“Irmã Murphy, sou o Ju Jie. Você não veio para a empresa hoje?”
Logo de manhã, Murphy recebeu uma ligação. A voz repugnante e bajuladora fez seu bom humor desaparecer. Ela até perdeu o interesse de ver o quadrinho “Formas de Amor” que Yang Yi estava desenhando à mão.
“Quem te irritou?” Yang Yi voltou com as tigelas dos gatinhos, que ele tinha levado para limpar. Afinal, já tinham sido alimentados de manhã, e os gatinhos eram exigentes: a ração que sobrava tinha que ser jogada fora, porque, se ficasse muito tempo no ar, perdia o cheiro e eles não queriam mais comer!
“Ju Jie, aquele nojento que armou o boato escondido na empresa da última vez!” Murphy raramente reclamava com alguém, e até com Mo Xiaojuan só falava o bem, nunca o mal. Antes, quando era provocada por Yang Yi, ela sofria em silêncio. Mas, não sei por quê, agora, na frente de Yang Yi, ela sentia uma grande vontade de desabafar.
Yang Yi franziu a testa. Na mente dele, surgiu a imagem de um sujeito de cara de galã, que na foto sorria de um jeito que dava vontade de bater. Ele perguntou: “O que ele fez agora?”
“Ontem não te contei que a empresa descobriu que essas doze músicas são do Mu Zi’ang e queria passar por cima de mim para distribuí-las a outros cantores? Ainda bem que o Mu Zi’ang descobriu e resolveu o problema cedo com a Xiaojuan,” disse Murphy. “Na época, o Ju Jie estava gravando um programa e não estava na empresa. Agora que voltou, não sei onde ouviu isso, e está me enchendo o saco, querendo que eu peça uma música para ele com o Mu Zi’ang!”
“Haha, o Mu Zi’ang não vai dar para ele!” Yang Yi riu com desprezo.
Murphy concordou com a cabeça, bufou e disse com desdém: “Nem quero dar atenção a ele, mas o pior é que ele ainda teve a cara de pau de sugerir que o Mu Zi’ang vendesse uma música ‘nua’ para ele, e ele colocaria o nome dele! Disse que dinheiro não é problema, mas isso é questão de dinheiro? Esse cara não tem princípios? É nojento demais!”
Yang Yi ficou boquiaberto. Existia esse tipo de manobra?
“Ele é um artista de quinta categoria, de onde tira tanta arrogância para dizer que dinheiro não é problema?” Yang Yi ficou curioso sobre um ponto.
Murphy explicou: “O Ju Jie é parente da Ling Jie, e dizem que a família dele tem uma empresa, são muito ricos.”
Essas fofocas, Mo Xiaojuan tinha descoberto e contado para ela.
Então era parente da Niu Meiling, não é à toa que ousou criar um boato com Murphy! Os olhos de Yang Yi se apertaram ligeiramente. Ele achava que o Ju Jie não ia desistir tão fácil.
Afinal, o pessoal da Tianmei tinha seus próprios e-mails!
Originalmente, Yang Yi pensava em trocar de e-mail se continuassem a incomodá-lo. Mas agora, ele ficou interessado.
Já que deixaram Murphy chateada, como Yang Yi deixaria aquele sujeito impune? Já que ele estava de olho no Mu Zi’ang, Yang Yi também teve uma ideia interessante...
Do outro lado, Ju Jie jogou o celular no sofá com raiva, resmungando: “Porra, essa vaca, nem me respeita!”
Agora, com o rosto sombrio e uma expressão feroz, ele não tinha nada daquele visual de jovem bonito e ensolarado que mostrava na frente das câmeras.
Ao lado, seu empresário Du Lun, sem muita convicção, só conseguia consolar: “A Jie, não brigue com a Murphy, vamos pensar em outro jeito!”
“Que jeito?” Ju Jie disse irritado. “Não me fala de pedir música para outros. Não quero música de ninguém, quero a do Mu Zi’ang. Quero ficar famoso como o Chen Yijie, em todo lugar!”
Du Lun pensou com amargura: “Você quer ser como o Chen Yijie? Mesmo que te dessem a música, você não ia estourar, né?”
Ju Jie, esse playboy, era mesmo ambicioso demais. A voz dele não tinha personalidade, ele não tinha treinamento formal, e nem se dedicou aos cursos que Niu Meiling arranjou para ele. Achava que, por ser bonitinho, ter dinheiro e contatos, ser famoso era fácil.
Claramente, isso era sonhar acordado — depois de dois anos, muito dinheiro gasto, mas nenhum resultado.
Mas Du Lun era muito diplomático, nunca deixava transparecer o desprezo que sentia, e ainda sorria como se nada fosse, dizendo para Ju Jie: “A Jie, eu não voltei para a reunião, mas ouvi dizer que o Jian Chuo tem o contato do Mu Zi’ang. E acho que isso tem a ver com sua tia também. Em vez de falar com a Murphy, melhor falar com o Jian Chuo ou com a Ling Jie!”
“Minha tia conhece o Mu Zi’ang?” Ju Jie, que não pensava direito, ouviu só metade. Seus olhos brilharam, e ele bateu no sofá, dizendo: “Pô, Du Lun, por que não falou antes? Me fez passar raiva com essa mulher!”
Pronto, ele mesmo tinha se apressado, e agora culpava o outro... Du Lun ficou sem palavras, mas ainda assim aconselhou: “A Jie, deixa ela pra lá!”
“Vou pedir ajuda para minha tia!” Ju Jie só se animava para bajular a tia Ling. Virou-se e saiu correndo, todo empolgado.
...
Aqui, para animar Murphy, Yang Yi a levou para tocar piano no andar de baixo. Música era como catnip para Murphy; tocando as melodias que amava, ela aos poucos voltou a sorrir.
Yang Yi, por sua vez, estava com Xixi, brincando com os gatos.
Para cuidar dos três novos membros da família, Yang Yi até comprou livros e aprendeu sobre criação de gatos. Então, ele era um especialista em gatos com bastante conhecimento teórico!
Naquele momento, ele fez Xixi segurar um gatinho, enquanto ele pegava um pente de ancinho para escovar o pelo deles.
“O pelo dos gatos cai todo dia, mas cai mais na primavera e no outono. Agora está quase outono, e notei que eles estão perdendo mais pelo ultimamente,” Yang Yi explicava enquanto fazia. “Mas escovar não é para fazer cair mais rápido, é para ajudar os gatinhos a ficarem limpos, deixar o pelo mais brilhante e bonito!”
Xixi estava mais interessada no pente de ancinho do pai. Ela lembrou da palavra: “É a arma do Zhu Bajie!”
“Isso, o Zhu Bajie também tem um ancinho, mas o dele é maior!” Yang Yi disse, rindo.
“Eu também quero brincar, papai, me deixa usar?” Xixi olhou para o pai com olhos grandes e cheios de expectativa.
Quem conseguiria resistir a olhos tão fofos? Yang Yi entregou o pente para a menina e ensinou como segurar: “Não pode usar muita força, segurar com força machuca o gatinho!”
Ao ouvir que podia machucar o gato, Xixi tratou de aprender direitinho: tinha que segurar o cabo com dois dedos, como se fosse um lápis.
Yang Yi pegou o Xiao Hui, que já estava esperando ali do lado, olhando com inveja o Duo Duo sendo escovado com tanto conforto, provavelmente pensando: “Seu humano, você me esqueceu?”
Ele acariciou a cabeça de Xiao Hui, alisando o pelo azul-acinzentado macio e massageando o corpo dele. Na verdade, nem precisava desses preliminares; Xiao Hui já estava de olhos semicerrados, deitado ali, esperando o humano o atender.
Sob a orientação do pai, Xixi segurou o pente de ancinho e começou a escovar o pelo de Xiao Hui pelas costas, devagar, em pequenas áreas.
Sem usar muita força, Xiao Hui ficou tão confortável que levantou o rabo, balançando-o suavemente.
Pescoço, queixo, peito — Xiao Hui recebeu um tratamento completo da pequena dona. Quando terminou, ele se sacudiu, saltou para longe todo limpinho, e foi correndo rodear os companheiros, como se estivesse se exibindo.
“Hehe, que divertido! O Xiao Hui é tão bonzinho!” Xixi estava viciada em acariciar gatos. Ela virou a cabeça, ainda com vontade de mais: “E o Xiao Guai? Xiao Guai, vem cá, a irmã vai usar a arma do Zhu Bajie para escovar seu pelo!”
Imediatamente, uma sombra azul pulou do sofá ao lado.