Capítulo 595: Capítulo 595: A Golpista 2

柯露 se agarrava a Lu Yihan de forma descarada, implorando que ele não a expulsasse, buscando todo tipo de razões para convencê-lo, chegando até a questionar seu caráter. Sem querer, ela percebeu que o olhar de Lu Yihan se desviou para ela, e de repente, fingindo tristeza, respirou fundo, piscou os olhos com força e forçou algumas lágrimas.

— Lu Yihan, por favor, não me mande embora, está bem?

— Ke Lu, diga você mesma: desde que apareceu ao meu lado, quantos problemas já arrumou? — Lu Yihan a encarou, lembrando-se involuntariamente dos boatos que ouvia na empresa. Ele sempre se manteve íntegro, evitando contato excessivo com mulheres, e agora, por causa daquela vez em que ela foi à empresa procurá-lo e foi vista por colegas.

Embora a empresa tivesse regras contra fofocas sobre os líderes, as bocas eram deles, e sempre davam um jeito de falar o que queriam. Na empresa, não havia segredos; muitas coisas se espalhavam até virar de conhecimento geral. Agora, todos sabiam que uma mulher havia aparecido ao lado de Lu Yihan.

Ke Lu torceu os lábios, olhando para Lu Yihan com um ar levemente brincalhão, e disse sorrindo:

— Lu Yihan, ok, sinto muito pelo que aconteceu na empresa, mas, sendo justa, quando eu trabalhava lá, não causei problemas. Sei um pouco sobre os boatos que se espalharam, mas não dá para culpar tudo a mim.

Lu Yihan ficou curioso para saber como Ke Lu conseguia mudar de expressão tão rápido. No segundo anterior, ela parecia magoada, prestes a chorar; no seguinte, a tristeza desaparecia, dando lugar a um sorriso radiante.

— Então, segundo você, eu também tenho culpa nisso?

— Claro que você tem responsabilidade. Se, quando me viu, em vez de me puxar para outro lugar, tivesse me ouvido na frente de todos, talvez eles não tivessem entendido errado. Na verdade, acho que, sendo mulher, eu nem me importei com minha reputação sendo prejudicada. Por que você, um homem, fica se preocupando com isso o tempo todo?

Lu Yihan franziu a testa e disse friamente:

— Em você, nunca vi traços de uma mulher. — Depois, temendo que ela fosse discutir cada palavra, acrescentou de forma seca: — Além de ter aparência de mulher, não tem nada de feminina.

Ke Lu não queria mais perder tempo com Lu Yihan nesse tipo de assunto. No fim, só tinha uma coisa a dizer a ele, e uma única posição: agora, ela se recusava terminantemente a sair.

As duas negociações terminaram em fracasso, e Lu Yihan não quis mais trocar uma palavra com ela. Desde que Ke Lu espancou os funcionários do parque de diversões e os levou ao hospital, quando foi visitá-los, sem querer, encontrou o assistente Xiao no hospital. Ela nunca gostou muito dele e, instintivamente, tentou desviar, mas ele a chamou de repente.

Ke Lu parou por um instante, virou-se devagar e olhou para o assistente Xiao, que já estava na sua frente, dizendo com um sorriso:

— Que coincidência, assistente Xiao! Não esperava encontrá-lo aqui.

— Pois é, também acho estranho. Achava que a senhorita Ke não viria ao hospital.

— Assistente Xiao, o que quer dizer com isso? Não vai me chamar de ingrata, vai? Deixa eu te dizer, você está enganado. Não sou o tipo de pessoa que você imagina.

O assistente Xiao semicerrrou os olhos e disse em tom grave:

— Não me interessa que tipo de pessoa a senhorita Ke é. Só espero que a senhorita se comporte.

Assim que ele terminou, Ke Lu colocou as mãos na cintura, encarou o assistente Xiao com raiva e disse sem pensar:

— Foi o Lu Yihan que falou mal de mim para você, não foi? Sabia! Ele tem duas caras: uma na minha frente, outra na sua. Nossa, ele se acha o super-herói mutante, é?

O assistente Xiao ficou surpreso, com um leve tremor no canto da boca. Super-herói mutante? Ele apertou a conta na mão, pensando consigo: será que devo contar isso ao pequeno patrão depois? Mas isso podia esperar; primeiro, eles precisavam ir juntos ao quarto visitar os feridos por Ke Lu.

Assim que Ke Lu entrou no quarto, viu as pessoas deitadas na cama, envoltas em ataduras. Uma delas tinha o rosto quase todo coberto, só deixando um par de olhos pretos brilhando. Quando viu Ke Lu, pareceu se agitar, puxando o ferimento no rosto e fazendo caretas de dor.

Embora não desse para ver a expressão, os movimentos estranhos eram visíveis.

Ke Lu os encarou com constrangimento, tossiu de forma forçada e, no quarto, pediu desculpas sinceramente. Só então se sentiu um pouco melhor, mas começou a refletir profundamente: será que ela tinha sido tão pesada naquela hora? Por que todos pareciam tão graves? Era como se tivessem passado por um desastre.

Ao sair do quarto, Ke Lu suspirou aliviada. Ela só tinha pedido a manhã de folga na empresa, ou seja, à tarde ainda precisava trabalhar. Faltavam duas horas para o expediente, e Ke Lu recusou educadamente a oferta do assistente Xiao de levá-la. Ele apenas sorriu levemente, franzindo os lábios, e foi embora de carro.

Ke Lu caminhava devagar pela rua. Felizmente, o tempo estava bom, e uma brisa suave a refrescava. Ela começou a lembrar, uma semana antes, do quarto escuro onde a trancaram e daquelas vozes que pareciam familiares.

Enquanto pensava seriamente, um carro preto parou de repente. Ela ficou alerta na hora, deu alguns passos para trás, afastando-se do veículo, e observou de longe. A porta do carro se abriu, e um homem alto desceu. Ke Lu rapidamente se escondeu atrás de um pedestre ao lado.

Aquele homem parecia familiar, mas ela não conseguia lembrar de onde.

— Você não disse que a viu?

— Chefe, eu juro que a vi aqui agora, mas não sei por que ela sumiu de repente.

— Seu idiota! Deixar uma pessoa escapar na sua frente. Você não deve ter visto direito, né?

— Chefe, impossível! Como eu poderia me enganar?

KeLu olhava para todos os lados, enquanto o pedestre cujo casaco ela segurava a encarava confuso, irritado:

— Quem é você? Por que está me segurando?

De repente, uma voz baixa, mas cheia de raiva, soou atrás:

— Seu canalha! Ainda ousa dizer que não tem outras mulheres? E essa aí, segurando seu casaco, quem é? Não me diga que não a conhece. Já era! Acabou! Não apareça mais na minha frente!

Ke Lu soltou o casaco do homem e segurou a mão da mulher que aparecera de repente, dizendo com culpa:

— Moça, não se irrite. Não sei se seu namorado tem outras mulheres, mas posso garantir que não tenho nada com ele. Nem o conheço.

— Conheço bem mulheres como você. Quando são pegas, tentam se livrar da culpa. Se sabia que não dava para esconder, não devia ter seduzido outro homem. Tão nova e já faz essas coisas. Será que seus pais não te ensinaram nada?

Ke Lu semicerrrou os olhos e disse rindo:

— Vamos falar dos fatos, não envolva meus pais. E sabe por que seu namorado te trai tanto? Por causa desse seu jeito. Se eu fosse homem, também te trairia.

— O que você disse?!

— Disse que você atrai o tipo de homem que merece.

O assistente Xiao pegou Lu Yihan e, no carro, contou resumidamente sobre o encontro com Ke Lu no hospital. Para sua surpresa, Lu Yihan decidiu, por curiosidade, dar uma volta para ver. E teve sorte: viu Ke Lu discutindo com alguém. Ele mandou o assistente Xiao estacionar um pouco mais perto e abaixou um pouco o vidro.

Ao ouvir as palavras de Ke Lu, o canto da boca de Lu Yihan se contraiu. Ela era realmente afiada. Ke Lu observava tudo ao redor, só para ficar de olho no grupo que parecia procurá-la. De repente, viu que um deles olhava em sua direção. Rapidamente, segurou a mão da mulher, puxou-a com força e se abaixou atrás dela.

— O que você está fazendo, mulher?

— Cala a boca. Não estou fazendo nada, só quero um favor. Já agradeço adiantado. — Antes que Ke Lu terminasse, o homem que olhara pareceu sentir algo estranho, tocou o ombro do companheiro, e os dois começaram a andar na direção deles. Ke Lu se assustou, soltou a mão da mulher e saiu correndo.

— Patrão, isso é...

— São os que a perseguiram no outro dia.

— Vamos ajudá-la?

Lu Yihan pensou por alguns segundos e disse calmamente:

— Vamos segui-la primeiro e ver.

O assistente Xiao dirigiu atrás dela. Assim, nas ruas de Jiangcheng, via-se uma cena: uma mulher correndo desesperadamente, seguida por vários homens também correndo. Quem via, instintivamente abria caminho. E havia algo estranho: um carro preto os seguia, nem rápido nem devagar.

Ke Lu já tinha notado que o carro parecia segui-la. Enquanto corria, olhava para trás, vendo o veículo. Quando reconheceu a placa, não conseguiu mais manter a calma. Correu até o carro, ofegante, encarando quem estava dentro, mas eles pareciam indiferentes.

Ke Lu rangeu os dentes, segurando a vontade de puxar Lu Yihan para fora, e gritou:

— Lu Yihan, sei que está aí! Você está me vendo morrer e não faz nada, ainda fica me seguindo para rir de mim!

Ao ouvir isso, Lu Yihan sorriu levemente e, com calma, abaixou o vidro, mostrando o rosto com um sorriso suave enquanto olhava para Ke Lu, que correra até ficar vermelha, e disse:

— O que eu ganho te salvando?

— Salvar uma vida vale mais que construir uma pagoda de sete andares, e você ainda pede recompensa? Lu Yihan, você não é humano!

— Ainda tem energia para xingar. Assistente Xiao, vamos embora.

Ke Lu gritou rapidamente:

— Super-herói bondoso do mundo, Lu Yihan, me salva agora! Se não me salvar, vou cair nas mãos deles, e nem sei se vou sobreviver.