Murphy já havia voltado ao banco do passageiro e, ao ver Yang Yi voltar, enquanto ele entrava no carro, perguntou impacientemente: "E aí? A Xixi chorou? Como ela está? Fez algum escândalo?"
Yang Yi já tinha se recomposto, afinal, os homens são mais despreocupados. Ele sorriu e disse: "Se você não perguntasse, eu ia te contar. Essa nossa filha é tão fácil de cuidar! Desde o começo, estava toda sorridente, enquanto outras crianças choravam, ela nem chorava."
"Ela não chorou?" O rosto de Murphy mostrou um pouco de decepção.
"Chorou, sim. Depois que soube que eu não ia ficar com ela no jardim de infância, ainda derramou algumas lágrimas, mas foi muito obediente, segurou o choro o máximo que pôde, só deixou cair quando eu fui embora." Yang Yi pensou no rostinho forte da filha e sentiu-se reconfortado.
No entanto, Murphy sentiu um aperto no nariz. Ela franziu os lábios, estendeu a mão e bateu em Yang Yi, irritada: "Você ainda ri, a filha chorou e você ri! Como você consegue rir?"
Yang Yi segurou a mão dela e se defendeu: "Eu não ri, só achei que a Xixi é muito melhor que as outras crianças..."
"Você não viu como as outras crianças choram desesperadamente, feito uma cachoeira, a ponto de quase levantar o teto com o barulho. E a mãe delas também, provavelmente ouvindo o choro, sentindo o mesmo aperto no coração, também desabava em lágrimas." Yang Yi contava essas coisas como se fossem assunto de conversa casual, sem perceber que a expressão de Murphy já tinha passado de nublado para tempestade.
"Ugh, eu também sou mãe, meu coração também dói." Murphy tinha se segurado por muito tempo, desde que a Xixi desceu do carro, guardando essa preocupação e apego no fundo do coração. Agora, com as palavras de Yang Yi, tudo veio à tona.
Murphy primeiro não conseguiu conter as lágrimas, que escorreram livremente, depois começou a soluçar e reclamar, sem conseguir falar direito.
"O que foi?" Yang Yi estava prestes a ligar o carro, mas agora nem se importou em pegar a chave. Virou-se para tentar consolar Murphy.
Mas Murphy chorava tanto, mais do que da última vez que Yang Yi a irritou. Yang Yi ficou sem saber o que fazer — ele tinha se preparado para muitas coisas, mas nenhuma era para consolar adultos!
"A culpa é toda sua, falando essas coisas, me fazendo chorar!" Murphy, com lágrimas no rosto e lábios franzidos, virou-se e bateu no peito de Yang Yi com os punhos fechados.
Yang Yi, sem entender direito, instintivamente a puxou para um abraço.
"Hum..." O choro de Murphy parou por um instante, claramente surpresa com a ousadia de Yang Yi. Seus punhos ficaram apoiados no peito firme dele, sem força para bater.
"Tudo bem, chore, chore, chorar vai te fazer sentir melhor." A voz suave de Yang Yi soou perto do ouvido dela.
Não dá para negar, a preocupação de Murphy com a Xixi ainda falava mais alto. No abraço de Yang Yi, ela continuou a chorar baixinho, soluçando: "Yang Yi, estou preocupada com a Xixi."
"Calma, calma." Yang Yi deu tapinhas nas costas magras de Murphy, murmurando consolos, "Isso é um processo, ela vai se acostumar e não vai mais chorar."
"Mas eu não quero que ela saia de casa." Murphy soluçava no abraço dele, "Só de pensar, já dói, ugh."
Yang Yi ficou confuso: "As crianças crescem, precisam sair de baixo das asas dos pais. E não foi você quem quis colocar a Xixi no jardim de infância desde o começo?"
"Ai!" Yang Yi sentiu um beliscão na cintura. Dessa vez, Murphy não escolheu um lugar musculoso, mas uma parte mais macia.
Com o músculo atacado, Yang Yi instintivamente o contraiu, afastando a mãozinha de Murphy.
Mesmo assim, ele sabia que tinha falado besteira, tocado num assunto delicado. Rapidamente mudou de tom: "Fica tranquila, não estou aqui? Se você está tão preocupada, hoje não vou a lugar nenhum, vou subir no telhado e ficar de olho, não vou deixar ninguém tocar num fio de cabelo da Xixi."
Murphy balançou a cabeça, e os cabelos levemente ondulados pelo calor roçaram o nariz de Yang Yi, exalando um perfume suave, como lírios.
"Então hoje à noite vou buscar a Xixi, pergunto como ela está e te ligo para contar. Ou deixo a Xixi te ligar. Não se preocupe com nada, só saiba que estou aqui!" Disse Yang Yi.
Com o consolo de Yang Yi, Murphy foi parando de chorar. Ela só soluçava baixinho no abraço dele, até que depois de um tempo disse: "Hoje não vou voltar, já falei com a Xiaojuan, vou esperar a Xixi."
Yang Yi ficou surpreso, mas contente: "Que bom! Vamos voltar, no almoço vou fazer algo especial para você, e à tarde vamos juntos buscar a Xixi. Se ela te ver, vai ficar muito feliz!"
"Hum..." Murphy, abraçada por Yang Yi, mesmo com a posição meio estranha por causa do porta-luvas no meio, sentia-se aquecida e segura naquele apoio, depois de chorar até ficar sem forças.
Depois de puxar Murphy para o abraço, o coração de Yang Yi batia forte! Não era o corpo macio de Murphy que o excitava — embora um corpo há muito tempo sem contato pudesse pegar fogo com uma pequena faísca —, mas não era isso que ele pensava naquele momento. Aquele batimento parecia o encontro de dois ímãs de polos opostos, uma atração predestinada agindo!
Se pudesse, Yang Yi gostaria de ficar abraçado com ela até o fim do mundo.
Embora não combinasse muito com o momento, Yang Yi sentia que seu pensamento era como a letra daquela música de anime super intensa: "Até o fim do mundo, não quero me separar de você!"
No entanto, claramente não precisava esperar até o fim do mundo. Murphy não era do tipo de mulher que se aninha. Depois de recuperar a razão, sentiu a atmosfera silenciosa dentro do carro, que parecia ter um tom vinho, uma certa intimidade embriagante.
Murphy levantou a cabeça, mordiscou levemente o lábio inferior vermelho e, olhando para o olhar ardente de Yang Yi, disse com um leve tom de provocação: "Até quando você vai me abraçar?"
Yang Yi não conseguia decifrar as emoções de Murphy, mas não queria ser precipitado com ela. Sorriu e soltou as mãos, embora sentisse um pouco de relutância.
Os dois voltaram às posições normais. Murphy estendeu a mão para alisar o cabelo molhado de lágrimas, colocando-o atrás da orelha como se nada tivesse acontecido.
"Aqui, limpa." Yang Yi, atencioso, passou a caixa de lenços do carro.
"Hum." Murphy respondeu baixinho, sentindo que tinha se comportado de forma um pouco desajeitada.
Na verdade, era normal. Que mãe não sente aperto no coração ao deixar o filho na escola — seja no jardim de infância perto de casa, seja na universidade longe? Se alguma não chora, provavelmente esconde as lágrimas no fundo do coração!
"Vamos voltar!" Yang Yi ligou o carro, soltou a embreagem e pisou no acelerador, fazendo o motor roncar e sair.
Homens, afinal, não são tão sensíveis quanto mulheres. Yang Yi, esse cara, estava quase ansioso para levar Murphy para casa, onde se lembrava da filha? Talvez sim — afinal, ele ia buscá-la à noite! Devia estar pensando assim.
Só Murphy ainda olhava pela janela com preocupação, pensando: "Será que a Xixi está bem agora? Será que está com medo? Será que ainda está chorando?"
O que a Xixi estava fazendo naquele momento?