O rosto de Murphy estava um pouco vermelho. Yang Yi achou que era por causa do calor e perguntou a Murphy, mas ela disse para não abaixar mais o ar-condicionado. "Estou com um pouco de frio." As palavras de Murphy ainda ecoavam nos ouvidos de Yang Yi. Agora, sentindo que algo estava errado, Yang Yi observou com mais atenção. Não era um rubor normal, não era questão de iluminação! Era um rubor febril, parecido com o vermelho das bochechas de quem está no planalto, ou como o rosto de alguém que não aguenta bebida depois de tomar um pouco — dilatação dos capilares! "O que foi?" O olhar fixo e repentino de Yang Yi deixou Murphy um pouco desconfortável, mas, tonta, ela não tinha energia para pensar muito. De repente, Yang Yi se levantou, esticou o braço por cima da mesa e tocou a testa de Murphy. Murphy ficou atônita, como se tivesse sido encurralada de repente, olhando sem entender para Yang Yi, que a observava com preocupação. Ao lado, Xixi também arregalou os olhos para ver o que estava acontecendo, mas suas mãozinhas seguravam as asinhas de frango enquanto ela comia com vontade, sem parar de mastigar. Yang Yi estava com uma expressão séria. Ele sentiu a temperatura da testa de Murphy: estava queimando, claramente algo errado. Ele não conseguiu evitar uma repreensão: "Como está tão quente?" "Quente?" Murphy perguntou, confusa. Yang Yi largou os hashis da mão esquerda, contornou a mesa, segurou suavemente a cabeça de Murphy e tocou sua testa novamente para confirmar. Ele perguntou, repreendendo: "Está muito quente. Você está com febre, por que não disse?" Murphy estava realmente tonta. Quando Yang Yi segurou sua cabeça, ela nem teve forças para resistir. Pelo contrário, pareceu encontrar apoio nos braços dele, ficando ainda mais zonza: "Febre? Hum... será?" Desde que voltou de Pequim hoje, Murphy sentia o corpo cansado. Ela achou que era só cansaço dos últimos dias. Até quando falou com Mo Xiaojuan, perguntou se estava com olheiras, como se não tivesse descansado bem. Mo Xiaojuan riu e a consolou: "Irmã, seu rosto está corado! É a cor da saúde, o gosto da felicidade! Vai logo para o meu cunhado, deixa ele te mimar bem!" Naquela hora, Murphy ainda tinha forças para correr atrás de Mo Xiaojuan, que falava sem pensar, mas ela não sabia que seu cansaço não era por fadiga ou sono... "É febre mesmo! Ai, o que eu digo de você? Uma pessoa tão grande e nem sabe que está com febre." Yang Yi, vendo Murphy sem ânimo, ficou muito preocupado. De repente, ele se abaixou e a pegou no colo. "Não, tonto..." Murphy quis fazer biquinho e rebater, mas a sensação de flutuar a assustou. Instintivamente, ela esticou os braços finos e apertou o pescoço de Yang Yi, com medo de cair. Yang Yi a colocou no sofá, depois foi pegar a caixa de primeiros socorros que guardava em casa. Tirou o termômetro de mercúrio, sacudiu e entregou para Murphy colocar debaixo do braço. "Vamos ver quantos graus está!" Yang Yi sentou no sofá ao lado, falando com um tom de desaprovação. "Se está se sentindo mal, fala logo! Quando eu toquei, estava tão quente que dava para cozinhar um ovo." "Não fala assim comigo!" Murphy cobriu os olhos, falando com um tom de mágoa. A voz estava fraca, os lábios pálidos e sem cor. "O que a mamãe tem?" Xixi, com a boca cheia de óleo e as mãos sujas, desceu sozinha da cadeira e veio correndo perguntar. "A mamãe está doente! Ela deve estar com febre." Yang Yi, rápido, segurou as mãozinhas sujas de molho de Xixi, que estavam prestes a tocar no sofá. Yang Yi levou a filha ao banheiro para lavar as mãos e o rosto: "Já comeu tudo?" "Já comi!" Xixi apontou para a barriguinha cheia e disse, rindo, "Papai, olha! Minha barriga ficou grande!" Yang Yi não se importou muito. Se Murphy visse, com certeza diria que a menina não estava sendo recatada! "Papai, papai!" Quando iam sair, Xixi puxou a mão do pai e a colocou na própria testa, gritando, "Papai, vê se a Xixi também está doente." Ela tinha visto o pai colocar a mão na testa da mãe e achou que havia algum método mágico de detecção! Yang Yi, achando graça, bagunçou a franja da menina e disse: "Pronto, você não está doente. Vai brincar, o papai vai cuidar da mamãe." Xixi assentiu obedientemente, mas não foi brincar. Ficou ali, segurando seu ursão, observando a mãe e o pai. "Trinta e oito vírgula oito graus! Quase chegando a trinta e nove!" Yang Yi franziu a testa. "Está de boa." Murphy forçou um sorriso, olhando para Xixi, que a observava preocupada, e disse, "Não é grave. Vou dormir um pouco e melhoro." "Como pode? Há quanto tempo você está com febre? Se não baixar, vai só aumentar!" Yang Yi balançou a cabeça. "Não, tenho que te levar ao hospital." "Não, não vou ao hospital." Murphy reagiu fortemente. "Vou te maquiar um pouco, ninguém vai te reconhecer!" Yang Yi achou que ela estava preocupada em ser descoberta. "Não, não quero ir ao hospital!" Murphy se encolheu no sofá, como uma menininha, falando com um tom de lamúria. "Só trinta e oito graus, não quero ir ao hospital. Lá vão me dar soro..." Yang Yi entendeu: ela tinha medo de agulha! Enquanto Yang Yi achava aquilo ao mesmo tempo irritante e engraçado, Xixi correu, carregando o ursão com dificuldade, e disse, carinhosa: "Mamãe, a Xixi te dá o ursão? Se você abraçar ele, vai ficar boa logo." Murphy, comovida, acariciou o rostinho da filha, mas Yang Yi mandou Xixi tirar o ursão: "Xixi, sua mãe está doente! Ela precisa de um lugar calmo e arejado. O ursão é muito grande e abraçar ele vai esquentar." Já que Murphy não queria ir ao hospital, Yang Yi teve que pensar em outra solução. Para curativos ou tratamento simples de ferimentos externos, Yang Yi era um especialista. Na caixa de primeiros socorros dele, havia muitos curativos e medicamentos de reserva. Embora fosse improvável que precisasse, por precaução, ele tinha preparado instrumentos médicos e remédios suficientes para, em caso de tiro, conseguir extrair a bala, fazer o curativo e cicatrizar o ferimento. Mas tratar febre, esse "problema pequeno", Yang Yi não entendia muito bem. Em casa também não tinha remédio comum para febre — havia um remédio especial para baixar a temperatura à força, mas ele causava danos ao corpo e não podia ser usado em Murphy. Então Yang Yi teve que sair para comprar remédio, sem nem arrumar a bagunça da mesa — algo que antes seria inaceitável para ele. Quando Yang Yi voltou com o remédio para febre, Murphy já tinha adormecido, meio tonta, no sofá. Yang Yi a acordou e a convenceu a tomar o remédio: "Depois de tomar, dorme bem. Não se preocupe, amanhã vai melhorar!" Murphy já estava com a consciência meio confusa. Só sentiu que estava apoiada nos braços de Yang Yi, tomou o remédio, e então, como se estivesse flutuando, foi carregada por ele até o quarto de hóspedes onde ele dormia... Por fim, debaixo do cobertor quentinho, Murphy caiu num sono profundo.