Capítulo 112: Capítulo 112 Um Lugar Terrível (1/3)

— Sem tempo, irmão Fu — disse Yang Yi, entendendo o "dilema" de Fu Jun, mas ainda assim relutante. — Pô, como é que você não tem tempo? Normalmente você só cuida daquela sua cafeteria com poucos clientes, e já que quase não aparece ninguém, fecha um ou dois dias e aparece numa sessão de autógrafos, não tem problema! — reclamou Fu Jun.

Yang Yi girou a mamadeira com o leite já preparado, espremeu um pouco nas costas da mão, lambeu e, sentindo que a temperatura estava boa, entregou-a para Xixi, que olhava ansiosa ao lado. Era o "lanche da tarde" da filha!

— Irmão Fu, eu tenho que cuidar da criança! — Yang Yi finalmente pegou o celular que tinha jogado de lado, desligou o viva-voz e riu. — Você precisa entender a dificuldade de um pai em tempo integral.

— Como assim não consegue tirar nem um dia? E a sua esposa? — gritou Fu Jun. — Aliás, ainda não conheci sua mulher. Quando é que vocês vêm a Guangzhou? Eu pago um jantar, e a gente se conhece, as duas famílias!

— Hã. — O termo "esposa" não era muito adequado, e Yang Yi demorou um pouco para reagir. — Ela é mais ocupada que eu, não pode largar o trabalho.

— Você já ganha milhões por mês, e ainda deixa sua mulher trabalhar? Será que ela ganha mais que você? — Fu Jun ficou confuso.

Yang Yi coçou a cabeça. Ele realmente não sabia quanto Mo Fei ganhava com apresentações comerciais agora, mas se considerasse as economias do auge da carreira dela...

— Parece que sim... Ela tem mais dinheiro que eu. — Yang Yi respondeu com sinceridade.

Fu Jun ficou sem palavras. Depois de um tempo, disse: — Então é por isso. Não é à toa que você não se importa com dinheiro.

Embora Fu Jun não achasse que Yang Yi estava se aproveitando de uma mulher rica, ele acreditava que Yang Yi tinha se casado com uma herdeira.

Não havia o que fazer. Yang Yi não era apenas um autor, mas também seu parceiro de negócios. A livraria online Saara que os dois montaram ganhou visibilidade com a popularidade de *Soldados em Ação* e *Espada Desembainhada*, e ainda contribuiu com uma boa parte das vendas dos dois livros!

— Mas tem uma coisa que quero te contar! — Fu Jun ficou sério. — O exército recebeu os livros que imprimimos e enviamos antes, e nos disseram que as duas obras tiveram uma ótima recepção entre os militares. O Comando Militar de Jiangnan enviou um convite, pedindo para você ir ao quartel dar uma palestra para os recrutas sobre a inspiração por trás das histórias e o espírito que elas carregam.

— ...

Vendo o silêncio do outro lado, Fu Jun suspirou: — Eu sei que você não gosta dessas atividades, mas não tem jeito. Um convite do exército, você tem que ir, querendo ou não! Pelo menos é só o Comando de Jiangnan, que fica aí perto...

Na verdade, Yang Yi não estava tão relutante quanto Fu Jun imaginava. Ao pensar em dar uma palestra no quartel, um sentimento indescritível surgiu em seu coração.

Era um desejo vindo do fundo da memória? Ou uma espécie de "medo de se aproximar de casa"?

Obviamente, como ex-assassino em sua vida passada, Yang Yi não tinha nenhum sentimento especial pelo exército. Mas, ao se fundir com as memórias do corpo anterior, ele ocasionalmente sentia a obsessão que aquele corpo já teve.

Deixar o quartel não foi por vontade própria, e aquele lugar ainda era um "lar" ao qual ele não podia voltar...

Já que essa obsessão existia, então que fosse! Mesmo que não fosse o quartel onde "ele" esteve, Yang Yi achava que ir uma vez para dissipar esse sentimento seria melhor!

— Alô, Yang Yi, esse exército não dá para enfrentar! Mesmo que você não queira me dar moral, tem que dar a eles! — Fu Jun ainda tentava convencê-lo.

Mas Yang Yi apenas sorriu levemente e perguntou diretamente: — Quando é?

— O quê?

— Estou perguntando, quando eles querem que eu vá ao quartel? — disse Yang Yi. — Preciso arrumar um jeito de deixar Xixi com a mãe, senão não tem quem cuide dela! Não posso levar uma criança para o quartel, né?

Xixi, que estava tomando leite ao lado, ergueu as orelhas, virou a cabeça e olhou para o pai com os olhos brilhando.

— Sem problemas, vou responder ao Comando de Jiangnan agora e marcar uma data adequada. — Fu Jun desligou o telefone, radiante de alegria.

Ao ver o pai largar o celular, Xixi não se conteve e saiu correndo, balançando o bumbum. Ela parecia ter crescido mais um pouco e, com suas perninhas compridas, subiu rapidamente na cadeira do balcão.

— Papai vai aonde brincar? Por que não leva Xixi junto? — Xixi fez bico e questionou.

Puxa, Yang Yi não sabia que a filha tinha ouvidos tão afiados, a ponto de ouvir que ele queria ir sozinho ao quartel.

— Não é nada disso. Se o papai for a algum lugar divertido, com certeza vai levar a Xixi!

— Papai está mentindo, eu ouvi tudo. — A menina largou a mamadeira e gesticulou. — Papai falou no telefone que ia deixar Xixi com a mamãe. Hum, papai é um malvado, não quer levar Xixi para brincar!

Enquanto falava, seus olhos ficaram vermelhos de tanta tristeza, como se o pai tivesse cometido um crime terrível...

Yang Yi, sem saída, estendeu a mão para pegar a pequena no colo e a acalmou: — Papai não quis dizer isso. Se fosse para um lugar divertido, como não levaria a Xixi?

— Então por que não quer a Xixi? — A menina, no colo do pai, ficou ainda mais magoada, soluçando baixinho, com algumas lágrimas brilhantes penduradas nos cílios longos.

— Porque o papai vai para o quartel! — explicou Yang Yi. — Mas o quartel não é um lugar divertido! Lá só tem gente, não tem televisão, não dá para ver desenho animado, não pode usar vestido bonito, nem levar seu ursão...

Embora fosse só para assustar Xixi, Yang Yi estava falando a verdade.

Xixi nem imaginava que existia um lugar tão terrível!

Sem televisão, sem desenho animado, sem vestido bonito, sem ursão? A tristeza nos olhos da menina desapareceu, dando lugar a surpresa e tensão.

— Então por que o papai vai? Xixi não quer que o papai vá. — Quanto mais pensava, mais medo sentia, e apertou firmemente os dedos do pai, balançando a cabeça.

Ela achava que, se o pai fosse, talvez não voltasse mais, então seus olhos grandes estavam cheios de preocupação.

Yang Yi, ao mesmo tempo emocionado e achando graça, passou o dedo suavemente no nariz da filha e explicou com voz suave: — Não se preocupe, o papai vai só por um dia, dar uma palestra, e depois volta!

— Então não pode enganar a Xixi! — Xixi fez bico.

— Quando foi que o papai te enganou? — Yang Yi reclamou de inocência.

A menina inclinou a cabeça, pensou um pouco e pareceu lembrar que nunca. Mas ainda assim ficou desconfiada e estendeu o mindinho da mão direita: — Papai tem que fazer juramento com a Xixi!

— Tá bom, juramento. Papai promete que, depois da palestra, volta na hora! Não vou deixar a Xixi preocupada! — Yang Yi riu e entrelaçou o mindinho com o dela, a mão grande contrastando com a pequenina.

Só então a menina sorriu de orelha a orelha, mesmo com o rostinho ainda marcado pelas lágrimas.