Capítulo 375: Capítulo 375 Ainda Precisa dos Pequenos para Agir (2/4)

O templo ancestral, Murphy não pode entrar. Ainda mais que ela ainda não foi incluída no registro familiar dos Yang [nota 1]; mesmo que estivesse, o templo não é um lugar onde se entra assim tão fácil!

O templo dos Yang até que era razoável. Por causa das perdas terríveis na guerra, só restou o ramo de Yang Chonggui na família, então as regras eram decididas por ele. Antes, ele também não deixava Dong Yue'e entrar no templo, dizendo que uma mulher só podia entrar uma vez na vida. Mas depois, não aguentou mais a teimosia da esposa e acabou mudando a regra, permitindo que as mulheres da família entrassem no templo durante feriados para adorar os ancestrais juntos.

Mas agora Murphy não pode entrar, e Yang Huan também não ousa levá-la escondida. Se o velho visse, Yang Huan levaria uma surra!

O que fazer?

Yang Huan pensou um pouco, deu um sorriso malandro e disse: "Já sei! Vem comigo!"

...

Yang Yi estava ajoelhado no templo sombrio. O vento frio da noite entrava pelas frestas da porta. Felizmente, ele era forte e não tinha medo do frio, então ficava ali ajoelhado com calma, resmungando mentalmente sobre o tradicionalismo e a ignorância do velho da família. Achava que aquela máxima ancestral sobre "teimosia e arrogância" bem que podia se aplicar ao velho!

Claro, ele só criticava o jeito de agir de Yang Chonggui. Quanto ao motivo da bronca, Yang Yi já tinha entendido e reconhecido seu erro.

Alguém já disse: "A essência do homem não é uma abstração inerente a um indivíduo isolado; na sua realidade, é o conjunto de todas as relações sociais."

Ele ainda vivia neste mundo, não podia ignorar os costumes sociais por causa de sua antiga atitude despreocupada. Ele tinha uma família agora, mesmo que desprezasse o poder daquele papel, deveria saber o significado daquela promessa para Murphy...

Naquele templo silencioso, Yang Yi pensou em muitas coisas.

Mas o silêncio logo foi quebrado.

Um som fraco e sutil chegou aos ouvidos de Yang Yi. Naquele ambiente escuro e quieto do templo, parecia muito alto!

Yang Yi franziu a testa e olhou na direção. Sua audição e visão eram boas, e logo encontrou a origem do som. Então, num respiradouro no canto da parede, viu um par de olhos.

Os olhos piscaram e depois se afastaram.

"Cunhada, olha, o irmão mais velho está aí dentro." A voz de Yang Huan chegou. Logo depois, um par de olhos familiares apareceu no buraco.

Eram os de Murphy!

Yang Yi reconheceu na hora e viu a expressão triste dela ao vê-lo ajoelhado ali.

"Murphy, não é nada grave. Fico mais meia hora e já posso ir. Volta logo, está frio lá fora." Yang Yi falou antes dela.

Murphy ouviu, embora do lado de fora estivesse meio abafado, entendeu bem a segunda parte. Ela mordeu o lábio, com um pouco de teimosia: "Não, quero ficar com você."

"Ficar comigo para quê? Aqui dentro não sinto frio, mas você vai congelar lá fora. Bobinha, obedece!"

"Não obedeço, não obedeço. Não gosto de ver você sendo punido por minha causa." Murphy derramou algumas lágrimas, mas se conteve e respondeu.

"Não estou sendo punido. Na nossa família, ajoelhar como castigo é normal. Pergunta à Huanhuan, se eu e Yang Qing não somos frequentemente castigados?" Yang Yi tentou consolá-la.

Yang Huan também puxou Murphy: "É verdade, só uma hora de castigo, não tem problema. Melhor não ficarmos aqui esperando, senão, quando meu pai voltar, a coisa piora."

Murphy foi convencida por Yang Huan a ir embora. Mas não foi descansar tranquila; subiu para pegar um casaco para Yang Yi e pediu a Yang Qing que o levasse para ele.

Depois, foi falar com Dong Yue'e. Mesmo sem Yang Yi por perto, ela estava um pouco nervosa, mas reuniu coragem para contar a Dong Yue'e sobre a situação de trabalho dela e de Yang Yi, explicando por que ainda não tinham se casado, na esperança de que Dong Yue'e ajudasse a interceder.

Nesse meio-tempo, Xixi ainda não tinha entendido o que tinha acontecido. Ela veio pulando, pegou a mão da mãe e perguntou: "Mamãe, cadê o papai?"

Lá fora, a casa grande estava escura, não dava para ver nada. Xixi estava com um pouco de medo e não ousava mais "explorar" o quintal, mas nem o papai nem a mamãe estavam brincando com ela, e o vovô tão querido também não estava. A menina finalmente ficou entediada.

"Ele... ele está resolvendo uma coisinha, já volta." Murphy puxou Xixi para o colo, acariciou seus cabelos e disse baixinho.

Dong Yue'e, porém, olhou para Xixi com um sorriso e teve uma ideia. Disse a Murphy: "Na verdade, normalmente o que eu digo ainda tem algum efeito. Mas agora o velho está com esse gênio, não ouve ninguém. Nem adianta eu tentar convencer. Se ele quiser que o Tiezi fique ajoelhado até o amanhecer, é porque está pensando em fazer justiça pelos ancestrais, não reconhece ninguém. Mas acho que tem uma pessoa que pode convencê-lo!"

"Quem?" Murphy perguntou ansiosa, como quem se agarra a uma palha.

"A pequena Yang Xi!" Dong Yue'e disse com um sorriso.

...

Pouco depois, Yang Chonggui voltou devagar, de mãos para trás. Não foi direto ao templo falar com Yang Yi; primeiro foi ao salão principal, viu Dong Yue'e e ordenou: "Yue'e, me serve um chá!"

Mas mal tinha se sentado na cadeira de mestre, uma pequena figura veio cambaleando com uma xícara de chá.

"Vovô, toma, o chá para o senhor." Xixi ainda não tinha chegado perto, mas sua voz clara já ecoava.

"Ai, ai, larga isso, dá para o vovô. Como é que você veio me servir chá? E se se queimar?" Yang Chonggui ficou preocupado, mal sentou e já se levantou, foi ao encontro dela, pegou a xícara das mãos da neta, resmungando.

"Risos, não está quente." Xixi deu um sorriso doce para o avô.

Yang Chonggui tocou a borda da xícara. Já desconfiava, tomou um gole e a deixou de lado. Realmente não estava quente, o chá já tinha esfriado. Parecia que alguém já tinha se preparado.

"Mesmo não estando quente, não pode. Isso é uma xícara de porcelana. Se cair, machuca o pé ou corta, como fica?" Yang Chonggui pegou Xixi no colo, sentou-se na cadeira e continuou resmungando.

Embora estivesse falando com a neta, todos sabiam a quem se referia.

"Vovô, a vovó disse que o senhor prendeu meu papai." Xixi fez bico e disse: "Vovô, não fique bravo, tá? Meu papai, meu papai não é mau."

"Tá bom..." Xixi balançava a mão do avô enquanto falava. Com aquela voz infantil e manhosa, mesmo que Yang Chonggui tivesse um coração de pedra, não resistiria.

"Mas seu pai fez algumas coisas erradas, por isso fiquei bravo." Yang Chonggui explicou.

"Mas, mas não o prenda, tá? Eu tenho medo." Xixi disse triste. "Se o papai não obedece, peço para ele pedir desculpas, tá? Papai disse que reconhecer o erro e corrigir é ser bonzinho. Não fique bravo, tá bom?"

A pequena voz era suave, e Yang Chonggui não sabia como lidar com aquilo. Além disso, não conseguia ser duro com Xixi. E com a neta o acalmando assim, sua raiva já tinha passado.

"Tá bom, tá bom, tá bom! Não vou punir seu pai. Yang Xi, não chora. O vovô promete que já manda seu pai voltar." Yang Chonggui viu os olhos de Xixi ficarem vermelhos e disse depressa.

"Sério?" Xixi segurou as lágrimas e olhou para o avô com surpresa e alegria.

"Claro. O vovô fala, e é palavra de homem, nem quatro cavalos conseguem voltar atrás. Vovô já manda seu pai voltar!" Yang Chonggui, vendo o olhar surpreso da neta, bateu no peito e disse com orgulho.

"Vovô, o senhor é tão bom!" Xixi se aproximou e deu um beijo na bochecha do avô.

Naquela hora, Yang Chonggui, que ainda estava sério, não conseguiu mais segurar o sorriso. As rugas no rosto se abriram como flores desabrochando, nunca tão bonitas.