—Porque hoje vamos brincar de esconde-esconde. Você precisa ajudar o papai, se esconder bem neste duto aí em cima, e também cuidar do seu irmãozinho, para ele não ter medo, não chorar e não falar alto, tá bom? — Yang Yi manteve os ouvidos atentos, e sua fala saiu um pouco mais rápida que o normal.
Embora, depois que a porta foi fechada, os sons de tiros lá fora já estivessem muito fracos, e Xixi e os outros nem os percebessem, a percepção de Yang Yi se espalhava, e ele ainda conseguia sentir se alguém estava se aproximando... Há pouco, na área dos funcionários, houve uma confusão, não só tiros, mas também gritos, um alvoroço grande, e Yang Yi ficou preocupado, com o coração apertado.
Felizmente, por enquanto, ninguém estava se aproximando deles—provavelmente porque o lugar era muito isolado.
A menina esperta, ouvindo as palavras do pai, ainda sentiu algo estranho. Suas sobrancelhas delicadas franziram levemente, e ela murmurou hesitante: "Então, então, tá bom... Mas, mas..."
Xixi deu um passo para mais perto, encostou seu corpinho no colo do pai, abraçou o pescoço dele com as duas mãozinhas, fez bico e disse baixinho: "Mas, papai, eu também tenho medo."
Não se sabe por quê, o coração da menina estava muito inquieto; talvez ela também tivesse percebido o perigo pela expressão dos pais.
Mas, nesse momento, o pequeno homenzinho mais novo ao lado começou a rir, sem perceber nada, achando que o pai ia brincar de algum jogo divertido! Ele estufou o peitinho, balançou as mãozinhas e gritou animado: "Não tenho medo, não tenho medo!"
— Shhh! — Yang Yi rapidamente levantou um dedo, fazendo sinal para o pequeno não falar alto.
Ele aguçou os ouvidos, confirmou que não havia movimento lá fora, e então continuou com Xixi: "Xixi, é só uma brincadeira, o que há para ter medo? E o papai não está sempre aqui?"
Xixi olhou para o pai, hesitou por um tempo, e então concordou com um aceno relutante.
Yang Yi sorriu, fez Xixi segurar a estátua de Buda nas mãos, ajustou o volume para a menina e depois tirou um fone de ouvido intra-auricular da parte de trás da estátua, colocando-o na menina.
Agora, aquela estátua de Buda não era mais a versão antiga de antes. Yang Yi, sem ter o que fazer nos últimos dois anos, a reformou, tornando-a mais refinada. Coisas como essa, que podiam ser usadas como microfone amplificador quando encaixadas na estátua e como fone de ouvido quando retiradas, exigiram muito esforço de Yang Yi. Mas certamente eram úteis; em situações como esta, usar o fone reduzia o risco de ser descoberto por um som que saísse de repente.
— Lembra como o papai te ensinou a usar isso? — Yang Yi disse com voz suave. — É só apertar assim, devagar, e pode falar.
Xixi olhou para o pai meio confusa, mas ainda assim acenou com a cabeça.
Yang Yi também pegou um fone sem fio, colocou no ouvido, e então no celular abriu o programa de localização das estátuas. Ele mostrou o celular para Xixi, balançando-o.
— Daqui a pouco, lá em cima, se tiver alguma coisa e você quiser me contar, pode usar isso para falar comigo. O papai vai estar lá embaixo, e aí a gente vai brincar de jogo de espião, escondido, sem ninguém descobrir, tá bom? — Yang Yi sabia que a situação era um grande desafio para Xixi, mas naquele momento só podia esperar que ela fosse forte. Ele afagou suavemente a cabeça da menina, olhou para ela com expectativa e disse com ternura: — Você cuida do seu irmãozinho para o papai, e a gente joga esse jogo direitinho, pode ser?
A menina agora parecia frágil, com um ar de desamparo, mas ainda assim segurou o dedo do pai, fez bico e acenou levemente com a cabeça.
— Lembra do que o papai disse, Xixi. Se você perguntar alguma coisa e o papai não puder responder na hora, não se preocupe. O papai vai fazer assim, bater três vezes de leve. — Yang Yi bateu três vezes suavemente no microfone do celular com o dedo, sorrindo para Xixi. — Assim você não fica preocupada, porque isso quer dizer que o papai já ouviu o que você disse e vai responder daqui a pouco.
Xixi abriu levemente a boquinha rosada. A menina, que normalmente falava sem parar, agora não sabia o que dizer, só balançava a cabeça meio boba.
Yang Yi deu mais algumas instruções e então, com um sorriso aberto, bateu palmas suavemente e disse: "Ok, vamos brincar desse jogo juntos!"
Ele primeiro pegou Xixi no colo e a colocou dentro do duto de ventilação, com o rosto virado para fora. Felizmente, como era inverno, o sistema de ar condicionado não estava ligado, só a ventilação normal, então não estava muito frio lá dentro, mas Yang Yi já tinha colocado um casaco extra em Xixi e no pequeno.
— Papai... — No duto, os olhos da menina brilhavam, mas pareciam meio embaçados, com as bordas vermelhas. Ela chamou baixinho.
— Tudo bem! Não vai acontecer nada! — Yang Yi sorriu e levantou o polegar para a menina, pedindo que ela rastejasse um pouco mais para dentro.
Depois veio o pequeno. Yang Yi o colocou lá dentro, apertou o narizinho dele e riu: "Agora o jogo começou. Não podemos falar alto nem chorar, tá bom? O papai confia que você é um homenzinho e muito legal também!"
O pequeno não tinha medo nenhum, só queria brincar. Ele encolheu o pescoço, escapando da mão grande do pai, e então riu com ele.
Em seguida, Yang Yi também colocou Mo Fei do lado das crianças. Mo Fei já estava se esforçando para segurar as lágrimas; ela tinha ouvido os tiros lá fora mais claramente no duto e sabia que Yang Yi não estava mentindo, o que a deixava ainda mais assustada.
— Você, você não vai subir? — Mo Fei perguntou apressada, ao ver Yang Yi colocá-la lá dentro e pegar a tampa de retorno do duto para instalá-la.
— Vou ficar aqui embaixo vigiando. Não se preocupe, estou cuidando de tudo. — Yang Yi disse enquanto estendia a mão para puxar a estátua de Buda do pescoço de Mo Fei, indicando que ela colocasse o fone.
Na correria, Yang Yi já tinha feito o melhor que podia para pensar em tudo, mas a confusão era inevitável.
— Mas, mas, marido... eu... — Mo Fei, ao ouvir que Yang Yi ia ficar sozinho para protegê-las, ficou ao mesmo tempo emocionada e preocupada, e as lágrimas escorreram de tanta ansiedade. Ela soluçou baixinho.
— Não chore, senão fica feia. — Yang Yi ainda teve humor para brincar. Ele empurrou a cabeça de Mo Fei de volta para dentro e riu: — Fica tranquila, seu marido é fera! Minha habilidade não é páreo para esses capangas lá fora. Ficando aqui embaixo, posso agir conforme a situação.
— Mas, eu não quero que você... não vá lutar com eles, tá? — Mo Fei achou que Yang Yi estava sendo herói, querendo eliminar os bandidos, e implorou com pena.
Afinal, a identidade anterior de Yang Yi era a de um militar íntegro e justo!
Mas Mo Fei não sabia que Yang Yi nunca pensou em se arriscar sendo herói, e também não tinha aquela "retidão" do antigo eu. Hoje em dia, ele era muito realista e pensava em tudo com cuidado.
Se não fosse por seus entes queridos estarem em perigo, Yang Yi jamais agiria precipitadamente!
Herói não é fácil de ser!
Lá fora, não se sabia quantos homens de casaco cinza estavam, todos armados e loucos. Yang Yi não era tolo a ponto de achar que poderia ser como o Ultraman, imortal e capaz de salvar o mundo!
Ele era de carne e osso; uma bala bastava para derrubá-lo.
E Yang Yi sabia que, se essa barreira que ele era caísse, Mo Fei e as crianças ficariam totalmente expostas ao perigo...
Então, de qualquer forma, Yang Yi não arriscaria a vida dele e de seus amados por um grupo de pessoas completamente estranhas.
Prender bandidos não era trabalho da polícia?
— Fica tranquila, não vou bancar o herói. Só vou ficar aqui, protegendo vocês! — Yang Yi consolou com voz suave.
Depois de acalmar Mo Fei, ele começou a apertar os parafusos da tampa do duto com um chaveiro multifuncional.
Depois de fechada, o banheiro pareceu ficar em silêncio novamente. O olhar de Yang Yi se tornou afiado outra vez. Ele olhou em volta, a mente girando rapidamente.
Yang Yi já tinha pensado: primeiro, ele não podia ficar naquele banheiro feminino, porque assim teria pouca informação do lado de fora, e essa defesa era muito passiva, com risco altíssimo.
O melhor era ele se esconder lá fora. Assim que alguém se aproximasse do banheiro, ele agiria, eliminando o perigo pela raiz...
Mas, antes de sair, Yang Yi achava que primeiro precisava encontrar uma arma adequada!
Lutar com as mãos nuas não dava. A maior habilidade de Yang Yi era com facas, depois com várias armas de ataque e armas de fogo. Claro, depois de fundir as habilidades marciais desse corpo, sua luta corpo a corpo também não era desprezível, mas o outro lado tinha armas!
Mas onde encontrar uma arma? Ele tinha passado por várias inspeções de segurança viajando de carro pela Europa, e além de um chaveiro que podia formar uma pontinha de dois ou três centímetros, não tinha mais nada!