— De onde você tirou dinheiro pra morar aqui? — Quando Murphy foi buscar a filha e viu o novo endereço de Yang Yi, olhou para ele com desconfiança.
Não era culpa de Murphy ser desconfiada. Antes, onde Yang Yi morava, e agora, onde ele estava morando? Nem precisava falar de Yang Yi, a própria Murphy sentia uma ponta de inveja!
— Mamãe, não brigue com papai. Papai disse que você também pode morar aqui! — Xixi correu depressa, abraçou a perna da mãe e tentou apaziguá-la.
— Quem é que quer morar aqui? — Murphy piscou os olhos, surpresa, e cuspiu de lado.
Com a personalidade da vida anterior, Yang Yi realmente não teria paciência com uma mulher de gênio tão difícil. Mas, parecia que, depois de passar alguns dias com Xixi, as arestas de Yang Yi iam se suavizando.
Olhando para a expressão de Murphy, ele apenas ergueu uma sobrancelha, sem intenção de discutir com ela.
Preguiçosamente, ele abriu uma gaveta, pegou o contrato de aluguel e o estendeu para Murphy: — Toma, aluguei por um real. Pode dizer que tive sorte, encontrei uma boa pessoa.
Como Murphy ia acreditar numa coisa tão boa assim? Franzindo as sobrancelhas, pegou o contrato e leu várias vezes, mas não encontrou nenhum problema.
Finalmente, Murphy desistiu. Devolveu o contrato de má vontade, mas ainda perguntou, cheia de suspeitas: — Por que você alugou uma casa tão grande?
As mudanças que Yang Yi mostrou a ela desta vez eram grandes demais, grandes demais!
Será que ainda era aquele Yang Yi honesto e ingênuo de antes? Ou aquele pai da Xixi teimoso e inflexível que a deixava furiosa?
— Vou abrir uma cafeteria! — Disse Yang Yi.
Cafeteria? Você? Um cara que nem chá bebe, só água pura, vai abrir uma cafeteria? Murphy sentiu a visão escurecer e perguntou, irritada: — Você sabe o que é café?
Yang Yi ficou sem palavras: — Não me subestime, ok? Quer que eu faça um café pra você experimentar?
— Dispenso, não tomo café solúvel! — Murphy bufou.
Yang Yi não quis perder tempo discutindo com ela e foi até o balcão. No segundo andar, o restaurante tinha um pequeno balcão, que o velho senhor provavelmente usava para beber, e vinho tinto — gente que toca música clássica é elegante. Mas agora, Yang Yi estava ocupando o espaço, colocando seus utensílios para preparar café.
No começo, os olhos frios e elegantes de Murphy ainda carregavam desconfiança, mas aos poucos, foram sendo substituídos por surpresa.
Yang Yi usou um moedor manual para triturar os grãos de café com cuidado. Todo o processo foi delicado, nada parecido com um iniciante atrapalhado.
Aquela cena deixou Murphy extremamente surpresa. Ela mal podia acreditar no que via.
— Como ele sabe fazer isso? E ainda usa moedor manual? — Murphy não conseguia entender.
Sabia que a maioria das pessoas que gostam de café hoje em dia prefere usar máquinas de café automáticas para preparar a bebida. Murphy era desse tipo: tomava café para se animar, mas não gostava de complicações.
Só os verdadeiros entusiastas usariam esse método retrô para moer os grãos, não é? Porque eles apreciam o processo, e dizem que esse método produz um pó mais uniforme e fino, capaz de extrair o melhor sabor do café.
Mas Murphy já tinha tentado antes, e, no nível dela, não sentia diferença...
Enquanto Murphy divagava, Yang Yi já tinha trazido o café pronto até ela. Colocou a xícara suavemente no balcão à frente dela e, com um sorriso gentil, disse: — O café não é dos melhores, mas, por favor, prove.
Com o porte avantajado de Yang Yi, era difícil associá-lo à palavra "cavalheiro", mas, não sei por quê, Murphy se sentiu tocada por ele, e o coração acelerou de repente.
Murphy estava acostumada a ser fria, então sua expressão não traiu nada. Mas, para disfarçar a confusão no olhar, ela pegou o café e deu um grande gole.
— ... — Yang Yi ficou sem palavras ao ver aquilo.
Quem foi que disse que ele não entendia de café? Agora, alguém tomando café assim, não era como jogar pérolas aos porcos?
Depois de se acalmar, Murphy sentiu o aroma intenso daquele gole de café e o leve amargor. Hmm, estava muito gostoso!
— Você colocou açúcar? — Murphy olhou para Yang Yi.
— Coloquei. Você não deve aguentar o puro. — Disse Yang Yi, com indiferença. Ele mesmo tomava café sem açúcar.
Ele realmente tinha colocado açúcar para ela! Murphy sentiu um calor no coração, mas o que a deixou mais feliz foi: como Yang Yi sabia do gosto dela? Será que ele tinha estudado especialmente para ela?
No entanto, Yang Yi não parou por aí e estragou o momento: — Estudos mostram que mulheres, em média, colocam uma colher e meia de açúcar no café. Realmente faz sentido.
Na hora, a corrente de calor no coração de Murphy desapareceu. Ela apertou os punhos, quase rangendo os dentes de raiva de Yang Yi.
— Tá bom, por enquanto vou acreditar que você pode abrir uma cafeteria. — Murphy franziu os lábios vermelhos e começou a mexer na bolsa. — Quero investir na sua cafeteria. Quero metade das ações!
O quê?
Yang Yi olhou para Murphy, surpreso.
— O quê, não quer meu investimento? — Murphy arregalou os olhos, disse.
Yang Yi, claro, não queria. Ele tinha montado a cafeteria por hobby, nem pensava em lucrar. Colocaria um dinheiro próprio, e se desse prejuízo, seria só dele. Claro, sem aluguel, não perderia muito.
Mas o problema era: por que essa mulher também queria se meter?
Yang Yi sentiu como se seu brinquedo favorito estivesse sendo cobiçado. Se fosse na vida anterior, Murphy já teria sido despedaçada por ele!
— Hum, não quero! — Yang Yi recusou de uma vez.
Murphy quase morreu de raiva. Ela estava tentando dar um dinheiro a ele, para ele ter uma vida melhor, e ele recusava tão bruscamente. Ela disse, inconformada: — Isso também é a casa da Xixi. Por que não posso investir?
— Não pode. — A resposta de Yang Yi foi simples e grosseira.
— Então de onde você vai tirar dinheiro pra reformar? De onde vai tirar o capital inicial? — Murphy estava quase brigando com ele, falando com os dentes rangendo.
— Eu tenho dinheiro. — Yang Yi sentiu que, se continuasse, seria difícil se virar, afinal, aquele dinheiro realmente não tinha como explicar. — Pode desistir dessa ideia!
Melhor não ter ganhado aquela grana suada! Yang Yi suspirou baixinho. Por que essa mulher era tão complicada, perguntando sem parar? Não, precisava achar um jeito de ganhar dinheiro, para lavar esse dinheiro!
Não precisava mais se complicar assim. Ganhar dinheiro honestamente não era difícil, e agora ainda tinha que inventar desculpas. Que canseira.
Sem perceber, o pensamento de Yang Yi começava a se alinhar com o de uma pessoa normal.
Mas Murphy estava furiosa com Yang Yi, parecia um barril de pólvora prestes a explodir a qualquer momento!
Felizmente, naquele instante, a pequena Xixi veio correndo do sofá ao lado, segurou a mão da mãe, balançou e pediu, manhosa: — Mamãe, não brigue com papai. Deixa eu te levar pra ver meu quarto, tá bom?
Ela não entendia o que os pais estavam dizendo, mas sentia que o clima estava estranho!
No final, Murphy foi puxada pela filha. Ao virar-se, deixou um olhar de rancor para Yang Yi. Claro, a grande estrela ainda era desprendida; bufou baixinho no pensamento.
— Se não quer, não quero! Não tô nem aí! Seu Yang Yi, tomara que feche as portas logo. Aí a gente vê se essa tia vai te ajudar ou não!