Como espectador, Rong Bai manteve o olhar fixo em Cheng Yu, como se tentasse decifrar o que aquele lampejo em seus olhos significava — seria a percepção repentina da beleza de Wu Mei ou a descoberta de que ele também tinha um lado tão gentil? Ele não dizia, mas estava curioso.
Cheng Yu achou que ninguém notaria sua anormalidade, mas ao desviar o olhar discretamente, deu de cara com o olhar investigativo de Rong Bai. Ele hesitou, instintivamente levou o punho à boca e tossiu baixinho. Wu Mei, ouvindo o som, virou-se e perguntou, com expressão impassível: "O que foi?"
Cheng Yu balançou a cabeça, e então ouviu Wu Mei dizer calmamente: "Quer criar um filho?"
"— Como é que um homem como eu ia criar um filho!" Cheng Yu respondeu indignado, parecendo de mau humor, mas aos olhos de Rong Bai, aquilo mais parecia uma tentativa de esconder alguma emoção. Ele inclinou a cabeça, observando a expressão pensativa de Rong Bai, e sentiu um nó na garganta, sem saber se engolia ou cuspia — aquele olhar era realmente intrigante.
"O que houve com ele?" Wu Mei, sem entender, olhou para Rong Bai, que ergueu as mãos em sinal de inocência. Franzindo o cenho e apertando os olhos, acompanhou a figura de Cheng Yu se afastando, depois desviou o olhar e, ao subir para o segundo andar, viu que You Yan já havia tateado o caminho de volta ao quarto, sem deixar vestígios.
Rong Bai tossiu disfarçadamente e acenou para Wu Mei: "Você não sente que o clima está meio estranho?"
"Hmm, você também sente isso?" Wu Mei devolveu a pergunta.
Rong Bai piscou e mudou de assunto: "Pois é, You Yan morreu, e agora Fiennes deve estar arrasado. Cada pessoa importante ao lado dele está partindo. Fico feliz."
Wu Mei respondeu com indiferença: "Não era isso que você sempre quis ver? Então, por que o clima está estranho? E para onde foi Cheng Yu?"
"Você está fazendo muitas perguntas ultimamente. Se quer saber, vá perguntar a ele. Acho que aquele garoto não está com a cabeça muito boa. Descobriu muitos segredos que não sabia antes, e a reação dele ficou mais lenta — normal. Arranje um tempo para consolá-lo, senão, receio que ele acabe pirando." Rong Bai falou sério, dando um tapinha no ombro dele, com um tom quase paternal.
Wu Mei estava realmente preocupado com Cheng Yu, mas, por algum motivo, quando Rong Bai falava, sempre havia um tom ambíguo e insinuante. Ele empurrou Rong Bai, lançando-lhe um olhar de desprezo: "Você também parece ter uma boa relação com Cheng Yu. Por que não vai cuidar dele?"
"Meu cuidado não tem importância; não se compara ao seu." Rong Bai deixou essa frase, deixando Wu Mei confuso, e então se afastou sob seu olhar, como se realmente fosse aquilo que dissera.
Depois de uma pausa, Rong Bai andou alguns passos, voltou e disse: "O próximo alvo, acho que não preciso dizer."
"Sua atitude me dá vontade de largar tudo." Wu Mei respondeu friamente. Será que era fácil administrar uma organização de assassinos? Ainda havia pessoas da mãe infiltradas, que não tinham sido eliminadas — um perigo latente para eles — e ainda tinha que fazer favores para esses dois.
Rong Bai ignorou as reclamações de Wu Mei e, antes de sair, ainda lembrou: "Eu me esforcei muito para resgatar sua irmã na época. Não se esqueça disso."
Wu Mei mudou de expressão, sem nem olhar para Rong Bai, virou-se e saiu da vila. Era melhor procurar Cheng Yu — ele falava muito, mas pelo menos não o irritava. Ao pensar em Cheng Yu, a imagem daquele olhar enigmático antes de sair da vila veio à mente, sem que ele entendesse o significado.
Wu Mei deu uma volta pela vila até encontrar alguém parado à beira do lago, perdido em pensamentos. Ele parou, observando a figura de costas, refletindo. Não se sabe quanto tempo depois, ele retomou o passo, aproximou-se silenciosamente e ficou lado a lado com Cheng Yu, contemplando a superfície calma do lago.
"O que você está olhando?" Wu Mei perguntou em tom grave. Na verdade, queria dizer: por que você saiu de repente? Por que não ficou lá dentro? E aquele olhar intrigante, o que significava? Mas quando todas essas perguntas chegaram à boca, ao ver Cheng Yu, ele não conseguiu perguntar, apenas fingiu que era tudo um surto.
Cheng Yu fitava o lago calmo. Através do pai, soube de muitas coisas que desconhecia antes, mas isso não o ajudava a entender completamente a mãe. O que ele podia afirmar era que ainda não sabia quem era o pai biológico. Na verdade, não — no fundo, ele tinha algumas suspeitas ruins.
Se essas suspeitas fossem confirmadas, ele não sabia como se sentiria, se conseguiria aceitar com a mesma calma de agora. Após um longo silêncio, viu Wu Mei ainda o encarando como um bom menino, sentiu um aperto no peito. Desviou o olhar bruscamente e disse, em tom grave: "Por que você veio atrás?"
"Percebi que você tem problemas." Wu Mei foi direto e objetivo. E continuou: "Você já tem uma resposta? Vai continuar investigando? Ou vai parar por aqui?"
Ao ouvir isso, Cheng Yu assentiu levemente, olhando para as nuvens ao longe, e disse: "Vou continuar investigando. Preciso descobrir quem é meu pai biológico. Talvez, ao saber quem ele é, todo esse enigma se resolva sozinho."
"Volto para Beicheng amanhã e verei minha mãe. E você, o que pretende? Ficar aqui com Rong Bai? Com a capacidade dela, mais cedo ou mais tarde vai descobrir."
"Sim, sei que o tempo é curto. Vou acelerar as coisas. Mas, quanto à mãe, vou precisar que você ganhe alguns dias para mim. Acredito que não seja difícil para você. Tenho fé em você." Cheng Yu sorriu, colocou a mão no ombro dele e, ao ver que ele olhou para sua pata, retirou-a com um sorriso sem graça.
"Que horas você parte amanhã? A chave do tesouro ainda está comigo. Sério, o que é esse tal de tesouro? Rong Bai insiste em não nos dar a última chave. Não entendo o que ele está pensando."
"Você está curioso sobre o tesouro?" Wu Mei perguntou com frieza.
"Claro que estou curioso. Pense só: falta só a última chave, aquele passo final. Quem não ficaria curioso?"
Wu Mei lançou um olhar profundo a Cheng Yu e disse, indiferente: "Eu não estou curioso."
"—" Cheng Yu não pôde deixar de reclamar mentalmente: nunca viu Wu Mei ter curiosidade por nada. Revirou os olhos, passou por ele e, ao perceber que ele não o seguia, diminuiu o passo. Wu Mei o acompanhou com expressão impassível, lançou-lhe um olhar frio e, sem dizer nada, foi na frente.
"Ei, espera aí." Cheng Yu gritou atrás, mas Wu Mei nem piscou e continuou andando.
Cheng Yu não conseguiu chamar a atenção de Wu Mei e, por fim, desistiu, seguindo-o em silêncio, fitando a nuca dele, pensativo. Não tinha jeito: desde que Rong Bai, sem querer, sussurrou aquela frase em seu ouvido, ele sentiu que sua mente tinha explodido. De vez em quando, se perguntava se não estaria desenvolvendo sentimentos indevidos por ele.
Essa percepção assustava Cheng Yu. Naquela noite, ele insistiu em arrastar Rong Bai para um bar, com a desculpa de que queria caçar. Já Wu Mei, que foi arrastado à força por Rong Bai, assim que apareceu no bar, tornou-se a estrela mais brilhante da noite. Rong Bai se escondeu na penumbra, diminuindo sua presença.
Quanto a Cheng Yu, além de caçar, bebia até ficar bêbado, fazendo Rong Bai revirar os olhos. Wu Mei, com seu rosto frio, afastou as mulheres que o assediavam e, ao ver Cheng Yu cercado por elas, franziu o cenho e disse a Rong Bai: "E agora?"
"Expulsar essas mulheres não é o seu forte?" Rong Bai respondeu com indiferença, fazendo Wu Mei sentir que tinha caído numa armadilha.
"Você..."
"Eu não consigo. Sabe, quando vejo mulheres se aproximando, tenho vontade de socá-las."
Ao ouvir isso, Wu Mei quase vomitou sangue. Sua expressão mudou bruscamente, e ele se dirigiu a Cheng Yu com frieza glacial. No meio do grupo de mulheres, agarrou Cheng Yu pelo colarinho e, vendo que ele ainda queria beber, deu-lhe um tapa firme no rosto, dizendo com rispidez: "Cheng Yu, acorda!"
Cheng Yu estava morto de bêbado; não importava o que Wu Mei dissesse, ele não ouvia, apenas segurava a garrafa sem largar. Depois de um tempo, Wu Mei, já no limite, sentiu o cheiro das mulheres ao redor — um perfume tão forte que dava ânsia de vômito, ainda mais para alguém como ele, sensível a odores. Ele estava prestes a explodir.
Quando sua expressão já não se segurava, Cheng Yu de repente se virou e o abraçou, provocando uma onda de gritos. Wu Mei empalideceu e não se conteve mais. Apertou com força as mãos de Cheng Yu em sua cintura e, ao sentir os dedos dele subindo, seu rosto ficou vermelho como fígado.
"Cheng Yu, pare!" Wu Mei sussurrou com os dentes cerrados no ouvido dele.
Cheng Yu já não ouvia nada. Só sentia que o cheiro de Wu Mei era muito melhor do que aquelas perfumarias baratas.
Rong Bai, sentado ao lado, observava friamente, com um sorriso malicioso nos lábios. Wu Mei só então percebeu que ainda havia outra pessoa ali. Olhou para Rong Bai com frieza, fazendo sinal para que ele ajudasse, mas Rong Bai balançou a cabeça, impassível, e apontou para as mulheres que ainda não tinham ido embora, indicando que não ousava se aproximar.
Wu Mei sentiu que, se continuasse assim, Cheng Yu poderia acabar se despindo. Ficou em silêncio por um momento, concentrou-se e rugiu para a multidão: "Saiam!"
"Cheng Yu! Reza para não se lembrar de nada disso amanhã." Wu Mei rangeu os dentes, colocou Cheng Yu no ombro e saiu da multidão com expressão sombria. Ao passar por Rong Bai, seu rosto ficou ainda mais carregado.
Rong Bai continuou sorrindo para Wu Mei, pagou a conta com despreocupação e os seguiu para fora do bar. Wu Mei jogou ChengYu sem cerimônia no banco de trás do carro, sem se importar com a posição — sua raiva estava acumulada e não tinha onde desabafar.
"Falando sério, não adianta me olhar assim. Cheng Yu está com problemas na cabeça, queria beber para aliviar, não tem problema. Se ele ver essa sua cara, vai querer te arrastar para beber mais um pouco." Rong Bai disse a Wu Mei com toda a seriedade.