Durante o dia, Yang Yi contou para Xixi a história do Totoro. À noite, a menina correu para o quarto dos pais e, gesticulando na cama, recontou para o pequeno Tongtong, para Lan Xin e para a mãe essa história de que tanto gostava.
— Eu, eu quando vi o Totoro pela primeira vez, até me assustei! — disse a menina num tom afirmativo, como se tivesse estado lá pessoalmente, falando animadamente. — Ele era tão grande, tão gordo, muito mais alto que o papai! Mas ainda assim era muito fofo. Eu emprestei meu guarda-chuva para ele, e o Totoro o levantou, porque a folha de lótus na cabeça dele era muito pequena! E ele adorava o som da chuva caindo...
— E tem mais, tem mais! Tem o ônibus Totoro gigante! — a menina juntou as duas mãozinhas na frente dos olhos, com os olhos se curvando num sorriso, e disse. — Ele tem dois olhos enormes, que brilham, igual aos faróis do carro do papai...
...
Essa fantasia do Totoro acompanhou Xixi nos últimos dias daquelas férias de verão. Na casa dos avós, ela sempre puxava o pequeno Tongtong, apontava para as árvores e perguntava, cheia de expectativa: — Irmão, você viu um Totoro em cima da árvore?
O pequeno Tongtong não entendia nada do que a irmã perguntava. Ele, bobinho, seguia o dedo da irmã e ficava olhando, confuso, por um bom tempo. No fim, os dois só viam pássaros pousando e voando, o sol nascendo e se pondo, mas, infelizmente, o Totoro gorducho não aparecia diante dos olhos deles!
...
O tempo feliz sempre passa rápido. As férias de verão estavam chegando ao fim, e Xixi e Lan Xin tiveram que se despedir dos avós e voltar para Jiangcheng com o pai, porque um novo ano letivo as esperava!
Mas, dessa vez, ao voltar para casa, as duas meninas tinham algo a ganhar!
Durante a viagem, Xixi e Lan Xin mal se continham. Elas remexiam os bumbuns nos bancos da terceira fila, e até tinham soltado os cintos de segurança escondido.
— Xixi, o que você está fazendo? Coloquem o cinto de segurança, isso é muito perigoso! — Mo Fei percebeu que as duas meninas já tinham subido, ajoelhadas no assento, empinando os bumbuns para olhar o porta-malas, e logo as repreendeu, com um tom de censura.
Xixi e Lan Xin, como duas pestinhas pegas em flagrante, riam baixinho para disfarçar a vergonha. Xixi sussurrou: — A gente estava olhando os pintinhos, com medo de que eles morressem...
Acontece que a avó, vendo que a neta adorava alimentar os pintinhos, tratou de pegar dois para Xixi levar para casa quando ela fosse embora.
Vale destacar que os pintinhos que Xixi alimentara antes já não eram tão pequenos. Dong Yue'e, sendo cuidadosa, pediu especialmente a alguém da aldeia que tivesse pintinhos recém-nascidos, colocou-os numa caixa de papelão e deu para Yang Yi levar para Xixi.
Yang Yi olhou para o olhar ansioso de Xixi, pensou um pouco e não recusou.
Porque ele se lembrou da tristeza de Xixi quando Xiao Ya voltou para a natureza. Criar pintinhos era muito melhor; eles não voavam para longe, então não precisava se preocupar com Xixi tendo que se despedir deles de novo! Além disso, com os cuidados certos, eram fáceis de criar, então Yang Yi concordou.
Não perguntem se os pintinhos fediam no carro. Quem volta da terra natal não enche o carro de produtos típicos? Nem se fale dos pintinhos. Como o carro que Yang Yi dirigia era grande, o porta-malas estava lotado. Galinhas vivas, frangos e galos, três deles em sacos de ráfia, também estavam amontoados no porta-malas. Os mais velhos disseram que as galinhas criadas soltas na aldeia eram mais saborosas e mandaram Yang Yi levar para as crianças fortalecerem a saúde...
Então, era só aguentar um pouco. Xixi e Lan Xin nem ligavam; elas já estavam encantadas com os pintinhos fofos e, durante toda a viagem, se mexiam animadas, o que levou à cena em que Mo Fei as pegou desobedecendo.
— Eles não vão morrer, o Baozi está cuidando deles lá atrás! — disse Yang Yi, dirigindo e olhando pelo retrovisor, com voz suave. — E daqui a pouco vou parar num posto de serviço, aí abro a porta para eles respirarem um pouco, tudo bem!
— Hum hum! — respondeu Xixi, comportada.
O Baozi, que também tinha ido com os donos "visitar" a terra natal, estava trancado no porta-malas. Ele se sentia injustiçado; os donos grandes e pequenos não brincavam com ele durante a viagem, e ainda o deixavam com aqueles bichos de penas e "bicos pontudos"!
Talvez tivesse aprendido a lição! Não se sabe quando, mas nos primeiros dias no quintal, ele não parava de correr atrás das galinhas e patos, fazendo uma bagunça. Depois, de repente, ficou com medo, provavelmente porque, quando ninguém estava olhando, um galo grande revidou!
Agora, o Baozi estava todo acovardado. Encolhia a cabeça, deitado num canto, tentando evitar aqueles bichos de "bico pontudo", só olhando de vez em quando, com um olhar triste, como se os donos estivessem maltratando ele.
— Papai, acho super legal criar pintinhos em casa! Porque assim não tem galo grande para roubar a comida deles! — disse Xixi, animada.
Antes que Yang Yi respondesse, Lan Xin questionou: — Xixi, mas não é assim! Não tem galos grandes lá atrás?
— Não é isso! A vovó disse que aqueles galos grandes e galinhas grandes são para a gente levar para comer, eles não vão roubar a comida dos pintinhos! — disse Xixi, fazendo biquinho.
Ela ainda estava um pouco insegura e levantou a cabecinha para perguntar ao pai: — Certo, papai?
Yang Yi sorriu e disse: — É, eles não vão ter chance de roubar a comida dos pintinhos!
— Viu, eu não me enganei! — disse Xixi, radiante, para Lan Xin.
— Então eu também quero comer. Acho, Xixi, que as galinhas da casa da sua avó fazem uma sopa deliciosa! — disse Lan Xin, lambendo os lábios. — E, e também comi uma coxa de frango, muito saborosa, super saborosa!
Mas, como se tivesse pensado em algo, ela perguntou, hesitante, a Yang Yi: — Pai Yang, depois que eu voltar, ainda posso ir comer na casa de vocês? As galinhas de vocês são muito gostosas! Na minha casa não tem nada tão bom...
Nessa hora, Yang Yi estava ocupado dirigindo, e Mo Fei tomou a iniciativa de dizer: — Claro, Xin'er, sempre que você quiser vir comer, pode vir! Na nossa casa, nunca vai faltar um par de pauzinhos para você!
Mo Fei disse com generosidade, e Yang Yi completou, rindo: — Xin'er, não é só você que pode vir comer na nossa casa. Dessa vez trouxemos muitas galinhas; mais tarde vou dar uma para o tio Xiao Guo levar para casa, e também vou dar uma para sua mãe levar, para fazer sopa para você!
— Não precisa levar para casa, hehe, eu fico na casa de vocês, comendo junto com a Xixi! — disse Lan Xin, satisfeita, segurando a mão de Xixi. — Porque as comidas que o pai Yang faz são super gostosas, eu adoro comer na casa de vocês!
Com a promessa da mãe Mo, estava tudo certo! Lan Xin estava preocupada, achando que os dias de "comer de graça" tinham acabado!
Xixi também riu junto com a amiga, apertando os olhos com alegria: — Papai, papai, você pode fazer aquele frango salgado assado! Acho que também é muito gostoso!
— Isso, isso, e frango ao molho de soja, frango crocante... Nossa, Xixi, já pensei em várias maneiras de cozinhar! — Lan Xin e Xixi começaram a tagarelar de novo lá atrás.