Pela primeira vez na vida, Ke Lu sentiu como era a separação: o coração doía um pouco, uma enorme relutância, uma vontade imensa de que Lu Yihan a abraçasse, de fazer manha nos braços dele, e também de que ele a olhasse com um olhar profundo e dissesse: "Não vá, preciso de você."
Mas tudo isso era apenas fantasia na cabeça de Ke Lu. A chegada dos pais significava que ela não podia mais decidir por si mesma onde ficar. Depois de usar todos os métodos para fazer a mãe ceder e falar bem dela ao pai, conseguiu a chance de deixar a cidade de Jiang no dia seguinte.
Aquele era seu último dia em Jiang. Ela já havia se mudado da casa dos Lu e estava hospedada num hotel. Seu quarto não era ao lado do de Lu Yihan; quando acordasse de repente à noite, não podia mais ir escondida até o quarto dele, nem chamar seu nome quando estivesse com sede, porque, mesmo que chamasse, ele não apareceria.
Ke Lu estava deitada sem forças na cama macia, com as mãos sobrepostas, o rosto virado para baixo, enterrando a cabeça, soluçando baixinho. Talvez por não estar tranquila com ela, a mãe bateu à porta e, como Ke Lu demorou muito para abrir, foi buscar o pai, e juntos, com a ajuda do hotel, abriram a porta.
A cena que se apresentou foi Ke Lu deitada na cama, soluçando. O pai quis falar, mas a mãe o impediu com um gesto. Ela olhou fundo para o pai e disse, calmamente: "Acho melhor eu conversar direito com a nossa filha. Você, com esse gênio explosivo, vai acabar brigando com ela em poucas palavras."
O pai de Ke Lu era explosivo, e ela, teimosa. Juntos, bastava uma faísca para explodir na hora.
A mãe, de temperamento calmo, depois de convencer o pai a ir embora, agradeceu com um sorriso amável à funcionária do hotel, suspirou baixinho, virou-se e foi até Ke Lu, sentou-se suavemente na beira da cama, hesitou por um momento, estendeu a mão e a colocou na nuca de Ke Lu, acariciando levemente, e disse com ternura: "Querida."
Ke Lu nem levantou a cabeça. Passou dos soluços baixinhos para um choro alto e aberto. A mãe ficou quieta ao lado, acariciando a cabeça de Ke Lu de vez em quando, como quando ela era pequena e corria para casa chorando depois de uma injustiça. Ke Lu não sabia quanto tempo chorou; quando abriu os olhos, sentiu dificuldade para fazê-lo.
O rosto ardia um pouco com as lágrimas. Ela enxugou os vestígios de choro com a mão, levantou a cabeça devagar, virou-se e olhou para a mãe, perguntando entre soluços: "Mãe, você acha que Lu Yihan gosta de mim?"
A mãe, com a ponta dos dedos fria, limpou as lágrimas dos olhos de Ke Lu e perguntou sorrindo: "Minha filha é muito especial, claro que ele gosta de você."
"Mas eu sinto que ele não gosta nada de mim. Hoje à tarde, eu fui tão firme na minha posição, e ele ficou impassível, até me incentivou a voltar com vocês. Mãe, amar alguém não é querer estar junto a todo momento? Por que só eu quero ficar, e ele parece tão ansioso para que eu vá embora?"
Quanto mais Ke Lu pensava, mais triste e irritada ficava. Ela se irritava com a atitude de Lu Yihan naquela tarde diante dos pais, como se tudo relacionado a ela fosse irrelevante. No caminho para a empresa, ela já tinha pensado: se o pai insistisse em levá-la, ela estaria pronta para fugir com Lu Yihan.
Mas, antes mesmo de ver esse plano de fuga se concretizar, Lu Yihan já queria se livrar dela. Era realmente irônico.
"Querida, seu sentimento por Lu Yihan pode ser porque você não o tem, e por isso quer tanto possuí-lo. Desde pequena, ninguém podia recusar seus pedidos. Agora, de repente, aparece alguém que te recusa em tudo, e você acha isso empolgante, sente uma vontade de conquistá-lo. Mas quanto mais você tenta conquistá-lo, mais ele se afasta..."
"Será?"
"Mamãe não pode garantir que todo mundo seja assim, mas você é minha filha, cresceu ao meu lado, conheço seu temperamento. Desde pequena, você é assim: quanto mais não consegue algo, mais quer ter. Mas, quando finalmente consegue, não dá mais importância, até ignora."
Ke Lu estava confusa. Sentia que seus sentimentos por Lu Yihan eram amor. Às vezes, quando via Lu Yihan, só um pensamento vinha à mente: envelhecer ao lado dele. Mas não conseguia refutar o que a mãe dizia. Olhou para ela, abaixou a cabeça sem forças e disse: "Mãe, agora quero ver Lu Yihan."
"..."
"Mas o pai não vai permitir. Mãe, eu realmente quero ver Lu Yihan mais uma vez, quero esclarecer as coisas." Esclarecer os sentimentos.
A mãe pensou um pouco e disse calmamente: "Vá. Eu cuido do seu pai. Mas não desligue o celular, e volte antes das dez horas."
Ke Lu olhou o relógio: eram só sete da noite. Ainda tinha três horas, o suficiente. Levantou-se, escolheu cuidadosamente sua roupa favorita, passou maquiagem rapidamente e, sob o olhar da mãe, pegou o celular para ligar para Lu Yihan. Já estava preparada para ele não sair, mas, para sua surpresa, assim que falou, Lu Yihan concordou na hora.
Conhecia Lu Yihan há tanto tempo que, provavelmente, só dessa vez conseguiu marcar um encontro com ele sem esforço algum. Lu Yihan foi buscá-la de carro no hotel. Depois de desligar, ela ainda girou na frente da mãe com o vestido, perguntando incerta: "Mãe, esta roupa está boa?"
A mãe sorriu e acenou com a cabeça: "Linda."
Ke Lu chegou dez minutos antes na porta do hotel. Ficava olhando de vez em quando, mas não via o carro familiar. Só depois de vinte minutos viu um Porsche preto se aproximando devagar e parando na frente dela. Ela curvou os lábios num sorriso suave.
Ficou um tempo ao lado do carro esperando Lu Yihan descer para abrir a porta, mas sabia que não devia esperar muito. Talvez ele já estivesse sendo gentil ao vê-la, e ela ainda esperava carinho? Ke Lu suspirou fundo. Tudo bem, ela tinha mãos, podia abrir a porta sozinha.
Hesitou um pouco, abriu a porta e se sentou no carro. No banco do passageiro, não pôde evitar fantasiar cenas de novelas: o protagonista, vendo que ela não tinha colocado o cinto, se inclinava para ajudá-la, e ela sentia o perfume suave de colônia. Mas, na realidade, assim que entrou, antes mesmo de colocar o cinto, o carro já arrancou.
Sim, Lu Yihan ligou o motor e saiu. Ke Lu ficou atônita no banco do passageiro. Contos de fadas eram realmente enganosos. Como Lu Yihan não se mexeu, ela teve que se virar sozinha, abaixou a cabeça silenciosamente, colocou o cinto e deixou as mãos, sem saber onde colocar, pousadas sobre o abdômen.
Ke Lu sentia um nervosismo estranho, esfregando os dedos sem parar. Não conhecia bem a cidade de Jiang, e a paisagem passava rapidamente pela janela, deixando-a inquieta. Depois de um tempo, o silêncio a sufocava, e ela finalmente falou: "Lu Yihan, para onde você está me levando?"
"Dar uma volta."
"Ah, e você sabe por que eu te chamei hoje?"
"Fugir?" Lu Yihan raramente fazia piada, mas Ke Lu não esboçou sorriso.
"Se eu realmente concordasse em fugir com você, você viria comigo?" Ke Lu perguntou séria.
Lu Yihan pensou por alguns segundos e respondeu calmamente: "Não."
"Sabia que você não viria. Não entendo nada do que você pensa, nem sei se tenho algum lugar no seu coração. Às vezes, penso se você está fingindo que não entende ou realmente não me entende. Com sua inteligência, não deveria ser difícil entender o que digo. Então, Lu Yihan, você está sempre fingindo que não sabe comigo?"
Ke Lu falava sozinha, mas Lu Yihan ouvia com atenção, diminuindo instintivamente a velocidade do carro enquanto ela resmungava. Ela apoiou o queixo na mão e olhou para a paisagem lá fora, frustrada. Quando Lu Yihan ficava em silêncio, ela não sabia mais o que dizer.
Pensando nisso, percebeu como era extrovertida antes e agora, por causa de um homem, seu humor vivia numa montanha-russa.
Enquanto Ke Lu se distraía, o carro parou de repente. Ela olhou para Lu Yihan e depois para fora: só via escuridão, poucas pessoas e postes de luz amarelados.
"Vamos descer e andar um pouco?"
Ke Lu franziu os lábios. Mesmo que não quisesse descer, não tinha escolha, porque Lu Yihan já tinha saído primeiro, sem lhe dar opção. Seguiu atrás dele, irritada, mas pelo menos ele andava devagar, e ela conseguia acompanhar com os saltos altos.
"Lu Yihan, sério, agora estamos só nós dois. Você pode responder uma pergunta com sinceridade?"
"Diga." A resposta de uma palavra de Lu Yihan.
"Você me odeia?"
Lu Yihan franziu a testa e perguntou: "Por que pergunta isso?"
"Só responda, não pergunte por quê, está bem?"
"Ah, não odeio."
"Então você gosta de mim?" Ke Lu perguntou hesitante.
Dessa vez, Lu Yihan claramente não sabia o que responder. Ficou em silêncio por muito tempo, sem responder, o que deixou Ke Lu ansiosa. Ela elevou um pouco a voz e insistiu: "Afinal, você gosta de mim ou não?"
Lu Yihan pareceu surpreso com a ousadia de Ke Lu. Ergueu a cabeça levemente e respondeu confuso: "Não sei."
"O que significa 'não sei'? Gostar é gostar, não gostar é não gostar. É uma resposta clara. 'Não sei' é que tipo de resposta?" Ke Lu explodiu, olhando fixamente para Lu Yihan com raiva, e ainda revirou os olhos.
"Não sei é não sei."
"Como você pode ser tão irresponsável? Só quero uma resposta clara. Se você disser que gosta de mim, eu direi que também gosto de você."
"Você gosta de mim?"
"Lu Yihan, sua habilidade de fingir que não sabe é incomparável. Já te disse muitas vezes: eu gosto de você, eu gosto de você, Ke Lu gosta de Lu Yihan. Mas você nunca acreditou em mim. Ainda acha que estou brincando?" Ao dizer que gostava dele, a emoção explodiu, e ela gritou bem alto.