Capítulo 124: Capítulo 124 Entregar a Vida

— Liu Tiezu, me dá uma resposta. O que você disse agora vale ou não? Vendo que Liu Tiezu não respondia, Zhang Minghai gritou de novo, enquanto fazia um sinal com os olhos para Ma Guoying, que estava atrás dele. — Vale. Agora larga o que tem na mão e sai, que eu deixo vocês irem embora na hora. Liu Tiezu respondeu, ao mesmo tempo que piscava para Er Gouzi, mandando ele se preparar. — Já estamos saindo. Zhang Minghai respondeu, jogando fora o que tinha na mão primeiro e saindo da escuridão. Atrás dele vinham mais quatro, que também largaram o que seguravam. Só Ma Guoying ficou atrás de uma árvore gigante, com o rifle apontado na direção de Zhang Minghai. O plano de Zhang Minghai era simples: usar a si mesmo como isca para atrair Liu Tiezu e, então, atirar na hora. Claro, ele também estava preparado, com uma pistola na mão, pronto para matar Liu Tiezu a qualquer momento. Na escuridão da noite, a pistola na palma da mão, se não olhasse com muito cuidado, ninguém percebia. Se Liu Tiezu descuidasse, a situação viraria na hora. Liu Tiezu contou com cuidado o número de pessoas do lado de Zhang Minghai. Viu que faltava um, e deu uma risada fria. — Esse filho da puta tá mesmo querendo me enganar, deixou um pra trás pra fazer uma emboscada. — Dog, vamos ter que mudar o plano. — Agora vou chamar a atenção deles. Você dá a volta e vai pra trás deles. — Quando achar o cara lá atrás, mata ele na hora. Er Gouzi fez um sinal de OK, pegou a besta e se mandou quieto. Depois de esperar um minuto, vendo que Liu Tiezu não respondia, Zhang Minghai ficou impaciente e gritou de novo: — Liu Tiezu, a gente já saiu. — Qual é a sua? Não vai cumprir a palavra? — Porra, vocês tão com armas na mão, acha que eu não vi? — Quer me enganar pra eu sair, seu filho da puta, pra me pegar? — respondeu Liu Tiezu. Ao ouvir isso, a cara de Zhang Minghai mudou, mas logo ele se acalmou. A pistola estava escondida na manga, com a noite tão escura, Liu Tiezu não podia ter visto. Então, aquilo só podia ser um blefe. Depois de pensar bem, Zhang Minghai respondeu na hora: — A gente já jogou tudo fora. Se não acredita, pode vir ver. Liu Tiezu disse: — Cê me acha com cara de criança? — Agora, levanta tudo as mãos pra eu ver. Zhang Minghai ficou puto da vida, mas deu um sinal pros outros atrás e todos levantaram as mãos. — Agora a gente levantou as mãos. Já pode deixar a gente ir? — gritou Zhang Minghai. Mas dessa vez, Liu Tiezu não respondeu nada. Depois de esperar dois minutos e Liu Tiezu ainda sem resposta, Zhang Minghai se irritou. — Liu Tiezu, qual é a sua? Fala uma coisa. Tá me enrolando? Liu Tiezu ficou agachado, sem ligar pra Zhang Minghai, observando com cuidado os movimentos dele. Olhando bem, percebeu que a mão direita levantada de Zhang Minghai estava estranha, claramente escondendo alguma coisa na palma. — Porra, ainda acha que eu sou otário. Liu Tiezu deu uma risada fria, apontou a besta para a cabeça de Zhang Minghai, mas não apertou o gatilho. Ele estava esperando o sinal de Er Gouzi. Ao mesmo tempo, Er Gouzi chegou a cinco metros atrás de Ma Guoying. Nessa hora, a mão dele estava toda suada de nervoso, e ele se abaixou devagar. Nesse momento crítico, um descuido e era morte na certa, o que fez o coração dele disparar e a adrenalina subir ao máximo. Depois de se esconder, ele mirou rápido na nuca de Ma Guoying e apertou o gatilho sem hesitar. Com um zunido, a flecha de bambu disparou. Ma Guoying, que estava focado no que via na frente, sentiu um arrepio no couro cabeludo. Percebendo o perigo na hora, ele se jogou para o lado. A reação dele foi super rápida. Mas, diante da velocidade da flecha, ainda era muito lenta. Quase no instante em que ele se levantou, a flecha cravou na barriga dele. Embora tenha escapado do golpe fatal, a dor forte o fez cair e gritar. Er Gouzi não ia perder essa chance. Com vários zunidos, ele esvaziou as flechas da besta, atravessando Ma Guoying de lado a lado. Ouvindo o barulho, Zhang Minghai percebeu que o plano tinha sido descoberto. Sem hesitar, ele puxou a pistola e atirou na direção de onde Liu Tiezu tinha falado. Zunidos, zunidos, zunidos... Ao mesmo tempo, do lado esquerdo de Zhang Minghai, várias flechas de bambu voaram. Zhang Minghai arregalou os olhos, sem tempo de gritar, o rosto todo foi perfurado pelas flechas, e o sangue jorrou. Os outros quatro ficaram apavorados, esqueceram das armadilhas no chão e saíram correndo. Não tinham ido longe quando começaram a gritar, segurando os pés furados por pregos, se contorcendo. Liu Tiezu saiu, pegou a pistola de Zhang Minghai e ainda encontrou vinte balas. Depois, continuou revistando o que os outros tinham. Minutos depois, Liu Tiezu e os dois limparam tudo que os caras carregavam. — Porra, esses filhos da puta não são gente comum, não. Er Gouzi riu, olhando para o ouro na mão, os olhos quase virando uma fenda. Desses dezesseis, encontraram mais de quinhentas moedas e dezenas de gramas de ouro. Uma fortuna dessas, um soldado comum do Exército de Zhang não teria. Na frente, os gritos de porco sendo abatido continuavam. Os quatro não conseguiam andar, só rastejando devagar. Não tinham ido longe quando Liu Tiezu e Er Gouzi os alcançaram. — Não me mata, eu te dou tudo. Os quatro se curvaram, batendo a cabeça sem parar para Liu Tiezu e os outros. — Foi Zhang Jingyang que mandou vocês me matar? — perguntou Liu Tiezu. O grandalhão na frente concordou na hora: — Sim, foi ordem do Zhang Jingyang. — Quem guiou vocês até aqui? — continuou Liu Tiezu. — Ninguém nos guiou. Ninguém guiou? Er Gouzi franziu a testa, apontou a besta para a perna direita do grandalhão e atirou uma flecha. — Porra, não vai falar a verdade, é? — Eu tenho meus jeitos de fazer você falar. Enquanto falava, Er Gouzi apontou a besta para a perna esquerda do grandalhão. O grandalhão segurava a perna direita com uma mão, e com a outra balançava sem parar para Er Gouzi. — Ai... pa... pa... patrão... espera... — Tô falando a verdade. — Chegar aqui foi sorte de principiante. — Cê acha que eu sou idiota? Er Gouzi não acreditou, e atirou outra flecha na perna esquerda do grandalhão. Ai... O grandalhão se curvou todo, a boca bem aberta, soltando arfadas, o suor frio escorrendo da testa. Levou uns dois minutos até ele se recuperar e implorar: — Patrão, me mata de uma vez. — Eu te imploro, me dá um fim rápido. — Quer um fim rápido? Então conta tudo direitinho. — disse Liu Tiezu. O grandalhão não ousou esconder nada, contou de uma vez como entraram na montanha e como caíram nas armadilhas por acaso. — Dog, dá um fim neles. Depois de ouvir o grandalhão, Liu Tiezu deu a ordem sem hesitar. Depois de matar os quatro, Liu Tiezu e Er Gouzi continuaram andando. Na frente, três estavam deitados no chão, com a cara pálida, parecendo mortos. Quando viram que era Liu Tiezu chegando, os três sorriram amargamente, sabendo que não escapariam. Liu Tiezu não torturou mais os três, uma flecha para cada, mandando eles direto pro outro mundo. — Irmão Zhu, e agora, o que a gente faz? — perguntou Er Gouzi. Liu Tiezu olhou na direção da Vila Liujia e disse friamente: — Pagar na mesma moeda. — O Liu Yusheng não quer a nossa vida? — Então a gente vai levar a vida até ele, pra ver se ele tem coragem de pegar.