A partir daquele dia, os dias foram passando, e a situação no dojô mudou completamente graças à ajuda do Rotom.
Vejam o Zhou Zhiwen: antes, ele estava tão atolado com as várias tarefas do dojô que não conseguia se desvencilhar, girando como um pião, tonto e perdido. Agora, com o Rotom dando uma mãozinha, ficou muito mais leve.
Primeiro, nas questões do dia a dia: toda manhã bem cedo, o Rotom "zás" saía do celular, flutuava pelo dojô, com os olhos bem arregalados, olhando daqui, olhando dali, examinando cada cantinho. Se encontrasse algo fora do lugar, soltava uns "guinchinhos" para lembrar os aprendizes de arrumar tudo direitinho; se visse algum equipamento de treino prestes a quebrar, voava na hora até o Zhou Zhiwen, esticava as patinhas gesticulando, avisando que precisava consertar logo para não atrapalhar o treino de todos.
Depois, na gestão dos aprendizes, o Rotom ajudou ainda mais. Quando algum aprendiz preguiçava no treino, ele se aproximava sorrateiramente, aparecia de repente, assustando os aprendizes que davam um pulo, espantando todo o sono na hora, e eles só podiam pegar os equipamentos de treino e continuar praticando com afinco. Se houvesse briga ou discussão entre aprendizes, o Rotom agia como um pacificador, flutuando no meio, soltando uns "bip-bip" enquanto falava algo, ora apontando para um, ora para outro, e em pouco tempo convencia ambos, que apertavam as mãos e faziam as pazes.
O Wen Qi, no meio tempo, ainda arranjou um tempinho para ensinar ao Rotom alguns conhecimentos simples sobre criação de Pokémon que ele dominava. O Rotom, esperto, com a cabecinha girando rápido, em poucos dias já aprendia direitinho. Agora, quando os aprendizes tinham dificuldades na criação, o Rotom entrava em ação. Ele dava uma volta ao redor do Pokémon do aprendiz, com os olhinhos girando, observava um pouco, e então soltava uma série de instruções, desde a quantidade e o momento da alimentação até a intensidade e técnica do treino, falando tudo com tanta clareza que ajudava os aprendizes a evitar muitos desvios.
Assim, no dojô, tudo que não exigisse esforço humano direto, o Zhou Zhiwen passou para o Rotom resolver. Isso fez uma diferença enorme: a carga de trabalho do Zhou Zhiwen caiu para menos da metade, e ele ficou com as mãos muito mais leves. Antes, ele ficava exausto e ofegante; agora, até tinha tempo para relaxar e fazer nada.
Um dia, o Wen Qi veio inspecionar o dojô e logo viu o Zhou Zhiwen encostado na parede, todo tranquilo, brincando com um objeto nas mãos, enquanto os Pokémon treinavam por conta própria, sem ele nem levantar os olhos. Wen Qi observou aquilo e ficou pensando: "Esse Zhou Zhiwen, agora não tem trabalho suficiente, está tão relaxado, será que não devo dar mais tarefas a ele?" Enquanto pensava, balançava a cabeça, resignado. Se o Zhou Zhiwen soubesse o que Wen Qi estava pensando naquele momento, com certeza choraria e gritaria, pulando e xingando Wen Qi de "Zhou Piba" reencarnado.
Hoje, Wen Qi veio ao dojô porque estava preocupado com uma coisa: um mês atrás, ele tinha combinado com os aprendizes de comparar quem criava o melhor Skorupi, e os três primeiros ganhariam um prêmio. Na verdade, Wen Qi já sabia que não precisava se preocupar em escolher; bastava passar a tarefa para o Rotom, que faria tudo com justiça e todos aceitariam. Wen Qi ignorou o Zhou Zhiwen que estava lá relaxando, entrou no campo de treino com passos largos, gritou bem alto e reuniu todos os aprendizes.
Os aprendizes, ouvindo o chamado, se agruparam rapidamente, com olhares curiosos e ansiosos, imaginando o que o mestre ia fazer. Wen Qi limpou a garganta e disse em voz alta: "Hoje, vamos ver quem, depois de um mês, criou o Skorupi mais forte. Vocês já devem saber de tudo antes. Quanto à avaliação, para evitar que alguém ache que tenho favoritismo, o que seria injusto, vou deixar o julgamento com o Rotom. Os três primeiros que ele escolher serão os vencedores desta vez." Dizendo isso, virou-se para o Rotom, com um olhar cheio de confiança, e explicou detalhadamente as regras que tinha definido antes.
Os aprendizes, ao ouvir, trocaram olhares e não tiveram objeções. Todos sabiam que o Rotom, apesar de brincalhão, nunca era confuso nas coisas sérias; sempre dizia o que pensava, sem enganar ninguém. Tê-lo como juiz era o mais justo possível. O Rotom também sabia da sua responsabilidade; seus olhinhos "piscaram" e ficaram bem atentos, flutuando no ar, sério, pronto para começar o trabalho. Primeiro, ele acenou com as patinhas para os aprendizes, indicando que soltassem os Skorupi.
Os dez aprendizes agiram rápido, soltando cuidadosamente de suas Pokébolas os Skorupi que tinham criado com tanto carinho. Naquele instante, o dojô ficou animado: os Skorupi rastejavam pelo chão, uns balançando as pinças, outros mexendo as caudas, todos prontos para mostrar serviço. O Rotom entrou no "modo juiz", todo sério. Primeiro, ele deu uma volta lenta ao redor de cada Skorupi, com os olhos arregalados como sinos, examinando o nível e a força. De vez em quando, esticava as patinhas e tocava levemente os Skorupi, sentindo suas ondas de energia, enquanto murmurava "bip-bip", como se estivesse conversando consigo mesmo sobre os resultados.
Em seguida, ele se abaixava, aproximava-se dos Skorupi, examinando cuidadosamente suas condições físicas, olhando aqui e ali, sem piscar. Verificava se havia ferimentos, se o corpo era simétrico e forte, sem deixar passar nenhum detalhe. Se encontrasse um pequeno ferimento ou um Skorupi mais fraco, franzia levemente a testa e anotava rapidamente no caderno. Depois, vinha o teste de velocidade: o Rotom flutuava para o alto, segurando um cronômetro simples, e gritava para baixo: "Preparar, correr!" Ao comando, os Skorupi disparavam a correr, e o Rotom, com os olhos fixos, apertava o cronômetro, registrando com precisão os dados de velocidade de cada um.
A parte de exibição de habilidades foi ainda mais impressionante. O Rotom pedia que os aprendizes comandassem os Skorupi para mostrar suas habilidades uma a uma. Cada vez que um Skorupi atacava, ele observava com total atenção, os olhos acompanhando a trajetória da habilidade, e de vez em quando comentava: "Esse golpe tem boa potência, mas se o ângulo fosse mais preciso, seria melhor." Enquanto falava, registrava detalhadamente no seu painel a potência, o efeito e a proficiência da habilidade.
Wen Qi ficou parado ao lado, observando tudo em silêncio, surpreso por dentro. Ele só queria que o Rotom fizesse uma avaliação simples, mas não esperava que o pequeno fosse tão esperto, criando um método tão completo. Ele dividiu a competição em cinco grandes categorias, cada uma com nota máxima de dez, avaliando uma por uma com cuidado. Depois de cinco rodadas, quem estava na frente e quem estava atrás ficava claro, e os três primeiros se destacavam naturalmente. Wen Qi não pôde deixar de balançar a cabeça em aprovação, muito satisfeito com o desempenho do Rotom.