Kelu sentiu que o olhar de Join para Lu Yihan era assustador. Não importava qual fosse a situação entre os dois, ela puxou Lu Yihan e saiu rapidamente, ignorando os gritos altos de Join atrás deles. Só quando Join desapareceu de vista é que Kelu parou, ofegante, e encarou Lu Yihan com irritação.
— Diz aí, que boa ação você fez? — Kelu disse a Lu Yihan sem pensar.
A fala deixou Lu Yihan confuso. Ele olhou para Kelu com uma expressão impassível e perguntou: — Isso não deveria ser eu a te perguntar?
Kelu negou veementemente e ativou seu modo de bloqueio, fingindo não ouvir o que Lu Yihan ia dizer em seguida. Essa sempre foi uma de suas especialidades, seja no telefone ou cara a cara: ou ela fazia piadas, ou ficava em silêncio, bem diferente de Lu Yihan.
A única coisa em que ele era bom era o silêncio. Disso, Kelu tinha plena consciência.
Depois de um tempo, Kelu piscou os olhos com força e começou a andar devagar na frente, dizendo com frustração: — Você não percebeu nada de estranho no Join?
— O que tem de estranho?
— Na verdade, eu e o Join somos só amigos normais, porque ele nunca poderia gostar de mim.
— Por quê?
— Porque eu não sou o tipo dele. Pelo contrário, você, Lu Yihan, eu te aviso: não mexa com o Join, senão não vou poder te salvar. — Kelu falou pela metade, deixando o resto subentendido. Achava que, com a inteligência de Lu Yihan, ele entenderia. Então, encerrou o assunto tranquilamente.
Lu Yihan só podia ficar um dia em Boston; na manhã seguinte, pegaria o primeiro voo de volta para Nova York. Claro, Kelu achava que ele estava com pressa para voltar a Jiangcheng. Ela sentia pena de ele ter passado mais de dez horas de avião só para passar um dia com ela, mas também reclamava por que o tempo juntos era tão curto. Apenas um dia? Será que eles não sabiam como o tempo passa rápido?
Voltar para casa? Impossível. Kelu nunca convidava garotos para sua casa. Além de não gostar, havia o fato de que os empregados que seu pai colocara para cuidar dela eram, na verdade, olheiros. Cada movimento seu era vigiado; ao menor sinal de algo, o pai ligava na hora.
Para passar mais tempo com Lu Yihan, ela ligou para casa e mentiu, dizendo que a escola tinha dado uma tarefa de última hora e que ela só voltaria no dia seguinte. Sua habilidade de mentir sempre foi boa; pelo menos, a maioria das pessoas acreditava. Os empregados em casa eram fáceis de enganar, ainda mais porque ela tinha ficado quieta em casa ultimamente, sem sair.
No hotel onde Lu Yihan estava hospedado, ele mandou preparar um jantar à luz de velas, o que fez Kelu sentir que o lado romântico de Lu Yihan ainda precisava ser trabalhado. Fazer coisas românticas exigia técnica, e algumas coisas precisavam acertar o ponto certo no coração de uma garota.
Ainda assim, foi romântico, e Kelu ficou emocionada, afinal era a primeira vez. Depois do jantar, os dois voltaram para o quarto. Agora, sem ninguém por perto, sem o violino suave ou o perfume suave das rosas, por que Kelu ainda sentia a atmosfera tão... íntima?
Kelu sentiu o coração acelerar, como se fosse pular da garganta. Ela seguiu Lu Yihan cautelosamente para o quarto e o viu desabotoar o colarinho da camisa. Os dedos de um lado se fecharam de repente. Nossa! Será que vinha aí uma tentação de camisa branca?
Por favor, não, ela temia não conseguir controlar o impulso de se jogar nele.
Aqueles dedos longos e finos ainda estavam no colarinho, as unhas arredondadas e limpas segurando o botão, que se soltava aos poucos. Kelu engoliu em seco instintivamente e ficou olhando fixamente para os dedos de Lu Yihan, pensando: continua, continua, aquela clavícula é linda, aquela mão é linda...
Eram tentações irresistíveis. Kelu sentia que dentro dela morava uma mulher safada. Isso mostrava que ela não servia para ser espiã; como podia não desgrudar os olhos de um homem bonito? Se ainda viesse um pouco de tentação, ela certamente se renderia na hora.
Que vergonha. Como ela podia ser assim? Kelu levantou a cabeça e olhou para Lu Yihan, mas levou um susto inesperado.
Lu Yihan estava com um sorriso enigmático, os olhos ardentes fixos nela, como se a tivesse encurralado. Ele tinha visto todas as expressões dela e até imaginava o que se passava na cabeça dela.
— O que foi? Me assustou.
— O que você estava pensando? Não fiz nada, como pude te assustar?
— Quem disse que não fez nada? Quem te deu permissão para me olhar com esse olhar sedutor? Você sabe que isso me deixa maluca?
— Maluca? — Lu Yihan repetiu as palavras de propósito, com um tom suave, como uma pena roçando o coração de Kelu, deixando-a com coceira e desconforto.
— Não fica imaginando coisas. Meu tom não era esse. — Kelu recuou passo a passo, enquanto Lu Yihan se aproximava cada vez mais. Vendo-a sem saída e sem saber o que fazer, ele sentiu uma alegria imensa, e um sorriso leve surgiu em seu rosto, cheio de charme.
— Lu Yihan, lembrei, tenho uma coisa importante para te perguntar. — Kelu interrompeu a atmosfera íntima de repente, apoiando as mãos na parede atrás de si e olhando fixamente para Lu Yihan.
— O que é? Pode perguntar.
— O que você disse hoje à tarde na frente do Join era verdade? Que eu sou sua noiva?
— Você acha que é verdade ou mentira? — Lu Yihan devolveu a pergunta a Kelu. Vendo-a franzir a testa, ele não conseguiu evitar uma risada e continuou: — Você quer que seja verdade ou mentira?
— Óbvio! Claro que quero que seja verdade... — Kelu, empolgada, deixou escapar as palavras sem pensar, como se tivessem saído da boca sem passar pelo cérebro, sem chance de se conter.
Nesse momento, Lu Yihan riu baixinho, inclinou-se para a frente, levantou uma mão e a apoiou na parede, entre ele e Kelu. Aproveitando a vantagem da altura, ele só precisava abaixar um pouco a cabeça para ver todas as expressões de Kelu. Em um minuto, viu choque, surpresa, timidez, alegria e excitação no rosto dela, e achou tudo muito engraçado.
Kelu percebeu que não estava no controle da situação e ficou frustrada. Aos poucos, recuperou a compostura, ergueu os cantos da boca, levantou os braços e envolveu o pescoço de Lu Yihan, rindo como um sino claro, sussurrando perto do ouvido dele. Ela puxou a cabeça de Lu Yihan, forçando-o a se curvar e ficar mais perto.
Hum, garoto, nesse jogo de encurralar na parede, será que Kelu perderia para Lu Yihan?
De fato, assim que Kelu tomou a iniciativa, Lu Yihan virou o passivo. Ele sempre soube que Kelu era ousada, mas agora, vendo-se como um cordeirinho esperando carinho, ficou atordoado.
— Lulu... — Lu Yihan não terminou a frase, e Kelu se ergueu na ponta dos pés e o beijou.
Para ser sincera, desde que entrou, ela queria fazer isso, mas tinha se distraído com o movimento de Lu Yihan desabotoando a camisa e demorou a se recompor. Agora, recuperada, naturalmente queria retomar o controle.
Enquanto Kelu se gabava internamente, Lu Yihan também estava muito feliz. Kelu não sabia beijar direito; só passava os lábios pelos de Lu Yihan. O tempo parecia longo para Lu Yihan. De repente, ele segurou a cintura de Kelu com uma mão e a nuca com a outra, virando o jogo e abrindo suavemente os lábios dela.
— Hum... — Kelu abriu os olhos de repente, incrédula, olhando para Lu Yihan. Vendo-o de olhos fechados, com uma expressão de êxtase, ela o seguiu, fechando os olhos devagar, envolvendo a cintura dele com os braços, aproximando-se cada vez mais.
Kelu já não sabia o que estava fazendo. Só sentia que as mãos estavam muito inquietas, andando pelas costas de Lu Yihan sem parar. A cabeça dela estava cheia de imagens de Lu Yihan, até mesmo dele nu na cama depois de ser derrubado.
A temperatura do quarto subia cada vez mais. Kelu sentia o corpo todo quente, queria tirar toda a roupa e, de quebra, tirar a de Lu Yihan também!
O corpo de Kelu ficou mole como água; parecia que só se segurando em Lu Yihan conseguia manter o equilíbrio. De repente, sentiu o corpo leve, sendo carregada no colo. Seu olhar estava perdido, os olhos sedutores, uma tentação fatal para Lu Yihan.
— Lu Yihan...
— Não fala. — A voz grave e magnética de Lu Yihan soou preguiçosamente. Ela olhou para o rosto dele, completamente fascinada.
Foi deitada na cama. Quando viu Lu Yihan se levantar, ela se sentou rapidamente, agarrou a gola dele e disse, manhosa: — Onde você vai?
— Tomar banho.
— Posso... ir com você? — Esse convite era fatal para um homem jovem e cheio de vigor como Lu Yihan. Depois de dizer isso, Kelu sentiu o rosto queimar. Não ousou mais olhar para ele, só baixou a cabeça e mexeu nos próprios dedos, falando baixinho.
O corpo de Lu Yihan já tinha uma reação forte, mas ele estava se segurando, não queria ter Kelu naquelas circunstâncias. Naquele momento, ele olhou fixamente para Kelu, envergonhada, pensando em algo. De repente, sentou na beira da cama, levantou o queixo dela com uma mão e a fez olhar para ele.
— Lulu, você realmente quer?
— ... Quero. — Kelu falou sem convicção, e era a primeira vez que tomava a iniciativa de pedir algo assim a um garoto. Enquanto olhava para Lu Yihan, de repente quis dizer: isso não é algo que se entende naturalmente, que acontece quando chega a hora? Por que precisava encarar e perguntar tão claramente?
Lu Yihan curvou os cantos da boca e disse, com um tom suave: — Não pode.