Murphy, quando voltou correndo, chorou tanto na cama grande que dava pena, e no coração só tinha um pensamento: "Sério, não vou mais ligar pra ele, esse cara continua tão irritante, não mudou nada!"
Na verdade, o Yang Yi de antes também não era muito melhor, até pior do que hoje.
Mas antes Murphy não chegava a chorar de tanta mágoa, só ficava brava, irritada! A mágoa de hoje vinha principalmente porque, nos últimos dias, ela já tinha aceitado Yang Yi no coração e gostava do mimo constante que ele dava, e aí, de repente, ele soltou aquela grosseria, e ela não conseguiu lidar.
Não sei quanto tempo passou, Murphy parou de chorar. Continuava na mesma posição, deitada de bruços na cama, olhando fixamente para o nada, pensando em sei lá o que.
"Toc, toc, toc..." De repente, uma batida leve na porta fez Murphy voltar a si. Ela se virou meio tonta e ficou olhando para a porta do quarto.
"Murphy, sou eu..." A voz grave de Yang Yi veio de fora. "Foi culpa minha agora, o que eu falei foi demais."
Murphy fez bico de mágoa, e não conseguiu evitar que mais algumas lágrimas escorressem pelo canto dos olhos.
"Realmente, fui eu que errei, mas não era essa a minha intenção. Talvez tenha me expressado mal, e você entendeu diferente. Então, vamos os dois nos acalmar, conversar de forma aberta e sincera, está bem?" Yang Yi falou baixinho.
Parecia que, se eles conseguissem conversar abertamente e resolver o mal-entendido, seria o desejo de muita gente...
Murphy até queria conversar direito com Yang Yi, mas, lembrando que ele tinha sido grosso com ela, fez bico e pensou: "Não vou falar com esse cara! Não vou dar bola!"
Isso, ele precisava de um gelo!
Não podia tolerar esse jeito descontrolado dele!
A porta do quarto estava trancada, Yang Yi tentou girar a maçaneta, mas não conseguiu entrar.
Depois de um tempo, não se ouviu mais nada do lado de fora.
Murphy não aguentou, virou a cabeça para olhar e sentiu mais mágoa: "Ele pediu desculpas com duas frases e depois ficou quieto? Com a Xixi ele tem tanta paciência, e comigo não tem o mínimo de consideração?"
Embora não precisasse ter ciúmes da Xixi, Murphy sabia que Yang Yi era imaturo em questões de sentimento, mas ainda assim se sentia sufocada.
"Se você insistisse mais um pouco, eu abriria a porta..." Murphy pensou consigo mesma, mas outro pensamento brigava: "Não, de jeito nenhum, não era para dar bola pra esse idiota?"
"Puf!" Um barulho estranho veio da pequena varanda do quarto principal, um som alto, como se algo tivesse caído, assustando Murphy.
Ela virou a cabeça e ficou boquiaberta ao ver Yang Yi, como um guerreiro divino, aparecer na pequena varanda, e depois entrar batendo as mãos.
"Não ouvi barulho nenhum aí dentro, pensei que tivesse acontecido algo com você. Ainda bem, ainda bem!" Ele viu que ela o olhava com os olhos um pouco inchados, mas ainda vivos, e soltou um grande suspiro de alívio.
"Você... como você veio parar aqui?" Murphy ficou chocada.
Não era só pular de uma varanda para outra; a varanda grande da sala e a pequena varanda do quarto estavam separadas por uns seis ou sete metros! Uma pessoa normal, mesmo com corrida de impulso, não chega a pular quatro ou cinco metros!
Yang Yi explicou: "Eu fui da varanda grande, me segurando no beiral, e fiz assim, algumas vezes, e vim. Não foi tão difícil." Com medo de Murphy não entender, ele ainda fez gestos, parecendo um macaco pulando de árvore em árvore...
Na verdade, quando Murphy viu ele preocupado com ela, a raiva que estava guardada já tinha ido embora, mas a mágoa ainda estava lá, fazendo com que ela não quisesse dar trela para Yang Yi.
Então, Yang Yi a viu sentar na cama com cara feia e virar o rosto, se recusando a olhar para ele.
Era como no começo do relacionamento deles, quando Murphy vinha buscar a filha e os dois não se entendiam, preferindo o silêncio frio.
Mas Yang Yi não queria voltar ao passado; ele gostava de ver Murphy sorrindo.
"O que eu falei foi demais, desculpa." Yang Yi ficou parado ali, falando baixo.
"Pedir desculpa resolve tudo?" Murphy virou a cabeça para o lado, fez bico e falou com voz fria.
"Você pode fazer o que quiser, ou pode me bater, eu não vou revidar." Yang Yi disse.
Murphy bufou e ficou em silêncio de novo.
Yang Yi realmente não sabia lidar com aquela situação, não entendia como consolar uma mulher, e os dois ficaram ali, num impasse.
"Deixa pra lá..." Depois de um tempo, Murphy suspirou baixinho no coração. Sabia que Yang Yi não era do tipo de falar bonito, então desistiu de esperar que ele a consolasse.
Ela virou o rosto, olhou friamente para Yang Yi e perguntou: "Você disse que eu te desprezo por causa da sua baixa escolaridade, e que acho que você não tem qualificação para ser o pai da Xixi. Por que você pensa isso?"
"Porque você se importa muito com escolaridade." Yang Yi, vendo que Murphy finalmente tinha falado, sentiu a tensão e a ansiedade diminuírem, e se apressou em responder. "Você já falou sobre escolaridade comigo mais de uma vez. Mas por que isso é tão importante? A escolaridade é o padrão para medir o talento de alguém?"
Murphy entendeu. Ela olhou para Yang Yi com irritação e disse: "Eu me importo muito com escolaridade, mas não com a sua. Eu quero que minha filha entre numa boa universidade e tenha um diploma melhor. Isso é errado?"
Hã? Yang Yi ficou confuso.
"Eu me importo tanto com isso porque já vi, no mundo do entretenimento, um cantor veterano que só tinha o ensino fundamental, e num evento interdisciplinar, foi humilhado por membros da associação literária!" Murphy lembrava claramente do sorriso sem graça daquele veterano num programa de variedades, embora ele tivesse contado aquilo como piada.
"Eu não te desprezo, nem desprezo quem tem pouca escolaridade, mas não quero que minha filha seja desprezada!" Murphy disse. "Você consegue entender meu sofrimento?"
Então era isso. O nó no coração de Yang Yi se desfez na hora. Ele sentiu vergonha, achando que tinha interpretado mal Murphy por tanto tempo — embora a maior parte da culpa fosse do seu eu anterior, Yang Yi colocou a culpa toda em si mesmo.
"Desculpa, eu te entendi mal!" Yang Yi suspirou baixinho. "Se houver algo que eu possa fazer para compensar o dano que te causei, por favor, me diga."
Ainda era tão direto como antes... Quem pede desculpas assim?
Murphy ficou sem saber se ria ou chorava com aquelas palavras de Yang Yi, mas não quis rir. Continuou com a voz fria, perguntando algo que vinha pensando há muito tempo, o motivo pelo qual o tinha chamado de idiota antes: "Ainda tenho uma pergunta. Por que você acha que eu estou sendo falsa com você?"