Wen Wan não se considerava muito habilidosa em desenho, nem mediana; sua própria definição era de que não era boa. E, de fato, seus desenhos não eram bons. Ke Lu olhava para aquelas imagens borradas e ficava confusa com uma mancha verde e oleosa no papel.
"O que é isso?" Ke Lu apontou para a mancha verde e perguntou.
O rosto de Wen Wan não mudou de expressão, como se já estivesse acostumada a ouvir essa pergunta de todos que viam seus desenhos. Fez uma pausa e respondeu lentamente: "É uma árvore grande. Não sei se você já foi, fica perto da Rua Silin. A paisagem lá é até bonita. Se tiver interesse, pode ir amanhã ou à tarde dar uma olhada."
Ke Lu ouviu e não conseguiu elogiar. Só de olhar o desenho, já perdera o interesse pela Rua Silin que Wen Wan mencionava. Claro, ela achava que o problema era principalmente o desenho de Wen Wan. Além da mancha verde, havia algo ao lado, todo borrado e de cor escura. Ela ia perguntar, mas pensou melhor: provavelmente era outra árvore ou um rio.
Depois de pensar, desistiu de perguntar. Não demorou muito para Ke Lu sentir que não deveria continuar olhando, porque a cada desenho que via, sua admiração por Wen Wan aumentava um pouco. Sinceramente, embora ela também não soubesse desenhar, pelo menos conseguia apreciar um pouco.
Diante daqueles desenhos lastimáveis, Ke Lu queria muito criticar, mas no fim se conteve. Quando virou para olhar atrás de Wen Wan, percebeu que ela parecia acostumada a que ninguém opinasse sobre seus desenhos.
Wen Wan tinha outras coisas para fazer. Embora Ke Lu estivesse curiosa, ela decidiu passear sozinha pela Cidade Antiga de Licheng, de forma relaxada e despreocupada. Desde aquela manhã em que vira Wen Wan, nos dias seguintes, não a viu mais aparecer diante deles, ou melhor, diante dela.
Ke Lu até queria conversar com Wen Wan. Sentia que, embora parecesse calma e tranquila por fora, as coisas que fazia eram surpreendentes e únicas. Ela foi encontrar a mãe de Zhang Yuan. Na pousada, a maioria dos hóspedes a chamava de Mãe Zhang, e Ke Lu também a chamava assim.
Mãe Zhang era uma pessoa afável, muito cuidadosa e cozinhava muito bem. Era por isso que Ke Lu gostava tanto dela. Ela encontrou Mãe Zhang e quis perguntar onde Wen Wan estava, mas Mãe Zhang balançou a cabeça, sem jeito. Não dava para saber se sabia ou não. No fim, Ke Lu desistiu e não insistiu.
O fato de Ke Lu ter voltado escondida do exterior logo foi descoberto pela família. Seu pai ficou furioso na hora, e nem a mãe tentando acalmá-lo adiantou. Quando Ke Lu recebeu a ligação da mãe, disse que não se importava, pois não voltaria tão cedo.
Então, Ke Lu desligou o celular e cortou contato com todos. Nos dias seguintes, não saiu da pousada, ficou no quarto, conversando de vez em quando com Mãe Zhang, ou então batendo papo e jogando com os hóspedes de várias partes do mundo.
O anoitecer chegou devagar. Ke Lu acordou por volta das quatro da tarde. Tinha dormido só às cinco ou seis da manhã, depois de passar a noite jogando. Quando desceu depois de se arrumar, viu na sala do andar de baixo um monte de gente sentada em círculo. Alguém com quem ela tinha uma certa amizade acenou e a chamou para se juntar.
Ke Lu piscou, sentindo os olhos um pouco ardendo — devia ser resquício da noite em claro.
Ela sentou ao lado da pessoa e ia bocejar, quando notou Wen Wan voltando de fora, com uma prancheta e outros materiais. Percebeu que ela tinha ido pintar ao ar livre. Sem pensar, Ke Lu acenou para Wen Wan e gritou: "Wan Wan, vem jogar com a gente!"
Wen Wan hesitou. Não era muito fã desses jogos bobos. Para ela, eram realmente entediantes; normalmente, não participava. Mas naquele dia, não sei por quê, depois de hesitar um pouco, acabou sendo puxada por Ke Lu e sentou ao lado dela.
"Não fica tão resistente. Fica tranquila, não contei a eles que você é a dona da pousada", sussurrou Ke Lu no ouvido dela.
Quase ninguém que vinha para aquela pousada sabia quem era o dono, porque ela passava a maior parte do tempo fora e raramente saía para conversar ou brincar com os hóspedes. Às vezes, as pessoas a viam com a prancheta e achavam que era só mais uma hóspede.
Ke Lu não deixou Wen Wan ir embora, e logo umas sete ou oito pessoas começaram a tagarelar, cada uma tentando pensar em um jogo divertido. Wen Wan, no meio, parecia não conseguir se encaixar na conversa. Ela não jogava, então não conhecia muitos jogos, e, além disso, era um desastre em jogos.
Um dos presentes estava muito animado. Quando ninguém sabia o que jogar, ele sugeriu: "Já que ninguém sabe, vamos jogar algo bem simples."
Alguém perguntou curioso: "O quê?"
"Verdade ou Consequência. Não precisa de habilidade, só sorte. O que acham?"
Quem perguntou primeiro hesitou ao ouvir "Verdade ou Consequência". Ele parou e perguntou baixinho: "Isso não invade muito a privacidade?"
"Não. Se não quiser responder a verdade, pode escolher a consequência."
O jogo começou com o consentimento de todos. Usaram o método de passar um objeto ao som de batidas. Nas primeiras vezes, quase caiu nas mãos de Wen Wan, mas ela reagia rápido e jogava o objeto adiante, escapando. Ke Lu não teve tanta sorte. Antes, ela conseguia se livrar, mas dessa vez não teve jeito.
Ke Lu olhou para o objeto na mão, colocou-o ao lado, ergueu a cabeça e sorriu para todos, perguntando: "Escolho verdade. Quem vai perguntar?"
O rapaz que sugerira o jogo pulou na hora, todo animado: "Posso perguntar?"
Ke Lu sorriu: "Pode."
"Você é solteira?" Assim que ele falou, todos começaram a zoar, e o rosto do rapaz ficou vermelho. Ke Lu também ficou chocada com a pergunta, demorou para reagir. Se Wen Wan não tivesse tocado de leve no braço dela, ela talvez nem soubesse o que estava acontecendo.
No grupo, alguns amigos do rapaz começaram a provocar: "Não é à toa que ele sugeriu Verdade ou Consequência. O interesse não era no jogo."
"É, é! Eu já ia dizer, os jogos que você sugeriu antes eram legais, por que mudou para este?"
"Pô, essa tática é foda. Vou aprender, dá para usar para paquerar, quem sabe não funciona?"
Ke Lu torceu a boca, olhou para o rapaz que a perguntara, pensou um pouco e respondeu com um sorriso: "Não."
Wen Wan virou-se surpresa para Ke Lu, como se dissesse: "Tão nova e já não é solteira? Não é namoro precoce?" Depois, lembrou-se do que Ke Lu lhe contara antes, entendeu e continuou em silêncio a jogar.
Quando o rapaz soube que Ke Lu não era solteira, passou uma expressão de decepção pelo rosto, mas se recuperou rápido. Depois disso, suas perguntas no jogo quase sempre eram para Ke Lu.
Depois de Ke Lu ser sorteada várias vezes seguidas, ela começou a desconfiar de que havia algo errado. Quando ia falar, chegou a vez de quem estava ao lado dela: Wen Wan. Dessa vez, Wen Wan foi a azarada. Ela olhou para o objeto na mão, meio sem reação, e ergueu a cabeça devagar para os outros. As mulheres estavam todas rindo, mas os homens tinham expressões estranhas.
Claro, pelo instinto feminino, Wen Wan achou que a pergunta seria parecida com a de Ke Lu. Quando pensou em escolher Consequência, hesitou de novo: Consequência também parecia perigosa. Se mandassem beijar alguém, teria que obedecer?
Depois de pensar bem, Wen Wan decidiu pela Verdade. E, de fato, a primeira pergunta foi: "Você é solteira?"
Sem pensar, Wen Wan respondeu: "Não."
Ao ouvir isso, vários rapazes mostraram decepção no rosto. Embora Wen Wan tivesse 24 anos, como se vestia de forma casual e às vezes com roupas fofas, parecia mais jovem e pequena, e as pessoas a achavam ter uns 18 ou 19 anos.
Wen Wan jogou mais algumas vezes e foi sorteada de novo. Dessa vez, também escolheu Verdade. Mas, de repente, alguém falou devagar: "Você é a dona desta pousada?"
Wen Wan ficou surpresa, depois, sob o olhar curioso de todos, assentiu e disse: "Sim." Mas também perguntou curiosa: "Como você sabe?"
Quem perguntou não era um rapazinho, mas um homem. Wen Wan tinha certeza de que não o conhecia. Esperou a resposta dele, e ele disse: "Já vi sua foto na internet."
Essa explicação era bem plausível. Antes da pousada ficar famosa, Wen Wan costumava conversar com os hóspedes, e às vezes alguém queria tirar foto como lembrança, e ela nunca recusava. Depois, foi Wen Cen quem ligou para contar que os internautas tinham postado fotos dela e dele em redes sociais, e ela ficou famosa sem querer.
Ela achava que sua personalidade não era nem quente nem fria, e não tinha nenhum talento especial para atrair pessoas, mas não sabia por que pareciam gostar tanto dela. Depois, o velho Wen ficou preocupado com a má influência e mandou abafar as informações sobre Wen Wan na internet, e o assunto morreu.
Quanto a isso, Wen Wan não sentiu nenhuma resistência ou incômodo, porque também não queria aparecer muito na internet.