Capítulo 745: Capítulo 745: Um Sonho de Primavera

Na suíte luxuosa do hotel, o corpo nu de Fiennes estava deitado na cama, coberto por um lençol fino que mal escondia sua nudez, como uma cortina que revela mais do que esconde. O ar dentro da suíte parecia anormalmente quente.

Ele estava ardendo em febre, puxando o lençol repetidamente, que escorregava suavemente para o chão. Ao seu lado, dormia uma mulher de beleza deslumbrante, sua pele branca brilhando sob a luz, tão macia que parecia prestes a se romper, mãos delicadas como brotos, pele lisa como banha, pernas fechadas, longas e retas.

Cabelos negros e longos espalhavam-se soltos sobre o travesseiro branco, o peito revelando uma visão infinita de encantos. Fiennes respirou fundo, incapaz de suportar a corrente elétrica que percorria seu corpo.

Suas veias na testa saltavam, visivelmente sofrendo. Ele tentou se recompor, mas a mulher que antes dormia começou a se agitar. Ela abriu os olhos e, sem hesitar, aproximou-se dele...

— Saia! — rosnou Fiennes, com a voz grave.

Sua visão ficava cada vez mais turva, sua consciência se desprendendo do corpo. Ele estava prestes a perder o controle de seus atos.

Era You Ran? Por que essa mulher era idêntica a You Ran?

Fiennes estendeu a mão involuntariamente para tocar o rosto da mulher, quando ouviu um gemido de dor. Seu corpo tremeu, e a mão pendente na borda da cama se fechou instintivamente em punho.

— Fiennes... — a voz suave, como uma sentença de morte, ecoava repetidamente em seus ouvidos. Seu coração se agitava, e seus movimentos se tornavam cada vez mais incontroláveis.

Estava tão quente; só se aproximando dele ela poderia aliviar seu sofrimento. You Ran se movia em direção a Fiennes, atormentada pela dor, desejando acabar com aquela punição mais cruel que a tortura.

— Ah, Wu Mei, para onde vai? Não vai ficar para ouvir? — Cheng Yu sorriu, observando as costas de Wu Mei se levantando. Ele não perdera o brilho sombrio em seus olhos. Que homem cruel, descartar uma boa mulher assim.

Mas, por isso mesmo, ele e Wu Mei eram bons amigos.

— Tenho algo para resolver.

Cheng Yu sorriu, sem intenção de forçar Wu Mei a ficar para ouvir. A mulher que se entregava a outro homem na suíte ao lado era, afinal, de Wu Mei. Não pense que ele não sabia o motivo por trás da série de atitudes estranhas de Wu Mei.

— Patrão. — O segurança olhou para Wu Mei com expressão neutra, depois chamou Cheng Yu.

Cheng Yu acenou com a mão e disse, rindo: — Não se preocupem. Se Wu Mei quer ir, vocês não conseguiriam detê-lo. — E, com seu humor atual, vocês seriam ainda menos páreo.

Claro, Cheng Yu não disse isso. Continuou a saborear o vinho, enquanto os sons vindos do quarto ao lado eram impressionantes. Ele sentiu pena de Wu Mei por perder algo tão interessante.

— Faltam algumas horas para o amanhecer, não? — Cheng Yu largou o copo, a voz um pouco rouca. Sem perceber, passara a noite ali. Ouvir paredes não era tão divertido quanto imaginava.

Bem, estava com sono agora. — Fiquem aqui de guarda. Vou indo.

— Patrão, se o senhor Wu Mei voltar...

— Ah, deixem ele fazer o que quiser. — Cheng Yu bocejou, realmente exausto.

O amanhecer rompeu o céu escuro, cortando a noite. O vento frio da manhã fazia as pessoas trocarem para roupas de início de inverno, envolvendo-se bem. As ruas ainda estavam vazias, e a cidade adormecida despertava lentamente.

Na suíte do hotel, a bagunça parecia um campo de batalha. Roupas masculinas e femininas estavam espalhadas pelo chão, e o ar ainda carregava resquícios do ato de amor, um clima de intimidade.

You Ran acordou aos poucos. Quando recuperou a consciência, sentiu o corpo como se tivesse sido atropelado. Qualquer movimento que fizesse, só sentia uma coisa: como se tivesse morrido. Puxou levemente o lençol, mas sentiu algo errado.

Havia alguém ao seu lado!

YouRan ergueu o lençol com cuidado e viu seu corpo nu, sem nada. Assustada, sentou-se e apertou o lençol contra si. O que ela tinha feito na noite anterior? Por que acordou assim?

Lembrava-se claramente de ter se separado de Fiennes na porta do cinema, e então visto o patrão e Wu Mei. Tocou o rosto, ainda dolorido. A sensação era real. Encontrá-los tinha sido verdade. E depois?

Depois, foi levada. Não sabia o que lhe deram, mas agora estava assim.

You Ran puxou o cabelo em desespero. Quem tinha passado a noite com ela?

Nesse momento, passos confusos ecoaram do lado de fora. You Ran não conseguia se acalmar. Ignorando o desconforto pós-ato, envolveu-se rapidamente no lençol, desceu da cama, pegou as roupas do chão e correu para o banheiro.

— Bum! — A porta do banheiro bateu, fazendo o homem ainda adormecido na cama franzir a testa.

Fiennes esfregou as têmporas, abrindo os olhos sonolentos lentamente. Seu olhar profundo estava cheio de confusão e dúvida sobre a noite anterior.

Olhou para baixo e viu-se nu na cama, sem nenhum lençol. Será que tinha dormido assim a noite toda, espalhado? Não. Lembrava-se de ter tido um sonho erótico.

No sonho, havia You Ran.

— Bum, bum, bum — as batidas na porta ficavam mais fortes, impossíveis de ignorar, e parecia haver muitas pessoas do lado de fora, com uma presença imponente.

You Ran trocava de roupa no banheiro quando ouviu as batidas. Sua mão tremeu, e a roupa caiu no chão molhado. Agora estava tudo perdido. Ficou paralisada, vendo a roupa encharcar, e só então reagiu, pegando-a. Estava inutilizável.

Só a calça ainda servia. Ia ter que sair com o torso nu?

De repente, uma batida suave na porta do banheiro. Ela andava em pânico. Era o homem que tinha passado a noite com ela? Devia abrir? Mas, depois de abrir, como enfrentá-lo?

O que dizer para aliviar o constrangimento? Tudo o que fizera na noite anterior era...

— Bum! — Sem esperar You Ran abrir, quem estava do lado de fora perdeu a paciência e chutou a porta do banheiro, ficando nu à entrada.

You Ran fechou os olhos, cobriu o peito com as mãos e gritou: — Saia!

Fiennes não esperava que a pessoa hesitante no banheiro fosse You Ran, muito menos que fosse a mesma com quem se separara na noite anterior. Os dois se reencontravam assim, e o constrangimento só eles entendiam.

Isto é, se You Ran soubesse que o homem à sua frente era aquele por quem ansiava.

— You Ran. — Fiennes chamou, com a voz grave.

You Ran balançou a cabeça, recusando-se a abrir os olhos. Depois de um momento, congelou. Por um segundo, sua mente ficou em branco. Abriu um olho, depois os dois, arregalados. — Fiennes.

— Por que é você? — You Ran murmurou. Os dois se entreolharam. You Ran seguiu Fiennes para fora do banheiro, vestindo a roupa que ele lhe entregou. Ele ficou sentado na cama, nu da cintura para cima. A mancha vermelha no lençol branco chamava a atenção de Fiennes, que não conseguia esquecê-la.

— Você... — Fiennes hesitou, soltando apenas uma palavra.

You Ran sorriu, fingindo despreocupação, e jogou o lençol sobre a mancha, cobrindo-a. Depois, disse rindo: — Ah, não se preocupe com isso. Não me importo.

Ao ouvir isso, Fiennes ficou parado por um instante, depois disse friamente: — Quero saber por que você está aqui.

— Ah, pensei que... — You Ran olhou para Fiennes com tristeza. Pensou que ele se importaria, mas ele não se importava. Fez uma pausa, mudou de tom e forçou um sorriso: — Não sei. Fui drogada ontem à noite.

Ela foi drogada? Fiennes pensou consigo. Essa era a fala dele. Ele também tinha sido drogada na noite anterior. Caso contrário, não teria feito algo tão tolo.

Fiennes assentiu, compreendendo. Não queria acreditar em You Ran. Por que justamente agora, quando decidira terminar o relacionamento?

— Você não acredita em mim? — You Ran baixou a cabeça, falando baixo.

Nas poucas palavras de Fiennes, ela não via confiança. Pensando bem, Fiennes nunca confiara nela. Sem falar nas pessoas à espreita, nem ela mesma sabia como explicar os eventos bizarros da noite anterior.

— Não se preocupe. Saia daqui primeiro. — You Ran parecia entender, vagamente, o propósito de toda aquela sequência. Provavelmente, era obra do patrão e de Wu Mei.

Eles faziam isso para que Fiennes não tivesse volta. Ou a odiaria, torturando-a com esse ódio, ou a manteria por perto, como um substituto descartável.

Qualquer um dos resultados sufocava You Ran.

You Ran apertou a roupa, sem pensar em mais nada. Virou-se e foi até a janela. Era o décimo primeiro andar. Olhou para baixo. Se Fiennes fosse rápido, ela poderia aguentar um pouco.

— O que está fazendo?

— Não se preocupe comigo. Se quem está lá fora souber que estamos aqui, vão espalhar tudo. Quando ela ouvir, você nunca mais vai reconquistá-la. Vá logo, não se importe comigo.

You Ran subiu rapidamente no parapeito, segurando-se com cuidado e força na borda. Um passo em falso e seria o abismo, a morte certa.

Fiennes ficou paralisado, imóvel. Depois de um momento, correu até a janela. Viu o corpo de You Ran pendurado do lado de fora, suor frio escorrendo de sua testa. — Você...

— Pare de enrolar. Vá logo. Terminamos bem. Eu sei, não vou te causar problemas.

Ele queria dizer que não precisava ser assim. Ser pego por eles não seria tão grave. Mas, antes que pudesse falar, a porta se abriu. Uma multidão de repórteres, com câmeras e microfones, avançou sobre ele.

Agora, não havia como voltar atrás. Só lhe restava lidar com a situação com calma.

Os repórteres, animados, o viram tranquilo e sereno. Olharam ao redor do quarto, sem encontrar ninguém, e começaram a duvidar da veracidade da notícia.