Capítulo 445: Capítulo 445 A Felicidade Chegou Tão Repentinamente

Bella acabara de voltar de uma viagem. Wenwan originalmente tinha prometido buscá-la no aeroporto, mas acabou esquecendo completamente do compromisso, e com a situação de Fiennes, simplesmente deixou passar. Se não fosse Bella ligar para ela, só se lembraria daqui a mil anos.

Flei se aproximou e lhe ofereceu água. Bella hesitou por um segundo antes de pegar. Ele apenas sorriu levemente para ela e se afastou em silêncio para o outro lado, como se quisesse deliberadamente criar distância, deixando-a parada ali, sem saber se ia ou ficava. Desde pequena, ela tinha dificuldade para tomar decisões, e a coisa que mais odiava era justamente ter que escolher.

A seguradora chegou rápido, pelo menos os fez esperar apenas uns dez minutos. Era a primeira vez que Bella passava por algo assim, e não entendia bem o processo, então deixou tudo por conta da seguradora. Já Flei, não sabia o que estava dizendo para eles, mas ela via o homem à sua frente se curvando e balançando a cabeça sem parar.

Bella ergueu o pulso para olhar as horas e de repente lembrou que os pais ainda a esperavam em casa. Explicou rapidamente o necessário e saiu apressada para pegar um táxi. A princípio, queria avisar Flei, mas vendo que ele estava ocupado, resolveu não incomodá-lo.

Quando Flei terminou de organizar tudo e voltou, não viu Bella e ficou um tanto confuso.

Enquanto isso, Wenwan, depois de desligar o telefone com Bella, ficou alguns minutos parada no carro. Não importava se sua inteligência estava funcionando ou não naquele momento, enquanto não visse Fiennes com os próprios olhos, seu coração continuaria suspenso, sem se acalmar. Fez uma pausa, pensou por alguns segundos e ligou para Fiennes.

Ocupado? Com quem ele estava falando?

Wenwan abaixou o vidro do carro. Daquele ângulo, olhando para cima, conseguia ver vagamente se a luz do apartamento estava acesa. Não viu o que esperava, e sentiu uma ponta de decepção. Quando já estava prestes a ir para outro lugar procurar, olhou de novo e viu a luz acender.

Wenwan imediatamente ficou feliz e dirigiu o carro para o estacionamento do condomínio, depois pegou o elevador rapidamente de volta ao apartamento. Ainda bem que a chave do apartamento estava com ela, assim não precisava que Fiennes abrisse a porta.

Quando estava na porta com a chave na mão, seu estado de espírito mudou. E se Fiennes não quisesse vê-la? E se ela estivesse indo se humilhar de novo? Naqueles poucos segundos, sua mente já estava a mil, sem que ela conseguisse controlar.

Pensando nisso, Wenwan começou a se dar auto-sugestões: tudo era porque Fiennes estava ferido. Ele não era apenas alguém que ela amava, mas também, aos olhos dos outros, seu tio. Uma sobrinha se preocupar com o tio não era a coisa mais natural do mundo?

Então, Wenwan rangeu os dentes, fechou os olhos e enfiou a chave na fechadura. Girou algumas vezes, e a porta se abriu. Um fio de luz entrou por seus olhos. Ela entrou silenciosamente, colocou a chave no aparador de sapatos, sem nem trocar de calçado, e foi direto para a sala. Lá estava Fiennes, sentado ereto no sofá, com os braços cruzados sobre o peito.

Wenwan perguntou, surpresa: "Você não sofreu um acidente de carro? Por que está aqui sentado como se nada tivesse acontecido, sem ir ao hospital fazer um exame?"

Fiennes lançou um olhar frio para Wenwan: "Isso te diz respeito?"

"Hum... isso, você não diz sempre que é meu tio? Então uma sobrinha se preocupar com o tio, não tem problema, não é?" Wenwan estava furiosa. Ela tinha corrido até lá e ainda assim recebia esse tratamento. Achava que só podia estar doente para ter vindo.

"Sobrinha se preocupar com o tio?" Fiennes bufou, com um tom de desdém.

Wenwan ficou ainda mais irritada: "Sim, eu sei que agora você tem uma beldade nos braços, e eu, essa sobrinha, sou só um enfeite descartável. Já que é assim, vou embora. Vai chamar sua beldade para cuidar de você, que tal?"

Dito isso, Wenwan virou-se para sair. Vendo Fiennes naquele ar arrogante e frio, concluiu que ele não estava ferido, e que Flei devia ter exagerado de propósito. Agora que tinha entendido, não queria mais ficar ali.

Fiennes, vendo que ela ia embora, ficou ainda mais frio: "Pare. Quem disse que você pode ir?"

"Tio, você por acaso quer brincar de dois voos?" Ela falou sem pensar, sem considerar as consequências. Naturalmente, Fiennes também não esperava que ela dissesse algo assim.

"Tão nova, quem te ensinou essas coisas?"

"Sua tia-avó nasceu esperta, aprendeu sozinha, não precisa de ninguém para ensinar."

"Wenwan, venha aqui."

"Vir aqui? Tio, você está com a vista cansada? Eu não sou sua beldade. Tem certeza de que está me chamando?" Wenwan colocou as mãos nos bolsos e disse com um sorriso de escárnio.

Fiennes sentiu um nó na garganta, quase cuspindo sangue de raiva. O clima entre eles ficou cada vez mais estranho, mas Wenwan agia como se não percebesse, continuando a provocá-lo.

"Hum..."

De repente, Fiennes levou a mão ao peito, soltando alguns gemidos baixos. A sala já estava muito silenciosa, e como os dois não estavam falando, o gemido chegou claramente aos ouvidos de Wenwan. Ela deu alguns passos à frente, viu sua postura, mudou de expressão e correu até ele, perguntando ansiosa: "Você está ferido."

"Coisa pouca."

"Ferimento é coisa séria, por menor que seja, se você não cuidar direito, pode piorar. Consegue se levantar? Vou com você ao hospital."

"Não vou."

"Por quê?"

"Vai sarar sozinho."

"Fiennes, você é criança? Precisa de alguém para te convencer a ir ao hospital? Não sabe que está ferido?"

Fiennes franziu a testa. Agora estava sendo chamado de criança por uma pirralha. A sombra em seu coração só aumentava. Ouvindo Wenwan, ele também se sentia como uma criança negligenciada, precisando que Wenwan o mimasse.

Dito isso, Fiennes jamais admitiria.

Fiennes insistiu em não ir ao hospital, e Wenwan, por ora, não sabia o que fazer com ele. Lembrando que havia um kit de primeiros socorros embaixo do aparador de TV, ela fez Fiennes sentar direito, correu até lá, abriu a gaveta, pegou o kit e voltou. Contra a forte resistência de Fiennes, ela mesma se surpreendeu ao conseguir arrancar a roupa dele.

Wenwan tirou a camisa dele. Desde que viu seu pescoço fino e branco, seu coração já começou a disparar, acelerando os batimentos, e seu rosto ficou vermelho. Fiennes, como se nada fosse, deixou-se manipular por Wenwan, de vez em quando baixando o olhar para dar uma olhada, sentindo uma brisa de primavera no peito.

"Por que você está usando tanta roupa?"

"Porque está frio."

Wenwan ficou sem graça. Cuidadosamente, começou a desabotoar os botões, preocupada em tocar no ferimento, enquanto se auto-sugestionava: não olhe para o que não deve. Mas por mais que tentasse, sentia a boca seca e o corpo todo um pouco quente.

Quando Fiennes ficou com a parte superior do corpo totalmente exposta, Wenwan ficou pasma. Ela olhou fixamente para o lugar onde ele estava segurando antes, mexeu os lábios e perguntou confusa: "Você estava segurando aqui, não estava? Estranho, cadê o ferimento?"

Antes que Fiennes respondesse, Wenwan de repente bateu na própria cabeça: "Deve ser lesão interna. Acho que você precisa mesmo ir ao hospital."

Fiennes sentiu algumas linhas pretas escorrerem pela testa. De repente, ele se inclinou levemente, estendeu a mão e segurou a de Wenwan, ajudando-a a se levantar e indicando que se sentasse ao lado. Wenwan, sem entender, seguiu seus movimentos.

Felizmente, o aquecimento estava ligado, então mesmo sem camisa, Fiennes não sentia frio. Pelo contrário, era ela que estava com um pouco de calor, mas atribuiu isso às roupas grossas que vestia, não à visão à sua frente.

Fiennes lembrou da última vez, também no apartamento, mas no quarto de Wenwan. Eles quase chegaram lá, mas foi interrompido por aquela ligação do suposto namorado de Wenwan, que acabou com a atmosfera de intimidade entre eles.

"O que você quer fazer?" Wenwan olhou fixamente para Fiennes, com os olhos brilhantes cheios de vergonha pelo que poderia acontecer, mas no fundo, sentia um fervor. Ela até queria que Fiennes se apressasse, sem essa de enrolação.

Derreta ela logo. Ela repetia isso mentalmente, mas Fiennes não fazia sua vontade, demorando para dar o próximo passo, apenas sentado ali, trocando olhares com ela.

Os olhos de Wenwan já estavam doendo de tanto piscar, e Fiennes ainda estava pensativo. Ela desviou o olhar, irritada, e disse de mau humor: "Fiennes, o que você quer afinal? Fingir que está doente só para ficar trocando olhar comigo?"

Ele franziu os lábios, sem responder. Então viu Wenwan se levantar furiosa, olhando para ele de cima. Seu coração apertou. Enquanto pensava se devia tomar a iniciativa, Wenwan, com um ar de heroína, inclinou-se, fechou os olhos e o beijou desordenadamente.

Mas, para sua surpresa, ela queria beijar a boca, mas por não enxergar direito, acabou acertando o nariz dele. Wenwan não ousou se mexer, e suas mãos, sem lugar para ficar, não sabiam onde colocar. Fiennes esboçou um sorriso no canto da boca, achando graça. Quando percebeu que Wenwan queria recuar, ele tomou a dianteira.

De olhos fechados, encontrou com precisão os lábios de Wenwan. Ela abriu os olhos de repente, olhando confusa para o homem absorto, com o coração batendo tão rápido que não conseguia controlar.

Wenwan envolveu o pescoço de Fiennes com as mãos, e suas pernas, sem querer, enlaçaram a cintura dele. Inclinou o corpo para a frente, colando-se firmemente ao dele.

Na residência dos Fei. Fei Sen estava em seu escritório, lendo um livro. Ele lia de acordo com seu humor naquele momento, e na ocasião, tinha em mãos "A Arte da Guerra". O computador na mesa estava ligado, e de repente emitiu um "ding". Ele fechou o livro distraidamente, estendeu a mão para o mouse, moveu-o lentamente e clicou na interface.

Fei Sen abriu o e-mail que acabara de receber. Vendo as fotos e as informações, ficou de bom humor. Levantou-se, colocou "A Arte da Guerra" de volta na estante e ficou diante da janela, pensativo, observando a neve que caía lá fora, sem saber desde quando. Abriu a janela, e uma lufada de vento trouxe flocos de neve para dentro do escritório.

Quem diria que meu primo, sempre tão indiferente a mulheres, também é como qualquer homem comum, incapaz de resistir à beleza. Estou curioso para saber: você prefere o reino ou a beldade?

Fei Sen ficou muito tempo diante da janela. Franzindo a testa, voltou à mesa e respondeu ao e-mail com apenas duas palavras: mídia.

No dia seguinte, bem cedo, Wenwan e Fiennes, ainda mergulhados no sono, foram despertados pelo toque de seus celulares.