Capítulo 672: Capítulo 672: Ver a Luz do Sol Novamente 2

Nesse dia, Ke Lu estava livre e decidiu levar Mu Mu para fazer compras. O shopping estava cheio de gente, e Xu Chengyun as acompanhava, com a bela desculpa de ser um guarda-costas, mas, durante todo o trajeto, Ke Lu sentiu que ele parecia seguir Mu Mu o tempo todo. Quando via alguém prestes a esbarrar em Mu Mu, ele se apressava e a puxava para longe.

Eram pequenos detalhes que normalmente não precisariam ser mencionados, mas, ao ver Xu Chengyun, ainda tão jovem, já tão cuidadoso com as meninas, Ke Lu pensou que, quando crescesse, ele seria definitivamente um ímã de casos amorosos. Depois, lembrou-se do seu Lu Yihan: ele era frio, impiedoso, sem cavalheirismo com as mulheres, mas a amava.

Ke Lu caminhava sozinha na frente e, ao pensar nisso, não conseguia evitar um sorriso discreto. Acabou esbarrando em alguém, que não reagiu; mesmo quando ela se desculpou, a pessoa a ignorou, deixando-a um tanto constrangida. Xu Chengyun, vendo isso, pegou a mão de Mu Mu e se aproximou rapidamente para perguntar.

"Cunhada, o que houve?"

"Ah, nada não. Eu estava distraída pensando em algo e acabei esbarrando naquela pessoa sem perceber." Ke Lu olhou para a figura que usava um boné de aba reta e que, mesmo após ser esbarrada, não se importou e seguiu apressada. De repente, sentiu que aquela silhueta lhe era familiar, mas não conseguia lembrar onde a tinha visto.

Fazer compras deveria ser algo que todas as garotas adoram, e Mu Mu e Ke Lu não eram exceção. Ke Lu levou Mu Mu por todas as lojas de roupas, enquanto Xu Chengyun ficava encarregado de carregar as sacolas. Depois de uma tarde inteira andando, os dois finalmente começaram a sentir cansaço e decidiram encontrar um lugar para descansar.

Enquanto comiam algo sentadas, Ke Lu se inclinou para perto de Mu Mu e sussurrou: "Você sentiu que alguém nos seguiu o caminho todo?"

Mu Mu mordia o canudo, balançando a cabeça sem entender. Ela estava se divertindo tanto que não notou ninguém as seguindo, mas confiava em Ke Lu. Ao ouvir aquilo, por precaução, virou-se para Xu Chengyun e também perguntou baixinho: "Irmão Xu, você percebeu alguém nos seguindo o tempo todo?"

"Mu Mu também percebeu?" Xu Chengyun franziu a testa. Ele achava que, desde que Ke Lu esbarrou naquela pessoa, alguém parecia estar os seguindo, mas, mesmo observando com cuidado os arredores, não encontrou ninguém suspeito e pensou que fosse apenas um excesso de sensibilidade. Agora, com Mu Mu mencionando, ficou mais certo de que estavam sendo seguidos.

Ke Lu comeu um pedaço de bolo. Eles não tinham trazido seguranças hoje, primeiro porque ela e Mu Mu não gostavam de ser seguidas por eles — parecia mais uma vigilância do que proteção —, então ambas concordaram em dar folga aos seguranças e trazer apenas Xu Chengyun.

Agora, não era só Ke Lu que sentia algo estranho; Xu Chengyun também. Ke Lu de repente acenou para os dois, pedindo que se aproximassem, e, como se fosse uma ladra, sussurrou: "Não é seguro ficar aqui. Vamos cair fora." Os movimentos dos três já estavam chamando a atenção das pessoas ao redor.

Quando Ke Lu pegou a bolsa para sair, uma garçonete de uniforme profissional se aproximou e perguntou, sorrindo: "Senhorita, precisa de alguma ajuda?"

Ke Lu balançou a cabeça, murmurou algumas palavras e fez um sinal para Mu Mu e Xu Chengyun, indicando que era hora de ir.

A sensação de estarem sendo seguidos não desapareceu quando saíram do shopping. Ke Lu sentia que aquilo não era simples, então bateu no encosto do banco do motorista e disse rapidamente: "Vá para o Grupo Lu."

O carro era o mesmo que os trouxera, mas o motorista não era mais o mesmo. O homem virou-se lentamente, encarou Ke Lu e sorriu. Ao ver isso, Ke Lu instintivamente puxou Mu Mu para perto do peito, enquanto Xu Chengyun, sem hesitar, moveu-se para a frente para protegê-las.

"Quem é você?" perguntou Xu Chengyun, friamente. Quando ficava sério, lembrava um pouco Xu Su.

O motorista riu, dizendo: "Só estou fazendo um serviço por dinheiro. Alguém quer ver você." O "você" foi dito olhando para Mu Mu, que estava nos braços de Ke Lu, indicando que alguém queria vê-la.

Ke Lu sabia o quanto eles valorizavam Mu Mu e não ousava deixar que algo acontecesse com ela. Mantinha-a protegida, mas o espaço no carro era limitado, as portas estavam trancadas e o veículo ainda estava em movimento. Ke Lu tentou abaixar o vidro, mas não adiantou. Xu Chengyun, de olho no motorista, rapidamente pulou do banco de trás para o do passageiro na frente.

"Eu só estou encarregado de levá-los até lá. Então é melhor não fazerem nada agora, senão, se eu me distrair, todos vocês vão pagar comigo, entenderam?"

As palavras do motorista faziam sentido. O carro estava entrando num viaduto, com veículos passando em fluxo intenso. Ke Lu olhou para os carros que roçavam o deles e imaginou o que aconteceria se tentassem pular. Aos poucos, foi se acalmando e lembrou que ainda tinha o celular, essa invenção genial — por que não pensou em contatar Lu Yihan?!

Quando a sorte está contra, até beber água engasga. Era o caso de Ke Lu. Ela pegou o celular com cuidado e olhou: a bateria estava em apenas 1%? Quê? Ela devia ter esquecido de carregar ao sair e, enquanto comia, ficou mexendo no aparelho, resultando nisso.

Ela ainda não tinha encontrado o número de Lu Yihan e ficou rezando para que a bateria aguentasse até conseguir contatá-lo antes de desligar. No fim, o resultado mostrou que ela não devia ser uma pessoa muito sortuda, pois, no momento crucial, o celular desligou sem cerimônia.

De que adianta um celular sem bateria? Ke Lu resmungou com raiva, mas sentiu uma cócega na cintura. Mu Mu estendeu uma mãozinha segurando um celular ligado. O rosto de Ke Lu se iluminou de alegria, e ouviu Mu Mu sussurrar: "Cunhada, não se preocupe. Meu celular tem um sistema de localização. Acabei de mandar uma mensagem para o papai."

"O papai vai nos encontrar."

Ke Lu queria dar um parabéns a Mu Mu; na correria, tinha esquecido tudo isso. Por que, com outras pessoas por perto, ela ficava menos calma? Se fosse um sequestro, ela não deveria ter medo — já tinha passado por isso antes. Enquanto divagava, viu Mu Mu levantar a cabeça e piscar para ela.

Essa garota era realmente corajosa, ainda conseguia brincar numa hora dessas.

Com as palavras do motorista ainda ecoando, Xu Chengyun não ousou continuar discutindo.

"Cuidado!" Ke Lu gritou instintivamente ao ver o carro de repente desviar para o lado. Ela e Mu Mu foram jogadas para o lado, e, para evitar que Mu Mu se machucasse, Ke Lu a protegeu com o corpo.

Quando Lu Zhengting ouviu o toque do celular, já sabia que era o sinal de socorro de Mu Mu — um sistema exclusivo dela. Desde que Mu Mu foi levada por Ye Yunchen ao nascer, Lu Zhengting, para evitar que ela desaparecesse de novo, instalou um sistema de localização no celular dela assim que a encontrou.

Lu Zhengting não contou a Xu Yan para não preocupá-la. Como estava com Xu Su naquele momento, pegou o carro e seguiu as coordenadas do GPS.

"O sinal para aqui. Pelo visto, o celular não está mais com Mu Mu." Xu Su disse, sem expressão. Eles estavam numa paz tão longa que não esperavam por isso, pegando-os desprevenidos. Fez uma pausa e ligou para Ning Xi. Além do GPS, ele tinha outros métodos para encontrar Mu Mu.

Xu Su olhou para Lu Zhengting — aquele idiota também tinha instalado um micro localizador no corpo de Mu Mu. Felizmente, com isso, podiam localizar exatamente onde eles estavam.

Lu Zhengting e Xu Su pararam o carro e observaram a mansão branca, ao mesmo tempo estranha e familiar. Era a antiga casa de Yang Jinkuan. Calculando o tempo, Yang Jinkuan já devia ter saído da prisão. Na época, alguém de cima o protegeu, então ele só precisou cumprir dez anos. Também souberam que ele se comportou bem, então uma redução de pena era possível.

Xu Su olhou para Lu Zhengting, sem expressão, e perguntou: "Ele saiu?" Ele e Ning Nan tinham voltado dos EUA há poucos dias e não estava muito ligado no caso de Yang Jinkuan, por isso perguntou a Lu Zhengting.

Lu Zhengting franziu a testa e respondeu: "Não recebi notícias." Justamente por não ter recebido nenhuma informação e pelo sequestro de Mu Mu, ele achava tudo muito estranho.

Mas ficar pensando dentro do carro não adiantava nada. Era melhor descer e ver. Lu Zhengting soltou o cinto, abriu a porta. A frente da casa estava coberta de mato alto, e pisar ali era como andar sobre algodão. Ele avançou com cuidado, mas não viu carros nem ninguém por perto.

Lu Zhengting entrou devagar pelo portão. De repente, ouviu um som de "bi-bi-bi" vindo do chão. Seu olhar ficou afiado, e sua expressão, mais séria. Nesse instante, a porta da mansão se abriu, e Mu Mu colocou a cabeça para fora, gritando: "Papai, estou aqui!"

Ao ouvir, Lu Zhengting olhou sombriamente. Seus pés pisavam no chão, e aqueles sons não eram de bombas — ele já sabia quem tinha levado Mu Mu. Continuou andando sem mudar de expressão até o lugar onde Mu Mu tinha aparecido. Empurrou a porta e entrou.

"Papai." Mu Mu chamou por Lu Zhengting. O pescoço dela estava apertado, dificultando a respiração, e ela ainda gritava alto. Quem a segurava, ao vê-la assim, apertou o braço instintivamente e rosnou baixo: "Se gritar de novo, eu te estrangulo."

"Ke Yaru! Atreva-se a machucá-la e verá!"

Ao ouvir isso, ela olhou fundo para Lu Zhengting, com um brilho de fascínio nos olhos, que logo desapareceu. Sabia que Mu Mu era sua única carta na manga. Ficou em silêncio por alguns segundos, ergueu a cabeça e encarou Lu Zhengting com frieza, dizendo: "Achei que você já tivesse me esquecido."

"Solte a Mu Mu."