Capítulo 460: Capítulo 460: Jejum Suave

Fei Lei agiu com eficiência e, dentro do prazo estipulado por Fei Ensi, conseguiu adquirir a Revista Semanal da Cidade Oeste. Fei Sen ficou furioso ao receber a notícia. A Revista Semanal da Cidade Oeste era um jornal bastante respeitável na Cidade Norte, e suas reportagens e fofocas eram extremamente precisas.

Agora, Fei Ensi a adquiriu de repente. Parece que ele sabia que eu era o dono por trás dela; caso contrário, com seu jeito arrogante, por que faria isso? Além disso, na Cidade Norte, não era apenas a Revista Semanal da Cidade Oeste que noticiava sobre mim e Wen Wan, mas entre tantos jornais, ele só mandou Fei Lei comprar este.

Sua intenção é clara: Fei Ensi quer me dar um aviso desta vez.

Fei Sen estava diante da janela panorâmica do escritório, com as mãos para trás, observando do alto do vigésimo andar as pessoas que andavam como formigas e os carros que iam e vinham. Involuntariamente, lembrou-se das ideias que o velho lhe incutiu desde que se entendeu por gente.

Fei Ensi é o filho mais velho da família Fei, e é natural que ele assuma o controle. Não importa o quão excelente eu seja, só posso ficar ao lado dele, como um súdito, como nos tempos antigos. Mas não é isso que quero; quero quebrar as regras da família Fei e decidir quem merece governar com base na capacidade.

Desde pequeno, o velho considerava essa ideia uma perda de tempo, e essa é uma das razões do meu mau relacionamento com ele. Fei Sen estendeu a mão em direção à multidão e a fechou levemente, escondendo-os atrás de seus dedos. Para não ser controlado, ele precisa mudar essa situação de ser sempre oprimido.

"Toc, toc, toc—" A batida na porta soou de repente. Ele recolheu a mão e ficou ereto, imóvel.

"Senhor Fei, além de adquirir a Revista Semanal da Cidade Oeste, Fei Lei não fez mais nada."

"Continue vigiando."

"Senhor Fei, chegou uma notícia de Jiangcheng. É Ye Yunchen. Ele quer vê-lo."

"Alguém que só atrapalha e não ajuda ainda tem o direito de me ver?" Falando de Ye Yunchen e Yang Jinkuan, Fei Sen ficou furioso. Esses dois ousaram agir pelas costas, fazendo com que a situação em Jiangcheng saísse do meu controle. E ainda por cima, Lu Zhengting os derrubou.

Se eu tivesse descoberto antes, esses dois já estariam mortos em algum lugar. E Ye Yunchen ainda tem a cara de pau de querer me ver?

O mensageiro, vendo a reação de Fei Sen, ficou em silêncio. Embora não trabalhasse com Fei Sen há muito tempo, sabia que ele odiava quando os subordinados agiam escondidos. A ação secreta de Ye Yunchen realmente cruzou a linha.

Após uma pausa, quando pensou que Fei Sen mandaria ele sair, Fei Sen mudou de assunto: "Diga a Ye Yunchen para vir me ver na Cidade Norte até amanhã."

Assim que terminou, Fei Sen mandou o homem sair e ficou sozinho diante da janela. A neve na Cidade Norte caía há um dia e uma noite, sem previsão de parar. Os galhos das árvores, já sem folhas, estavam cobertos de neve, parecendo prestes a ceder, mas a neve continuava caindo impiedosamente.

A cidade inteira estava branca, e o céu escurecia lentamente. Fei Sen olhou para o relógio; não passava das quatro ou cinco da tarde. Esse inverno de dias curtos e noites longas, quando terminaria?

Na mansão da família Wen.

Desde que Wen Wan foi trazida de volta pelo velho Wen, ela ficou trancada no quarto, sem comer nem beber, para protestar contra a oposição do avô. Wen Wan nunca imaginou que seu avô, que sempre a amou, desta vez não cederia, não importa o quanto ela reclamasse. Ele ordenou que todos em casa não lhe dessem comida.

Já que quer fazer greve de fome, que vá até o fim. Wen Wan estava deitada na cama; seu celular também foi confiscado pelo avô. Ela não conseguia contatar Fei Ensi nem contar a ele sua situação, muito menos sabia o que ele estava fazendo agora.

"Grrr—" A barriga roncava de fome. Wen Wan se virou e ficou olhando para o teto, distraída. Na cabeça, além da imagem de Fei Ensi, só vinham comidas deliciosas. Quando pensava nos pratos que amava, não conseguia evitar de engolir saliva, e a barriga roncava ainda mais alto.

Wen Wan deu um tapinha no rosto. Ela ia resistir até o fim, não se curvaria ao avô.

Wen Cen, que estava do lado de fora, estava desesperada. Vendo a atitude firme do velho, não tinha certeza se conseguiria convencê-lo a mudar de ideia. E Wen Wan, com seu temperamento teimoso, uma vez que decidia algo, nem dez bois a fariam voltar atrás.

Os dois, um velho e uma jovem, tinham o mesmo gênio. Wen Cen, de temperamento calmo, nunca tinha irritado o velho desde pequena, e os empregados nunca a viram com raiva. Mas Wen Wan não se parecia nada com ela.

Wen Cen pensou em levar comida para Wen Wan durante a noite, quando todos estivessem dormindo. Mas, ao chegar na cozinha, foi parada por um segurança que surgiu do nada.

"Senhorita, o que faz na cozinha tão tarde?"

Wen Cen levou um susto, bateu no peito e sorriu: "Estou com um pouco de fome, vim ver se tem algo para comer."

"O patrão ordenou que, depois da meia-noite, ninguém pode entrar na cozinha."

Wen Cen ia perguntar por quê, mas antes que pudesse falar, ouviu a voz do velho vindo do andar de cima: "Cen Cen, acho que sei o que você está pensando. Você é muito boazinha com aquela garota."

"Pai, Wan Wan não comeu nada o dia inteiro. Vamos deixá-la continuar assim? Você sabe que ela tem problemas no estômago, não pode ficar com fome."

Naquele momento, Wen Wan, que Wen Cen dizia não poder ficar com fome, estava sentada na cama, devorando o mingau de carne e ovos centenários que Fei Ensi trouxera, com seus pratos favoritos na frente.

Fei Ensi a olhou com desdém, pegou um lenço de papel e limpou a boca de Wen Wan: "Coma direito, ninguém vai roubar."

"Fei Ensi, por que esse mingau tem um gosto estranho?"

"Hã?" Fei Ensi olhou discretamente para o mingau nas mãos de Wen Wan, pensando: Será que não cozinhou o suficiente? Não pegou o sabor?

Wen Wan franziu a testa, pegou uma colherada e mordeu um pedaço de carne: "A carne ainda tem cheiro de cru, olha, está vermelha, não está cozida. Onde você comprou esse mingau? Não é nada profissional."

Assim que terminou, Fei Ensi tirou a tigela das mãos de Wen Wan. Ela olhou para ele, surpresa, e perguntou: "Você está com raiva?"

"Não", respondeu Fei Ensi, sem expressão.

"Você está mentindo, claramente está com raiva." Wen Wan agarrou o braço de Fei Ensi, aproximou-se e perguntou: "Só porque eu disse que não estava bom, por que você ficaria com raiva? A menos que... você mesmo tenha feito?"

"Você acha que é possível?" Fei Ensi respondeu friamente.

Vendo sua reação, Wen Wan concluiu que a comida era feita por ele. Afinal, que restaurante venderia mingau com carne crua? Nenhum, provavelmente.

Pensando nisso, Wen Wan pegou o mingau de volta e começou a comer de novo. Quando Fei Ensi tentou impedi-la, ela disse: "Tudo bem, não como a carne, só tomo o mingau. É a primeira vez que você cozinha para mim, não quero desperdiçar."

Ouvindo isso, Fei Ensi ainda não a deixou continuar: "Coma outra coisa. Da próxima vez, vou estudar melhor e fazer para você."

"Sério? Você vai fazer de novo para mim?" Wen Wan pulou da cama, largou a tigela e se jogou nos braços de Fei Ensi, esfregando a cabeça no pescoço dele, perguntando feliz: "É verdade? Não está mentindo?"

Fei Ensi respondeu com um "hum": "Não estou mentindo."

No dia seguinte, quando Wen Wan acordou, Fei Ensi já não estava mais lá. Ela estendeu a mão para o lado, ainda sentindo o calor residual dele. Virou-se rapidamente e deitou no lugar onde ele estivera, abraçando o cobertor. No ar, no cobertor, parecia que tudo tinha o cheiro de Fei Ensi.

Wen Cen conseguiu a chave com o velho e trouxe o café da manhã. Vendo Wen Wan cheia de energia, rindo até quase fechar os olhos, ficou intrigada, mas não perguntou. Colocou o café na mesa de cabeceira, deu um tapinha no ombro de Wen Wan e disse baixinho: "Wan Wan, pode protestar, mas tem que comer."

"Não como! A menos que o vovô deixe eu ficar com Fei Ensi."

Assim que Wen Wan terminou, o velho, que estava do lado de fora, ouviu e gritou furioso: "É melhor você desistir dessa ideia. Não vou deixar você ficar com aquele garoto da família Fei."

"Vovô, por quê?" Wen Wan empurrou Wen Cen com raiva, ficou em pé na cama e olhou seriamente para o velho: "Vovô, pode me dizer por que não deixa a gente ficar junto?"

"Ele é seu tio, você sabia?"

"Já falei isso muitas vezes. Ele não é meu tio. As famílias Wen e Fei não têm nenhum laço de sangue. Enquanto não houver sangue, não é incesto. E eu nunca o tratei como tio..."

O velho ficou tão irritado com as palavras de Wen Wan que só conseguiu dizer: "Sem minha ordem, ninguém dá comida a ela."

Wen Wan colocou as mãos na cintura: "Também não estou interessada!"

"Está bem, está bem. Agora você está se achando. Vou ver se é sua teimosia ou sua barriga que aguenta mais?" O velho gritou com Wen Cen: "Cen Cen, você ouviu. A partir de agora, não se meta."

Wen Cen estava frustrada com Wen Wan, mas respeitava o velho. Olhando para a teimosia de Wen Wan, sentiu um aperto no coração, mas não podia desobedecer ao pai.

"Ah—" De repente, Wen Wan segurou a barriga, com o rosto pálido de dor, e gemeu.

O velho e Wen Cen correram até ela, preocupados, e perguntaram ansiosos: "Wan Wan, sua gastrite atacou?"

Wen Wan segurava a barriga, sentindo como se seus órgãos estivessem sendo torcidos por um fio de aço. A dor a deixou sem forças, e ela se deitou molemente, sem nenhum vestígio da teimosia de antes.