Capítulo 519: Capítulo 519: Eu Não Vou Querer

Assim que You Yan se sentou no carro, Wen Wan também tentou subir, mas, sem aviso, Fiennes estendeu a mão por trás, agarrou-a pela gola e puxou-a para trás, dizendo friamente: "Vem comigo."

— Solta-me, está cheio de gente aqui, estou morrendo de vergonha. — Wen Wan rosnou baixinho, furiosa, porque o comportamento deles já estava chamando a atenção de muitos. Ela não queria ser o centro das atenções como uma palhaça, o que a deixava ainda mais ansiosa, sem falar no medo de encontrar alguém conhecido. E aí, como é que ia ser?

Fiennes, porém, parecia não se importar com nada, agarrando a gola de Wen Wan sem hesitar. Ao vê-la tentando se soltar, ergueu a mão sem pensar, pronto para pegá-la pelos joelhos e carregá-la no colo como uma princesa. Mas Wen Wan foi rápida: assim que viu o olhar frio de Fiennes, cedeu imediatamente e murmurou: "Vou contigo!"

Ao ouvir isso, um lampejo de decepção passou pelos olhos de Fiennes. Há quanto tempo ele não a pegava no colo? Como se a memória da noite anterior tivesse sido apagada por um cachorro, ele saboreou em silêncio a lembrança do corpo macio e perfumado de Wen Wan, suspirando baixinho no fundo do coração enquanto olhava para as mãos vazias e para Wen Wan, que já caminhava à sua frente.

You Yan virou-se para olhar para Félix, que estava sentado no banco do motorista pronto para dirigir, e perguntou, melancólicamente: "Fiennes sempre foi assim com Wen Wan desde pequeno? Tão sem graça?"

Félix não disse nada, e You Yan sentiu que tinha acertado em cheio. Félix ligou o motor em silêncio e, pelo retrovisor, observou You Yan pensativo, pensando consigo: "Você ainda não viu o lado mais sem graça do patrão."

Wen Wan chegou na frente de outro carro e, sem pensar, deu um chute na porta. Mas a dor a fez torcer o rosto, e ela abaixou a cabeça, fingindo naturalidade, para olhar Fiennes, que estava atrás dela com um sorriso irônico, como se a achasse uma idiota. Isso a irritou ainda mais, esquecendo completamente que a culpa era toda dela.

— Dói?

— Não. — Mal terminou de falar, Wen Wan achou que deveria agir como uma garota meiga e mudou de ideia: — Tio, dói.

Ela pensou que, ao dizer isso, Fiennes a consolaria com carinho, mas descobriu que estava enganada. Assim que mudou de tom, Fiennes mexeu os lábios e a olhou de relance, indiferente: "Isso não foi você quem procurou?"

— Fiennes, como é que eu posso gostar de alguém como você? E ainda por mais de dez anos? Não consigo imaginar como sobrevivi a esse tempo todo. Deve ser porque a vida era muito sem graça, e eu fui buscar sofrimento. — Wen Wan achou que tinha toda a razão. Às vezes, quando afastava Fiennes de seus pensamentos e o observava de novo, pensava: "Nossa, ele não sabe dizer coisas românticas, não sabe se importar com os outros, só pensa em trabalho o dia inteiro, não sorri para ninguém..." Ela podia listar muitos defeitos de Fiennes, mas, depois de falar tudo, não tinha jeito: ainda gostava dele, não importava como ele fosse.

Fiennes não fazia ideia do que Wen Wan estava pensando e entrou no carro sem cerimônia. Quando viu que ela queria sentar atrás, travou a porta traseira com uma expressão impassível, impedindo-a de abrir. Wen Wan ficou parada, encarando o homem dentro do carro, batendo o pé de raiva, e só conseguiu abrir a porta do passageiro, que, como esperado, estava destravada.

— Alguém já te disse que esse tipo de atitude é idiota? — Wen Wan disse ao se sentar, virando-se para encarar o rosto inexpressivo de Fiennes. Mas, no fundo, achava aquilo adorável, embora nunca fosse admitir para ele.

Fiennes não se importou: "Quem me chamou de idiota levou uma surra."

Isso era verdade. Wen Wan se lembrava de quando era criança, de um menino bonito como uma boneca de porcelana que adorava brincar com eles. Mas Fiennes era tão arrogante que nem ligava para ele. Quando o menino tentava puxar conversa, Fiennes o ignorava, até que o garoto, de tanto desprezo, um dia o chamou de "burro como um porco" na frente de todo mundo.

Wen Wan estava lá na hora. Assim que ouviu alguém xingar Fiennes, arregaçou as mangas sem pensar duas vezes e partiu para cima, não importando se era menino ou menina. Fiennes, inicialmente, ficou parado como um líder, sem parecer querer intervir, mas não se sabe por que acabou entrando na briga. Quando Wen Wan já não aguentava mais, ele deu um soco no menino, derrubando-o no chão.

Por causa disso, os dois foram punidos pelos pais em casa. Wen Wan ficou tão furiosa que passou os dias fazendo bagunça, gritando que queria ver Fiennes, até que o avô lhe deu uma surra e ela finalmente sossegou por alguns dias.

Ao lembrar dessas coisas, Wen Wan achava que não tinha nada de feminina quando criança. Não é à toa que, quando dizia que gostava de Fiennes, ninguém acreditava. De repente, pensando em algo, ela fixou o olhar no perfil de Fiennes e perguntou: "Fiennes, você se lembra daquela vez em que briguei com alguém quando era criança?"

— Você brigava todo dia quando era criança. De qual está falando?

— Ei, Fiennes, então na sua memória eu só sei brigar? Também sou uma mocinha educada, sabia?

Fiennes hesitou, ergueu a cabeça e encarou Wen Wan, que piscava os olhos, dizendo calmamente: "Moça educada? Nunca vi uma. Está falando de sonho? Nem nos meus sonhos."

— Você! — Quando Wen Wan ia levantar a mão para bater nele, Fiennes mudou de assunto de repente: "Acho que me lembrei de uma coisa."

— Fala. — Wen Wan respondeu com uma única palavra, simples e firme.

Fiennes franziu os lábios, franziu levemente a testa, fingindo pensar, e disse: "Lembro de um Ano Novo, alguém te deu um envelope de dinheiro. Você pegou, ficou toda vermelha, e disseram que estava muito envergonhada. É verdade?"

Isso podia ter acontecido com Wen Wan? Impossível, não? Wen Wan inclinou a cabeça, tentando se lembrar do que Fiennes estava falando. Pensou por muito tempo, mas não conseguiu. Até que Fiennes deu um risinho seco, e ela sentiu um aperto no peito. De repente, uma luz brilhou em sua mente: "Isso tem graça?"

Quem tinha dado o envelope era o próprio homem à sua frente. Wen Wan tinha recebido inúmeros envelopes de dinheiro desde pequena, mas aquele foi o primeiro de Fiennes. Na época, ela ficou tão emocionada que, até hoje, guarda o envelope em que ele colocou o dinheiro.

"Guardar" pode ser um exagero, mas naquela época Wen Wan ficou tão animada que passou várias noites sem dormir. Desde aquele ano, Fiennes sempre lhe dava envelopes de Ano Novo, e ela guardava todos os envelopes numa caixa, em segredo.

Mas isso ela nunca contaria a Fiennes, porque era vergonhoso.

Ela guardava cada momento relacionado a Fiennes no coração, até mesmo como um tesouro, mas ele não fazia o mesmo. Os presentes que ela lhe dera, provavelmente, estavam perdidos em algum lugar. Ao pensar nisso, sentiu uma pontada de tristeza. Como se ecoasse o que Xu Yan lhe dissera antes: quem ama primeiro sempre dá mais.

Fiennes percebeu que Wen Wan estava distraída de novo, ligou o motor e saiu do hospital. Pouco depois de partirem, Guan Lin e Li Xiumin surgiram não se sabe de onde, parados na entrada do hospital, olhando pensativos para a direção em que eles tinham ido. Ou melhor, quem estava pensativo era apenas Li Xiumin.

Guan Lin sabia da história entre Li Xiumin e You Yan, mas como Li Xiumin não gostava de falar da vida pessoal, ele nunca perguntou por que tinham terminado. Só depois descobriu que You Yan tinha se casado, e justamente com o filho mais velho da família Fei.

Guan Lin ergueu os olhos para Li Xiumin, cujo olhar era indecifrável, e pensou em dizer algo para quebrar o clima melancólico. Embora ele próprio fosse um mulherengo, nunca tinha se apaixonado de verdade, então não sabia como consolar um homem tão ferido no amor como Li Xiumin. No fim, deu-lhe um tapinha no ombro.

— Olhe o quanto quiser, ela não vai voltar. — A frase de Guan Lin foi como uma faca afiada, cravando-se no coração de Li Xiumin. Ele viu Li Xiumin virar-se e lançar-lhe um olhar frio, e então deu uma risadinha sem graça, coçando o nariz. Aquele olhar era para matá-lo?

Guan Lin não entendia o que Li Xiumin sentia, assim como Li Xiumin não entendia por que Guan Lin, sendo tão bom em tudo, adorava se meter em círculos de mulheres. Além das herdeiras ricas e damas da alta sociedade que andavam com ele, Guan Lin sabia que muitas delas eram até casadas.

Li Xiumin já tinha dito várias vezes para Guan Lin nunca se deixar cair nas mãos de uma mulher, porque o resultado seria pior do que o dele.

Com o exemplo de Li Xiumin, Guanlin ria e ficava ainda mais convencido de que o amor era como veneno: quem o bebia, morria. Por isso, continuava solteiro até hoje.

Xia Siyue, que descia devagar do carro, não entendia por que o clima de repente ficara tão... tão estranho. Nos últimos dias, ela sentia náuseas e vontade de vomitar, então Li Xiumin a acompanhara ao hospital para exames. Naquele momento, sentindo-se mal, começou a ter ânsias de novo. Guan Lin, atraído pelo barulho, olhou para ela com um significado profundo.

— Vamos, não se esqueça de que ainda tem coisas sérias para fazer.

Li Xiumin foi na frente sem olhar para trás, e Xia Siyue o seguiu em silêncio, sem ousar reclamar. Guan Lin falava com Li Xiumin de vez em quando, mas ela estava tão ocupada segurando o enjoo que não conseguia prestar atenção no que diziam. Além disso, o semblante de Guan Lin era sério, e Li Xiumin não a deixava saber de muitas coisas, então ela não ia se meter onde não era chamada.

Depois de passar pelo pronto-socorro e fazer vários exames, Xia Siyue saiu com o rosto pálido. Li Xiumin, vendo aquela expressão desagradável, perguntou sem paciência: "O que foi?"

— Mandaram eu ir para a ginecologia.

— ...

— Mandaram fazer um ultrassom.

Guan Lin, sentado de pernas cruzadas num banco ao lado, olhava de um para o outro, de Li Xiumin para Xia Siyue. Depois de uma pausa, como se quisesse aumentar a confusão, brincou: "Ela não está grávida, está?"

Ao ouvir isso, Xia Siyue ergueu os olhos instintivamente para Li Xiumin, que, por sua vez, encarou Guan Lin com raiva, dizendo friamente: "Impossível."

— Tudo é possível. — Guan Lin riu.

— E daí se estiver? Não vou querer. — Respondeu Li Xiumin.