Na verdade, não doía muito, porque o dente da Xixi já estava tão mole que estava prestes a cair. Caso contrário, o Tongtong não teria conseguido arrancar o dente da irmã com a mãozinha, com a pouca força que ele tem!
Além disso, a palmada do Tongtong foi tão certeira que, de quebra, resolveu um problema que vinha incomodando a Xixi há mais de uma semana!
Mas, sem falar da Xixi, quem não se assustaria ao ver um dente "sangrento" saltar para fora, ainda mais uma menininha de pouco mais de seis anos?
Yang Yi achou que a Xixi estava chorando de dor. Rapidamente, segurou com a mão esquerda o dentinho que a Xixi, assustada, lhe entregara, colocou-o nas costas dela, envolveu a menina que soluçava em seu peito, e com a mão direita acariciou suavemente seus cabelos macios, murmurando em tom calmo: "Não foi nada, não chore. A culpa é do seu irmão, como ele pôde ser tão mal-educado e partir para a agressão? O papai já brigou com ele, não fique triste... O dente caiu mesmo, deixa o papai ver como está, tudo bem?"
Yang Yi estava um pouco preocupado que ainda houvesse algum fragmento do dente, mas, pelo tamanho do dentinho em sua mão, não devia ser nada grave.
Xixi, triste, soluçava no colo do pai, sem querer levantar a cabeça, o que partiu o coração de Yang Yi, que acabou resmungando algumas palavras para o Tongtong.
Eram coisas parecidas, só para consolar a Xixi. Yang Yi estava de costas para o Tongtong e não tinha a intenção de puni-lo de verdade. Naquela situação, não dava para dizer quem estava certo ou errado, afinal, a Xixi também tinha puxado o Tongtong antes, sendo a primeira a partir para a ação...
Se Yang Yi fosse resolver aquilo, se não fosse pela tristeza da Xixi, naquele momento ele já teria dado uma boa lição nos dois pequenos!
Isso mesmo! Se fosse para punir, seria junto! Eram uma família, como podiam ficar se empurrando?
Mas Yang Yi se descuidou um pouco. O Tongtong, apesar de parecer distraído, já entendia muitas coisas e, mais ainda, percebia o tom e a atitude dos adultos.
Não é que, abraçado nas costas largas do pai, o Tongtong, ao ouvir o choro da irmã, também sentiu os olhos se encherem de lágrimas, como se o choro dela o comovesse. Naquele momento, ao ouvir o pai dizer "a culpa é do seu irmão", o pequeno, não se sabe por quê, sentiu uma tristeza profunda.
"Buá!" O Tongtong não aguentou e, junto com a irmã, começou a chorar, um acompanhando o outro.
E os choros se juntaram mesmo!
Yang Yi, sem alternativa, teve que pegar o Tongtong também, com a Xixi no braço esquerdo e o Tongtong no direito, consolando um de cada lado, enquanto os choros dos dois quase estouravam seus tímpanos!
A Xixi chorou um pouco, mas não resistiu e, com o choro do irmão, perdeu a vontade de continuar. Ela ergueu o rostinho, olhou para o irmão que também enxugava as lágrimas na roupa do pai, franziu os lábios e perguntou, com um tom de委屈: "Papai, por que o irmão também está chorando?"
Yang Yi, sem jeito, disse à Xixi: "Talvez ele tenha percebido o erro dele? Está se sentindo culpado por ter derrubado o dente da irmã sem querer."
Xixi ouviu aquilo, meio confusa, olhando para o pai com um ar sonhador.
Yang Yi realmente se sentiu cansado. Para evitar que a irmã guardasse algum ressentimento contra o irmão, ele ainda tinha que inventar umas mentirinhas inocentes para consolá-la.
Felizmente, a Xixi parou de chorar, e o susto já tinha passado.
Yang Yi acalmou o Tongtong, preparou uma mamadeira de leite para ele tomar no carro, e então levou os dois irmãos para a clínica dentária onde já tinham ido antes. Embora ele próprio não se importasse com esses pequenos machucados, com as crianças era preciso ter cuidado.
Com o dente da Xixi caído, Yang Yi queria que um profissional examinasse para garantir que não havia nenhum fragmento, que não atrapalhasse o nascimento do novo dente, e também que os outros dentes da menina estivessem bem...
"Vamos, você apagou a luz do seu quarto?" Yang Yi perguntou, enquanto chamava a Xixi para entrar no carro.
Ele não percebeu que, atrás dele, o Xiao Guai, com seu corpo gordinho, estava se espremendo pelo buraco do cachorro na porta para entrar na sala, e o Baozi o seguia, esperando na fila para entrar.
...
Com um incidente desses, Yang Yi, claro, tinha que avisar a Mo Fei.
Ao saber que o dente mole da Xixi tinha caído por causa do Tongtong, embora Yang Yi dissesse que não era grave, Mo Fei, que estava ocupada ensaiando, não conseguiu ficar tranquila. Ela se arrumou rapidamente e pediu ao motorista da empresa para levá-la de volta.
A empresa não ficava longe de casa, afinal, Yang Yi tinha escolhido o local em Tingshan. Quando Mo Fei chegou à clínica dentária, a Xixi já tinha terminado o exame, e Yang Yi estava saindo pela porta de vidro, com o Tongtong no braço esquerdo e a Xixi pela mão direita.
"Como foi? A Xixi não está com nada, né?" Mo Fei perguntou apressadamente a Yang Yi, enquanto se agachava para segurar a mãozinha da Xixi, com carinho, dizendo: "Deixa a mamãe ver, onde o irmão bateu?"
"Mamãe!" O Tongtong, ao ver a mãe, soltou imediatamente as mãos do pescoço do pai e estendeu os bracinhos, pedindo colo.
Yang Yi sorriu e explicou: "Não foi uma batida, não. Eles estavam competindo e, no meio da brincadeira, se empurraram. Eu ia mandar parar, quando o irmão, sem querer, acertou a boca da irmã. Como o dente da Xixi já estava mole, acabou caindo."
Mo Fei pediu para a Xixi abrir a boca para examinar e perguntou à menina: "Está doendo?"
Xixi olhou para a mãe, balançou a cabeça e disse, em voz baixa: "Não dói mais."
Mo Fei se tranquilizou, levantou-se e pegou o Tongtong, que já estava quase se agitando.
O Tongtong, de volta ao colo da mãe que mais o amava, estava com os olhos vermelhos, quase chorando de novo. Pela carinha dele, parecia estar dizendo: "Mamãe, você não sabe o que eu passei hoje!"
"Está bem, está bem!" Mo Fei trocou um olhar com Yang Yi e começou a consolar o pequeno, rindo. Como ela não sabia o que se passava na cabeça do Tongtong naquele momento?
Yang Yi, então, segurou a mãozinha da Xixi e, lado a lado com Mo Fei, que carregava o Tongtong, foram até o carro que ele tinha trazido. O carro da Mo Fei, com o motorista, voltou para casa.
"Na verdade, acho que isso não foi uma coisa ruim." Yang Yi disse a Mo Fei, rindo. Ele usou um tom leve para tentar animar o ambiente, senão a Xixi ainda ia ficar naquele nervosismo por causa do dente caído. "O dente caiu de repente, a Xixi nem teve tempo de reagir, então não deve ter doído tanto."
"Doeu, sim!" A Xixi achou que o pai não estava certo e, fazendo bico, rebateu: "Quando o irmão bateu, doeu muito, muito! E ainda está doendo um pouquinho!"
"Mas isso é melhor do que ficar com ele pendurado aí, tendo que arrancar você mesma depois, não é?" Yang Yi riu. "Se você fosse arrancar devagar, aí sim doeria por um tempão. Como se diz, 'antes uma dor rápida do que uma longa'. É isso agora: uma dorzinha rápida e pronto, que alívio!"
"É verdade! Arrancar o próprio dente dói mais e é um tormento. Você já estava há dias sem comer direito. Hoje à noite, vai poder comer bem, sem se preocupar em machucar o dente!" Mo Fei também riu, concordando. "Acho que o papai tem razão. Você deu sorte no azar!"
Xixi inclinou a cabecinha, pensando com cuidado, e pareceu entender. A menina finalmente percebeu que não precisava mais se preocupar com aquele dentinho da frente que a incomodava!
"Eba! Tá bom!" Quando entrou no carro, Xixi finalmente deu um sorriso doce e disse ao pai: "Então, papai, hoje eu quero comer uma coisa gostosa. O que você vai fazer para mim?"
"Sem problemas, vamos agora mesmo comer um banquete. Não dá tempo de voltar para casa e cozinhar. Vamos comer... aqueles bolinhos de sopa que você não come há muito tempo, ok? Com aquele caldo gostoso e o recheio delicioso!" Yang Yi sugeriu.
"Ah, essa é boa! Nas últimas vezes que fui a Shanghai, não comi os bolinhos de sopa!" Mo Fei também bateu palmas, rindo.
"Que bom! Que bom! Quero comer bolinhos de sopa!" Xixi concordou, radiante, sorrindo para os pais.
De bom humor, Xixi parecia ainda não ter percebido que havia algo um pouco estranho nela naquele momento...