Aprender artes marciais não deu certo. Depois que Yang Yi propôs algumas condições de treinamento, o garoto gordinho desistiu — como ele aguentaria um treinamento tão árduo?
— Sem ficar de cócoras, sem correr, sem fazer dieta... ainda dá para aprender uns golpes simples? — perguntou o gordinho, sem desistir, por último.
— Não. — Yang Yi balançou a cabeça.
— Tá bom... — O gordinho baixou a cabeça, desanimado.
No entanto, sem essa exigência, o gordinho continuou mostrando sua natureza tagarela, e os dois rapidamente se tornaram íntimos.
Descobriu-se que o gordinho se chamava Guo Ziyi e era um jovem prodígio.
Claro, isso era o que ele próprio se autoproclamava, batendo no peito com orgulho. Mas, com dezesseis anos, tendo pulado séries até o terceiro ano do ensino médio, com notas que superavam toda a escola, seu QI certamente não era baixo!
Porém, Yang Yi achava que ainda não dava para cravar se o cara era um gênio ou não; o que era certeza era que ele era um palhaço!
Um gordinho estilo nerd, que achava o vestibular muito fácil e mudou de objetivo, inscrevendo-se no exame de arte da Jiangchuan naquele mês.
— Quero ser uma grande estrela! — disse Guo Ziyi, bem infantil.
Yang Yi não opinou, mas ficou curioso para saber como os pais e os professores do cara reagiriam a essa decisão — deviam estar furiosos!
— Meus pais nem ligam, mas meus professores estão quase morrendo de preocupação! — Guo Ziyi riu, todo contente. — Mas eu simplesmente não quero prestar para a Universidade de Jingbei ou Qingnan, não vou dar esse crédito a eles! Jiangchuan é muito melhor, tem muitas gatas...
— ... — Yang Yi ficou sem palavras.
Só dezesseis anos e já estava tão inquieto assim?
Falando nisso, o cara estava aproveitando a oportunidade de se preparar para o exame para vagar pelo campus o dia inteiro. Senão, não teria ido cedo para o Monte Ting e acabado sendo perseguido por um javali.
— Você veio assim, de repente, fazer o exame de arte. Acha que vai passar? — Yang Yi duvidou abertamente.
Guo Ziyi deu um tapinha no peito rechonchudo, indignado: — Irmão Yang, como pode duvidar de mim? Pelo menos, estudei canto desde pequeno, sabia?
Palavras vazias não valem nada. Yang Yi pegou o violão que o velho lhe dera, pendurado na parede, e entregou a Guo Ziyi: — Toque uma música que você saiba bem, deixa eu ouvir.
— Uau, Irmão Yang, você tem um violão tão bom? É um Brown_B! — Guo Ziyi reconheceu a qualidade e exclamou, todo empolgado. Ao pegá-lo, começou a acariciá-lo com admiração, sem querer soltar.
Yang Yi não explicou nada; apenas fez um gesto para Guo Ziyi começar sua apresentação.
Com o violão na mão, a expressão de Guo Ziyi ficou séria. Ele dedilhou suavemente as cordas, pensou um pouco e disse: — Então, Irmão Yang, vou cantar uma música de que gosto muito: "Pequena Cidade do Sul", de Cao Fang.
(Nota: Esta música existe na realidade; por enquanto, vamos classificá-la neste mundo. Quem tiver interesse pode procurar e ouvir — é um jazz leve e folk lento, perfeito para uma tarde preguiçosa.)
Yang Yi ainda não conhecia bem a música deste mundo. Nos últimos tempos, estava ocupado com a reforma da cafeteria e não tinha tempo de instalar um bom sistema de som em casa. Quando tivesse oportunidade, queria "saborear" bem o banquete musical deste mundo.
As cordas do violão foram tocadas suavemente, e uma introdução muito, muito lenta fluiu.
Yang Yi fechou os olhos involuntariamente. A melodia era simples, mas trazia uma rara paz à alma. Ele logo identificou: devia ser folk.
A mesma melodia se repetiu algumas vezes, e então Guo Ziyi começou a cantar baixinho.
— "Pequena cidade do sul, sem brilho que ofusca..."
Yang Yi ergueu levemente as sobrancelhas e olhou para Guo Ziyi, um pouco surpreso. O garoto não estava exagerando; ele realmente tinha uma boa base musical. Mas o que mais impressionou Yang Yi foi sua voz!
Em sua vida anterior, Yang Yi achava que, no mundo da música, todo gordinho era um potencial escondido — como Han Hong, Sun Nan, Liu Huan na China, ou Adele no exterior. Essas pessoas, embora gordas, tinham vozes privilegiadas, capazes de cantar notas muito agudas e atravessar várias extensões vocais.
Guo Ziyi, o gordinho, claramente era assim. Embora a música que cantava não tivesse um tom muito alto, era uma canção feminina. Para cantar naquele ritmo, com um tom ligeiramente elevado, Yang Yi sabia que não conseguiria, mas Guo Ziyi cantava com muita facilidade!
— "Toda vez que volto aqui, sinto paz."
— "Sol ardente, passos lentos das pessoas..."
Não à toa era um garoto de dezesseis anos: a voz era clara, sem impurezas, e um menino conseguia produzir um som igualmente bonito.
— "Chapéus de palha espalhados, as flores que plantei..." Finalmente, nessa parte, Guo Ziyi mostrou sua habilidade vocal notável.
A palavra "flores" fazia uma transição suave a partir de "plantei", com variações de tom que expressavam perfeitamente aquela preguiça.
— "Balança, balança, balança, balança"
— "Aqui estou eu, sozinho, cantando esta canção, as pessoas apenas sorriem, oh, sorriem..."
— "Aqui estou eu, sozinho, cantando esta canção, você não vai saber, oh, saber..."
Yang Yi realmente ficou de olhos fechados, ouvindo a música em silêncio até o fim. A canção era mediana, mas seu valor estava na pureza e simplicidade. Quem gosta de folk lento vai adorar, mas esse público é pequeno, e no mercado é difícil fazer sucesso.
No entanto, Guo Ziyi cantou bem — tanto na voz quanto na técnica. Yang Yi achava que ele era muito melhor do que alguns cantores medíocres que ele conhecera no cenário musical chinês de sua vida anterior!
Mas, assim que largou o violão, a natureza palhaça do cara voltou à tona. Com um olhar ansioso, perguntou: — Hehe, Irmão Yang, o que achou do meu canto?
A expressão era quase igual à de Xixi quando queria um elogio do pai.
— Hum... você não teria problemas em fazer o exame de música. — disse Yang Yi, de forma indiferente.
— Hã? — Guo Ziyi ficou surpreso e coçou a cabeça. — Mas eu estou me inscrevendo para o curso de interpretação!
— ...
Dessa vez, Yang Yi não se conteve. Tirou o chinelo e atirou nele: — Você está fazendo exame para interpretação e vem me falar que estudou canto?
Guo Ziyi saiu correndo, protegendo a cabeça: — No exame de arte para interpretação também tem que mostrar uma habilidade especial! Se eu mostrasse o que já sei, não teria graça! Ai, ai, errei, Irmão Yang, não bate mais...
Esse palhaço. Além de ser um palhaço, ainda tinha uma cara de pau do tamanho de uma muralha.
Ele passou o dia inteiro na casa de Yang Yi, ficou viciado na comida que Yang Yi preparava nas duas refeições e, sem vergonha, pediu para ficar hospedado: — Irmão Yang, olha só, sua casa é tão grande, tão luxuosa, e está vazia. Que tal eu cancelar meu hotel e vir morar aqui?
Quando Yang Yi o encarou com um olhar frio, ele rapidamente fez um gesto de defesa, com medo de levar outra surra.
— Só uns dias, depois do exame de arte, volto para a escola. Vou pagar aluguel, pagar muito aluguel. — disse Guo Ziyi, com um sorriso bajulador.
Esse cara! Na verdade, Yang Yi sabia que a família de Guo Ziyi não era comum. Dava para perceber pelas roupas que ele vestia e pelo relógio que usava — não eram produtos baratos que qualquer família podia comprar. Além disso, quando Guo Ziyi pegou o violão, embora tenha ficado surpreso, não demonstrou muito entusiasmo, o que indicava que já tinha usado um, ou até melhor!
Guo Ziyi queria vir comer de graça, e Yang Yi, no fundo, recusava!
Mas de repente ele lembrou que estava precisando de ajuda na reforma da cafeteria.
— Ficar uns dias aqui... não é impossível. — Yang Yi olhou para Guo Ziyi com um sorriso suspeito. — Não vou cobrar aluguel, mas você vai ter que me ajudar com uma coisa...
Guo Ziyi ficou radiante e bateu no peito, aceitando: — Sem problema, Irmão Yang! Esses meus mais de cinquenta quilos estão às suas ordens!
Haha, tomara que você ainda esteja rindo amanhã!