Xu Yan e Ning Nan seguiram Wu Mei por um bom trecho. Estavam no centro da cidade, cheio de gente, movimentado e agitado. Para não perdê-lo de vista, Xu Yan nem ousava piscar os olhos, com medo de que, num piscar de olhos, Wu Mei desaparecesse de sua vista.
— Ning Nan! — gritou Xu Yan de repente, atraindo olhares curiosos das pessoas ao redor. Imediatamente, ela abaixou a cabeça, envergonhada, e olhou para Ning Nan, falando baixinho: — Como é que não vi mais o Wu Mei?
Ning Nan franziu a testa, sério. Ele também não tinha visto Wu Mei, como se ele tivesse sumido de repente. Ele reprimiu a dúvida no coração; a última coisa que podiam fazer agora era perder a calma. Se o perderam de vista, ainda era melhor do que alertar o inimigo.
— No que você está pensando? Eu te perguntei se viu o Wu Mei! — Xu Yan cutucou Ning Nan novamente, perguntando.
— Não, tem gente demais aqui. É bem possível que Wu Mei tenha nos notado e se escondido. — Assim que Ning Nan terminou de falar, uma voz clara e grave soou atrás deles: — Com licença, estão me procurando?
Xu Yan e Ning Nan se viraram ao mesmo tempo. A pessoa que estavam procurando estava bem na frente deles, andando descaradamente, sem nenhum sinal de querer se esconder.
Ning Nan deu um passo à frente, colocando-se na frente de Xu Yan, e semicerrrou os olhos, exalando uma aura afiada. Wu Mei olhou para Ning Nan com indiferença e disse friamente: — Só você, acha que pode me parar?
— Aqui tem muita gente e falação. Imagino que você também não queira causar um alvoroço. — Ning Yan reprimiu a raiva, repetindo para si mesmo que um cavalheiro usa as palavras, não as mãos, e se recusava a admitir que, com sua habilidade, não duraria dois golpes diante de Wu Mei.
Wu Mei o encarou sem expressão: — O que isso tem a ver comigo?
— ... — Fim de papo. Ning Nan ficou furioso.
Xu Yan puxou levemente a barra da roupa de Ning Nan por trás, respirou fundo, deu um passo à frente, ergueu a cabeça e encarou o olhar impassível de Wu Mei, perguntando calmamente: — Para onde você levou You Ran?
— Quer saber? — Wu Mei devolveu a pergunta, sem se alterar. Ao perceber a hesitação que passou pelos olhos de Xu Yan, ele soltou uma risada fria e ordenou, com voz gélida: — Levem os dois.
Xu Yan não esperava que aquelas pessoas surgissem do meio da multidão e a dominassem sem dificuldade. Ning Nan lutou um pouco, mas acabou sendo capturado. Xu Yan, tomada pela raiva, queria xingar, mas naquele momento, um grupo de pessoas vestindo uniformes se aproximou. Embora Xu Yan não soubesse falar francês, ainda podia pensar em um jeito de chamar a atenção.
Ning Nan também os viu, mas sua reação foi totalmente oposta à de Xu Yan; ele nem ligou para aqueles que pareciam policiais. Até que Xu Yan, com muito esforço, conseguiu chamar a atenção deles, mas não sabia o que Wu Mei disse; em poucas palavras, o grupo foi embora.
— Canalha! — xingou Xu Yan. Wu Mei nem se abalou.
Depois de se debater um pouco, Xu Yan estava cansada. Ela abaixou a cabeça e olhou de soslaio para Ning Nan, que estava quieto desde que foram pegos, como se perguntasse com os olhos: e agora?
Ning Nan franziu os lábios, fez uma expressão de impotência e depois formou uma palavra com a boca: esperar.
Eles foram levados por Wu Mei. Com certeza, Lu Zhengting e Xu Su logo receberiam a notícia. O que podiam fazer agora era se proteger, garantir que não se machucassem até eles chegarem.
Não havia mais jeito. Não sabiam se isso era um tiro no pé. Vieram para a França para ajudar Fiennes, mas, em vez de ajudar, acabaram se tornando um peso, como ela mesma havia dito.
Xu Yan suspirou internamente, deixando a mente vagar. Era sua primeira vez na França, não conhecia nada nem ninguém, e não fazia ideia de por onde Wu Mei os estava levando, nem aonde iriam parar.
O caminho à frente era invisível, e um toque de tristeza tomou conta do coração de Xu Yan. Naquele momento, Wu Mei, que ia na frente, parou de repente, imóvel.
Xu Yan e Ning Nan sentiram que algo estava errado e ergueram a cabeça juntos para olhar para Wu Mei. Foi então que viram a mulher parada à frente dele, com um lampejo de surpresa nos olhos.
— Eu não mandei levá-la de volta? — A voz cruel de Wu Mei fez seus acompanhantes estremecerem. Ele encarou You Ran, que tinha voltado, e continuou: — Quem te deixou voltar?
You Ran mexeu os lábios. Seus ferimentos ainda não estavam completamente curados, e aquela agitação do dia já a deixava exausta. Seu rosto começava a empalidecer. Ela se apoiou em alguém ao lado e disse baixinho: — Wu Mei, você me mandou embora de propósito. Já tinha notado que eles estavam nos seguindo?
Wu Mei não respondeu à pergunta, nem deu explicações. Ele desviou o olhar e ordenou às pessoas atrás dela: — Levem-na de volta. Sem minha ordem, ela não sai do quarto.
— Não. — You Ran de repente elevou a voz, interrompendo Wu Mei. Ela empurrou quem a segurava, com uma mão no peito e a outra no ombro, onde o ferimento tinha se aberto pela agitação, e disse: — Wu Mei, você vai levá-los para ver Madame Xiangbai?
— Wu Mei, não pode. Você não pode levá-los para ver Madame Xiangbai. — You Ran continuou, mesmo vendo Wu Mei impassível.
— Wu Mei, por favor, eu te imploro, deixa eles irem.
Foi essa frase de You Ran que fez Wu Mei parar, incrédulo. Ele não acreditava no que ouvia. You Ran estava implorando por Fiennes e pelas pessoas ao redor dele, repetidamente. Vendo que You Ran estava perdendo as forças, o corpo balançando, prestes a desmaiar, Wu Mei, rápido, deu um passo à frente e a segurou com as duas mãos.
— Deixá-los ir vai fazer com que Madame Xiangbai não te perdoe de jeito nenhum.
Em outras palavras, Madame Xiangbai colocou You Ran ao lado de Fiennes para obter informações sobre o tesouro, mas ela nunca revelou nada sobre ele. Além disso, desenvolveu outros sentimentos por Fiennes. Pelo temperamento de Madame Xiangbai, a punição para quem não cumpre a missão não é apenas tortura.
Wu Mei sabia que era impossível fazer You Ran contar sobre o tesouro. Então, só restava compensar com outras coisas. A primeira ideia que lhe veio à mente foi usar Xu Yan para atacar Lu Zhengting.
Naquele momento, os reféns estavam bem na frente dele, mas You Ran queria que ele os soltasse. Depois disso, seria muito mais difícil capturar Xu Yan novamente para enfrentar Lu Zhengting. E aquela era uma boa oportunidade, dois por um: com Xu Yan como moeda de troca, ainda levava Ning Nan, o segundo filho da família Ning e o amor do filho mais velho da família Xu.
Se Ning Nan soubesse que era apenas um brinde aos olhos de Wu Mei, provavelmente vomitaria sangue. Onde quer que fosse, era o centro das atenções, uma estrela, e agora...
— Wu Mei, deixa eles irem. Se você os entregar a Madame Xiangbai, eu me mato na sua frente. — You Ran encarou Wu Mei com determinação. Não sabia se aquela atitude garantiria a segurança dos dois, mas não tinha escolha. A flecha já estava no ar, não podia voltar atrás.
Ela não tinha esquecido as palavras que Wu Mei deixou escapar quando ela estava inconsciente. Se ela fosse realmente sua irmã, ele não a deixaria morrer diante dele. Sem dúvida, ela estava apostando a própria vida, e o resultado dependia de um pensamento de Wu Mei.
Wu Mei não sabia o que sentir. Ele queria dar a You Ran uma chance de viver, mas ela não se importava. No entanto, aquela pessoa era sua irmã. Se ele fosse cruel a ponto de ignorar a vida dela, por que teria se dado ao trabalho hoje?
— Você vai aceitar ou não? — You Ran falou enquanto se virava, tirou um punhal afiado do bolso de alguém ao lado, apontou para si mesma e perguntou novamente a Wu Mei.
Wu Mei ficou chocado e gritou: — Largue a faca primeiro.
— Solte eles, e eu largo a faca. Se Madame Xiangbai me punir, eu assumo sozinha.
You Ran nunca entendeu direito o que Fiennes sentia por Xu Yan, mas parecia que o sentimento entre eles não era amor. Tudo o que Fiennes valorizava, ela queria proteger ao máximo, mesmo que isso significasse trair Madame Xiangbai. Ela aceitava.
Wu Mei a encarou com uma raiva imensa. O punhal já tinha perfurado o ombro dela. Ele sabia que ali havia um ferimento e via claramente o rosto cada vez mais pálido de You Ran. Ele fechou os olhos lentamente e acenou para quem segurava Xu Yan e Ning Nan, ordenando com voz áspera: — Soltem eles.
— Senhor Wu Mei.
— Soltem eles. — Wu Mei ordenou novamente.
Xu Yan, livre, correu para o lado de Ning Nan. Ela observou Wu Mei, que reprimia a raiva, e You Ran, pálida e suportando a dor, incrédula. Queria perguntar o porquê, mas ouviu You Ran dizer, com voz fraca: — Vão logo.
— Mas você...
— Estou bem. — You Ran sorriu levemente e, de repente, desmaiou.
Wu Mei ia ordenar que os pegassem de novo, mas a mão de You Ran apertou seu pulso com força, os dedos cravando na pele, e ela mexeu os lábios, como se dissesse: "Deixa eles irem."
Wu Mei a segurou no colo, sem levantar a cabeça, e disse com raiva: — Sumam.
Xu Yan quis falar, mas Ning Nan a puxou rápido e se virou para ir embora. Ela tentou se soltar, mas Ning Nan apertou ainda mais. Quando chegaram a um lugar seguro, Ning Nan soltou Xu Yan de repente e disse, irritado: — Ficar aqui não adianta nada. É melhor ir embora para não desperdiçar o gesto dela.
Havia um tanque de água por perto. Xu Yan sentou-se na borda, desanimada, olhando para o chão, e murmurou: — Você acha que Madame Xiangbai vai fazer o quê com ela, depois que nos soltou?
— Não sei. — Ning Nan imitou Xu Yan e sentou ao lado dela, dizendo com indiferença: — Dizem que Madame Xiangbai é linda, mas cruel. Não aceita traição. Quem a trai acaba morrendo de forma horrível.
— Então, pelo que você está dizendo, ela vai morrer? — Xu Yan se levantou de repente. You Ran tinha acabado de salvá-los; ela não podia deixá-la voltar para a morte.
Vendo Xu Yan voltar, Ning Nan a segurou rápido e perguntou: — O que você vai fazer?