Capítulo 624: Capítulo 624: Encontros Inesperados da Vida 10

Ela dormiu a tarde inteira e só agora acordou, o que já é impressionante. Vestiu um casaco e foi para a sala, onde, de repente, viu Lu Yihan deitado de lado no sofá, com o corpo todo encolhido, coberto apenas por um edredom fino que parecia não aquecer nada.

Não que estivesse muito frio nos Estados Unidos, mas por causa do ar-condicionado no quarto, que deixava o ambiente gelado. Além disso, Lu Yihan tinha ajustado a temperatura bem baixa. Quando ela chegou à sala com o casaco, sentiu uma onda de frio vindo de encontro a ela. Caminhou silenciosamente até o sofá, dobrou levemente os joelhos, agachou-se e ficou olhando fixamente para o rosto adormecido de Lu Yihan.

Hmm, bonito, muito bonito, tão sedutor...

Ke Lu balançava a cabeça enquanto falava, sem ainda ter percebido o que acontecia, quando o celular ao lado tocou de repente, o som cortando o silêncio da madrugada. Ela levou um susto, caiu no chão, com as mãos apoiadas no tapete. Depois de um momento, levantou a cabeça e viu Lu Yihan já de olhos abertos, encarando-a diretamente.

"Você quer me matar do coração?" Ke Lu colocou a mão no peito, primeiro assustada com o toque do celular, agora com Lu Yihan. Será que ele queria ver até quando ela aguentava antes de morrer de susto?

Lu Yihan lançou um olhar frio para Ke Lu, pegou o celular sem expressão e, ao ver que era uma ligação de Mumu, não conseguiu conter um leve sorriso nos lábios. Vendo isso, Ke Lu sentiu um aperto no peito. "Tão tarde da noite, quem está te ligando? Não será sua amante secreta, né?"

A pergunta indireta não chamou a atenção de Lu Yihan. Ele atendeu a ligação, passou por Ke Lu e foi até a varanda, deixando-a parada, sem saber o que fazer. Ela encarou as costas dele e resmungou: "Atender uma ligação já é motivo para tanto mistério? Precisa se afastar? Tem medo de quem está do outro lado ouvir?"

Será que ela, Ke Lu, era tão indigna de ser vista?

Mil pensamentos passavam pela cabeça de Ke Lu, e ela não tinha ânimo para observar a expressão de Lu Yihan naquele momento. Além disso, a luz da sala era fraca, dificultando ainda mais ver seu rosto. Só sentia que o clima estava estranho, como se houvesse uma aura de frieza no ar. Ela se recompôs e, cuidadosamente, mexeu nos próprios dedos. "Aconteceu alguma coisa?"

Lu Yihan sentou-se sem expressão, ainda segurando o celular firmemente. Em poucos instantes, o telefone tocou novamente, e a voz do assistente Xiao veio do outro lado. Ke Lu ouviu vagamente algo sobre passagens aéreas.

Será que Lu Yihan ia voltar agora?

Esse pensamento mal passou pela cabeça de Ke Lu, quando no segundo seguinte ela viu Lu Yihan a encarar com seriedade e dizer, de forma solene: "Houve um problema no país. Preciso voltar agora. Ke Lu, já que você não tem outro lugar para ir, pode continuar morando aqui."

"Você está dizendo que vai voltar agora? Mas há seis horas você prometeu que ficaria comigo por três dias. Nem um dia se passou, e você já vai quebrar sua promessa. Lu Yihan, você é demais."

"Você quer continuar morando aqui ou não?"

"Não!" Ke Lu recusou sem pensar.

"Então vou pedir ao assistente Xiao para cancelar o quarto."

"Lu Yihan, você! Precisa ser tão exagerado? Quem quebrou a promessa foi você, e agora parece que a culpa é minha? Que tal assim: me conta o que aconteceu no país, talvez eu possa ajudar?"

Lu Yihan ergueu os olhos para Ke Lu e respondeu com indiferença: "Assunto de família."

Assunto de família? O que isso significava? Queria dizer que era algo da família Lu, que ele não precisava contar e que, para a família Lu, ela era uma estranha, então não precisava saber.

Racionalmente, essa frase não tinha problema algum, mas Ke Lu não estava com a cabeça no lugar. Ela encarou Lu Yihan com raiva e disse: "Lu Yihan, você está querendo me afastar de propósito, né? Humpf, te aviso: hoje você não vai a lugar nenhum, a menos que me conte o que aconteceu."

Lu Yihan estava irritado e não tinha paciência para lidar com Ke Lu. Quando ela começou a fazer birra, ele também perdeu a calma e a encarou com frieza, dizendo em tom severo: "Quero ver como você vai me impedir."

Ke Lu já tinha visto Lu Yihan com cara feia muitas vezes, mas nenhuma delas a deixou tão nervosa e assustada como agora. O nervosismo vinha da raiva intensa dele, e o medo, porque ele estava realmente furioso.

Ke Lu ficou paralisada, sem conseguir dizer uma frase completa. Ficou ali, parada na frente de Lu Yihan, vendo apenas seus lábios sensuais, que ela tanto admirava, se moverem e soltarem uma voz gélida: "Ke Lu, é melhor você não fazer bagunça agora."

As palavras vinham carregadas de um aviso sério.

Ke Lu não ousou falar, nem sabia o que dizer. Quando estava se sentindo constrangida, a campainha tocou.

O assistente Xiao chegou na hora certa. Assim que entrou, sentiu profundamente a atmosfera estranha entre os dois no quarto. Hesitou por um instante, logo se recompôs e sussurrou no ouvido de Lu Yihan: "Diretor Lu, está tudo resolvido. O carro já está esperando lá embaixo."

Lu Yihan assentiu e, virando-se, olhou para Ke Lu com um significado profundo: "Vou compensar esses três dias com você em outra ocasião."

"Como sei se você não está me enrolando?" Ke Lu respondeu rapidamente.

"Não me compare a você. O que eu digo, cumpro."

"Lu Yihan, quando você se elogia, precisa me rebaixar?" Ke Lu revirou os olhos, sem graça. Quanto à raiva de Lu Yihan, ela fingiu que nada aconteceu, arranjando desculpas na cabeça para justificá-lo. Depois, tentou dar um abraço de despedida, mas Lu Yihan nem a olhou, virou-se e foi embora.

Ke Lu ficou parada, olhando para suas costas elegantes, e de repente gritou: "Ainda vale a sua palavra de que posso continuar morando aqui?"

Lu Yihan tropeçou levemente, mas não respondeu, provando com ações. Depois que ele foi embora, Ke Lu não conseguiu mais dormir. Revirou-se na cama sem conseguir pegar no sono. Pelo horário da partida, ele devia estar pousando no aeroporto de Jiangcheng na tarde do dia seguinte.

Eles finalmente tinham se encontrado, mas o tempo juntos não chegou a um dia. Quando soube que Lu Yihan teria três dias livres para ficar com ela, ficou tão feliz. Mas a alegria durou apenas seis ou sete horas. Agora, quem a acompanhava tinha ido embora, e naquela cidade enorme, só restava ela, sozinha. Que solidão.

Ke Lu ficou deitada na cama, suspirando. Depois de um tempo, lembrou-se de repente: Lu Yihan disse que estava voltando às pressas para resolver um problema, mas não disse que ela não podia ir para Jiangcheng. Então, se tivesse dinheiro, podia segui-lo.

Com esse pensamento, pegou todos os seus cartões bancários. Não sabia se o pai realmente tinha bloqueado todos. Se tivesse, ela estaria falida, sem um centavo.

Assim que amanheceu, Ke Lu correu para verificar se os cartões estavam bloqueados. E, de fato, seu pai era um cara durão! Tinha bloqueado todos os cartões, sem exceção. Como ela ia conseguir ir para Jiangcheng agora?

A mãe devia estar do lado do pai, não a apoiaria. Então, a mãe não era uma opção. Só restava recorrer ao seu melhor amigo. Ele já estava acostumado com ela só aparecer quando precisava de algo. Sabendo que ela estava sem dinheiro, ele emprestou sem hesitar.

Ke Lu estava tão emocionada que quase chorou, quando a voz do outro lado disse calmamente: "Lembre-se de pagar."

"... Você mudou. Antes não era assim. Você mudou."

"É, pelo nosso relacionamento, vou te cobrar juros de 3% ao mês. Quando tiver dinheiro, me paga."

"Seu extorsionário!" Três por cento? Quase igual a agiota.

"É, estou te extorquindo descaradamente. Se não concordar, vou desligar."

"... Você é demais! Me manda o dinheiro logo."

Um minuto depois, Ke Lu recebeu uma mensagem no celular confirmando o depósito. O rosto dela se iluminou, completamente diferente de antes. Realmente, quem tem dinheiro manda. Sem ele, ela tinha que engolir o orgulho na frente de Lu Yihan. Haha, se fosse agora, ela diria na cara dele: "Dinheiro é tudo?" e jogaria o dinheiro na frente dele, mostrando que também era super rica.

Ke Lu estava imaginando sua aparição repentina em Jiangcheng, quando lembrou que ainda não tinha comprado a passagem. Pegou o celular e reservou o voo mais próximo, que era só às duas da tarde.

Não tinha jeito. Faltavam sete horas até lá. Ke Lu não queria sair do quarto, mas também não sabia o que fazer. Mexeu no celular sem vontade, acabou discutindo com colegas de jogo e, no fim, partiu para o áudio. A raiva do jogo a fez deletar o aplicativo e ficar deitada, olhando para o nada.

Ke Lu tinha deixado o celular no mudo de propósito. Sabia que o pai ligaria, mas ainda estava chateada e não queria mesmo continuar estudando no exterior. Nessa questão, ia lutar até o fim com ele. Olhou de lado para o celular, viu que era o pai, o autoritário.

Não se sabe quantas ligações o pai fez, até que Ke Lu, com um pouco de consciência, atendeu com preguiça: "Pai, por que está me ligando?"

"Por que você ainda não voltou para a escola? Acha que bloquear seus cartões não adianta nada?"

"Não é isso, pai. Você bloqueou meus cartões, quase fiquei na rua, sem dinheiro nem para comer. Tive que pedir emprestado ao Xiaoyin, senão não sei como ia sobreviver."

"Seu pirralho, acha que não posso te controlar? Ousa pedir dinheiro emprestado para sobreviver? Prefere não voltar para a escola? Fique aí em Nova York." O pai de Ke Lu estava cada vez mais irritado com a filha desobediente, achando que precisava ir pessoalmente resolver a situação.