Capítulo 615: Capítulo 615: A Vida Sempre Nos Traz Encontros Inesperados

A mãe de Zhang sorriu. Ela nunca se intrometia nos assuntos de Wen Wan, só ouvia, de vez em quando, as reclamações de Ke Lu ao pé do ouvido. A alegria de Ke Lu ainda não tinha acabado, e, como ela esperava, os seguranças da família nem sequer lhe deram um telefonema antes.

Diante dos seguranças que apareceram de repente na sua frente, Ke Lu ficou sem palavras. Sob o olhar de todos, ela desceu as escadas com a mala, sem muito entusiasmo, e, ao chegar perto dos seguranças, entregou a bagagem. Virando-se para trás, disse sorrindo: "Quem sabe a gente se encontra de novo. Se vierem para Huicheng, é só me procurar. Eu recebo vocês, e ainda dou comida e hospedagem."

Ao ouvir isso, todos começaram a zoar. Um dos rapazes que já tinha se declarado para Ke Lu deu um passo à frente e disse, confuso: "Lu Lu, você não disse que sua família era muito pobre? Já que a situação em casa não é boa, quando a gente for te visitar em Huicheng, claro que não vamos deixar você gastar dinheiro."

Ke Lu caiu na gargalhada. Na época, ela tinha dito aquilo de brincadeira, que a família era pobre e que ela só queria se dar bem na vida, fazer sucesso na cidade grande. Mas, quando chegou lá, percebeu que tudo o que tinha imaginado antes era insignificante. Então, começou a exagerar num clima de tristeza e inventou uma história, contando como se fosse experiência própria.

Na verdade, ela achava que aquilo tinha sido um impulso do momento, e que pouca gente acreditaria, por isso nem ligou depois. Mas agora, com ele trazendo isso à tona, Ke Lu de repente se sentiu sem graça. Ela coçou o nariz, constrangida, e disse, ainda sorrindo: "Sem problemas. Pagar a diversão de vocês não é questão."

Depois de se despedir de todos, Ke Lu seguiu os seguranças para fora da pousada. Durante todo o caminho, ela ficou sem expressão. Desta vez, eram três seguranças encarregados de levá-la de volta. Um deles era muito querido pelo pai dela, e Ke Lu sempre o chamava de Tio Qiu quando o via.

Ke Lu andava no meio, com gente na frente e atrás, enquanto o Tio Qiu ficava ao seu lado. Ela olhava para os lados, como se procurasse uma chance de escapar de novo, mas o Tio Qiu nem a encarava. Olhando em frente, ele disse, como se nada fosse: "Senhorita, se está pensando em fugir, melhor desistir. Pense antes em como vai se explicar para o presidente Ke."

"Tio Qiu, não seja assim. Eu só achei que estudar na escola era cansativo demais, por isso quis dar uma arejada. Você sabe que eu não gosto de ficar no exterior. Depois de pensar muito, decidi que a vida no país é a melhor para mim, por isso voltei escondida..."

"Senhorita, você acha que, se contar isso para o presidente Ke, ele vai acreditar? Ou melhor, vai deixar de ficar bravo?"

Ke Lu torceu a boca. Ao ouvir o Tio Qiu mencionar o pai, que era autoritário e sem noção, ela respondeu, irritada: "Deixa pra lá. Tudo o que sai da minha boca, meu querido pai não acredita. Quer apostar comigo? Assim que eu chegar em casa, ele vai mandar você me levar de volta na hora."

"Senhorita, a verdade é que suas palavras não têm muita credibilidade."

"Ah, Tio Qiu, não fala assim de mim, vou ficar muito triste." Enquanto dizia que estava triste e magoada, Ke Lu ria e brincava com o Tio Qiu, ainda procurando uma chance de escapar. Ela continuava achando que não devia se deixar intimidar pelas forças do mal, nem ceder tão facilmente.

"Senhorita, pare de pensar nisso agora. Entre logo no carro. O presidente Ke mandou dizer que, se você não se comportar desta vez, vai cancelar todos os seus cartões."

"O quê? Meu pai está me ameaçando com isso? Ele é mesmo meu pai de verdade? Não tem medo de eu fugir de vez e morrer de fome lá fora?"

O Tio Qiu sorriu. Depois de abrir a porta do carro para Ke Lu, disse calmamente: "Não. Porque o presidente Ke sabe que, se ele cancelar seus cartões, você vai voltar para casa obedientemente."

Ke Lu sentiu que o pai segurava o ponto fraco dela. Sabia muito bem que, para viver a vida, sem dinheiro não dava para ser livre. Realmente, os mais velhos são mais espertos! Ela entrou no carro bufando. Quem sentou ao lado dela foi o Tio Qiu. Agora iam de carro para o aeroporto, e depois de avião para Huicheng.

Huicheng! Ela ia voltar. Ah, parecia que teria que planejar bem quando teria a próxima chance. Sabia que Wen Wan tinha ido para Jiangcheng, e agora só pensava em ir para lá também. Hum, queria ver Lu Yihan, e de quebra acertar as contas com ele!

De Licheng a Huicheng, o avião levava só duas horas. Então, duas horas depois, Ke Lu saiu do aeroporto. Na saída, viu o carro da família parado na frente. Ela olhou para o Tio Qiu, suspirou resignada e entrou no carro sem reclamar.

Sem nenhum contratempo, chegou em casa. Tudo ainda tinha o cheiro familiar para Ke Lu. Quando ela chegou, o pai ainda estava no escritório e não tinha voltado. Só viu a mãe, que sempre era doce, mas desta vez, ao ver Ke Lu, não resistiu e deu uma bronca. Ke Lu podia responder ao pai, mas não ousava responder à mãe.

Ela sabia melhor do que ninguém: irritar o pai, no máximo, levava uma bronca; irritar a mãe, era ter o cartão cortado na hora e todas as fontes de dinheiro bloqueadas.

Ke Lu sentou-se no sofá, toda comportada, com uma cara de "eu sei que errei, não vou fazer de novo" enquanto olhava para a mãe. A mãe ficou sem ter onde descontar a raiva. No fim, vendo que ela parecia ter emagrecido um pouco, o carinho falou mais alto que a raiva. Ke Lu aproveitou para se aproximar, encostar a cabeça no ombro da mãe e começar a fazer charme.

Quando o pai chegou, ia começar a repreendê-la, mas no fim quem acabou brigando com ele foi a mãe. Ke Lu ficou quieta, sem se mexer, e de vez em quando ainda dava uma palhinha, fazendo o pai perder o foco e ter que acalmar a esposa, a mãe dela.

Ke Lu elogiou a mãe mentalmente. Realmente, só ela conseguia segurar o pai.

Ela achou que tinha escapado dessa, mas não imaginou que, depois de passar a tarde inteira convencendo a mãe, numa noite, a querida mãe viraria o jogo e ficaria do lado do pai, dizendo, com toda a seriedade, que, no fim das contas, o mais importante agora era os estudos.

Em outras palavras, exigia que ela voltasse para a escola naquele instante.

Ke Lu decidiu que precisava conversar com o pai para esclarecer as coisas. No dia seguinte, foi direto ao escritório e, na frente do pai, disse: "Pai, posso combinar uma coisa com você?"

"Se for sobre estudar fora, nem vem. Outras coisas, pode falar."

"Pai, não seja assim. Eu sou sua única e amada filha. Não pode me tratar desse jeito. Sério, pai, estou falando muito sério: eu realmente não quero me afastar de vocês, nem quero estudar no exterior. Já que voltei, não me manda embora." Ke Lu sempre conseguia o que queria com o pai quando fazia charme, mas desta vez, ela queria se dar um tapa.

O pai levantou a cabeça dos papéis, olhou para Ke Lu com carinho e disse, num tom calmo: "Você sabe que sou seu pai. Me conta qual foi o motivo que você deu para a escola para pedir licença."

Ao ouvir isso, Ke Lu calou a boca na hora. Não ousava contar.

O pai deu um bufado, bateu na mesa com raiva e disse, furioso: "Você disse para a escola que seu pai estava com uma doença grave?"

"Não."

O pai olhou friamente para a filha, que nunca lhe dava sossego, e disse, firme: "Já arrumei tudo para você estudar fora. Querendo ou não, vai ter que ir."

"Pai!..."

"Não adianta me chamar de pai. Já comprei sua passagem. Voo das onze da noite de hoje."

Quando o pai decidia algo, ninguém o fazia mudar de ideia facilmente. Às vezes, nem a mãe conseguia, quanto mais Ke Lu. Ela saiu do escritório cabisbaixa. No elevador, encontrou o Tio Qiu, deu um sorriso amarelo e entrou no elevador.

No dia seguinte, ao meio-dia, Ke Lu acordou e já estava no exterior.

Jiangcheng.

Wen Wan só procurava Xu Yan quando ia para Jiangcheng. E Xu Yan e Lu Zhengting, depois de encontrarem Wen Wan em Licheng e causarem aquele auê, ao verem Wen Cen, tiveram um lampejo de consciência e lembraram que tinham dois filhos em casa. Depois de confirmar que Wen Wan estava bem, os dois voltaram para Jiangcheng com Mumu e ficaram em casa.

Não é que Xu Yan tinha acabado de receber a ligação de que Wen Wan já tinha desembarcado e estava se preparando para sair? Mumu estava muito grudada em Lu Zhengting esses dias, então, quando eles saíam, tinham que levar Mumu junto.

Quando Wen Wan os viu, a cara fechada dos últimos dias se transformou num sorriso radiante. Realmente, mudar de lugar de vez em quando deixava a pessoa muito mais animada. Era a novidade fazendo efeito.

Assim que Mumu viu Wen Wan, estendeu os braços, pedindo colo. Xu Yan revirou os olhos ao lado, e Mumu fingiu que não viu. Lu Zhengting, vendo a cena, puxou Xu Yan para um abraço. Mumu franziu a testa na hora. Wen Wan olhou para Xu Yan e perguntou: "O que houve com a Mumu?"

"Mumu anda querendo ficar grudada no Zhengting. Toda vez que me vê perto demais dele, ela franze a testa."

"Sério? A Mumu tem ciúmes dos pais?"

Mumu, que estava sendo comentada na cara dela, ao ouvir as palavras de Wen Wan, torceu a boca e olhou para Wen Wan com cara de choro. Quando estava prestes a chorar, Lu Zhengting se virou e disse, severo: "Mumu, não chora."

E, realmente, as lágrimas que já estavam nos olhos, ao ouvir a frase de Lu Zhengting, Mumu fungou o nariz, encostou a cabecinha no ombro de Wen Wan, e virou a bundinha para Lu Zhengting e Xu Yan, mostrando que não queria falar com os pais. Wen Wan deu uns tapinhas de leve nas costas dela, rindo, mas Mumu mexeu a bundinha, como se dissesse para não tocar nela.

Vendo isso, Wen Wan caiu na gargalhada. Xu Yan olhou para Mumu, sem graça, mas Mumu estava de bundinha virada para ela e não viu. Eles entraram no carro, e Mumu ainda estava no colo de Wen Wan. Quando percebeu que a conversa já não era mais sobre ela, levantou a cabecinha de leve, deu uma olhada em Xu Yan e, quando viu que ela estava olhando, gritou para Lu Zhengting, que estava dirigindo: "Papai..."