração. Outro dia alguém me disse que eles estão quase na época do cio, precisam ser castrados, senão vão miar o dia todo e ainda ter uma ninhada de gatinhos!
Murphy entendeu e assentiu, rindo: — Tudo bem. Mas por que você está falando assim? Tem medo que eles entendam?
Yang Yi virou a cabeça rapidamente para olhar a sala, depois voltou e disse, como se estivesse em alerta máximo: — Fala baixo, fala baixo!
— Outro dia, alguém me disse que, ao levá-los para castrar, não devemos deixar que eles achem que fomos nós. Temos que agir como se eles tivessem sido vítimas de algo ruim, ficar do lado deles contra o "inimigo". Assim, eles não vão nos odiar. Gatos têm alma! — Yang Yi falou com um ar misterioso, algo raro de se ver.
Murphy deu uma risadinha: — E como você vai fazer isso?
— Primeiro vou para a cafeteria. Daqui a pouco, Guo Ziyi vem ajudar! — Yang Yi perguntou: — Quer ir dar uma olhada?
Os olhos de Murphy brilharam, e ela assentiu com entusiasmo.
Pouco depois, Yang Yi e Murphy apareceram na cafeteria do andar de baixo com a caixa de gatos. Como clientes, sentaram-se num dos camarotes, tomando café e conversando animadamente.
Claro, era tudo fingimento. Murphy era péssima em atuação; não conseguia evitar virar a cabeça para espiar a caixa de gatos no chão ao lado.
Dentro da caixa, os três gatinhos British Shorthair estavam bem inquietos. Eles adoravam se enfiar em caixas fechadas, mas odiavam ficar presos numa gaiola de arame frio, sem liberdade. Como se fosse um rodízio, a cabeça de Xiao Guai se afastava da abertura, e a cara redonda de Xiao Hui se aproximava, olhando para os donos, arranhando a tela de arame com a pata.
— Já está quase? — Murphy nem sabia mais como fingir que estava conversando animadamente. Só conseguia dar risadinhas e perguntar em voz baixa.
No balcão, Yang Huan estava morrendo de rir. Ela via Ding Xiang ajudando Guo Ziyi, que usava um chapéu torto e malandro, óculos escuros grandes, e Ding Xiang ainda amarrava um pano florido grande para cobrir o rosto dele.
— Essa máscara, de onde você tirou? Parece aquelas calcinhas floridas das tias da minha vila! — Yang Huan ria, curvando-se para frente e para trás.
— Pronto. — Ding Xiang também não conseguiu segurar o riso.
— Chega de conversa, vou nessa! — Guo Ziyi nem ligou para Yang Huan. Ajustou os óculos escuros e, com ar de quem vai para o sacrifício, saiu correndo.
O sujeito, vestido como um bandido moderno, correu, pegou a caixa de gatos e saiu correndo.
Yang Yi levantou-se de repente, parecendo muito assustado, como o Erkang dos memes, com os dedos abertos, gritando: — Roubo! Rápido, peguem ele! Ele roubou meus gatos!
No entanto, ele nem moveu as pernas.
Murphy virou a cabeça e viu a expressão exagerada de Yang Yi. Não aguentou, virou o rosto, enterrou a cabeça na mesa, com os ombros tremendo, sem conseguir rir alto, era muito difícil.
Guo Ziyi também fez o teatro completo. Carregando os gatinhos atordoados, saiu correndo apressado. Lá fora, um táxi já esperava; assim que ele entrou, o carro partiu rapidamente.
Na cafeteria, havia alguns outros clientes, mas todos tinham sido avisados antes. Fingiram que não viram nada, cooperando, e só riram depois que Guo Ziyi saiu correndo.
Yang Yi também balançou a cabeça e riu. Juntou as mãos em direção aos clientes.
Yang Huan pulou até ele, rindo: — Irmão, acho que você atuou mal, muito exagerado, sem emoção!
— O que você, mocinha, entende disso? — Yang Yi, sem graça, falou com desdém. — Além do mais, estou atuando para os gatos, não é uma peça de verdade.
— E agora? Vamos lá ver como estão? — Murphy, depois de rir, começou a se preocupar.
— Podemos! — Yang Yi assentiu. — Vamos trocar de roupa. Quando chegarmos ao hospital veterinário, Xiao Guai e os outros já devem ter levado a anestesia. Quando formos vê-los, eles não vão nos reconhecer.