Capítulo 598: Capítulo 598: A Golpista 5

Kelu engoliu lentamente o wonton que estava na boca, depois ergueu a cabeça e encarou o dono da loja com um olhar vazio, perguntando: "Dono, como é que você achou que eu estou de mau humor hoje? Acho que o tempo está claro, estou de bom humor, igual ao de sempre, e fico ainda mais curioso por você achar que eu iria brigar com ele."

O dono sorriu novamente e disse devagar: "Seu humor está estampado no seu rosto. Acho que você precisa de um espelho agora para ver a sua expressão, que revela um leve traço de relutância."

"Impossível! Como eu poderia sentir relutância? Dono, você deve ter visto errado, eu com certeza não sentiria relutância em relação ao Lu Yihan."

Assim que terminou de falar, Kelu hesitou por um instante, baixou levemente a cabeça e olhou para o dono, que sorria de forma enigmática. Fez uma pausa, tossiu de forma fingida e disse devagar: "Dono, o wonton que você fez hoje está ainda mais gostoso do que antes. Você colocou algum tempero novo?"

O dono sabia muito bem que Kelu estava tentando mudar de assunto. Ela tinha feito aquelas perguntas a mais por pura curiosidade, e, na sua opinião, a relação entre os dois parecia ter mudado bastante nos últimos dias, porque quando eles vieram comer wonton anteontem, ela notou claramente um sentimento diferente nos olhos de Kelu.

No entanto, ela não disse nada, afinal, isso era problema deles, e o amor depende do destino. Se há destino, não importa para onde vão, sempre haverá uma chance de se reencontrar; já aqueles sem destino, uma separação se torna eterna.

Mas o dono achava que eles eram mais como o primeiro caso, pessoas com destino.

As palavras do dono deixaram Kelu inexplicavelmente inquieta, especialmente quando ouviu o nome "Lu Yihan" saindo da boca dela. Seu coração batia tão rápido que parecia querer pular da garganta, e ela quase quis cobrir o peito. Além disso, sentia claramente o rosto esquentando cada vez mais.

O calor era tão intenso que até ela mesma achava incrível.

Não só isso, Kelu também percebeu que o olhar do dono parecia carregar algum significado profundo. Ela não queria falar sobre nada relacionado ao Lu Yihan naquele momento, então, para evitar esse constrangimento, só lhe restou baixar a cabeça e comer o que estava no prato. Em pouco tempo, terminou o wonton e, segurando a barriga, lembrou que o dono sempre aumentava a porção, fazendo com que ela sempre comesse demais.

Vendo que ainda era cedo, Kelu ficou sentada na loja observando as pessoas que passavam, reparando nas expressões de cada uma. Todas eram diferentes, mas todas andavam apressadas. Em teoria, era hora do almoço, um período que para a maioria das pessoas é bastante tranquilo.

O dono passava o dia inteiro cuidando da barraquinha, que parecia escondida em uma rua antiga e silenciosa no meio da agitação. As paredes externas dos prédios ali eram quase todas cinza-claro, com aspecto envelhecido e algumas partes descascadas, claramente casas antigas que carregavam o peso do tempo.

Do lado de fora dessa rua antiga, erguiam-se arranha-céus imponentes. Muitas pessoas já deviam ter esquecido essa rua; quem passava por ali não parava, nem desviava o olhar, apenas seguia em frente sem dar importância.

Por algum motivo, desde a primeira vez que Lu Yihan levou Kelu até lá, ela se apaixonou profundamente pelo lugar. Ali, ela sentia intensamente a paz do mundo, uma sensação completamente diferente da agitação lá fora. Ela amava essa paz, e por isso sempre arranjava desculpas para que Lu Yihan a levasse.

Depois de algumas visitas, ela finalmente conseguiu encontrar o local com precisão.

O dono sorriu levemente e, de repente, mudou de assunto, com um tom um pouco triste: "Ouvi dizer que mês que vem vão demolir esta área."

"Demolir? Por que demolir?"

"Não sei. Dizem que vão construir um centro comercial aqui, então essas casas antigas vão ser derrubadas. Senão, ficam atrapalhando."

"Atrapalhando? Não acho que atrapalhem nada. Além disso, esta rua antiga deve carregar as memórias de muita gente. Para o desenvolvimento da cidade, demolir uma rua tranquila assim, vocês não acham uma pena?"

"Os tempos mudam. Nada fica parado para sempre; tudo é renovado e reformado constantemente. A única coisa que pode ser preservada para sempre são as nossas memórias."

Kelu franziu a testa, sem saber o que dizer. Na verdade, ela gostava muito daquele lugar. Achava que, não importa como uma cidade se desenvolvesse, algumas coisas deveriam ser preservadas, porque só vendo o que foi moldado pelo tempo é que se sabe como a cidade era antes.

A barraquinha, que antes estava vazia, de repente ficou cheia de gente. O dono franziu os lábios, parou de falar com Kelu e se levantou para trabalhar. Ela ficou sentada sozinha, observando o dono ocupado, e notou que, enquanto trabalhava, ele tinha um sorriso de satisfação no rosto.

Era a satisfação de quem se sente realizado com a vida.

Kelu ficou sentada ali em silêncio por meia hora, depois foi embora discretamente. Voltou pelo mesmo caminho, saiu da rua antiga e, ao ver novamente os arranha-céus à sua frente, as palavras do dono ecoaram em seus ouvidos. Percebeu que, depois de deixar Jiangcheng desta vez, não sabia quando voltaria.

E, quando voltasse a Jiangcheng, provavelmente aquela rua antiga já teria desaparecido. O que veria seriam apenas aquelas construções imponentes, refletindo a prosperidade e a agitação de uma cidade comercializada, sem aquela paz embriagadora e o ritmo lento de vida, substituídos por uma vida acelerada.

Kelu voltou à empresa. Talvez por estar prestes a sair, as pessoas que antes achava irritantes agora pareciam mais suportáveis. Talvez não fossem tão difíceis de aceitar quanto imaginava. A mulher que vinha em sua direção era a mesma que havia falado mal dela pelas costas e, quando confrontada, negou tudo.

Assim que viu Kelu, a mulher virou-se para ir embora, mas Kelu, sem pensar, estendeu a mão e segurou sua manga. Vendo o olhar assustado da mulher ao se virar, Kelu disse, entre o riso e o choro: "Não fiz nada, por que está me olhando com essa cara de medo? Como se eu fosse assustadora."

"Kelu, desde a última vez, nunca mais falei de você pelas costas. Por que está me segurando agora? Já vou avisando, se ouvir alguma fofoca sobre você, não foi de mim que saiu."

Kelu riu, os olhos levemente curvados, brilhantes como uma lua crescente no céu noturno: "Só queria cumprimentar você, não vou fazer nada."

"Kelu, você perdeu a memória? Não foi você que disse para eu não aparecer na sua frente? Que se me visse, me bateria?"

Ao ouvir isso, Kelu soltou a mão imediatamente. Lembrou-se vagamente de ter dito algo assim, mas foi porque estava muito irritada na época. Quem diria que ela só estava brincando, mas a outra levou a sério.

A notícia de que Kelu tinha cumprimentado a mulher se espalhou pela empresa em poucos minutos, chegando até Lu Yihan, que estava no escritório. Ele sabia do ocorrido, afinal, tinha participado daquilo. Foi ele quem primeiro percebeu os indícios, e depois sempre ouvia Kelu falar sobre como conhecia pessoas legais.

Incomodado com aquele ar de superioridade dela, Lu Yihan contou a fofoca da empresa, mas Kelu não acreditou, insistindo que suas conhecidas eram pessoas boas. Então ele armou para que ela ouvisse e visse com os próprios olhos, o que a abalou profundamente.

Ele achou que Kelu fosse procurá-lo chorando, mas ela foi direto confrontar a mulher na frente de vários funcionários, deixando ambas em saia justa. O temperamento de Kelu não suportava essas coisas, e ela acabou dizendo o que pensava.

Lu Yihan finalmente ligou para Kelu. Naquele momento, ela tinha acabado de voltar ao escritório e estava sentada há menos de cinco minutos. Ao ver a chamada de Lu Yihan, seu coração disparou novamente. Segurou o celular com força, a mente momentaneamente em branco, sem saber se devia atender ou deixar tocar.

O toque do celular insistia, e, por mais que tivesse inúmeras razões para não atender, suas ações acabaram revelando seus verdadeiros sentimentos. Atendeu e ouviu a voz grave do outro lado: "Venha ao meu escritório agora."

Kelu ia perguntar por que tanta pressa, mas ouviu o sinal de ocupado. Lu Yihan desligava cada vez mais rápido, como se falar com ela fosse algo irritante, sempre querendo terminar logo a conversa e desligar.

"Toc, toc, toc"—a batida na porta soou, acompanhada pela voz fria de Lu Yihan: "Entre."

Assim que entrou, Kelu viu Lu Yihan sério e perguntou, sem entender: "O que você quer comigo?"

"Ouvi dizer que você está meio maluca hoje."

"Maluca? Lu Yihan, tem certeza do que ouviu? Ou será que meu ouvido está ruim e eu entendi errado? Quando foi que fiquei maluca?"

Lu Yihan sorriu de forma ambígua. Ao ver aquele sorriso falso no rosto dele, Kelu se irritou e perguntou: "Foi o assistente Xiao que te contou, não foi? Já sei do que se trata, mas não importa. Depois de hoje, vou embora."

Ao ouvir isso, Lu Yihan parou de sorrir e, fingindo indiferença, olhou para Kelu e perguntou baixinho: "Você disse que vai embora?"