Capítulo 817: Capítulo 817: A Dúvida de Cheng Yu

Cidade do Norte.

De repente, a relação entre Ning Xi e Li Xiumin tornou-se amigável, e eles foram fotografados pela mídia entrando e saindo juntos para jantar, o que inevitavelmente gerou especulações externas. Uns se alegravam, outros naturalmente se preocupavam. Os ventos da Cidade do Norte mudaram conforme Ning Xi alterava subitamente sua posição.

Quando Fei Ensi soube disso, agiu como se nada tivesse acontecido. Ao mesmo tempo, a mídia também o flagrou encontrando-se e jantando com outros parceiros de negócios da empresa.

Agora, ninguém mais entendia esses três, parecendo assistir a um triângulo amoroso.

Fei Ensi não gostava de socializar, mas não podia evitá-lo. Ao sair do hotel e entrar no carro, fechou os olhos para descansar, sem ânimo para se preocupar com aqueles que o seguiam. Além disso, esses paparazzi, talvez achando o mundo do entretenimento difícil, resolveram buscar notícias sobre eles.

— Acelere e livre-se deles. — Ter sempre um rabo atrás o irritava.

O motorista, ao receber a ordem, acelerou de repente. Cada nervo de Fei Ensi estava tenso; ele não sabia como estava a situação de Ning Xi e não mencionava uma palavra sobre os rumores externos, como se estivesse dizendo a todos que os aceitava.

No entanto, para Cheng Yu, tudo parecia estranho. Embora concordasse que Li Xiumin cooptasse Ning Xi, por outro lado, mandava vigiá-lo secretamente. Precisava garantir que a relação entre Ning Xi e Fei Ensi estivesse realmente tão conturbada quanto os rumores diziam.

Como Wumei tinha voltado para a França por um imprevisto, Cheng Yu se sentia muito entediado. Ele foi visitar Bai Xiang, mas, pelo semblante da mãe, nada parecia abalá-la por enquanto.

Cheng Yu vagava sem rumo. Depois de tanto tempo na Cidade do Norte, não via nada de bom nela. Não entendia por que sua mãe havia voltado de repente. Pensando em algo, ele voltou atrás e foi novamente encontrar Bai Xiang. Nunca imaginou que, ao retornar, veria aquela cena.

Bai Xiang estava sentada na cabeceira da cama, segurando uma foto amarelada, fitando-a fixamente. Cheng Yu não sabia quem estava na foto nem por que ela a encarava com tanta atenção. Quando estava prestes a sair, ouviu um leve soluço. Parou por um instante, imóvel na porta, para ver o que aconteceria.

Bai Xiang, imóvel na beira da cama, apertava nas mãos uma foto de trinta anos atrás. Os rostos na imagem já estavam meio borrados. Ela olhava para a foto com um olhar profundo e, sem perceber, uma lágrima escorreu pelo canto do olho. O tempo parecia ter parado naquele momento. Ela fez uma pausa e, de repente, disse com amargura: — Você me deve, que a família Fei pague por isso.

Cheng Yu ficou chocado. Ao perceber que a mãe olhara em sua direção, virou-se rapidamente e se escondeu atrás da porta. Nesse instante, ouviu passos leves. Prendeu a respiração e se moveu com cuidado para o lado.

Bai Xiang parou na porta por um momento, lançou um olhar penetrante para o lado e, não vendo ninguém suspeito, desviou o olhar e fechou a porta de repente.

Cheng Yu hesitou várias vezes antes de sair lentamente. Olhando para a porta firmemente fechada, seu olhar se tornou cada vez mais profundo, como se estivesse refletindo sobre a reação de Bai Xiang. Ela parecia não querer que ninguém visse aquilo.

Quanto ao motivo de a porta não estar completamente fechada, Cheng Yu ainda não sabia.

De repente, uma voz baixa e rouca soou ao lado: — Jovem mestre, o que está fazendo aí parado?

Naquele momento, a porta do quarto de Bai Xiang se abriu novamente. Ela estava completamente diferente do que Cheng Yu vira antes. Com os olhos semicerrados, fitou Cheng Yu, depois lançou um olhar para o empregado que falara, acenou para ele se retirar e disse em voz baixa a Cheng Yu: — Você não foi embora? Por que resolveu voltar de repente?

— Ah, esqueci de pegar uma coisa.

— Hum, há quanto tempo você voltou?

— Acabei de chegar.

— Não viu nada?

O coração de Cheng Yu deu um pulo. A pergunta da mãe era muito direta. Ele hesitou por um instante, recuperou-se rapidamente e disse com um sorriso: — Não entendo o que a senhora quer dizer.

— Não entende? — Bai Xiang franziu levemente a testa. Ela tinha visto claramente uma sombra passar pela porta. Não seria Cheng Yu? Bai Xiang olhou para ele com um sorriso enigmático e continuou: — Hum, já que você voltou, fique para o jantar antes de ir.

Bai Xiang estava com o pai de Cheng Yu há mais de trinta anos. Desde que Cheng Yu se lembrava, raramente via o pai e a mãe juntos. Na maior parte do tempo, ele ficava com o pai. A mãe gostava de agir sozinha, preferia fazer as refeições sozinha e raramente se juntava a eles. Por isso, Cheng Yu não era próximo de Bai Xiang.

Simplesmente não conseguia se aproximar. Além disso, quando era criança e inocente, sempre tentava se achegar a Bai Xiang, mas só recebia xingamentos e repulsa. Com o tempo, ele também desistiu de se aproximar.

Bai Xiang convidá-lo para jantar era algo raro. Cheng Yu queria recusar, mas não conseguia dizer não. Desde que Bai Xiang voltara para a China, ele a via menos vezes do que quando estavam na França.

Somando-se ao ocorrido da tarde, ele sentiu um impulso de querer entender a mãe.

Cheng Yu obedecia a Bai Xiang. Quando ela pediu que ficasse para o jantar, ele realmente ficou. Durante a refeição, Bai Xiang sentou-se à sua frente, mas não disse uma palavra, apenas comeu em silêncio.

Felizmente, Cheng Yu já estava acostumado. Mas, lembrando-se do que acontecera à tarde, sentia uma estranha confusão no coração e queria esclarecer as coisas.

— Desde a tarde, você está distraído. Cheng Yu, no que está pensando? — Bai Xiang colocou lentamente os pauzinhos na mesa e fitou-o fixamente. Vendo-o hesitar, continuou em tom baixo: — Como está o que pedi para você fazer?

Cheng Yu franziu a testa. Justamente não sabia como responder à primeira pergunta, mas ao ouvir a segunda, largou os pauzinhos imediatamente, olhou sério para Bai Xiang e disse: — Está indo muito bem.

— Hum, já comi. Quando for embora, não precisa me avisar. — A atitude de Bai Xiang com Cheng Yu sempre foi assim: fria, distante, como se estivesse diante de um inimigo, o que sempre o deixava confuso.

Cheng Yu saiu da casa de Bai Xiang e voltou para a sua. Wumei estava descendo as escadas. Cheng Yu o encarou profundamente, algo passou por sua mente. De repente, acelerou o passo, agarrou a mão de Wumei e o puxou para o escritório.

— O que você está fazendo?

— Venha comigo! Quero perguntar uma coisa.

Wumei pensou que Cheng Yu fosse perguntar sobre a França, e seu rosto imediatamente se fechou, olhando para ele com desagrado. Ao entrar no escritório, Cheng Yu fechou a porta com força, soltou a mão de Wumei e começou a andar de um lado para o outro, pensando profundamente. Depois de um longo silêncio, sob o olhar confuso de Wumei, finalmente falou: — Wumei, há quantos anos nos conhecemos?

— Vinte e oito.

— Isso conta como amor de infância? — Cheng Yu olhou seriamente nos olhos de Wumei e perguntou com gravidade.

Wumei desviou o olhar discretamente. Após alguns segundos, disse friamente: — Amor de infância não se descreve assim!

— Então, companheiros de brincadeira? — Cheng Yu crescera na França e não conhecia bem a cultura chinesa. Já era um feito ele falar chinês; entender esses significados era realmente difícil para ele.

Wumei massageou as têmporas, dolorido, e olhou para Cheng Yu com confusão: — O que você quer dizer? Fale logo. Ficar enrolando e fazendo tantos rodeios, para quê? — O pior era usar os adjetivos errados, o que o deixava ainda mais irritado.

Cheng Yu assentiu. O chinês era um tormento para ele; aqueles significados se repetiam e se confundiam. Fez uma pausa, respirou fundo, mal conseguindo manter sua imagem fria habitual, e fitou Wumei, dizendo pausadamente: — Wumei, há quantos anos você está ao lado da minha mãe?

— Trinta anos. — Wumei era dois anos mais velho que Cheng Yu, então estava com Bai Xiang desde criança.

— Quanto você sabe sobre a vida dela? — Cheng Yu perguntou novamente.

Wumei respondeu, sem entender: — Pouco.

— … Ela já mencionou algo sobre o passado dela? — Cheng Yu tinha certeza de que ouvira bem: Bai Xiang dissera que a família Fei lhe devia algo. Mas por que a família Fei lhe deveria? Além disso, juntando todos os fatos, ele percebia que tudo o que Bai Xiang fazia era contra as famílias Wen e Fei.

Parecia mais uma vingança planejada. A questão do tesouro agora soava como uma cortina de fumaça.

Porque ele já tinha três das chaves para abrir o tesouro; a última estava com Rong Bai. Se o objetivo final de Bai Xiang fosse o tesouro, eles deveriam se concentrar em enfrentar a família Rong, especialmente Rong Bai, e não agir como agora, com Bai Xiang voltando de tão longe.

Pelo menos até agora, o alvo de Bai Xiang continuava sendo a família Fei.

Cheng Yu lembrou-se de que, quando enfrentaram a família Wen, muitas coisas foram ditas por Bai Xiang. Agora, pensando bem, Bai Xiang parecia cheia de rancor contra os Wen também.

Wumei viu Cheng Yu distraído, chamou-o várias vezes sem resposta, então o empurrou e disse em tom grave: — O que você está pensando? Por que de repente quer saber do passado da mãe? Descobriu alguma coisa?

Cheng Yu confiava em Wumei de certa forma. Mesmo sem provas concretas, contou tudo o que vira e ouvira à tarde, além das dúvidas que lhe vieram à mente.

Fez uma pausa, sentindo que havia muitas coisas incompreensíveis. Esperava que Wumei desse alguma opinião, mas, para sua surpresa, Wumei apenas o encarou em silêncio e, inesperadamente, o aconselhou: — É melhor não se meter no passado da mãe.

— Por quê? Você sabe de alguma coisa? — Cheng Yu agarrou a gola de Wumei e perguntou rapidamente.

— Não sei de nada.

— Mentira!

Em termos de luta, Cheng Yu não era páreo para Wumei. Com um pouco de força, Wumei se soltou. Cheng Yu o encarou com raiva e, baixando a voz, disse friamente: — Wumei, confio em você por isso…

— Fique tranquilo, não ouvi nada. Mas ainda assim, aconselho: não tente descobrir o passado da mãe. Quando realmente souber a verdade, talvez não consiga suportar. — Wumei deixou essas palavras cheias de mistério e foi embora.

Cheng Yu não conseguia seguir o conselho de Wumei e deixar de investigar. Pelo contrário, sentia que Wumei o provocava de propósito. Até agora, não havia nada que ele não pudesse suportar.