No entanto, no dia seguinte, Murphy não foi praticar canto com Yang Yi, porque tinha dormido muito tarde na noite anterior e não conseguiu acordar de manhã. Yang Yi também não a acordou — o que depois lhe rendeu uma boa reclamação.
Hoje Murphy ainda tinha alguns afazeres: precisava voltar à empresa para pegar as músicas que Mu Zi'ang escreveu para ela e, em seguida, ir para a casa de Yang Yi praticar com ele.
Embora parecesse meio idiota "treinar canto durante as férias", Murphy achava que, em vez de passar os dias à toa desperdiçando a vida, era melhor levar Yang Yi para praticar canto junto. Isso poderia acelerar o progresso do futuro novo álbum e, ao mesmo tempo, cultivar o relacionamento entre os dois — dois coelhos com uma cajadada só!
Já Yang Yi, o dono de cafeteria ainda mais desocupado, não tinha a menor intenção de abrir a loja. Pensando que não tinha nada para fazer, pegou seu "BaLang" e levou Murphy de volta à empresa.
Xixi ficou super feliz, porque poderia andar de carro e sentir o vento!
Mas tinha uma coisa que a incomodava: como a mãe estava no carro, o pai não deixava abrir a janela. A menina sentia que faltava algo nesse passeio!
O motor do BaLang era de padrão militar, com potência de sobra. Yang Yi pegou a via expressa que circundava a cidade e foi a toda velocidade. Enquanto Xixi gritava de empolgação, chegaram ao prédio da Tianmei.
"Mamãe vai descer agora. Xixi tem que ficar quietinha com o papai esperando a mamãe aqui embaixo, tá?" Murphy deu um beijo na bochecha de Xixi antes de sair do carro.
"Mamãe, eu também quero subir!" Xixi fez bico.
"Não pode. O carro do seu pai não entra no estacionamento, e lá fora tem muita gente. Mamãe não pode levar a Xixi para cima!" explicou Murphy. "Mamãe vai e volta rapidinho!"
Mas, no fundo, ela não tinha tanta certeza. Embora pegar uma pilha de folhas impressas não fosse complicado, Mo Xiaojuan tinha dito ao telefone, de forma misteriosa, que haveria uma surpresa. Murphy não sabia se isso ia atrasar as coisas!
"Tá bom então!" Xixi assentiu obedientemente. "Então quero que o papai conte uma história para mim!"
"Tá, mas não pode contar Jornada ao Oeste, hein!" Murphy riu. "Jornada ao Oeste só pode ser contada quando a mamãe estiver por perto. A mamãe também quer ouvir!"
Murphy não se interessava muito pelos outros contos de fadas que Yang Yi contava, pois achava um pouco infantis demais. Mas Jornada ao Oeste era diferente. Desde que ouviu um trecho junto com Xixi, ela se apaixonou. Não só insistiu para que Yang Yi repetisse as histórias anteriores só para ela, como também ficava mais ansiosa do que Xixi para "cobrar" os próximos capítulos!
"Não pode isso, não pode aquilo..." Xixi fez biquinho de frustração.
"Sem problemas. Papai conta outra história para você!" Yang Yi virou-se rapidamente para consolar a filha, rindo. "Papai tem muitas, muitas histórias boas para contar!"
No entanto, depois que Murphy subiu, Yang Yi mal começou a contar uma história para a filha quando foi interrompido por uma ligação. Era o Sr. Lu.
Yang Yi deu um sorriso de desculpas para a filha e atendeu: "Sr. Lu, será que há novidades sobre o meu livro de contos de fadas?"
Para ser sincero, Yang Yi estava bastante ansioso pela publicação desse livro de contos de fadas. Afinal, os dois livros anteriores que venderam bem foram basicamente "transportados" por ele. Já este livro de contos de fadas tinha 80% das histórias criadas por ele mesmo, baseadas nos moldes dos contos de fadas de sua vida passada.
Será que faria sucesso? Que resultados alcançaria? Yang Yi não tinha a menor ideia!
Mas era justamente essa imprevisibilidade que o deixava tão animado.
No entanto, o Sr. Lu não ligou para falar sobre isso. Ele disse, cheio de desculpas: "Desculpe, Sr. Yang, seu livro ainda está em diagramação. Deve levar mais umas duas semanas. Mas pode ficar tranquilo, nossa editora dá muita importância ao seu livro..."
Xixi, do lado, já estava ficando impaciente. Ela se remexia no banco de trás, ora mexia aqui, ora tocava ali. Mas ainda era obediente e não atrapalhava o trabalho do pai.
O Sr. Lu, todo enrolado, finalmente chegou ao ponto: "Estou ligando hoje para incomodá-lo porque um grande diretor procurou nossa editora, querendo seu contato para discutir os direitos de adaptação para cinema e TV de 'Ataque de Soldados' e 'Espada Brilhante'..."
Yang Yi ficou bastante interessado na notícia. Afinal, ele sabia que esses dois livros tinham um enorme potencial de adaptação. Em sua vida passada, 'Espada Brilhante' nem precisava ser mencionado — foi campeão de audiência da CCTV naquele ano! Já 'Ataque de Soldados' causou furor: não só o país inteiro discutia a série, como também rendeu ótimos retornos em audiência e prêmios!
Claro, um bom roteiro também pode virar um filme ruim {como o atual 'Espada Brilhante' versão boy band, que é alvo de críticas ferrenhas}. A escolha dos atores é crucial, e a competência do diretor também é fundamental!
Yang Yi não queria que essas duas obras-primas virassem filmes ruins!
"Quem é esse grande diretor?" perguntou Yang Yi.
"Ah, veja só, esqueci de dizer. É o grande diretor Chen Fengchen!" disse o Sr. Lu, empolgado. "Ele dirigiu novelas da CCTV como 'Ventos da Capital', 'Anos de Guerra e Fogo' e 'Tigre Voador da Neve'!"
Yang Yi não ficou tão empolgado quanto o Sr. Lu, porque nunca tinha ouvido falar desse nome nem visto essas novelas. Afinal, seu eu anterior quase não via novelas, só o noticiário...
"Dê a ele meu endereço e contato, e diga para ele vir a Jiangcheng me procurar." Yang Yi disse calmamente.
Ele decidiu primeiro pesquisar sobre Chen Fengchen, ver como era sua habilidade como diretor. Pela descrição do Sr. Lu, parecia que ele já tinha dirigido várias séries de guerra, o que talvez se alinhasse com a escolha de Yang Yi.
No entanto, o Sr. Lu ficou meio chocado com as palavras de Yang Yi: "Você quer que o grande diretor Chen venha a Jiangcheng te procurar?"
"Sim, tem algum problema?" Yang Yi não entendeu.
"Mas é o grande diretor Chen Fengchen!" O Sr. Lu engoliu em seco e falou baixinho. "Ele não é um diretor qualquer..."
Pois é! O velho Chen, com seus sessenta e poucos anos, tinha tanta experiência que, no mundo do entretenimento, quem quer que fosse, ao vê-lo, não o tratava com todo respeito, chamando-o de "venerável mestre"?
Além de ter uma vasta rede de discípulos e aprendizes ao longo de anos de carreira, as séries que ele dirigiu lançaram tantos astros. Yang Yi teria coragem de mandar o velho Chen vir a Jiangcheng vê-lo? Se os outros soubessem, não seria alvo de críticas até morrer afogado em saliva?
"Quantos anos ele tem?" Yang Yi franziu a testa e perguntou.
"Uns sessenta e poucos, acho?" O Sr. Lu não se lembrava direito.
Na verdade, Yang Yi ficou meio irritado com o discurso persuasivo do Sr. Lu. Ele não tinha medo de autoridades. Não importava quão forte fosse o histórico ou o temperamento, ninguém o faria se curvar.
Mas, com idosos, era outra história.
Yang Yi sempre respeitava os idosos com virtude e talento, assim como tratou o velho Hu com toda a cortesia.
"Então faça o seguinte: diga a ele que este mês estou realmente ocupado e não posso me ausentar. Em setembro, irei a Pequim visitá-lo. O negócio, se vai dar certo ou não, a gente conversa depois. Quanto à cortesia, sigo o que você disse. Nós, os mais jovens, precisamos agir de forma a não ter do que nos envergonhar." Yang Yi disse com serenidade.
Mal tinha desligado o telefone, ouviu Xixi, que estava espiando pela janela do carro, gritar alegremente: "Mamãe voltou!"
Murphy tinha voltado. Ela carregava uma grande caixa de papelão ondulado nos braços. Não se sabia o que tinha dentro, mas seu rosto, normalmente frio, estava iluminado por um sorriso.