Capítulo 798: Capítulo 798: Três Meses de Vida

Desde que Ningxi assumiu a empresa, ele aparecia no escritório no máximo duas vezes por dia. Tinha o hábito de lidar com tudo de uma vez, então, quando não estava ocupado, ficava entediado; quando estava, trabalhava mais que um boi. Reclamava disso para Zhan Meng repetidamente, mas não havia jeito, Ningbei simplesmente se recusava a se envolver.

Felizmente, essa situação só durou dois dias. No terceiro dia, Ningbei, que originalmente estava tentando reconquistar a esposa, apareceu de repente no escritório da empresa de manhã cedo. Ningxi, ao receber a ligação da secretária, correu para lá achando que era ilusão, mas, para sua surpresa, encontrou Ningbei com a cabeça enterrada em pilhas de documentos, sem sequer levantar os olhos quando ele chegou, e assim ficou da manhã até a noite.

Nos dias seguintes, Ningbei resolveu todo o planejamento da empresa para as próximas duas semanas, e só então Ningxi percebeu que algo estava errado. Naquela semana, Ningbei não dormiu mais de vinte horas no total, praticamente virando noites para resolver tudo.

Naquele dia, Ningxi finalmente decidiu ter uma conversa séria com Ningbei. Chegou cedo à empresa e sentou-se no escritório para esperá-lo. Achou que tinha chegado cedo, mas, ao pisar no escritório, viu Ningbei com os olhos vermelhos, mergulhado no trabalho. Surpreso, aproximou-se e deu um tapinha no ombro de Ningbei, que cambaleou e caiu sem forças sobre a mesa.

Ningxi, alarmado, segurou Ningbei e perguntou ansiosamente: "Caçula, o que você tem?"

Ergueu a cabeça de Ningbei e viu seu rosto pálido, lábios sem cor, olhos fechados, como o rosto de um morto, algo assustador. Sem hesitar, enquanto a secretária arrombava a porta, ele carregou Ningbei até o elevador privativo do presidente e desceu direto para a garagem.

No quarto do hospital, um grupo de pessoas se reuniu. Ningxi, com o rosto sombrio e pesado, olhou para aqueles que vinham sob o pretexto de visitar Ningbei, mas na verdade para bajular a família Ning, e sentiu repulsa. Mandou todos para fora, sem cerimônia. A princípio, não queria incomodar o avô, mas algo tão importante como Ningbei estar no hospital não poderia ser escondido dele.

O avô chegou ao hospital com o ajudante e, ao ver o caçula, sempre saudável, deitado na cama, levou um susto enorme. Seu corpo não aguentou, e ele pareceu envelhecer vários anos de repente. Sentou-se na cadeira, olhou para Ningxi e perguntou: "Terceiro, me diga, o que está acontecendo? Como o caçula, que estava bem, foi parar no hospital?"

"Eu também não sei."

A condição de Ningbei não era boa: privação severa de sono, trabalho excessivo, alimentação irregular, tudo isso danificou seu estômago e intestinos. Como não podia ser operado imediatamente, só podia receber soro, reduzir o estresse no trabalho e descansar em paz, sem poder se esforçar demais.

Ningxi não teve chance de explicar ao avô antes de vê-lo brandir a bengala em sua direção: "Seu moleque, você jogou todo o trabalho nas costas do seu irmão?"

"Vovô, não é isso. Eu vou ao escritório todos os dias no horário, mas, toda vez que chego, o caçula já resolveu tudo. Onde eu teria chance de fazer algo?" Era verdade: ele aparecia pontualmente na empresa, mas nunca imaginou que Ningbei estivesse morando lá.

O avô ficou ao lado da cama, esperando Ningbei acordar, mas ele não despertou. Ningxi, com muito custo, convenceu o avô a ir para casa. Enquanto ficava ao lado da cama, sentindo-se frustrado, resmungou em voz baixa: "Caçula, por que você tem que se machucar assim? Agora está aqui, sem poder se mexer. O que você fez naqueles dois dias em que desapareceu?"

A única resposta foi o silêncio e o som do vento. Ele suspirou, sem entender como uma simples tentativa de reconquistar a esposa poderia ter deixado Ningbei naquele estado.

A notícia de que Ningbei foi hospitalizado não foi abafada, então muitos ficaram sabendo, incluindo, claro, Feng Yuan. Ao ver a notícia, ela entrou em pânico, andando de um lado para o outro no quarto, nervosa e preocupada. Outro rapaz de olhos azuis e cabelos loiros que estava com ela esfregou os olhos, irritado.

"Senhorita, pode parar? Estou tonto", disse o rapaz, falando um chinês não muito fluente, cada palavra pronunciada com força, como se precisasse morder as sílabas para dar ênfase.

"Você não entende. Estou muito preocupada com ele."

"Eu realmente não entendo por que você o enganou." O rapaz abriu os braços, pensativo e curioso: "Será que vocês, chineses, gostam de mentiras piedosas..."

"Jayson, estou muito confusa agora. Pode calar a boca?"

"Ok, vou calar. Já que está tão preocupada, por que não vai vê-lo pessoalmente?"

"Ele não deve querer me ver agora."

Jayson franziu a testa. Seus olhos verdes brilhavam como diamantes, claros e transparentes como água do mar, como se pudessem ver através de tudo. Feng Yuan não respondeu à pergunta dele; continuou andando de um lado para o outro, angustiada, até que ele se jogou no sofá, em silêncio.

Feng Yuan não conseguia sossegar sem saber se Ningbei estava bem. No fim, não teve escolha e ligou para Zhan Meng.

Zhan Meng acabara de voltar à vila com Xu Yan e, antes mesmo de descansar, recebeu a ligação de Feng Yuan. Pensou que fosse para dar notícias de que estava bem, mas descobriu que Feng Yuan estava em Beicheng. Chocada, Zhan Meng pegou a bolsa e saiu correndo para o hotel onde Feng Yuan estava.

Ao ver Feng Yuan, Zhan Meng não deixou de notar o rapaz loiro de olhos azuis ao lado dela. Quando ele piscou para ela, ela sorriu de volta, depois puxou Feng Yuan para o lado e perguntou baixinho: "Quem é esse homem? Por que você está em Beicheng de repente? Não deveria estar nos Estados Unidos?"

"Prima, tantas perguntas, qual respondo primeiro?"

"Todas, uma por uma, sem mentiras. E você, me diga agora: qual é a sua relação com aquele rapaz? Você já encontrou Ningbei em Beicheng?"

"Prima, primeiro me diga como Ningbei está. Por que ele desmaiou de repente? Por que foi parar no hospital? Por que a família Ning não deixa ninguém de fora vê-lo? É grave?" Feng Yuan, agitada, segurou Zhan Meng e virou o jogo, disparando uma enxurrada de perguntas.

Zhan Meng franziu a testa, com olhar profundo e expressão pesada, difícil de decifrar. Com pesar e tristeza, olhou fixamente para Feng Yuan, suspirou, balançou a cabeça, suspirou de novo, com um ar de lamento, e disse: "Ningbei... o médico disse que ele só tem três meses de vida."

Três meses de vida? Para Feng Yuan, foi como um raio. Ela cambaleou e se apoiou na parede, sem acreditar no que Zhan Meng dizia, mas, vendo sua expressão, não encontrava sinais de falsidade. Feng Yuan mexeu os lábios e repetiu incrédula: "Prima, você está brincando comigo, né? Ningbei é tão saudável, por que de repente só teria três meses de vida?"

"Ah, isso começou no dia em que vocês terminaram." Zhan Meng embelezou a história, descrevendo a vida de Ningbei após a separação como miserável: ele se entorpecia com o trabalho, vivia de cabeça para baixo, comia irregularmente, se cansava demais, sobrecarregava o corpo, bebia em excesso, e tudo isso acabou causando um câncer no estômago.

"Câncer no estômago! Não acredito, prima, você está me enganando. Como Ningbei pode ter câncer no estômago?" Feng Yuan, desesperada, agarrou a mão de Zhan Meng, que, pega de surpresa, quase caiu, mas se segurou.

Zhan Meng segurou Feng Yuan pelo braço, com uma expressão de profunda tristeza, e disse, mastigando as palavras: "Yuan Yuan, eu brincaria com algo tão sério? Você viu que a família Ning não deixa ninguém perturbar Ningbei. Até agora, ele não sabe de nada, então..."

"Então o quê? Então tenho que acreditar?" Feng Yuan caiu no chão, mole, e chorou alto, as lágrimas molhando seu rosto, um gosto amargo entrando em sua boca. Como se tivesse perdido seu lugar na vida, o sentido de viver, ela ergueu a cabeça de repente, olhou fixamente para Zhan Meng e gritou: "Prima, me ajude."

"Me ajude, quero vê-lo." Feng Yuan segurou a barra da roupa de Zhan Meng, implorando desesperadamente. Queria ver Ningbei, queria que tudo não fosse verdade, que fosse apenas um pesadelo do qual acordaria.

Zhan Meng se agachou, ajudou-a a levantar e disse, com carinho: "Yuan Yuan, você é minha prima que cresceu ao meu lado. Claro que vou atender ao seu pedido. Pode ficar tranquila, vou fazer você encontrar Ningbei, mas..."

"Mas o quê?"

"Mas Ningbei ainda não sabe da própria condição. Então, quando você o vir, não toque no assunto." Zhan Meng falou sério, e Feng Yuan só balançava a cabeça em concordância. Contanto que pudesse ver Ningbei, faria qualquer coisa.

Assim, sob o arranjo de Zhan Meng, naquela noite, Feng Yuan foi ao hospital como desejava. Ficou no quarto, enquanto Zhan Meng agarrou Ningxi pelo braço e o puxou para fora: "Ningxi, se ousar ficar e atrapalhar, cuidado que eu te bato."

"Tá bom, tá bom, já estou indo com você." Ningxi abraçou Zhan Meng pelo ombro. Feng Yuan não era estranha para eles, e, além disso, talvez Ningbei, ao acordar, preferisse ver Feng Yuan a ver o próprio irmão.

No quarto, silêncio absoluto. Feng Yuan sentou-se quieta na cadeira ao lado da cama, segurando a mão de Ningbei. Em apenas uma semana, ele tinha emagrecido tanto. Ela acariciou suavemente o rosto de Ningbei, traçando suas sobrancelhas e olhos, e as lágrimas caíram, pingando em suas costas. As pestanas de Ningbei tremeram levemente, como se ele estivesse prestes a acordar.

"Desculpa", Feng Yuan disse de repente. O quarto parecia ecoar suas palavras, e o homem na cama mexeu as pálpebras, quase imperceptivelmente.

"Ningbei, desculpa, foi tudo culpa minha. Se não fosse por mim, você... não teria ficado assim." Feng Yuan soluçava baixinho, tentando controlar suas emoções. Ela levou a mão de Ningbei ao rosto, sentindo suas lágrimas quentes e seus repetidos pedidos de desculpas.